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Annexe : Codes MATLAB

A.1 Le championnat de basket

O cuidado de si consiste em um conjunto de regras de higiene que, sempre fez/faz parte da vida dos seres humanos. Logo ao amanhecer a primeira coisa que fazemos é um cuidado diário com a higiene do nosso corpo, cuidamos do corpo, por exemplo, ao escovarmos os dentes, tomarmos banho, lavar e pentear os cabelos, entre outros vestirmos uma roupa limpa.

Essas pequenas coisas fazem parte dos nossos hábitos cotidianos, e isso passa de geração em geração. Ao longo dos tempos esses hábitos foram passando por mudanças e transformações, até chegar aos dias de hoje cada vez mais sofisticados. Isso graças ao surgimento de novos produtos, como cremes, loções e a imensa variedade de cosméticos, que vão surgindo no mercado para que o cuidado de si evolua e aumente cada vez mais.

Observa-se uma variedade de fórmulas utilizadas para caracterizar o cuidado de si, mas é preciso lembrar que o conhecimento de si ganhou relevada importância. Neste âmbito Foucault afirma que: “o cuidado de si passa por uma evolução ao longo de sua trajetória, ou seja, o sentido de cuidar de si ganha novas dimensões e significados, de modo que o cuidado de si, de repente e de vez, adotasse novas formas [...]”67

.

Com a construção da ideia do cuidado de si, ao falarmos da beleza percebemos que esta corresponde a um tema que rapidamente nos deixa curiosos, por saber como se construiu tais práticas, as quais foram herdadas de antepassados. As práticas existentes desde os primórdios da civilização eram organizadas em menores graus de cuidado e de valorização.

Em tempos antigos as pessoas não se preocupavam muito com padrões de beleza, dado que o ideal de beleza não era absurdamente cultuado e também a sociedade não dispunha de meios e tecnologias, tais como as que temos hoje. Não existiam indústrias, ou fábricas, e a produção era feita manualmente nas próprias casas. A população fazia uso de produtos naturais e caseiros. Não existia a grande variedade e fácil acesso de produtos e cosméticos que temos hoje na nossa sociedade.

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Os produtos de beleza e higiene apareciam minimamente na sociedade a partir dos anos de 1900, entretanto, só eram consumidos em grande parte pela elite que, dispunha de poder aquisitivo para comprá-los. Os produtos existentes eram comercializados nos grandes centros, dessa forma a população pobre não utilizava esses produtos, nem tão pouco tinha dinheiro para adquiri-los. Outro fator que impossibilitava o uso era o fato de grande parte das pessoas pobres morarem nos interiores, isto é longe dos centros comerciais onde havia dificuldade de circulação dessas mercadorias de beleza e de cuidado de si.

A preocupação com higiene advém do momento que se percebeu que ao manter padrões de limpeza com o corpo, cabelos, dentes, unhas e com o próprio meio em que viviam, ficariam mais imunes a algumas doenças. Sant’Anna afirma que, entre os anos de 1900 e 1930, a beleza era encarada sob o ponto de vista medicinal, assim:

No contexto de uma sociedade em que o lugar do médico é fundamental para a organização moral e social das famílias da elite, a falta de beleza, traduzida em termos de doença, merece o exame médico e o tratamento com remédios. Essa tendência revela que o domínio da cosmetologia não possui ainda suas próprias prescrições. Submissos aos conselhos médicos e às proposições farmacêuticas, os produtos e métodos de beleza daqueles tempos não têm a autonomia e a complexidade que atualmente lhes são atribuídas68.

A beleza, o ser e estar bonito eram objeto de atração, a construção da agradabilidade e bem estar era uma visão positiva de visibilidade aos olhos de todos, sobre isso Vigarello contextualiza que:

A escolha fulcral das perfeições, a interminável referência às origens divinas, a alusão repetida aos indícios quase sobrenaturais têm outra consequência na visão <<estética>> física no século XVI: a de tornar essa beleza exclusiva. A sua descrição deve ilustrar um absoluto69.

