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Dans le document GUIDE PL/M-86 (Page 29-33)

Esta investigação, como já citado nos tópicos anteriores, propõe o uso da gamificação como estratégia qualificada para incentivar e estimular o ato da leitura com os frequentadores infantis e juvenis da biblioteca. O estudo dá-se a partir da junção entre revisão bibliográfica de conceitos que contribuam para a discussão somada ao trabalho de campo desenvolvido em uma biblioteca.

Pretende-se, pois, aplicar a gamificação como uma metodologia para a solução de problemas de subutilização do Espaço Infantil da UI em estudo, bem como a falta de leitores. Para desenvolver a pesquisa entende-se que a abordagem metodológica empregada deveria ser, quanto à sua natureza, aplicada.

Utilizou-se métodos de observação, entrevistas e dados estatísticos para levantamento de informações, além de elementos estatísticos extraídos de pesquisas sobre o comportamento desta geração em relação às atividades de leitura. Uma vez reunidos todos estes elementos investigativos, caminha-se para a análise, compreensão e interpretação destes dados obtidos.

A abordagem metodológica, quanto aos seus objetivos, é caracterizada como exploratória descritiva. É classificada desta forma porque o problema não só é analisado, como são planejadas, aplicadas, descritas e avaliadas ações a fim de refletir sobre a situação evidenciada e propor soluções práticas.

Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa, pois explora dados estatísticos da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 4 (FAILLA, 2016) e TIC kids online Brasil 2018 (PESQUISA SOBRE O USO DA..., 2019), fontes importantes para pensar a justificativa do uso da gamificação como uma metodologia para incentivar e engajar crianças e jovens na leitura, já que apresentam dados que caracterizam o novo comportamento informacional da geração Z, que é o foco do estudo em curso. Este estudo considera também dados extraídos do sistema InformaWeb para análise quantitativa do impacto da gamificação. Baseia-se também na exploração de elementos investigativos próprios da pesquisa qualitativa, como entrevistas e observações.

Acredita-se que a junção da abordagem qualitativa – centrada na compreensão da dinâmica das relações sociais, das subjetividades, aspectos que não podem ser quantificados – com a quantitativa – que recorre à linguagem matemática para análise do fenômeno – contribuirá para um estudo mais completo pois, como afirma Fonseca (2002, p. 21), “a utilização conjunta da pesquisa qualitativa e quantitativa permite recolher mais informações do que se poderia conseguir isoladamente”. Os autores Prodanov e Freitas (2013) também afirmam que, quando utilizadas em conjunto, as abordagens qualitativa e quantitativa se complementam.

Quanto as características da pesquisa qualitativa, Minayo (2012) afirma que o verbo principal de suas análises é verbo compreender. Na busca pela compreensão, acrescenta a autora,

é preciso levar em conta a singularidade do indivíduo, porque sua subjetividade é uma manifestação do viver total. Mas também é preciso saber que a experiência e a vivência de uma pessoa ocorrem no âmbito da

história coletiva e são contextualizadas e envolvidas pela cultura do grupo em que ela se insere. (MINAYO, 2012, p. 623).

Portanto, cada indivíduo é único em suas vivências, sua personalidade e sua biografia; suas experiências são construídas na dinâmica do encontro de sua individualidade com o coletivo. Nesse sentido, afirma Minayo (2012) que é necessário ponderar que a compreensão de qualquer fenômeno é parcial e inacabada, uma vez que tanto o ser investigado quanto o ser investigador possuem entendimento contingente e incompleto de sua vida, de seu mundo e de suas compreensões e interpretações.

A busca pela compreensão passa pela observação dos processos que ocorrem no cenário da pesquisa. Nela, é preciso dar voz e protagonismo aos agentes sociais investigados. A trama da pesquisa qualitativa será tecida com as percepções do investigador e de interlocutores que trazem a ela novos olhares, novas observações.

Assim, buscando maior complexidade e maior completude na compreensão da situação investigada, a análise na presente pesquisa se dará na transversalidade de diversos discursos que se agregam. O referencial teórico atua como guia; à observação especulativa, que buscou captar, narrar e analisar criticamente as dinâmicas experimentadas em campo, serão somadas as vozes de outros indivíduos envolvidos nessas dinâmicas, que trazem à análise suas próprias percepções, baseadas em suas vivências e nos conhecimentos que carregam consigo.

A partir das entrevistas realizadas buscou-se resgatar as percepções dos próprios usuários investigados – que são os protagonistas do estudo, conforme Minayo (2012) – e de seus responsáveis, que estavam presentes e muitas vezes participavam das ações. Ao entrelace das vozes dos autores citados, da investigadora e dos atores, soma-se a voz da bibliotecária e gestora da biblioteca em estudo, que vivencia cotidianamente a dinâmica entre usuários e a Biblioteca. Os saberes práticos e técnicos de Ana Maria influenciam em suas percepções sobre as atividades desenvolvidas e, portanto, suas observações enriqueceram a análise. A entrevista com a bibliotecária foi realizada em momento posterior às atividades.

Portanto, temos até aqui um cenário de indivíduos que participaram das atividades gamificadas e outros que observaram as dinâmicas e o resultado causado nos atores que estiveram envolvidos. A partir destas experiências, utilizando

entrevistas, depoimentos e observações, foram coletadas as impressões sobre a atividade.

Para o design de atividades gamificadas foi selecionada a metodologia proposta por Vienna et al. (2013) que, como já exposto anteriormente, propõe um planejamento sistematizado seguindo critérios e dando ênfase à importância da avaliação da atividade gamificada. Esta metodologia, assim, faz parte do processo de planejamento e aplicação da gamificação. É importante reforçar que a presente investigação envolve um processo maior (da revisão bibliográfica ao trabalho de campo) e assume uma metodologia quali-quantitativa. Isto porque, como já foi dito, utiliza dados estatísticos de pesquisas institucionais, além de elementos investigativos (diário de campo, observações, anotações, atividades, registros visuais, etc.) característicos da pesquisa qualitativa.

Foram participantes da pesquisa no trabalho de campo os frequentadores do Espaço Infantil da biblioteca em questão. Dentre os participantes das atividades, foi selecionada certa quantidade de crianças para representar uma amostragem. Ao todo foram realizadas vinte entrevistas.

As atividades gamificadas foram conduzidas pela estagiária de Biblioteconomia, autora do presente trabalho. Entretanto, foi relatado que, em inúmeras ocasiões, fora do horário de trabalho da estagiária vários usuários tiveram iniciativa e autonomia de interagir com as gamificações sem a mediação de ninguém. Portanto, não houve registro de quantos e quais usuários, exatamente, interagiram com as atividades. Como o número de funcionários da Biblioteca à época do trabalho de campo era reduzido, o planejamento, a implementação, o acompanhamento e a avaliação das atividades gamificadas propostas ficaram ao encargo apenas da estagiária/pesquisadora. As demais funcionárias da Biblioteca contribuíram com suas próprias observações sobre as atividades, mas o olhar investigativo e as entrevistas com os participantes e seus responsáveis ficaram limitadas à disponibilidade da estagiária.

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