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TAPIRANGA-SC
Luiz Paulo Klock Filho* Rodrigo Barichello** Resumo: Na disseminação de políticas voltadas a projetos de energias renováveis, como o biogás, torna-se importante conhecer os processos de participação dos os atores sociais e suas realidades locais. O presente trabalho tem como objetivo analisar a relação do Projeto Alto Uruguai da ELETROSUL (Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A.) com as organizações sociais e lideranças locais da comunidade de Santa Fé baixa – município de Itapiranga, região do Extremo Oeste do Estado de Santa Catarina. As informações foram obtidas através de levantamentos bibliográficos e de questionários semi-estruturados que foram aplicados em visita de campo. A organização e a mobilização dos atores sociais são fundamentais para a dinâmica de sucesso de qualquer tipo de empreendimento que busca o desenvolvimento local. Neste sentido observou-se que para o êxito da disseminação dos biodigestores necessita-se o fortalecimento da classe que está diretamente ligada a essa tecnologia, os produtores rurais.
Palavras- Chave: Biogás, Energias Renováveis, Produtores.
Introdução
O rebanho médio de suínos em Santa Catarina é de 4,8 milhões, é considerado o estado de maior concentração de suínos, com 79% do seu efetivo total localizados no oeste catarinense. No estado, 8,3 mil produtores de suínos controlam 90,87% do efetivo total de animais, possuindo um grande potencial para a geração de biogás (OLIVEIRA; HIGARASHI, 2006).
A busca por tecnologias que amenizem a poluição ambiental tem sido fundamental, principalmente na área produtiva, com objetivo de
* Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR/Campus Pato Branco.
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Doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC/Campus Florianópolis.
reduzir os impactos socioambientais, tal tendência pode ser notada principalmente na suinocultura, com iniciativas para a implantação de Biodigestores. No entanto, o Brasil apresenta dificuldades relacionadas ao funcionamento destas tecnologias, por parte dos agricultores, fazendo com que esta caísse no descrédito no meio rural (PALHARES, 2008).
A organização e a mobilização dos atores sociais são fundamentais para a dinâmica de sucesso para qualquer tipo de empreendimento que busca o desenvolvimento local. Ao se considerar as especificidades locais e regionais nas proposições que visam à solução de problemas, a sociedade estará contribuindo para a melhoria das condições de vida de sua população e consequentemente, para o desenvolvimento regional.
A maior participação dos agentes locais na tarefa de construir atividades que impulsionem o desenvolvimento em suas localidades, são necessárias ações que vislumbrem um envolvimento real nas atividades entre os atores, como também articulações da organização territorial que possam incentivar o fomento local por meio de políticas públicas (PEREZ; CHIQUITO, 2012).
Neste sentido, o presente trabalho tem por finalidade analisar a relação do Projeto Alto Uruguai da ELETROSUL (Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A.), com os atores e estruturas sociais da comunidade de Santa Fé baixa – município de Itapiranga, região do Extremo Oeste do Estado de Santa Catarina. Relacionado com a dinâmica que envolve as atividades vinculadas com a implantação dos biodigestores na localidade.
Materiais e métodos
O presente trabalho foi realizado na comunidade de Santa Fé baixa – município de Itapiranga, região do Extremo Oeste do Estado de Santa Catarina. A escolha desta localidade deve-se à implantação do Projeto Alto Uruguai da ELETROSUL (Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A.), para o qual está sendo construída uma central de geração de energia de até 400 quilowatts (kW), sendo abastecida de biogás produzido em dez das propriedades de criação de suínos da localidade. Para realizar o estudo de caso, foi feita uma junção de métodos que inclui investigação documental e levantamentos de percepções por meio de questionários, entrevistas para a coleta de dados e visitas in loco com observação direta. Neste sentido foram entrevistados de maneira aleatória seis produtores que fazem parte do Projeto Alto Uruguai no mês de novembro de 2014.
Ronei Baldissera et al. (Orgs.) – 79 Resultados e discussão
Através do projeto Alto Uruguai foram instalados 10 biodigestores na comunidade de Santa Fé Baixa (Itapiranga/SC), a cidade apresenta este destaque, pois, foi escolhida como piloto do projeto.
