Chapitre 1 : Situer le Choigate dans la société Sud-Coréenne 13
D. Les Chaebols aux commandes du modèle économique et social de la Corée du Sud 35
Pretende-se compreender as nuanças do poder no interior de um sistema relacional não apenas como forma de delegar poderes a outros grupos específicos que podem se manter constantemente no poder, apenas atendendo a interesses particulares. Precisa-se considerar as possibilidades de submissão ou mesmo de resistência a determinadas estruturas do poder. Diante disso, faz-se necessário evidenciar as contribuições de Bourdieu (2007) no entendimento da conceituação do poder.
No sentido de explicitar o poder no interior de um sistema relacional inscrito na realidade social, ou em um campo social, Bourdieu (2007) firma o compromisso de revelar as formas implícitas de dominação de classes nas sociedades capitalistas, e afirma, em sua tese, que a classe dominante não domina inteiramente e não força os supostos dominados a ser conformarem com a dominação. Bourdieu (2007) defende a eminência do poder simbólico, mediante o qual as classes dominantes (ou campos dominantes) são favorecidas de um capital simbólico, disseminado e reproduzido por meio de instituições e/ou práticas sociais, que lhes permite exercerem o poder.
Dentro dessa discussão sobre o poder, pode-se evidenciar a relevância dos sistemas simbólicos na configuração de seu exercício. Bourdieu (2007) trata da concretização do poder simbólico no meio social, desenvolvendo estudos sobre seus instrumentos de conhecimento e de comunicação no processo de efetivação. Essa efetivação dependerá reciprocamente da relação que haverá entre os que exercem o poder e os que lhe serão submissos ao seu exercício. Para Bourdieu (2007, p. 9), “o poder simbólico é um poder de construção da realidade que tende a estabelecer uma ordem gnoseológica: o sentido imediato do mundo (e, em particular, do mundo social) [...]”. Bourdieu (2007) trata dos discursos simbólicos que constituem a lógica do poder em diferentes formas de produção seja por meio do conhecimento, comunicação, ou mesmo instrumentos de dominação dentre outros. Nessa linha, Bourdieu (2007, p. 16) organiza, esquematicamente, os instrumentos simbólicos:
Quadro 1: Organização dos instrumentos simbólicos Como estruturas estruturantes Como estruturas estruturadas Como instrumento de dominação •Instrumentos de conhecimento e de construção do mundo objectvo.
• Meios de comunicação (língua ou culturas, Vs. Discurso ou conduta).
•Poder
•Divisão do trabalho (Classes sociais) •Divisão do trabalho ideológico (manual/intelectual) •Função de dominação. Fonte: (BOURDIEU, 2007).
Para a compreensão do sistema simbólico, pode-se inferir que os símbolos são instrumentos da integração social (como estruturas estruturantes e estruturas estruturadas) quando os considera como instrumentos de conhecimento e de comunicação, pois possibilitam a formação de consensus para o atendimento do mundo social, contribuindo para perpetuação da reprodução da ordem social. O poder depende do campo social onde está inserido. Ao entender as produções simbólicas como instrumentos de dominação, pode- se dizer que ocorrem por meio da disseminação de ideologias apresentadas como produto coletivo, apropriado aos anseios sociais. Limitam-se, no entanto, a interesses particulares apresentados como interesses da sociedade, ou seja, interesses comuns a um determinado grupo social. Desse modo, Bourdieu (2007, p. 10-11) esclarece que:
Este efeito ideológico, produ-lo a cultura dominante dissimulando a função de divisão na função de comunicação: a cultura que une (intermediário de comunicação) é também a cultura que separa (instrumento de distinção) e que legitima as distinções compelindo todas as culturas (designadas como subculturas) a definirem-se pela sua distância em relação à cultura dominante.
