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Chiffrement de Hill

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Por função cognitiva ou sistema funcional cognitivo entende-se as várias fases do processo de informação como perceção, aprendizagem, atenção, memória, raciocínio, vigilância e resolução de problemas. O funcionamento psicomotor, que engloba tempo de reação, tempo de movimento e velocidade de desempenho associa-se também ao conceito de função cognitiva (Antunes et al., 2006).

Vários estudos postulam que o envelhecimento pode resultar no declínio das capacidades cognitivas, sobretudo na lentidão do processo cognitivo, redução da atenção, dificuldade na retenção das informações apreendidas, decréscimo da memória perspetiva e contextual (Moraes et al., 2010).

No conjunto das principais dificuldades cognitivas, as complicações referentes à memória são comumente consideradas características do processo de envelhecimento. Assim como, algumas perdas em domínios cognitivos mais específicos, nomeadamente

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elasticidade e rapidez de raciocínio, realização de tarefas em simultâneo d tempo de reação, revelam-se características evidentes deste processo (Falkenstein & Sommer, 2006).

O nosso cérebro é susceptível a diversos fatores de risco que resultam em danos nas suas componentes celulares e às respectivas redes neurais que constituem as bases da capacidade cognitiva. O sistema cerebral possui a capacidade de reparar os danos e de se adaptar ou equilibrar a perda de neurónios e as perturbações neurais. Todavia, quando sucede um desequilíbrio entre a lesão neuronal e a sua reparação, esta competência é prejudicada, ocorrendo o denominado envelhecimento cerebral e a ocorrência de demências (Ball & Birge, 2002; Antunes et al., 2006).

Assim, têm sido identificados diversos fatores de risco relacionados com o aumento da predisposição de um indivíduo para o declínio cognitivo. Fatores como a idade, género, trauma craniano, nível educacional, tabagismo, stress mental, aspetos relacionados com a nutrição ou socialização (Antunes et al., 2006). Outros fatores relacionados com o declínio cognitivo são as doenças crónico-degenerativas, hipercolesterolémia, aumento na concentração plasmática de fibrinogénio e sedentarismo (Antunes et al., 2006). Por outro lado, o histórico familiar de doenças demenciais indica a existência de fatores genéticos associados (Argimon, Bicca, Timm & Vivan, 2006).

Em suma, a memória, linguagem, gnosia, praxia, função executiva e a função visuo- espacial permitem ao ser humano interagir com os indivíduos e com o meio que os envolve. A nossa singularidade é o resultado dos nossos conhecimentos e das nossas vivências e, desta forma, o declínio ou a perda da cognição é o desmoronamento da identidade que nos distingue como seres gregários e racionais (Moraes & Daker, 2008).

Assim, de seguida serão descritas as distintas particularidades de cada uma das funções cognitivas supramencionadas.

Existem várias definições para a memória, contudo vários autores definem-na como a capacidade que os sujeitos possuem para armazenar informação que pode ser futuramente evocada e utilizada. A memória do ser humano é percecionada como a autobiografia de um sujeito, registando as experiências e emoções de cada indivíduo. A memória representa a informação que é armazenada e que pode ser apresentada em qualquer momento da vida quando for solicitada (Silva, Navarro & Campos, 2007; Mancini, Matsudo, Pereira, Marin & Matsudo, 2014).

O nosso cérebro detém a capacidade e a função de filtrar os dados recebidos, selecionar a informação mais importante e, de seguida armazená-la. Assim, a informação é recebida através dos órgãos sensoriais, retida e processada. Desta forma, este conceito de

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memória supõe a existência de um conjunto de mecanismos mnésicos que se caracterizam pelo processamento de informações em três estágios: codificação (entrada de informação), armazenamento (consolidação, manutenção da informação no sistema de memória) e evocação (acesso e produção de informações anteriormente armazenadas). É de realçar que

os estágios mencionados não são unicamente sequenciais, existindo uma dinâmica recíproca, tornando-os correlativos (Charchat & Moreira, 2008).