O cuidado de si é observável como uma prática naturalizada de cada pessoa, construída desde os tempos antigos. Embora inicialmente apresentada sob

68 SANT’ANA, Denise Bernuzzi. História da Beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014, p.45. 69

VIGARELLO, Georges. História da beleza. Tradução de Léo Schlafman. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006, p. 42.

pequenas preocupações, mas sempre tinha algo de desassossego, seja com o corpo, cabelo, rosto, roupas, etc.

Aos dois sexos (masculino e feminino), se construía a ideia de bem-estar, apresentáveis aos olhos dos outros, esteticamente bem vestidos e arrumados. A busca pela beleza é uma prática adotada pelo gênero masculino e feminino, entretanto, o homem não visa tanto a beleza como a mulher, ele adota práticas em menores proporções. Já a mulher esta sim é alvo de ‘pura’ beleza, é um ser sempre em constante procura por uma imagem e aparência de beleza que estejam de acordo com os padrões sociais.

Segundo Denise Bernuzzi Sant’Anna: “a insistência em associar a feminilidade à beleza não é nova. A ideia de que a beleza está para o feminino assim como a força está para o masculino, atravessa os séculos e as culturas”70

. Ainda de acordo com Sant’Anna, até metade do século XX, a beleza era considerada um dom divino. A mulher deveria contar com a graça concedida por Deus. Pintar-se ou tentar modificar aquilo que Deus concedeu era considerado inapropriado: “A mulher de má pinta, é a que mais a cara pinta”71

. Os procedimentos estéticos eram mais simples e confidenciados em segredo, num ritual exclusivamente feminino. A associação do cuidado de si como algo prazeroso e agradável são historicamente recentes.

Posteriormente as indústrias, a partir de tecnologias recém-criadas começaram a produzir produtos de beleza e moda em maiores quantidades. E que se adequasse a toda a população seja ela rica ou pobre. A população pobre fazia uso dos produtos caseiros fabricados nas próprias casas, às vezes pelas mães e usavam em seus cuidados de higiene, vestimentas, corpo e cabeça, com os meios que lhes eram acessíveis.

Com o advento do capitalismo, as indústrias começaram a aparecer e concentrar capitais na fabricação de um mercado que viria a ser um dos mais promissores do mundo. Assim foi o mercado de produtos de beleza (cosméticos, moda, etc.), é um dos mercados econômicos que mais cresce, acompanhando os padrões de beleza, as tecnologias cada vez mais diversificadas e avançadas. Proporcionando aos seus consumidores, nesse caso, especialmente as mulheres opções de escolhas entre diversos produtos eficazes na busca pela beleza.

70SANT’ANA, Denise Bernuzzi. História da Beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014, p.11. 71

A busca por adornos, técnicas de embelezamento, valorização do corpo feminino, a própria imagem da mulher associada à beleza, o corpo associado ao ‘sensual’. Essas ideias são cada vez mais frequentes e fazem com que aumente a busca por beleza.

Apesar de ser alvo de busca masculina e feminina, cabe a mulher o papel principal nas práticas de beleza. As mulheres são educadas a valorizarem a aparência, para estas a beleza figura como uma prática naturalizada, comum, cotidiana. Representa a própria identidade da mulher, através da beleza é possível a sedução e o encantamento e principalmente a atração, com todos esses atributos é possível ir e ser bem vista onde quer que esteja. Por isso que, práticas de se olhar ao espelho, pentear o cabelo, retocar maquiagem, escolher roupas, calçados são incorporadas ao longo da vida feminina como ritualísticas de beleza.

Mais precisamente na década de 1960 e 1970 temos uma maior produção e mais fácil acesso de meios de beleza. Essa popularização facilitou a propagação dos produtos de beleza na nossa sociedade, com isso aumentou o consumo desses produtos. Através do comércio e da crescente indústria de cosméticos existente têm- se ideias de que quem é ou está mais bonito, é bem mais visto e elogiado, e até mesmo a própria pessoa se sente bem por estar assim. Sobretudo, é a mulher a protagonista desse padrão construído e tendo o rosto como um dos principais locais a ser embelezado. Dessa forma:

Os cuidados e práticas de reparação confirmam-no ainda O <<alto>> é sempre o mais importante: sobretudo o rosto, atingido por tonalidades infindáveis de cores, manchas, gretas, asperezas, tudo disfunções ameaçando a beleza72.

