Neste capítulo, pretende-se abordar as principais vertentes associadas à operação normal de uma companhia aérea, do ponto de vista financeiro-económico, procurando constatar as mesmas mediante a análise da performance, quer da TAP Air Portugal quer da easyJet, em cada uma das áreas estudadas, bem como do mercado aeronáutico em Portugal (sendo que caso os dados relativos a este não estejam disponíveis, serão utilizadas informações à escala do mercado do transporte aéreo europeu).
5.1 – Contextualização
O setor do transporte aéreo é uma das indústrias mais importantes do mundo, o seu desenvolvimento, bem como, as suas conquistas quer a nível técnico ou a nível de serviços, fez com que esta se tornasse um dos principais impulsionadores dos avanços da sociedade moderna. A procura por estes serviços aéreos aumenta a influência dos transportes aéreos na economia global, que torna possível o movimento rápido de milhões de pessoas, bem como milhões de euros em mercadoria nos mercados mundiais.
A procura pelo transporte aéreo tem vindo a aumentar gradualmente, devido, principalmente, aos seguintes fatores (Adaptado de IATA, 2018):
• Aumento do rendimento disponível e do nível de vida – aumento da procura por viagens (quer seja em negócios ou em lazer) juntamente com o aparecimento de cada vez mais opções a nível dos destinos, o fornecimento de milhares de postos de trabalho, entre outros;
• Redução dos custos operacionais – melhorias na eficiência das aeronaves, aumento da concorrência e os passageiros beneficiam com o fornecimento de tarifas mais reduzidas, entre outros;
• Globalização – aumento do tráfego aéreo e a distância média por viagem tende a aumentar, à medida que as pessoas procuram mais voos de longo curso durante as férias, ou quando fazem viagens de negócios em países mais desenvolvidos economicamente, entre outros.
Gráfico 2 - Número de passageiros transportados em Portugal entre 2000 e 2017 (milhões)
Fonte: Instituto Nacional de Estatística (2019)
Segundo Vasigh et al (2018), existem ainda alguns fatores que podem retardar/prejudicar o normal crescimento do tráfego e do setor do transporte aéreo em si, tais como:
• Fatores políticos – a adoção de políticas demasiado protecionistas relativamente à entrada de estrangeiros, bem como a possíveis instabilidades de teor político (guerras, entre outros) presentes num determinado país, afetam o normal desenvolvimento/expansão do mercado do transporte aéreo;
• Eventos aleatórios – mais comumente associados ao terrorismo, como por exemplo os eventos ocorridos a 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, mas também provenientes de possíveis acidentes e incidentes, que contribuem ambos para a diminuição da confiança dos passageiros aquando da utilização deste meio de transporte;
• Ciclos económicos adversos – elementos como o custo elevado do petróleo, taxas de câmbio de moeda adversas, menor prepotência para gastar dinheiro por parte dos passageiros, entre outros, contribuem para a redução dos lucros das transportadoras aéreas, que podem sentir-se obrigadas a aumentar o preços dos bilhetes fornecidos,
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levando à diminuição da procura e consequente número de passageiros transportados inferior.
5.2 – Impactos derivados da indústria do transporte aéreo
Sendo o setor aeronáutico um dos maiores mercados do mundo, este movimenta elevadas quantidades de bens, serviços, e principalmente dinheiro, que juntamente com o facto de este envolver vários subsistemas económico-financeiros, verifica-se uma certa dependência destes consoante o mercado do transporte aéreo esteja a prosperar, ou a regredir. Ou seja, a atividade normal do setor aeronáutico causa vários impactos, que dependendo da sua conotação (positiva ou negativa), podem determinar o sucesso ou insucesso, do mesmo e de outros negócios, numa certa região (nacional ou internacional), impactos estes que estão agrupados em económicos, sociais e ambientais.
5.2.1 – Impactos económicos
A indústria do transporte aéreo causa vários impactos a nível económico, não só através da dimensão da operação do mesmo, mas também pelo facto de poder ser um impulsionador do desenvolvimento de outros negócios, sendo que segundo Oktal et al (2006), estes impactos podem estar categorizados consoante os seguintes tópicos: • Diretos: derivados de atividades económicas que não existiriam sem a presença do
transporte aéreo, cujas consequências provenientes desta operação têm impacto no desenvolvimento da área local, bem como na economia geral (ex.: retalho presente no aeroporto, manutenção de aeronaves, entre outros);
• Indiretos: atividades económicas que partilham uma relação casual com o setor do transporte aéreo, em que pode existir benefícios para ambas as partes resultante de negócios entre diversas entidades (ex.: agências de viagem, empresas de aluguer de viaturas, hotéis, retalhistas, restaurantes, entre outros);
• Induzidos: efeito multiplicador resultante dos impactos diretos e indiretos, referente a despesas secundárias que aumentam a receita de certa região e/ou cidade.