Para o entendimento do efeito ideológico, é necessária a existência de universos nos quais as estruturas objetivas sejam capazes de se reproduzir nas estruturas mentais (subjetivas). Bourdieu (2009) ressalta que a estruturação das mentalidades, ou seu processo de construção, implica reconhecer a presença de luta nos campos de poder. Faz-se necessário, nesse momento, reverenciar a construção da noção de campo, que embasa a
concretização das trocas simbólicas no exercício do poder. Conforme afirma Bourdieu (2009, p. 99):
[...] à medida que se constitui um campo intelectual e artístico (e ao mesmo tempo, o corpo de agentes correspondentes, seja o intelectual em posição ao letrado, seja o artista em oposição ao artesão), definindo-se em oposição ao campo econômico, ao campo político ao campo religioso, vale dizer, em relação a todas as instâncias com pretensões a legislar na esfera cultural em nome de um poder ou de uma autoridade que não seja propriamente cultural, as funções que cabem aos diferentes grupos de intelectuais ou de artistas, em função da posição que ocupam no sistema relativamente autônomo das relações de produção intelectual ou artística, tendem cada vez mais a se tornar o princípio unificador e gerador (e, portanto, explicativo) dos diferentes sistemas de tomada de posição culturais e, também, o princípio de sua transformação no curso do tempo.
Pode-se dizer que o sistema de produção de um determinado campo simbólico depende de suas possibilidades de trocas simbólicas, que se encontram relacionadas com o sistema de relação objetiva de diferentes instâncias determinadas pela função que cumprem na divisão do trabalho de produção, de reprodução e de propagação de bens simbólicos. Nessa perspectiva, as diversas representações de classes estão envolvidas numa luta simbólica para conferir por meio da imposição a definição do mundo social em consonância com seus interesses, formando um campo das posições sociais. Para Bourdieu (2009), a definição de campo se caracteriza pela formação de um campo de forças impostas aos agentes que nele se coloca e um campo de lutas, no qual esses agentes lutam por mecanismos e fins distintos de acordo com sua posição na estrutura desse campo. Esse campo pode ser definido como uma estrutura de relações sociais, num espaço social, cujas delimitações podem ser determinadas por cada situação social, econômica e política que condicionam as trocas simbólicas.
Ao analisar o poder a partir de seu efeito ideológico, existe a possibilidade de entender as nuanças da cultura dominante que legitima determinada ordem estabelecida socialmente (hierarquias), produzindo no meio social uma interação fictícia. No contexto social, constata-se que essa integração fictícia representa, portanto, a desmobilização de determinado grupo dominado o que promove a fortificação da cultura dominante, resultando na integração real cada vez mais intensa de sua classe. Na reprodução social do poder, se faz necessário considerá-lo como sistema relacional, visto que o poder é um sistema relacional. Bourdieu (2007. p. 14) define que:
O poder simbólico como poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo, portanto o mundo; poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário.
Dessa forma, Bourdieu (2007, p.14-15) reconhece que a definição do poder simbólico não se constitui, apenas, por intermédio de sistemas simbólicos, mas se corporifica em uma relação específica, e, por meio desta, entre os que exercem o poder e os que lhe estão submissos, melhor dizendo, “na própria estrutura do campo em que se produz e se reproduz a crença”. No entanto, o que sobressai na relação é o recurso do poder, ou seja, o instrumento simbólico. Assim, o poder se manifesta por meio de sistema simbólico – arte, religião e língua – consideradas como estruturas estruturantes. O poder simbólico se materializa nas relações sociais sendo definida na esfera de poder, isto é, no contexto e nas condições em que foram produzidas e propagadas.
Bourdieu (2007) ainda define a relação entre poder simbólico e representação política ao elaborar o conceito de operação de crédito em que um grupo credita confiança no seu representante, o qual tem poder em relação ao grupo, de acordo com a fé que o grupo materializa nessa representação. Com base nessas considerações, o representante passa a ser um porta-voz, sendo dotado de pleno poder de falar e de agir em nome do grupo que representa, pela magia da palavra de ordem. A representação política está relacionada diretamente ao poder, pois, ao mesmo tempo que um político exerce poder sobre as pessoas, necessita delas para existir.