O cuidado e práticas de reparação, rosto e corpo estão sempre ameaçados por nuanças ou sendo alvo de algum defeito ou pela idade, manchas, asperezas, fissuras – disfunções que ameaçam a beleza73. Cuidar de si, e os cuidados com o corpo, são práticas que sempre fizeram parte do cotidiano de pessoas, sejam elas de vida mais simples ou as que possuem mais status. Claro que, para cada época, acontecia de maneiras diversificadas. Em conversa com as mulheres que fazem

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VIGARELLO, Georges. História da beleza. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006, p. 52.

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parte da coluna de narradores deste trabalho, podemos perceber que antigamente devido à falta de produtos higiênicos esses cuidados eram bem diferentes, mas faziam parte sim do dia a dia delas.

Roger Chartier, ao contextualizar práticas e representações as vê da seguinte forma: [...] “Vê as relações entre práticas e representações, como o modo de ver, as pessoas faz com que a sociedade em uma determinada época trata-as de acordo com o que elas representam naquele dado momento”74

.

Esse autor faz uma análise de todo o comportamento da sociedade, nessa troca de representações e práticas, talvez necessariamente nessa ordem, que geram novas práticas e novas representações. É nessa corrente, que segundo ele, constrói novas concepções culturais e através disso, pode-se analisar a mudança no modo de conceber as pessoas e os objetos através dos tempos.

Esse modo de conceber as pessoas e os objetos através dos tempos faz- nos ver a relação das mulheres de menor poder aquisitivo e as das classes com um alto poder aquisitivo. Os dois grupos de mulheres são adeptas do ‘mundo da beleza’, a diferença entre elas é que: o grupo com dinheiro pode comprar produtos no mercado de cosméticos, procuram produtos caros e diversificados a fim de conseguirem obter essa beleza. Já para população com menor poder aquisitivo, a beleza é alcançada por meio do uso de produtos mais baratos e sobretudo, produtos naturais e caseiros (água de coco, óleo de coco, leite, misturas com babosa, ovo, mamão, juá, etc.).

Com relação às práticas que cabiam aos pobres, estas podem ser relativamente fundamentadas a partir de Michel de Certeau, no livro A invenção do cotidiano – Artes de fazer. A partir das ideias desse autor, é possível perceber os padrões de vida que são determinados pelas relações sociais e principalmente as práticas cotidianas que fazem parte da cultura popular dessas pessoas menos favorecidas da sociedade.

Segundo Certeau, a classe desfavorecida de padrões econômicos na sociedade, burlam os padrões considerados vigentes, aqueles padrões considerados modelos para a sociedade. Essas pessoas se reinventam, criam novas práticas, se apropriam de algo existente e adaptam a sua realidade. Com isso acabam criando artes de fazer, práticas cotidianas que figuram sentido para suas

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CHARTIER, Roger. A História Cultural Entre Práticas e Representações. 2 ed. Portugal: Difusão Editorial S. A., 1982.

vidas, transformadas em valores que são deslocados em estratégias, em táticas, em artes que criam seu próprio desenvolvimento e uma maneira de sobreviver dentro da sociedade.

Sobre essas reinvenções, vejamos um bom exemplo na fala de D. Irene Oliveira:

Ao amanhecer, a gente acordava e escova os dentes com raspa de juá, o banho era com um pouco de água morna. Minha mãe dizia que o banho com água morna servia para relaxar os músculos e retirar as energias negativas. Não usávamos sabonetes, nem shampoos, para lavar os cabelos, o sabão que usávamos era de coloração vermelha, e sabão de coco. Para os cabelos ficarem brilhosos usava o óleo de coco”75.

