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A entrada em campo se deu através de uma reunião formal com a coordenadora do curso, onde foi apresentada a proposta da realização de memoriais como parte do sistema de avaliação de aprendizagem da disciplina Competências Profissionais II que ministro ao 7º e 8º semestre do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas e, colhida a devida autorização para realização do estudo

(APÊNDICE A). Para a coleta de dados se fez uso de um roteiro de elaboração de narrativas de si (APÊNDICE B) objetivando conhecer mais sobre cada aluno e sua trajetória. A particiação na pesquisa foi espontânea, os alunos que manifestaram interesse em participar como sujeitos da pesquisa receberam e assinaram um TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido no qual consta que os dados obtidos seriam utilizados para a presente pesquisa de mestrado, respeitando-se o anonimato e as normas éticas (APÊNDICE C), além disso, o termo apresenta o descritivo do trabalho, salientando a participação voluntária em todas as suas etapas. Qualquer intervenção durante a pesquisa seria comunicada previamente e estaria enquadrada nas implicações de risco mínimo para os participantes, respaldadas pela comunidade científica.

A escolha da instituição de Ensino Superior se deveu ao fato de que o autor desta pesquisa participa do quadro de docentes de tal unidade há cerca de 3 anos como professor assistente no Curso de Ciências Biológicas, conhecendo amplamente os alunos, os gestores e a comunidade acadêmica. Além disso, como dito anteriormente, no início de minha carreira nesta instituição alguns problemas relativos à avaliação da aprendizagem despertaram meu interesse investigativo.

A investigação se efetivou durante todo o 2º semestre de 2016, onde os alunos foram conduzidos, durante encontros quinzenais, a produzirem narrativas memorialísticas de suas trajetórias profissionais e acadêmicas.

3.3.1 Os Sujeitos da Pesquisa

Os alunos sob análise pertencem a duas turmas de Ciências Biológicas que iniciaram seu curso em tempos distintos. Os alunos do 7NA ingressaram na universidade em agosto de 2013 e foram ensalados com os alunos do 8NA que haviam iniciado seus estudos em fevereiro de 2013. A partir deste momento as turmas permaneceriam unidas até o final de 2016, onde parte dos alunos se formariam e a outra parte iria realizar a grade curricular referente ao 1º semestre do curso. As turmas analisadas possuem juntas 35 alunos, no entanto, se voluntariaram para o estudo apenas 15 discentes, embora a atividade de criação de memoriais houvesse ocorrido com todos os alunos. Ambas as turmas cursam a grade curricular referente ao 8º semestre de Ciências Biológicas, os alunos do 8NA estão em fase final de formação, estando no último semestre do curso. Já aos alunos 7NA falta

realizar as disciplinas referentes ao 1º semestre do curso, pois foram ensalados com a outra turma ao iniciarem o curso no segundo semestre de 2013.

3.3.2 A Criação dos Memoriais de Trajetória Formativa

O exercício da criação de um memorial pode parecer inicialmente complexo, difícil ou sem relevância investigativa. Refletir sobre as próprias memórias pode trazer à tona uma infinidade de conflitos, experiências e constatações sobre as escolhas que são e foram realizadas na trajetória de vida de uma pessoa. Sem este recurso, inúmeros fatos vivenciados, que há muito haviam sido esquecidos ou de certa forma não se havia dado a devida importância, podem ressurgir e se ressignificar, propiciando uma apropriação consciente do passado e do presente.

A palavra “memorial” tem sua origem pautada no latim memoriale e significa momento, fatos memoráveis, que precisam ser lembrados. Para Carrilho et al. (1997), o Memorial é um texto de caráter científico, onde o autor descreve a sua trajetória profissional de forma crítica e reflexiva.

Nesta definição, segundo Freitas e Souza Jr., (2009), dois elementos se fazem igualmente importantes: a trajetória profissional e o teor crítico-reflexivo. Pelo fato de enfocar a trajetória profissional, o Memorial constitui-se como instrumento que enfatiza o indivíduo como sujeito construtor da história, uma vez que possibilita a reflexão sobre os fatos do seu cotidiano, as práticas individuais e a teia de relações sociais e interpessoais estabelecidas com outros sujeitos – alunos, professores, diretores, funcionários, membros da sua família. No que se refere ao teor crítico-reflexivo do Memorial, ele se acentua pelo fato de que o graduando é levado a reconstruir sua trajetória profissional e a captar, nos meandros de sua formação, a constituição dos saberes.