5.2.2 – Impactos sociais
No entanto, o setor do transporte aéreo possui várias vantagens e/ou desvantagens que não estão unicamente associadas ao fator monetário que este possui,
apesar de não serem quantificados, os impactos sociais estão muitas vezes associados ao bem-estar e à qualidade de vida das pessoas afetadas (diretamente ou não) pelo normal funcionamento do setor em causa, podendo ser identificados os seguintes benefícios: • Liberdade para viajar: permite que haja uma ligação entre várias pessoas, países e
culturas, além do acesso a mercados globais. Nos últimos anos, o aumento da acessibilidade (a nível de preços) dos voos, permitiu que este serviço se tornasse disponível para a maioria da população mundial, resultando no aumento do turismo, que por sua vez, aumenta o nível de vida e reduz o número de determinadas zonas de elevada pobreza em certas nações. Possibilitando também, um transporte mais rápido e barato de bens essenciais e medicamentos, em situações de emergência (IATA, 2016);
• Crescimento sustentável: permite o desenvolvimento da economia, quer local quer internacional, nomeadamente através do setor turístico, fornecendo novos postos de trabalho e um elevado crescimento económico-financeiro de vários negócios (Adaptado de Oktal et al, 2006);
Por outro lado, surgem as seguintes desvantagens desta indústria, a nível social:
• Problemas de saúde: resultante da passagem por várias zonas com fusos horários diferentes, o comummente designado jetlag, sendo que o passageiro pode ainda sofrer de fadiga, causada pelo stress associado à viagem em si., bem como, da privação do sono na qual o passageiro incorre. Outros problemas associados à indústria do transporte aéreo remetem para a poluição sonora e referente a gases tóxicos que têm o potencial de afetar negativamente a saúde dos residentes na proximidade dos aeroportos, principalmente aqueles que se encontram localizados diretamente por baixo dos flight paths das aeronaves. (Adaptado de Whitelegg, 2000)
5.2.3 – Impactos ambientais
Tendo em conta que a indústria do transporte aéreo opera a uma escala mundial, é normal que esta possua uma das maiores pegadas ambientais verificadas atualmente, no entanto segundo a IATA, até 2050 terá de ocorrer uma redução de 50% nas emissões de CO2, e prevê-se que isto ocorra mediante a melhoria da tecnologia
utilizada nas aeronaves, o aumento da eficácia das operações aeroportuárias, melhoria das infraestruturas dos aeroportos, entre outros. Sendo que, os principais problemas a resolver, podem incluir os seguinte tópicos:
• Poluição sonora: o ruído proveniente das aeronaves pode provocar inúmeros problemas tais como, distúrbios do sono, afetar negativamente o desempenho académico das crianças, e aumenta o risco do aparecimento de doenças cardiovasculares nas pessoas que residem na proximidade dos aeroportos (ICAO, n.d.);
• Emissão de gases tóxicos (de efeito de estufa): a indústria do transporte aéreo é um dos principais contribuidores para a formação de gases prejudiciais para o ambiente, isto porque, além da operação das próprias aeronaves, os aeroportos são também uma grande fonte da criação destes gases, seja através da utilização de veículos necessários à operação do mesmo (camiões de transporte de combustível, autocarros para o transporte de passageiros na placa, veículos de limpeza e catering das aeronaves, entre outros), bem como referente às instalações de manutenção, na qual podem ser realizados testes relativos ao funcionamento dos motores, entre outros.
Todos os impactos referenciados anteriormente têm que ser tidos em conta, visto que podem causar bastantes problemas às demais entidades inseridas no setor do transporte aéreo, não só a nível financeiro, mas também pode pôr em risco a saúde dos vários elementos humanos presentes nesta aérea, no entanto, é visível o esforço por parte das entidades reguladoras (ICAO, IATA, EASA, entre outras) referente ao controlo e mitigação destes problemas.