Assumindo uma postura semelhante à de Bourdieu (2007) no que se refere ao poder consentido, Offe (1984, p. 146) diz que:
[...] o conceito de poder só tem sentido em um sistema social quando for considerado como uma categoria relacional, como uma relação complementar entre dois elementos. Somente posso ter poder sobre algo que, de acordo com sua própria estrutura, cede ao exercício do meu poder, relacionando-se com ele e assim me autorizando, por assim dizer, a exercê- lo.
Na tentativa de entender a representação política, Bourdieu (2007, p. 158) afirma que o representante “recebe o direito de se assumir pelo grupo, de falar e de agir como se fosse o grupo feito homem”. Melhor dizendo, o homem é substituto do grupo, tendo a palavra de ordem como sua procuração que, somente por meio dela, existe em determinado campo. Bourdieu (2007) amplia o conceito de poder simbólico, relacionando-o ao de representação política. Para Bourdieu (2007, p.188), “[...] o poder simbólico é um poder que aquele que lhe está sujeito dá àquele que o exerce, um crédito com que ele o credita [...], que ele lhe confia pondo nele a sua confiança”.
Bourdieu (2007) caracteriza seu trabalho como um estruturalismo construtivista, expressando a articulação dialética entre objetivismo (estruturas sociais) e subjetivismo (estruturas mentais). Assim, a denominação Estruturalismo representa as estruturas objetivas que existem no mundo social independentemente da consciência e da vontade dos agentes, que orientam suas práticas e representações; enquanto a denominação
construtivista compreende a construção social dos esquemas de percepção, pensamento e
ação (ou habitus) e dos campos sociais (BOURDIEU, 2007). Para Bourdieu (2007, p. 61, grifo do autor), compreender que:
[...] o habitus, como indica a palavra, é um conhecimento adquirido e também um haver, um capital (de um sujeito transcendental na tradição idealista) o habitus, a hexis, indica a disposição incorporada, quase postural –, mas sim o de um agente de acção: tratava-se de chamar a atenção para o <<primado da razão prática>> [...].
É relevante perceber que essas ações ocorrem num campo estruturado objetivamente, com suas peculiaridades próprias e instituições e que os agentes agem em consonância com seu habitus, alcançado ao longo de sua vida e por meio das possibilidades de socialização efetivadas pela organização e pelo meio social do qual fazem parte. No intuito de entender a gênese social do campo, Bourdieu (2007, p. 69, grifo do autor) afirma que:
Compreender a gênese social de um campo, e apreender aquilo que faz a necessidade específica da crença que o sustenta, do jogo e linguagem que nele se joga, das coisas materiais e simbólicas em jogo que nele se geram, é explicar, tornar necessário, subtrair ao absurdo do arbitrário e o não- motivados actos dos produtores e as obras por eles produzidas e não, como geralmente se julga, reduzir ou destruir.
Dessa forma, os estudos de Bourdieu (2007) permitem que se compreenda a ação interativa entre sujeitos sociais dotados de vontade na construção social da realidade e em processos de transformação, mesmo estando restritos por fatores estruturais. Bourdieu (2009) considera, ainda, que os agentes, ou atores sociais, formulam o mundo social individual e coletivamente a partir de uma estrutura objetiva de distribuição de diferentes tipos de capital (possibilidades de poder), sejam eles físicos, culturais ou simbólicos, uma vez que a eficiência varia de forma contingente e determinada. A atuação dos agentes sobre essas estruturas objetivas seria o campo social, onde ocorrem as disputas entre os agentes possuidores de meios e fins diferenciados e de um habitus alcançado por sua socialização precedente e por aquela perpetrada dentro do próprio campo. Essas disputas irão cooperar para a defesa ou transformação do arcabouço do campo. Por excelência, a interação comunicativa é uma expressão objetiva real perceptível para compreender as relações de força configurada entre sujeitos em um determinado campo social. Desse modo, a comunicação entre os sujeitos por meio de trocas simbólicas deve ser analisada numa perspectiva que considere o paralelo entre o campo no qual é produzido e o habitus instituído socialmente ao longo da história. Tentar compreender esse paralelo assegura perceber qual o sujeito que possui autoridade delegada em determinada ação comunicativa. Ao destacar o poder das palavras, Bourdieu (2008, p. 87, grifo do autor) afirma que:
O poder das palavras é apenas o poder delegado do porta-voz cujas palavras (quer dizer, de maneira indissociável, a matéria de seu discurso e sua maneira de falar) constituem no máximo um testemunho, um testemunho entre outros da garantia da delegação de que ele está investido.