A partir desse depoimento percebemos alguns produtos utilizados pela senhora Irene ao cuidar um pouco de si. Na ausência do produto que hoje conhecemos como creme dental, a mesma e sua família escovava-os com a raspa do juá76, que é uma espécie de fruto que nasce no juazeiro (árvore frondosa nativa nas nossas terras e bastante comum de encontrarmos, principalmente nas áreas rurais). O Ziziphus joazeiro, ou Juá, é muito conhecida pelos seus usos como planta medicinais da língua tupi e significa fruta amarela, e espécies endêmicas da caatinga. Suas partes utilizadas são folhas, frutos, cascas e raiz. Contém como princípios ativos: Ácido betulínico, ácido oleamólico, amido, anidrido fosfórico, cafeína, celulose, hidratos de carbono, óxido de cálcio, proteína, sais minerais, saponina, vitamina C. No dia a dia da população interiorana o uso do juá em seus cuidados de si eram práticas bem difundidas. A saponina encontrada nas cascas é responsável pela espuma e pela sua alta capacidade de limpeza. Por isso é usada na fabricação de sabonetes e shampoos.

O banho por sua vez, era tido ainda como um elemento medicinal, já que servia para “purificar” e limpar o corpo de possíveis ameaças negativas. O sabão assim como o Juá também fazia o papel dos (sabonetes e shampoos de hoje). E um dos produtos mais utilizado na época era o óleo de coco, frequentemente usado

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SILVA, Irene Oliveira de Araújo. Irene Oliveira de Araújo Silva: depoimento [setembro, 2016]. Sessão 01. Entrevistadora: Elizandra Lucena de Araújo. Ouro Branco/RN: 2016. Arquivo Escrito.

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Mais informações consultar: http//:

<http://www.plantasquecuram.com.br/ervas/jua.html#.WE1FPn2XPgE>. Acesso: 10/12/2016, às: 10:32 hrs.

como um ótimo hidratante capilar. É válido salientar que essas receitas e dicas de produtos, muitas perduram até os nossos dias. A exemplo, o óleo de coco, é comum mulheres colocarem ainda hoje, um pouco desse óleo misturados com seus xampus e cremes de cabelo. Aliás no mercado de produtos naturais é muito valorizado. Podemos até afirmar que na nossa sociedade atual, ensaia-se uma volta aos produto mais naturais livres de petrolatos77 a exemplos dos shampoos que utiliza-se na diária.

Para Umberto Eco, autor da História da beleza, (2004) que tem como base as representações artísticas ao logo de nossa história, o “belo” junto com o “gracioso”, o “bonito” ou o “sublime” e expressões similares, são adjetivos que usamos frequentemente para indicar algo que nos agrada. Tendo em vista essas significações, vê-se que aquilo o que é belo é igual ao que é bom e, de fato, em diversas épocas históricas criou-se um laço estreito entre belo e bom, oriundo de uma visão grega. Se, no entanto, julgamos com base em nossa experiência cotidiana e, tendemos a definir como bom àquilo que não somente nos agrada, mas ao que também gostaríamos de ter. Para o autor, o belo é algo que, se fosse nosso, nos deixaria felizes, mas que continua a sê-lo mesmo pertencendo à outra pessoa78.

Georges Vigarello em sua obra História da beleza - O corpo e a arte de se embelezar, do Renascimento aos dias de hoje (2006), nesta obra o autor afirma que mais do que nunca a identidade das pessoas se reduz hoje ao próprio indivíduo, sua presença e seu corpo.

Esse autor acredita que o indivíduo, e apenas ele, é hoje responsável por suas maneiras de ser, e por suas imagens. Para o autor nasce uma era em que converge o sentimento de poder dominar a aparência e o poder de transformá-la em sinal marcante de si individualizado. Daí, enfim, um novo tipo de conflito, um obstáculo decisivo mesmo, às vezes, entre duas vertentes tradicionais da beleza: o mais eminentemente individual, o mais eminentemente coletivo79.

Ainda de acordo com Vigarello, partindo de mudanças culturais, sociais e políticas de cada época, o autor mostra as transformações que ocorreram nos perfis de beleza de acordo com o tempo, formas, posturas corporais, os métodos, as inovações empregadas em nome da beleza. Desde uso de pós de arroz, elixires,

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O petrolato é um derivado do petróleo cru que passa por um processo de desparafinação, ou seja, retirada dos óleos pesados.

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ECO, Umberto. História da beleza. Rio de Janeiro: Record, 2004.