Assim, a memória diferencia-se pelo armazenamento em curto e em longo prazo. A memória de curto prazo é capaz de operar com determinada informação percecionada durante um espaço limitado de tempo e pode, posteriormente, ser esquecida ou transferida para a memória a longo prazo (Taussik & Wagner, 2006). Neste tipo de memória distinguem-se outras duas componentes, nomeadamente: a memória imediata e a memória de trabalho. A memória imediata caracteriza-se pela capacidade de retenção, por breves segundos, de um número limitado de informações, embora esteja conservado o seu sistema atencional (manutenção passiva). Esta memória decai rapidamente, durante cerca de 20 a 30 segundos (Moraes & Lanna, 2008). Já a memória de trabalho constitui um sistema ativo que possui capacidade de armazenamento temporal limitado até que a informação obtenha algum significado ou sofra alguma transformação, mas suficiente para a manipulação da informação durante a execução de uma amplo leque de tarefas cognitivas complexas. Este tipo de memória é processada pelo córtex frontal e favorece a representação e a atenção selectiva na informação, mesmo na ausência de uma atividade percetual. Encontra-se diretamente relacionada com o humor, sono e atenção (Taussik & Wagner, 2006; Moraes & Lanna, 2008).

A memória de longo prazo é infinita na sua capacidade e é considerada estável, pois dura dias, semanas ou até a vida toda. Este tipo de memória possui a capacidade de conservar inúmeros fatos, conceitos e padrões, possibilitando preservar todo o passado autobiográfico e todos os conhecimentos de cada sujeito (Silva, Navarro & Campos, 2007). Por outro lado, existem autores que postulam a existência de uma memória intermediária. Este tipo de memória pode ser conservada durante dias e semanas mas acaba por ser perdida após um determinado período de tempo (Silva, Navarro & Campos, 2007).

Em relação à natureza, a memória pode ser dividida em memória implícita ou não declarativa, memória explícita ou declarativa e memória operacional. A memória implícita não necessita de uma recuperação consciente das experiências prévias e as funções decorrem de forma implícita, isto é, são executadas sem que o sujeito se aperceba disso (Kemoun, Thibaud, Roumagne, Carette, Albinet, Toussaint, Paccalin & Dugué 2010). A

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memória explícita é deliberada e remete-nos à memória de uma forma consciente e voluntária uma informação. É uma memória facilmente acessível a outros processos cognitivos, como a linguagem, sendo que as lembranças podem ser facilmente descritas de forma verbal. As memórias explícitas são armazenadas por períodos curtos, inferiores a 30 dias, no hipocampo e amígdala, por períodos mais longos, cerca de 30 a 60 dias, no córtex entorrinal e por períodos superiores a 60 dias no córtex parietal (Taussik & Wagner, 2006; Moraes & Lanna, 2008). Este tipo de memória divide-se ainda em episódica que fornece informação acerca das experiências pessoais e constitui a memória autobiográfica e semântica que se refere à memória para eventos e conhecimentos gerais do mundo (Taussik & Wagner, 2006; Kemoun et al., 2010).

As informações incorporadas na memória podem ser alteradas com a aquisição de informações novas e com incidentes posteriores de evocação, assim como pode ser alterada devido a influências endógenas, hormonais e neuro-humorais. Sensivelmente aos 45 anos, as aptidões cognitivas começam a diminuir, todavia este decrescimento decorre de uma forma mais lenta em sujeitos intelectualmente ativos. É de salientar que o nível de disfunção de memória varia de indivíduo para indivíduo, mas afecta consideravelmente o quotidiano e a qualidade de vida (Silva, Navarro & Campos, 2007).

