Quando retornei como professora em 1995, o Colégio continuava sem oferecer Educação Artística de quinta a oitava séries, porém, ela estava presente no currículo de primeira a quarta séries desde 1980, e no do segundo grau desde 1992, anos de criação de cada um desses segmentos. O representante do ensino artístico no segundo segmento do primeiro grau era apenas o Desenho Geométrico, na sétima e na oitava série, onde permanece até os dias atuais. A Economia Doméstica da sexta série tinha deixado de existir.
No final de 1996, a partir de dados levantados na pesquisa que realizei para escrita de minha Monografia de Especialização26, e respaldada pela iminente sanção da LDB 9394/96, eu e a outra professora de Educação Artística do Colégio, Evangelina Nunes de Carvalho Loures, apresentamos ao Departamento um projeto de implementação da disciplina Artes no segundo segmento do Ensino Fundamental. Minha experiência em sala de aula enquanto professora do primeiro segmento do primeiro grau e do segundo grau27 simultaneamente, permitiu-me observar as diferenças de envolvimento e de interesse pela disciplina demonstrada pelas/pelos estudantes de cada um destes dois segmentos. Eu sentia a indiferença
26Monografia intitulada “Arte-Educação no Ensino Médio do Colégio de Aplicação João XXIII”, defendida em março de 1997, na Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro.
27 Durante o tempo em que a pesquisa foi desenvolvida, os segmentos escolares ainda tinham esses nomes, e a disciplina era chamada Educação Artística, sendo que na ocasião da defesa da Monografia, a LDB 9394/96 já havia sido sancionada e os segmentos passaram a ser chamados de Ensino Fundamental e Ensino Médio, e a disciplina passou a ser Arte, no caso Artes Visuais.
e o descompromisso das/dos estudantes do Curso Científico28 com a aula de Educação Artística. Levantei a hipótese de que isso ocorreria exatamente pela interrupção do oferecimento dessa disciplina durante o segundo segmento. Concluí que a hipótese procedia, através de entrevistas semiestruturadas29 realizadas com a quase totalidade das alunas e dos alunos do Curso Científico. Assim, em 1997, implementamos duas aulas de Artes na 5ª série e a partir de 1999, todo o segundo segmento (atualmente sexto ao nono anos do Ensino Fundamental) passou a ter aulas dessa disciplina. Garantiu-se a partir daí a presença da disciplina Artes em todos os anos escolares, pois, apesar de entendermos que pode-se conhecer Arte e aprender sobre ela em inúmeros espaços formais e não formais, “é na escola que oferecemos a oportunidade para que crianças e jovens possam efetivamente vivenciar e entender o processo artístico e sua história em cursos especialmente destinados para estes estudos”. (FERRAZ; FUSARI, 1993b, p. 19).
Eu continuo trabalhando com a disciplina Artes no Ensino Médio. Excetuando o ano de 2014 em que fiquei afastada para capacitação, permaneço professora das nove turmas desse segmento e verifico uma relação muito mais íntima e mais produtiva hoje das/dos docentes do Ensino Médio com essa disciplina, do que em meados dos anos 1990, quando a maioria das alunas e alunos parecia associar a aula de Educação Artística a um fazer ligado à infância, a uma atividade apenas de lazer e descanso para as aulas “sérias”. Hoje, penso que a realidade seja outra. O ensino de Artes, na minha visão, é entendido como uma disciplina importante e necessária, como uma área de conhecimento como outras.
O espaço da Arte foi crescendo ao longo desses anos em que venho atuando no Colégio. Houve gradativamente a criação de mais vagas para Artes e mais ampliação de carga horária, porém apenas o concurso para mais uma vaga foi realizado30. Tivemos a presença de um
28 O Colégio oferecia também na ocasião o Curso Magistério, porém essas alunas e esses alunos não participaram da pesquisa. Decidi entrevistar somente o corpo discente do Curso Científico, onde na minha percepção o problema da minha pesquisa era mais evidente, e também pelo fato de a grande maioria das alunas e alunos do Científico terem estudado no Colégio desde a primeira série, o que não ocorria entre as alunas e alunos do Curso Magistério.
29 As entrevistas semiestruturadas combinam perguntas abertas e fechadas, onde o informante tem a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto. O pesquisador deve seguir um conjunto de questões previamente definidas, mas ele o faz em um contexto muito semelhante ao de uma conversa informal. (BONI, QUARESMA, 2005, p. 75)
30 Em 1996 houve concurso para duas vagas de Educação Artística que foram ocupadas por Evangelina Nunes de Carvalho Loures e Maria da Natividade Ramalho Borba. Em 1998 houve concurso para uma vaga de Artes que foi ocupada por Nelson Vieira da Fonseca Faria. Em 2001 Evangelina se aposentou e sua vaga a partir dali passou a ser ocupada por professoras/professores substitutas/substitutos. Em 2004 a carga horária de Artes do primeiro segmento foi ampliada. Em 2006 foi implantado o Ensino Fundamental em 9 anos e a criação da quarta vaga de Artes. Em 2007 foi criada mais uma vaga de Artes, totalizando cinco vagas e apenas uma professora efetiva e um professor efetivo da disciplina.
grande número de professoras e professores substitutas/substitutos que se revezaram, em duas e depois três vagas, no decorrer de quase nove anos.
No ano de 2010, houve um concurso público, para 30 novas vagas de docentes no Colégio, aumentando, no caso de Artes, o número de professoras/professores efetivas/efetivos de dois para cinco31, uma conquista histórica. Pela primeira vez em aproximadamente nove anos, o quadro docente de Artes passou a ser todo composto por efetivas/efetivos. A partir daí outros projetos extracurriculares na área de Arte32 além do Grupo TIL foram criados e, o ensino artístico do João XXIII passou a oferecer oficinas e projetos de extensão que incrementam e enriquecem o repertório e o fazer artístico das/dos estudantes. E a última conquista se deu no ano de 2013, quando foi aberto um concurso para duas vagas de docentes de Música, que, além de terem entrado com sua disciplina dentro do currículo obrigatório, também já estão realizando projetos extracurriculares dentro do Colégio de Aplicação33. Agora é partir em busca de vagas para professoras e professores de Teatro.
Figura 18 - Interior de umas das salas de Artes – 02/04/2015. Figura 19 – Portas de duas salas de
(Nati Borba) Artes – 02/04/2015. (Nati Borba)