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5-2. Changing Directories

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À época da emigração, a Pomerânia era uma província da Prússia e se dividia em

Vorpommern (Pomerânia Anterior) e Hinterpommern (Pomerânia Posterior)4. Basicamente, tudo que ficava a leste da cidade de Stettin, capital da Pomerânia, era conhecido como Pomerânia Anterior ou Ocidental e, a oeste, Pomerânia Posterior ou Oriental. É desta última região, das cidades de Belgard, Greifenberg, Kolberg, Kowak, Labes, Regenwald e arredores – as quais, desde o fim da Segunda Guerra, estão sob o domínio da Polônia - que procede a maioria dos colonos pomeranos hoje residentes em solo capixaba (RÖLKE, 1996).

A Pomerânia Ocidental tinha terras férteis e um clima adequado para o plantio de trigo, cevada e beterraba açucareira, principalmente, mas, também, frutas, verduras e legumes; tanta produtividade lhe garantiu o título de "celeiro agrícola" (JACOB, 1992) da Europa. Além disso, situada à costa do Mar Báltico, tinha mais possibilidade de comércio e navegação, sendo, portanto, mais desenvolvida.

A Pomerânia Oriental tinha um solo muito arenoso e altitudes muito elevadas, que favoreciam geadas, quando na região Anterior já se plantavam as culturas de verão. "Com apenas cinco meses à disposição para plantar aquelas culturas importantes para abastecer a propriedade durante os meses de inverno, os colonos da Pomerânia Oriental tinham enormes dificuldades para sobreviver" (RÖLKE, 1996, p. 05).

Sabe-se que aquela região já foi habitada desde a Idade da Pedra (10.000 - 4.000 a.C.), mas foi à epoca da Idade do Bronze (4.000 - 1.500 a.C.), quando o homem começou a viver em comunidade, que os germânicos começaram a habitar essa região. Embora esses dados sejam conhecidos, não se sabe exatamente quais os povos germânicos habitaram aquela região. Alguns dizem que foram ostrogodos, visigodos, rugios e suevos. Segundo Rölke (1996), esses habitantes permaneceram por lá até o anos 175 d.C., quando se iniciou a Migração dos Povos, um movimento histórico no qual a população do norte migrou para o sul, em direção ao Mar

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Podemos encontrar também as denominações de Pomerânia Ocidental e Oriental, nomeando a Pomerânia Anterior e a Posterior, respectivamente. Rölke (1996) e Tressmann (2005) usam a primeira nomenclatura e Jacob (1992) usa a segunda. Apesar da diferença de nomes, trata-se da mesma divisão.

Mediterrâneo, em busca de mais espaço, pois havia, então, um grande crescimento demográfico.

Com isso, a Pomerânia esvaziou-se de germânicos; em compensação, os eslavos, mais especificamente os wendes, vindos do leste, começaram a ocupá-la de novo. Sabe-se que o nome Pomerânia vem da língua wende, em que Pomorje significa "terra perto do mar ou no mar" (RÖLKE, 1996; TRESSMANN, 2005). Os wendes eram, a princípio, nômades e provavelmente possuíam rebanho, pois o nome

wendes quer dizer "habitantes de grande pastagem" (TRESSMANN, 2005). Aos

poucos, depois de já estarem instalados na Pomerânia, os wendes começam a se fixar, formando pequenas vilas. Eles trabalhavam a terra em conjunto e tinham uma profunda relação com a natureza (RÖLKE, 1996).

Como a Pomerânia era uma terra baixa, com muitos lagos e rios, abundante em alimentos - sobretudo a parte anterior, Vorpommern -, logo os povos vizinhos começaram a se interessar por essa região e a invadi-la. Essas invasões provocaram desordem e, sobretudo, insegurança entre os wendes-pomeranos, que procuraram a proteção das famílias mais poderosas, oferecendo em troca seu trabalho.

Os vikings, que habitavam a Noruega, e os dinamarqueses faziam invasões pelo Mar Báltico, e os poloneses, apesar da ascendência comum, travavam guerras ao sul, por terra: "Os poloneses conseguem dominar, por três vezes, parte do território da Pomerânia. Mas os pomeranos logo reconquistam sua liberdade" (RÖLKE, 1996, p. 11). Entre os séculos X e XI, poloneses e dinamarqueses arrasaram parte da Pomerânia, mas nenhum desses países consegue estabelecer o seu domínio completo nessas terras (RÖLKE, 1996). No entanto, a Polônia conseguiu a posse da capital e, vendo que pela via militar não conseguiria dominar os pomeranos, traçou uma estratégia que previa cristianizá-los. Assim, em 1124, o Bispo Otto de Bamberg chega à Pomerânia com a intenção de deixar esse povo dócil para os poloneses. Sua presença é marcada pela destruição do templo do deus Triglaw, em Stettin, e a construção de 11 igrejas e mais de 22 mil batismos. Rölke (1996) acredita que o receio com relação aos poloneses, que tinham arrasado a Pomerânia, fez com que os pomeranos aceitassem pacificamente a conversão. Porém, tão logo o bispo

deixou o solo pomerano e o quadro político o permitiu, os pomeranos voltaram à fé antiga (RÖLKE, 1996).