A literatura defende que são vários os fatores que contribuem para o declínio da memória, sobretudo a idade, o baixo nível educacional e socioeconómico, o sedentarismo, a doença de Alzheimer, mudança na síntese de substâncias específicas relacionadas com a memória, diminuição da prática de habilidades motoras e sensoriais, doenças cardiovasculares, polimedicação, depressão, ansiedade, distúrbios no sono, entre outros (Silva, Navarro & Campos, 2007). Desta forma, é essencial manter um bom funcionamento da função cognitiva dos idosos para se atingir um envelhecimento saudável e ativo, pois é um dos principais problemas que surgem no decorrer do processo de envelhecimento (Dias & Lima, 2012).

No que diz respeito à linguagem, esta é uma função cognitiva constituída por um sistema complexo e dinâmico que possibilita ao sujeito comunicar e interagir com outros indivíduos através da partilha de informações, pensamentos, desejos e necessidades por meio de sons, gestos e sinais e, desta forma, é responsável pela formação, transformação e propagação de conhecimentos. É controlada pela região temporoparietal esquerda (Moraes & Lanna, 2008). Os autores Moraes e Lanna (2008) destacam os principais distúrbios observados ao longo do processo de envelhecimento:

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o Afasia: consiste na perceção e expressão da linguagem. Na afasia de Wernicke, a compreensão encontra-se comprometida, mantendo a expressão verbal intacta. Enquanto que na afasia de Broca, a expressão oral é atingida e a linguagem torna- se reduzida;

o Anomia: resulta da dificuldade em nomear pessoas ou simples objetos. Nos sujeitos com compromisso cognitivo, a anomia é compensada pelo recurso a termos vagos, repetições de ideias ou o uso excessivo de expressões como “coisa” ou “aquilo”, limitando o discurso do sujeito;

o Parafasia: deslocação da estrutura fonémica das palavras, com eliminação, inversão ou substituição das sílabas ou uso de palavras deformadas, contudo são identificáveis;

o Anosognosia: falta de consciência ou desconhecimento da existência de um problema ou défice;

o Alexia e dislexia: incapacidade ou distúrbio na leitura/escrita; o Agrafia e disgrafia: incapacidade ou distúrbio na escrita.

Importa referir que existem processos cognitivos relacionados com a linguagem mais vulneráveis com o processo de envelhecimento do que outros, todavia, sempre que se encontram fragilizadas algumas capacidades cognitivas do idoso, estas podem causar declínios na linguagem (Brandão & Parente, 2001).

No que concerne à gnosia, surge a problemática da agnosia. Este distúrbio não é uma alteração exclusiva das sensações, nem exclusiva da capacidade central de compreender objetos externos mas de uma alteração intermediária entre as sensações e a perceção. Em determinados casos, assiste-se à perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares, noutros casos existe integridade e extensão das sensações mas perde-se a capacidade de reconhecimento dos objetos. Este distúrbio pode ser visual, auditivo, tátil ou associativo. O sujeito pode reconhecer os componentes do objeto, mas não a sua totalidade, ou mesmo total quando a mesma atinge as dimensões da sensibilidade. Todavia, a agnosia visual é a mais vulgar e é detetada quando o sujeito não identifica objetos, locais, cores ou faces (prosopagnosia) que lhe são apresentadas, ainda que mantenha conservado o seu conhecimento (Moraes & Lanna, 2008).

A praxia define-se como a capacidade de formular, sequenciar, coordenar e executar gestos ou atos motores adquiridos, com uma determinada finalidade, quer seja de forma

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espontânea ou sob comando, surge a apraxia (Moraes & Lanna, 2008). Assim, a apraxia surge como uma perturbação na transmissão motora, no controlo de programação e automaticidade articulatória para uma produção voluntária, resultando da incapacidade de executar movimentos e gestos concretos previamente adquiridos, na ausência de anormalidades sensoriais ou motoras, falta de atenção ou compreensão do comando (Lima, Servelhere & Matos, 2012). Segundo Moraes e Lanna (2008) o principal responsável por esta função é o lobo parietal do hemisfério dominante, normalmente o esquerdo e, em caso de desconexão ou destruição das áreas associativas do hemisfério dominante, podem surgir as seguintes disfunções:

o Apraxia ideomotora: dificuldade na concretização de tarefas complexas que não dependem de objeto, isto é, gestos simbólicos ou ações sem propósito, como pantomimas ou simulação de utilização de objetos; incapacidade de transformar a ideia em ação;

o Apraxia ideatória: consiste numa desordem na sequência das ações necessárias para a utilização de um objeto originando uma desorganização total na sequência de gestos elementares. Assim, quanto mais complexa for a ação mais a apraxia será manifestada e o sujeito não consegue efetuar um sequenciamento lógico e racional das diversas etapas da execução de uma determinada tarefa.