Recordar a própria vida é fundamental para nosso sentimento de identidade; continuar lidando com essa lembrança pode fortalecer, ou recapturar, a autoconfiança (THOMPSON, 1988).

Nóvoa (1988) afirma que as histórias de vida são fundamentais para compreender o processo da formação, uma vez que elas revelam elementos para a elaboração de novas práticas. As narrativas não são somente úteis para as pesquisas em educação, mas para todas as áreas de estudo do ser humano visto que, segundo Bauer e Jovchelovitch (2002), não há experiência humana que não

possa ser expressa na forma de uma narrativa. Assim, também afirma Demartini (2000), ao salientar que:

O enriquecimento da análise de várias questões educacionais só será possível com a utilização de relatos oriundos de uma grande diversidade de entrevistados, isto é, relatos de pessoas que estiveram em contextos diferentes, mesmo quando e em posições distintas, mesmo quando atuando todos como agentes (ou sujeitos) em uma mesma instituição. Em muitos casos, poderemos contar com relatos de várias pessoas situadas num mesmo grupo, mas também devemos ficar atentos para os casos em que esta riqueza não é possível, e há apenas um ou poucos representantes disponíveis. Ainda assim, este relato único pode ser fundamental, e é importante de qualquer maneira, pois não podemos esquecer que o social está sempre contido nas histórias individuais. Cabe ao pesquisador, assim, não só verificar o que é comum nos relatos de pessoas pertencentes a diferentes grupos e posições sociais no tocante às questões que estuda, mas, especialmente, verificar em que medida evidenciam representações diferenciadas e, mais ainda, como a vivência de um contexto social pode ser apreendida através da história de um único indivíduo.

Para a criação dos memoriais com os sujeitos de pesquisa foram propostas reflexões baseadas no Apêndice B. Ao término da pesquisa, cada participante respondeu a um questionário opinativo sobre o uso dos memoriais como instrumento de avaliação da aprendizagem naquela disciplina, ressaltando as dificuldades do processo, suas expectativas e se gostaram ou não de serem avaliados daquela forma. As questões foram:

- Quais as suas maiores dificuldades durante a elaboração do memorial? Comente.

- Você acredita que este tipo de avaliação seria mais adequada para alunos de E. Superior? Por que?

- Como os memoriais contribuiram para a sua aprendizagem? Comente. - Quais as contribuições que a criação de um memorial tiveram para sua trajetória acadêmica?

3.3.3 Análise do Conteúdo das Narrativas

Segundo Cavalcante, Calixto e Pinheiro (2014) a análise de conteúdo compreende técnicas de pesquisa que permitem, de forma sistemática, a descrição das mensagens e das atitudes atreladas ao contexto da enunciação, bem como as inferências sobre os dados coletados. A escolha deste método de análise pode ser

explicada pela necessidade de ultrapassar as incertezas consequentes das hipóteses e pressupostos, pela necessidade de enriquecimento da leitura por meio da compreensão das significações e pela necessidade de desvelar as relações que se estabelecem além das falas propriamente ditas.

Para Demartini (2000), é preciso lembrar que o processo de pesquisa é sempre muito complexo, envolvendo descobertas e impasses que devem ser analisados, isto é, colocando os pesquisadores sempre em situação de incertezas, mais do que em condições de traçar caminhos previamente definidos. Acreditamos que é esta postura aberta aos questionamentos ao longo da investigação, tão discutida por vários autores ao longo destes anos e que temos procurado desenvolver em nossas pesquisas, que nos tem permitido chegar a resultados mais fecundos e a discussões mais ricas do ponto de vista teórico-metodológico na abordagem histórico-sociológica de questões educacionais.

A análise das trajetórias de vida coletadas nesta pesquisa foi dividida, para melhor compreensão, em duas etapas: a primeira sintetiza as informações descritas em um quadro comparativo (APÊNDICE D) e a segunda consiste em traçar um perfil geral dos sujeitos baseado em categorias comuns básicas estabelecidas durante a leitura das memórias coletadas.

CAPÍTULO IV – CIÊNCIAS BIOLÓGICAS: MEMÓRIAS, PERFIS E HISTÓRIAS DE VIDA

Este capítulo tratará da exposição dos dados obtidos com a investigação prática, ou seja, os resultados e sua análise, além da transcrição dos memoriais de trajetória formativa dos discentes, traçando um perfil geral dos alunos que buscam sua formação no curso de Ciências Biológicas e a implicação destas narrativas para o curso.

4.1 O PERFIL DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS NA UNIVERSIDADE

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