No ato de comunicação, é necessário compreender que as relações de força impetradas são baseadas em interações simbólicas e não podem se restringir à simples análise linguística. As relações de forças, ocorridas na interação comunicativa, também tratadas como relações de poder simbólico, devem ser analisadas além da economia e da cultura; precisam ser entendidas no contexto das trocas simbólicas, considerando o habitus estabelecido e as estruturas do mercado linguístico instituído. Bourdieu (2008, p. 24) analisa como se constituem as relações de força no ato de fala.
Todo ato de fala e, de um modo geral, toda ação é uma conjuntura, um encontro de séries causais independentes: de um lado, as disposições, socialmente modeladas, do habitus linguístico, que implicam uma certa propensão a falar e a dizer coisas determinadas (interesse expressivo), definida ao mesmo tempo como capacidade lingüística de engendramento infinito de discursos gramaticalmente conformes e como capacidade social que permite utilizar adequadamente essa competência numa situação determinada; do outro, as estruturas do mercado linguístico, que impõem como um sistema de sanções e de censuras específicas.
Assim, constata-se que as interações linguísticas são, também, relações de poder simbólico. Nesse caso, a concretização do interesse de determinado sujeito à ação comunicativa depende da diversidade de estratégias utilizadas. Além disso, deve-se considerar o conjunto sistemático de condições sociais para que o discurso de determinado sujeito seja aceito como legítimo sem visíveis possibilidades de questionamento. Segundo Bourdieu (2008, p. 82):
As diferentes estratégias, mais ou menos ritualizadas, da luta simbólica de todos os dias, assim como os grandes rituais coletivos de nomeação ou, melhor ainda, os enfrentamentos de visões e de previsões de luta propriamente política, encerram uma certa pretensão à autoridade simbólica enquanto poder socialmente reconhecido de impor uma certa visão do mundo social, ou seja, das divisões do mundo social.
Nessa luta, é possível a imposição de uma visão legítima de mundo que depende do capital simbólico acumulado pelos sujeitos em determinado campo social. Significa dizer que os sujeitos possuem um poder proporcional ao capital simbólico acumulado em suas interações sociais. Vale salientar que Bourdieu (1996) considera que as relações sociais são constituídas por relações simbólicas, relações de sentido, relações de comunicação. Na interação realizada no interior do jogo social, pode-se considerar as possibilidades de concretização da visão legítima, determinada por sujeitos que possuem credibilidade de um grupo, tendo um discurso conhecido e reconhecido por eles. Dentro desse contexto, há necessidade de um investimento intenso no jogo social em face das lutas simbólicas configuradas. Os envolvidos no jogo social precisam perceber sua relevância no campo de atuação.
Bourdieu (1996, p. 139) define o conceito de interesse ao considerar que: “Interesse é ‘estar em’, participar e admitir, portanto, que o jogo merece ser jogado e que os alvos engendrados no e pelo fato de jogar merecem ser perseguidos; é reconhecer o jogo e rever os alvos”. De modo mais amplo, Bourdieu (1996) define outro conceito denominado illusio com o significado de maior intensidade no jogo social. Para Bourdieu (1996, p. 139): “A
illusio é estar preso ao jogo, preso pelo jogo, acreditar que o jogo vale a pena ou, para dizê-
lo de maneira mais simples, que vale a pena jogar”. No construto das relações sociais, é necessário empenhar-se no acúmulo de capital simbólico e envolver-se de maneira intensa no jogo social no sentido de legitimar o illusio ou investimento seja individual ou coletivo (por meio do processo de representatividade). Vale salientar que os jogos sociais possuem uma relação recíproca entre estruturas mentais e a formação dos espaços sociais. De acordo com Bourdieu (1996, p. 139-140):
[...] os jogos sociais são jogos que se fazem esquecer como jogos e a illusio é essa relação encantada com um jogo que é o produto de uma relação de cumplicidade ontológica entre as estruturas mentais e as estruturas objetivas do espaço social.