A função executiva prende-se com a habilidade de resolver problemas, com o planeamento, com a inibição da resposta e com o processamento da informação. Vários estudos afirmam que as habilidades cristalizadas, também denominadas de conhecimentos adquiridos ao longo do processo de socialização, mantém-se preservada ao longo da vida. Todavia, as habilidades fluídas, responsáveis pela resolução de novos problemas, sofrem um declínio progressivo ao longo do tempo (Moraes, Moraes & Lima, 2010). No processo de envelhecimento, quer normal, quer patológico, as funções executivas tendem a se degradar. No envelhecimento normal, as modificações executivas sucedem de modo progressivo e lento até, sensivelmente os 60 anos, tornando-se mais visíveis a partir dos 70 anos. Este facto explica-se devido ao desgaste fisiológico natural dos lobos frontais. Também no declínio cognitivo leve e nas demências, as alterações de natureza executiva encontram-se presentes, no entanto de forma precoce e quantitativamente mais intensas (Banhato & Nascimento, 2007). O lobo parietal, especificamente a região pré-frontal, é responsável pelo controlo desta função (Moraes & Lanna, 2008).

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Por fim, a função visuoespacial localiza-se na região parieto-occipital e envolve a identificação de estímulos referentes à capacidade de localização no espaço e perceção da relação dos objetos entre si (Moraes & Lanna, 2008). É uma habilidade abstrata e vasta, correspondendo a um tipo de processamento geral capaz de produzir, registar, relembrar e transformar imagens e sensações visuais. Por norma é utilizada para tarefas que envolvem a perceção e transformação de figuras, formas e imagens visuais, mas também por tarefas que pretendem manter a orientação espacial relativa a objetos que se movem no espaço (Gomes & Borges, 2009). Dificuldades na leitura, no cálculo de operações numéricas e problemas de orientação podem concluir défices na função visuoespacial e não, necessariamente, de uma desordem nas áreas relativas à memória ou à linguagem (Quental, Brucki & Bueno, 2009). Desta forma, o declínio desta função resulta numa desorientação espacial e, assim o indivíduo pode perder-se em percursos do seu quotidiano ou dentro da sua própria casa. A orientação geográfica, topográfica e a avaliação da distância e direção encontram-se comprometidos. Além disso, a cópia de desenhos intersetados confirma a evolução deste declínio cognitivo (Moraes & Lanna, 2008).

Ao longo do processo de envelhecimento as diversas áreas correspondentes ao funcionamento cognitivo podem ser afetadas. Além disso, o envelhecimento tem sido caracterizado pelo desenvolvimento de demências, perda de independência, hospitalização e por fim, morte (Paúl, Ribeiro & Santos, 2010). O défice cognitivo pode originar alterações na autoestima e na qualidade de vida das pessoas mais idosas e na realização de atividades do quotidiano, como confecionar refeições, vestir-se, entre outras. Desta forma, torna-se fundamental para uma melhor qualidade de vida que os sujeitos adotem estratégias que possibilitem a manutenção ou o aumento das capacidades cognitivas (Soares, Diniz & Cattuzzo, 2013).

Vários estudos apontam que quanto maior for a estimulação cognitiva por parte dos idosos, mais tempo o cérebro irá assegurar as conexões sinápticas e, desta forma, conservar as principais habilidades cognitivas devido à plasticidade adquirida (Carvalho, Medeiros, Silva, Barbosa & Souza, 2014).

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