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misturas caseiras, águas misturadas, perfumes, lamas, diversas dessas práticas foram utilizadas pelas mulheres, para correção de defeitos. Fazendo uso desses cremes, máscaras, acreditava-se que estariam conservando sua juventude. As propagandas faziam as pessoas acreditarem que os produtos anunciados traziam o tão sonhado rejuvenescimento da pele, conservando então a beleza do rosto até as práticas de embelezamento usadas hoje.

As mulheres de Ouro Branco, em grande parte tinham suas vidas que estavam voltadas para o privado, cuidavam da casa, as casadas tinham os maridos e os filhos para zelarem. O tradicional da época era a propagação da figura da mulher como “mãe” e “esposa”. É sobre essa realidade mais comum e cotidiana que passamos a conhecer e refletir e a dar ênfase a Mística feminina.

Sobre as informações e meios de comunicação presentes na época a senhora Irene Silva nos sugere:

A vida das pessoas antigamente não era como as de hoje, existia uma falta de informação pelo fato dos meios de comunicação não serem de acesso fácil como na atualidade. Por exemplo: não era toda casa que tinha uma televisão; o meio de comunicação mais comum era o rádio, disponível na grande maioria dos lares da cidade de Ouro Branco. Então o rádio era o principal meio de informação que estabelecia e difundia padrões de beleza, métodos de embelezamento para as pessoas. E isso acabou servindo de referência para muitas pessoas no geral, que ouviam as dicas pelo rádio e adaptavam a realidade80.

Porém, mesmo com poucos meios acessíveis às mulheres não deixavam a vaidade de lado; preparavam receitas caseiras e buscavam sempre terem um cuidado com a seus corpos, pele e cabelo.

Em entrevista com a senhora Inácia Oliveira de Araújo, a mesma nos conta que:

As chamadas “receitinhas do tempo da vovó”, existia receitas para pele, cabelo, pés, mãos, diversos esfoliantes a base de açúcar, abacate, mel, principalmente o abacate era conhecido por deixar a pele linda, macia e hidratada. A máscara da clara de ovo, segundo nossas vovós tinha o poder de deixar a pele sedosa e com aspecto

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SILVA, Irene Oliveira de Araújo. Irene Oliveira de Araújo Silva: depoimento [setembro, 2016]. Sessão 01. Entrevistadora: Elizandra Lucena de Araújo. Ouro Branco/RN: 2016. Arquivo Escrito.

jovial, a batata e as compressas feitas com chá de camomila tinha o excelente poder de amenizar/acabar com as olheiras81.

Como pode ser visto no relato acima, as receitas “do tempo da vovó”, receitas que eram passadas por suas parentes mais velhas, eram inúmeras e com produtos variados. Mas todos a base de produtos alimentícios, ou produtos naturais, as receitas iam desde o uso do açúcar, abacate, mel, ovo e chás.

Os esfoliantes caseiros a base de açúcar eram uma forma natural de se renovar a pele e eliminar as células mortas, desobstruindo poros pela fricção dos grânulos. O uso do abacate como máscara de beleza deixava a pele hidratada pois o fruto é rico em vitaminas E, K, B e uma fonte rica de colágeno possibilitando uma hidratação profunda. A máscara de clara de ovo, utilizada no rosto, possui em sua composição uma importante proteína, a albumina que possui efeito cicatrizante e efeito tensor que ajuda a pele a ficar mais lisa e menos flácida. A camomila, de nome científico Matricária recutita, rica em flavonoides e cumarina possui ação cicatrizante, anti-espasmódica e calmante para a pele.

Denize Bernuzzi Sant’Anna relata em seus escritos algumas das receitas:

O rosto, os cabelos, o pescoço e o colo feminino concentravam os indícios da beleza ou a sua falta. Assim, para melhorar o aspecto da face, as receitas caseiras abarcavam desde pastas feitas com pepino, morangos e alface (...). As sardas podiam ser tratadas lavando diariamente o rosto com a água que limpava o arroz. Ou, então, havia a seguinte receita: juntar 4 onças82 de água de chuva, 2 onças de leite, um pouco de sumo de uva verde, 1 onça de incenso

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