No processo interativo, os sujeitos que compõem determinado jogo social, mesmo que estejam em oposição, possuem uma cumplicidade implícita, haja vista que lutam, mutuamente, por coisas inseridas no interior do jogo no campo. Convém afirmar que os jogos sociais são interessantes, pois foram impostos em nossas mentes e corpos e atribuímos sentido a esse jogo. Nesse sentido, é valido dizer que os sujeitos pertencentes a determinado campo social estão inseridos por concordar com condições específicas e essenciais que venham a ser exigidas nesse campo. Melhor dizendo, cada campo social tem suas exigências configuradas em táticas de acesso ao jogo; por isso, os sujeitos assumem um acordo cúmplice oculto e estratégico no sentido de que é pertinente lutar pelos instrumentos pertencentes ao interior do campo. Significa dizer que vale a pena jogar no campo pela luta de seus instrumentos. De maneira mais explicativa, Bourdieu (1996, p. 140) acredita que:
Todo campo social, seja o campo científico, seja o campo artístico, o campo burocrático ou o campo político, tende a obter daqueles que nele entram essa relação de campo que chamo illusio. Eles podem querer inverter as relações de força no campo, mas, por isso mesmo, reconhecem os alvos, não são indiferentes.
É importante observar que, apesar da presença das estruturas objetivas e subjetivas que funcionam no sentido de perpetuar a dominação dentro do campo de poder, no nível das relações sociais (BOURDIEU, 2007), existe, também, a possibilidade de resistência por parte dos agentes que relativiza sua submissão e possibilita a liberdade de ação para esses agentes dentro do campo, mediante o desenvolvimento de estratégias que lhes permitam transitar e se inserir, mais ou menos favoravelmente, dentro desse campo específico (FOUCAULT, 1984).
Os sujeitos confiam que seus representantes defendem os anseios e os interesses de um grupo, tendo um título de autoridade concedido pelo povo e regulamentado pelo Estado. Poulantzas (2000, p. 94) esclarece que o poder moderno está baseado na “manipulação ideológica e simbólica, na organização do consentimento e na interiorização da repressão”. Tal concepção vincula o conceito de poder ao de autoridade (visão repressora do Estado), caracterizando o poder capitalista por meio da monopolização da violência pelo Estado. Além do Estado, existem outras instituições sociais que impõem sua violência simbólica como é o caso da escola.
A escola, em sua essência, enquanto instituição social vivencia relações de força e exerce o poder por meio da violência simbólica. Tais relações foram construídas, historicamente, e perpetuadas na sociedade, sendo a escola o maior meio de reprodução dessa violência, uma vez que condiciona o comportamento humano a determinadas convenções sociais. A escola, ao impor significações simbólicas construídas historicamente, exerce violência simbólica, já que sua natureza cumpre imposições (violência simbólica) construídas na coletividade ao longo da história. Diante disso, vale dizer que toda Ação Pedagógica (AP) é, em sua essência, violência simbólica por ser impositiva. Para Bourdieu e Passeron (2009, p. 25):
Todo poder de violência simbólica, isto é, todo poder que chega a impor significações e a impô-las como legítimas, dissimulando as relações de força que estão na base de sua força, acrescenta sua própria força, isto é, propriamente simbólica, a essas relações de força.
As ações pedagógicas desenvolvidas nos sistemas de ensino de modo geral impõem uma visão socialmente aceita como legítima, pois, em sua natureza, a escola configura-se em
condições sociais de imposição de uma determinada cultura tida como única e dominante. Desse modo, “Toda ação pedagógica (AP) é objetivamente uma violência simbólica