Mais tarde, em 1128, Otto de Bamberg empreende sua segunda viagem de cristianização em terras pomeranas. Dessa vez, a pedido do Duque pomerano, que teme nova invasão militar dos poloneses. Sendo o bispo apoiado pelo rei Lotário III, os poloneses são obrigados a desistir da invasão. Essa segunda fase da cristianização, sendo ela apoiada financeiramente pelo rei germânico, queria "abrir as fronteiras pomeranas para o comércio e a cultura alemã" (RÖLKE, 1996, p. 13). O intento foi cumprido. "De maneira 'pacífica' e em nome de Cristo, fazem os pomeranos se tornarem comercialmente e culturalmente dependentes da Alemanha!" (RÖLKE, 1996, p. 13). Todos esses processos que Rölke (1996) chama de germanização se deram entre os anos de 1128 e 1400.

Nesse meio tempo, a cultura alemã é interiorizada e assumida quase que totalmente (RÖLKE, 1996). A partir de 1400 começa a se falar o Pommersch-Platt na Pomerânia. Essa língua baixo-alemã passa a ser a língua oficial do comércio e da cultura; mais tarde, é assumida por quase toda a população; apenas uns poucos da Pomerânia Oriental continuam falando a língua wende até 1500.

No ano de 1530, é introduzido o movimento de Reforma religiosa na Pomerânia, o qual foi aderido pela nobreza e pelos ducados e, em seguida, por todos, devido ao sistema feudal de servidão. Segundo Rölke, "a Pomerânia se torna toda evangélico/luterana, evitando-se assim o que aconteceu em outras partes da Europa, onde católicos e luteranos viviam em constantes conflitos" (1996, p. 17).

Apesar de não haver conflitos internos entre luteranos e católicos, essa rivalidade religiosa chegou ao território pomerano com a Guerra dos 30 anos, que aconteceu entre 1618 e 1648. A religião e a política foram os fatores que geraram esse conflito. As tropas imperiais alemãs confiscaram todas as colheitas e animais dos pomeranos para o seu sustento, e as consequências foram rastros de destruição e sofrimento, gerando fome e pobreza por toda a Pomerânia (RÖLKE, 1996). Alguns anos depois, os suecos, irmãos de fé, desembarcaram suas tropas em terras pomeranas. O que a princípio parecia ser um alívio, logo se tornou um pesadelo, pois os suecos agiram da mesma forma que as tropas imperiais. Cobravam o seu sustento da população e

levaram a Pomerânia à ruína. Como se isso não bastasse, as tropas imperiais alemãs tentaram reconquistar o solo pomerano. Calcula-se que 50% da população pomerana tenha morrido em razão dessa guerra (GRÜNEWALD, 2013).

Em meio a esses trágicos fatos, morre o duque pomerano Bogislaw XIV, o último descendente dos grifos. Assim, conforme o tratado assinado em 1529, a Pomerânia passaria a pertencer a Brandemburgo. Entretanto, os suecos que ainda estavam em solo pomerano não permitiram isso. Só em 1720 é que Brandemburgo consegue se apoderar desse território, mas ainda assim teve de lutar bravamente contra russos e suecos. Como se isso não bastasse, em 1806, Napoleão passa sobre a Pomerânia rumo à Rússia, causando enormes estragos.

Nove anos mais tarde, em 1815, após a queda de Napoleão, é discutida no Congresso de Viena a remodelação do continente europeu. No que tange à Pomerânia, fica decidido que a Suécia deverá deixá-la por completo e, com isso, em 1817, surge a Província Prussiana da Pomerânia, lembrando que até então a Pomerânia fazia parte da Confederação Germânica.

Em 1807, havia sido abolido o sistema de vassalagem em toda a Prússia. Por conseguinte, também na província da Pomerânia, é implementada a Reforma Agrária. Essa nova lei permitia, entre outras coisas, que o colono não seria obrigado a trabalhar nos latifúndios, poderia casar-se com quem quisesse e se mudar a qualquer momento (RÖLKE, 1996). Mas os latifundiários não gostaram das mudanças e pressionaram o rei da Prússia, que reformulou a lei e assegurou à nobreza a permanência de muitas terras em seu poder. Com isso, os colonos dificilmente conseguiam os meios financeiros para se tornarem proprietários de terras.

A situação piorou quando ali chegou a Revolução Industrial. Esse processo provocou o uso "racional" da terra (RÖLKE, 1996, p. 24) e mudou substancialmente a lida com a terra, uma vez que foram criados novos implementos agrários e inventadas novas ferramentas agrícolas que levaram ao cultivo permanente de todas as áreas, a despeito do clima. Segundo Rölke,

É natural que esta máquina a vapor também logo teve emprego na agricultura. Trabalhos que antes eram feitos com animais e para cujo trato e

manuseio se precisava de muitas pessoas, passam agora a ser feitos pela máquina a vapor, onde são necessárias poucas pessoas para manejá-la (1996, p. 26).