Na visita de campo realizada em novembro de 2014 verificou-se que nas seis propriedades visitadas, os produtores reconhecem os benefícios trazidos pelos biodigestores, tais como: diminuição do cheiro e a utilização dos biofertilizantes nas propriedades. Grande parte dos produtores (83%) alega conhecer plenamente a dinâmica de funcionamento ou que possuem algum parente habilitado para contribuir. No início do projeto 66% dos os produtores passaram por cursos preparatórios e também visitaram outras realidades, como em Cândido Rondon/PR e em Chapecó/SC.
Contudo, os produtores relataram a falta de peças de reposição para os equipamentos e de assistência técnica. Neste sentido, foi relatado um problema com um produtor, que teve que destruir seu biodigestor, devido a falta de preparo para conduzir o empreendimento. Na visão de 83% dos entrevistados, a região carece de centros de capacitação para tecnologia do biogás.
Na visita realizada ao local os produtores rurais apresentaram críticas ao sistema de implantação dos biodigestores em suas propriedades, caracterizado como “de cima para baixo”, ou seja, sem a participação dos próprios produtores no processo. As empresas contratadas apenas aplicavam a execução do projeto, não os envolvendo nesta etapa. Outra informação obtida é que, segundo eles, a Bio-energia, associação criada para a implantação do projeto depende da liberação de verbas repassadas pela ELETROSUL, dificultando a evolução do projeto, segundo relatos dos produtores, fazia seis meses desde última reunião.
A participação e o engajamento da sociedade são fundamentais para a concretização dos objetivos que visem atender os interesses da coletividade, buscando resolver ou encontrar alternativas para situações problemas da sua vivência. No momento em que a sociedade é convidada a participar e contribuir na definição e elaboração de propostas que colaborem com a melhoria da qualidade de vida, seja de sua comunidade, município, região ou estado, as pessoas passam a sentirem-se mais envolvidas e corresponsáveis pelo êxito do projeto proposto (GUIMARÃES, 2001).
O processo participativo está relacionado com uma postura de que as decisões não fiquem apenas relacionadas com agentes distantes da realidade vivida na comunidade, mas que aprimorem os instrumentos democráticos localmente, aumentando assim seu grau de responsabilidade e envolvimentos perante suas decisões.
Conclusões
A falta de interação entre a empresa pública executora do projeto e os atores sociais envolvidos, limitação de uma comunicação mais efetiva, através das reuniões, e a falta de apoio técnico-institucional, trouxe desgaste ao processo, ocasionado o atraso na sua aplicação, como também a desconfiança da comunidade. O baixo empoderamento dos agricultores e de suas entidades envolvidas no projeto teve como consequência o enfraquecimento no engajamento dos atores sociais e dificuldades para o sucesso do empreendimento. Neste sentido, o êxito da disseminação dos biodigestores, está no trabalho conjunto com a classe que está diretamente relacionada a essa tecnologia, os produtores rurais, juntamente com esferas públicas (municipal, estadual e federal), sendo fundamental para o seu crescimento.
Agradecimentos
A pesquisa foi realizada durante o curso de especialização em Gestão de Pessoas, da UNOCHAPECÓ (Universidade Comunitária da Região de Chapecó), sendo pré-requisito para a aprovação. No período o autor foi bolsista do FUMDES (Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior), e aproveita o momento para agradecer todo o apoio financeiro para a realização desta.
Referências
GUIMARÃES, R. A ética da sustentabilidade e a formulação de políticas de desenvolvimento. In: VIANA, G; SILVA, MARINA; DINIZ, N. (Orgs.). O
desafio da sustentabilidade: um debate socioambiental no Brasil. São Paulo:
Editora Fundação Perseu Abramo, 2001. p. 43 a 68.
OLIVEIRA, P. A. V. de; HIGARASHI, M. M. Geração e Utilização de Biogás
em Unidades de Produção de Suínos. Concórdia: Embrapa Suínos e Aves,
Ronei Baldissera et al. (Orgs.) – 81 PALHARES, J. C. P. Biodigestão Anaeróbia de Dejetos de Suínos: Aprendendo com o Passado para Entender o Presente e Garantir o Futuro. Acessado em 19 de julho de 2015: <http://www.agrolink.com.br>, 15/01/2008.
PEREZ, R. B.; CHIQUITO, E. de A. Ordenamento Territorial, Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional: Novas Questões, Possíveis Articulações. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 14, n. 2, 2012.