a) Caraterização da Pessoa Idosa com Demência da Amostra
Tabela nº1: Caraterização da Pessoa Idosa com Demência
Sexo Feminino 6 Masculino 4 Total: 10 Idade 76 a 80 anos 2 81 a 85 anos 3 86 a 90 anos 5 Total: 10
Estado civil Solteiro 1
Casado 2
Viúvo 7
Total: 10 Os resultados apresentados na tabela nº1, permitem-nos caraterizar a pessoa idosa que se apresenta num processo de institucionalização ou já institucionalizada. Falamos maioritariamente de mulheres (6), sendo que, 3 delas se situam na faixa etária dos 81 aos 85 anos, e as restantes 3 estão no intervalo dos 86 aos 90 anos. Os homens idosos (4) dividem – se igualmente pelas seguintes faixas etárias: 2 deles posicionam-se no intervalo dos 76 aos 80 anos e outros 2 têm idades compreendidas entre os 86 a 90 anos. As mulheres idosas são maioritariamente viúvas (5), havendo no entanto uma delas que se manteve solteira. Os homens idosos sobre quem recaiu este estudo (4) dividem-se igualmente pelo estado civil de casado (2) e pelo estado civil de viúvo (2).
Fatores da Institucionalização da Pessoa Idosa com Demência
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b) Caraterização da Demência
A demência, como um dos conceitos- chave desta investigação, foi entendida como um processo que leva a perdas de natureza cognitiva, mas que invariavelmente tem impacto a nível das capacidades físicas, volitivas, afetivas e ao nível da personalidade, comportamento social e motivação. Este processo pode ser causado por uma infinidade de enfermidades, desde a mais vulgar carência vitamínica até à mais complexa doença degenerativa cerebral. Deste modo, é fulcral proceder-se a um correto e minucioso diagnóstico, que numa fase precoce da doença torna-se um processo complexo, rodeado de constrangimentos relacionados com fatores como a própria idade, escolaridade, nível sociocultural, a co-morbilidade, alterações comportamentais/funcionais causadas por outros problemas. Face ao exposto, é comum o diagnóstico quando o impacto da doença na funcionalidade da pessoa é já evidente.
A realidade que apresentamos no gráfico nº1 e no gráfico nº2 explica-se à luz do que foi referenciado anteriormente. Uma das pessoas idosas com demência não tinha diagnóstico, porque se encontrava numa fase inicial da doença (fase 3 – deficit ligeiro da memória). Não obstante o familiar responsável referiu que informalmente o clinico que seguia a pessoa idosa referiu poder “afirmar, ainda que com reservas, que se tratava da doença de Alzheimer”.
Os familiares responsáveis por seis pessoas idosas referiram que lhes tinha sido diagnosticada doença de Alzheimer, diagnóstico possibilitado pelo facto de serem já visíveis alterações relevantes na sua funcionalidade (três delas encontravam-se na fase 5 – demência moderada, e outras três encontravam-se na fase 6 da doença – demência grave).
Dois dos entrevistados referiram que os seus familiares padeciam de demência vascular, numa fase inicial da doença (fase 3 – deficit ligeiro da memória) e por fim, um dos entrevistados referiu desconhecer o tipo de demência de que padecia o seu familiar idoso. Através da Escala Global de deterioração, adaptada de Reisberg, de 1982 (Sequeira; 2007:82), instrumento utilizado nesta investigação para se poder perceber as diferentes fases destas patologias, e com a referenciação das perdas funcionais
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associadas a cada fase da doença, pudemos apurar tratar-se de uma pessoa idosa com demência na fase 4 – demência ligeira ou inicial.
Genericamente falando, todos os entrevistados referiram que a doença tinha sido o fator chave para o desencadear da dependência e da necessidade de encontrar resposta para garantir a prestação de cuidados à pessoa idosa.
Apenas uma entrevista foi efetuada na presença da pessoa idosa com demência, e tal aconteceu porque o familiar responsável assim o exigiu. Não foram colocados quaisquer óbices à decisão do entrevistado uma vez que a pessoa idosa em questão estava numa fase da doença avançada, concretamente na fase 6 (demência grave) e portanto estava incapaz de reconhecer o seu familiar (tratava-se do marido) e incapaz de percecionar o meio que o rodeava, estando, por vezes, completamente “ausente”.
Houve intencionalidade em promover o conhecimento de cada uma das restantes pessoas idosas, que acabou por acontecer no próprio equipamento, passado cerca de 5 meses após a entrevista aos familiares responsáveis. Pôde-se apurar que, após este período, que podemos avaliar de curto, a demência tinha “tomado conta” dos seus portadores, sendo que todas as pessoas idosas, incluindo aquelas que à partida estavam em fases iniciais da demência (3 indivíduos idosos), tinham sofrido agravamento significativo ao nível da memória, concentração, atenção e orientação e estavam já dependentes para algumas atividades de vida diária.
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Gráfico nº2: Fase da Doença – Demência, segundo Escala Global de Deterioração, adaptada de Reisberg, 1982
c) Caraterização do Grau de dependência da Pessoa Idosa com demência
Para se perceber o grau de dependência da pessoa idosa com demência, foi aplicada uma escala de avaliação rápida e global da dependência das atividades de vida diária (AVD’s) (Benhamou, s.d. cit por sequeira; 2007:152), que permite aferir o impacto da deterioração cognitiva na realização das atividades do quotidiano, através da avaliação de 12 critérios, agrupados em 4 áreas: atividades corporais – alimentação, higiene e eliminação; atividades sensoriais – fala, visão e audição; atividades locomotoras – transferências, deslocação e espaço de vida; e atividades mentais – memória, comportamento e humor.
Cada item pode ser caracterizado de três formas distintas, uma que reproduz autonomia, uma segunda que preconiza alguma dependência e uma terceira que remete para a total ausência de autonomia. Cada item recebe uma pontuação que oscila entre zero (autonomia) e dois (dependência).
O resultado total é obtido através da soma das 12 respostas, que permite aferir o grau de dependência da pessoa idosa, sendo que:
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1 a 7 – Grau de dependência ligeiro 8 a 14 – Grau de dependência moderado 15 a 19 – Grau de dependência severo 20 a 24 – Grau de dependência muito severo
Assim, e como podemos verificar pelo gráfico nº.3, que apresentamos de seguida, as pessoas idosas com demência, alvo do nosso estudo, dividem-se entre o grau de dependência ligeiro (2 indivíduos) moderado (4 indivíduos) e severo (4 indivíduos).
Gráfico nº3: Dependência da Pessoa Idosa com Demência – Mini Dependence Assessment (MDA)
Como já foi referido anteriormente, o grau de dependência de todas estas pessoas idosas com demência foi reavaliado pelo investigador, após 5 meses de institucionalização. Apurou-se que todos eles tinham regredido na sua autonomia, especialmente aqueles que se encontravam, à data da entrevista, com níveis de dependência mais baixos.
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