Inventou-se cada vez mais: maquinário para arado, adubos minerais, etc, tudo que aumentasse a produtividade e suprimisse a necessidade da força de trabalho humano. A industrialização, aliada à explosão demográfica na primeira metade do século XIX, resultou na sobra de mão de obra no campo. E essa mão de obra sequer poderia ser aproveitada pela indústria de Stettin, capital da Pomerânia, porque era desqualificada, já que o nível de escolaridade no campo era baixo. O homem rural pobre sequer tinha perspectivas (RÖLKE, 1996).

Outro fator agravava a situação dos camponeses: sua confissão luterana estava ameaçada. Em 1817, quando se festejavam os 300 anos da Reforma Luterana, o então rei da Prússia, Frederico Guilherme III, decidiu unificar as igrejas presentes em seu território, ou seja, seu projeto era unir a Igreja Luterana à Igreja Calvinista. Aparentemente essa união foi aceita por todas as partes envolvidas; no entanto, em 1822, quando essa união iria se efetivar através da uniformização da liturgia do culto, o rei encontrou fortes resistências. Os pomeranos, segundo Rölke (1996), levavam a confissão religiosa muito a sério e eram muito apegados à tradição. Sendo assim, eles se opuseram fortemente a essa novidade. Também outros povos, como os silésios, para não abrir mão da confissão luterana, decidiram emigrar para os Estados Unidos, à procura de sua liberdade religiosa:

Também entre muitos pomeranos cresce o desejo de emigrar para um lugar onde possam confessar livremente sua fé evangélico/luterana. A esta vontade soma-se, principalmente, a procura por perspectivas de vida melhor, pois na Pomerânia estavam sem emprego, empobrecidos e famintos (RÖLKE, 1996, p. 32).

E assim o fizeram. Apesar da oposição e das imposições reais, em 1839, um primeiro grupo recebe a permissão para emigrar para os Estados Unidos da América (EUA). Eram, ao todo, 570 pomeranos. E muitos outros foram para o mesmo destino. Segundo Rölke (1996, p. 33), 331.400 imigrantes pomeranos emigraram para os EUA.

Ao mesmo tempo, os pomeranos também decidiram emigrar para o Brasil e para a Austrália. Estima-se que 30.000 pomeranos tenham vindo para nosso país. Os primeiros chegaram em 1859 e vieram para o Espírito Santo (RÖLKE, 1996).

E quando muitos já haviam emigrado, veio o ápice da tragédia dos pomeranos, com a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, em 1945. Na Conferência de Potsdam - que reuniu os países aliados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial -, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação militar. Três zonas a oeste viriam a formar a República Federal da Alemanha, conhecida como Alemanha Ocidental, enquanto que a área ocupada pela União Soviética se tornaria a República Democrática da Alemanha, conhecida como Alemanha Oriental, no ano de 1949. Em Potsdam, os aliados decidiram também que as províncias a leste dos rios Oder e Neisse, entre elas a Pomerânia, seriam transferidas para a Polônia e para a Rússia. A transferência significou a perda de grandes territórios historicamente alemães. O acordo também determinou a extinção da Prússia e a repatriação dos alemães que residiam naqueles territórios, formalizando o êxodo alemão da Europa Oriental.

Com essa divisão, o regime czarista passou a ocupar a região das províncias a leste dos rios Oder e Neisse, onde ficava a Pomerânia, e tentou "russificar" à força os poloneses e os demais povos que estavam no território, incluindo os pomeranos, o que forçou uma segunda emigração de centenas de milhares deles. Alguns poucos se refugiaram no território alemão, mas a maioria emigrou para outros países (SCHUMM, 2013). Os que ficaram na Alemanha durante a invasão russa se miscigenaram rapidamente, a fim de evitar perseguições. Dessa forma, pode-se dizer que não existem pomeranos em suas áreas de origem, pois, diante da forte discriminação que sofreram, os que decidiram ficar perderam todos seus traços culturais, inclusive sua língua, que é considerada oficialmente morta ali (TRESSMANN, 2005; SCHUMM, 2013).

Nesse cenário, o que restou da antiga Pomerânia, em território alemão, encontra-se no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, que está dividido em doze distritos (Kreise) e seis cidades independentes (Kreisfreie Städte), sendo que os

Kreise Nordvorpommern e Ostvorpommern correspondem a distritos da então

Pomerânia que permanecem até hoje sob controle da Alemanha (KALK, 2009).

A Polônia divide-se em dezesseis províncias (voivodias), que se baseiam em regiões históricas do país. O território pomerano polonês foi dividido em três voivodias,

assim chamadas: Pomerânia (Pomorskie), Pomerânia Ocidental (Zachodniopomorskie) e Cujávia - Pomerânia (Kujawsko-Pomorskie) (KALK, 2009). Das duas primeiras regiões vieram a maioria dos imigrantes pomeranos que aqui chegaram, no século XIX.

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