5.3 – Oferta, Procura e Elasticidade: Análise do Setor do Transporte Aéreo
Outro aspeto extremamente importante e presente na operação diária, quer das companhias aéreas quer dos aeroportos, remete para a oferta e procura de bilhetes, por parte dos passageiros. É necessário que estas empresas possuam um vasto conhecimento, bem como informação detalhada sobre este tópico, de modo a retirar o melhor proveito seja a nível de redução de custos, mas também procurando obter
receitas mais elevadas, além de permitir controlar melhor os principais “focos” de ação, no que ao maior movimento de passageiros diz respeito.
5.3.1 – Procura
A função da procura (ou curva da procura) remete para a ligação entre o preço de um bem e a quantidade produzida desse mesmo bem, e assenta na lei da inclinação negativa da procura, em que à medida que o preço de um produto aumenta, verifica-se uma menor tendência dos consumidores para comprarem tal produto. Em termos da quantidade procurada, a mesma se encontra sujeita a dois elementos principais: o efeito
substituição (redução na quantidade procurada devido ao aumento do preço, e vice-
versa) e o efeito rendimento (redução/aumento do poder de compra do consumidor resulta do aumento/diminuição do preço, respetivamente, levando à diminuição da quantidade procurada). É possível identificar determinados fatores que afetam a curva da procura, nomeadamente: o rendimento médio dos consumidores, a dimensão do mercado, o preço e disponibilidade dos bens relacionados, os gostos/preferências, entre outros. (Adaptado de Samuelson e Nordhaus, 2005)
Segundo Wensveen (2007, pp.288-395) existem, específicos ao setor do transporte aéreo, alguns fatores que moldam/determinam a elasticidade (variação) da procura, e por sua vez, dos preços a serem aplicados, alterando o possível resultado proveniente dos mesmos, sendo eles: a concorrência (quanto maior for o número de companhias aéreas a operar determinada rota, maior será a “luta” pela maioria da quota de mercado e as respetivas receitas associadas), a distância (à medida que a distância percorrida em cada rota aumenta, maior serão os encargos/custos para a transportadora), a vertente negócios vs lazer [consoante o tipo de passageiro transportado, haverá uma resposta diferente do mesmo às variações nos preços, por exemplo, os passageiros de negócios são mais suscetíveis a variações nos preços (procura inelástica ou rígida), mas por outro lado, os passageiros de lazer são mais sensíveis a alterações nos preços praticados (procura elástica)]3, o rendimento dos passageiros (existe uma maior prepotência do mesmo para utilizar o meio de transporte aéreo – aumento da procura), entre outros.
3 Adaptado de ENDRIZALOVÁ, E. e VLADIMIR, N. (2014) Demand for Air Travel. Faculty of
Em termos das companhias aéreas abordadas neste trabalho, a TAP Air Portugal verificou em 2018, um aumento na procura (medido em RPK) na ordem dos 9.6%, que por sua vez permitiu um crescimento de 10.4% do número de passageiros transportados, atingindo os 15.8 milhões. A transportadora aérea justifica estes valores com a trajetória consistente de crescimento em mercados estratégicos, a melhoria da frota, o aumento significativo da procura turística por Portugal, juntamente com a abertura/cancelamento de rotas consoante flutuações na procura. (Adaptado de TAP Air Portugal, 2019)
Relativamente à easyJet, esta verificou também em 2018, um crescimento sustentável da procura, associado à boa performance nos seus mercados base (Reino Unido e França), bem como devido a um bom posicionamento da marca e da sua rede de operações, crescimento este afetado (em parte) por eventos geopolíticos adversos (por exemplo: Brexit). Estes resultados foram alcançados mediante uma elevada adaptação dos seus serviços à procura (segmentação e taxas das bagagens, melhor alocação dos lugares a bordo das aeronaves, otimização do website, entre outros), além do consequente aumento do fator de carga para 86% da capacidade total, durante o verão. (Adaptado de easyJet plc, 2019)
5.3.2 – Oferta
A curva da oferta (ou função da oferta) tem como base a ligação entre o preço de um produto e quantidade fornecida do mesmo, sendo que à medida que o preço do produto aumenta, a quantidade fornecida do mesmo é também maior, ou seja, a curva da oferta possui inclinação positiva (lei do aumento do custo de oportunidade). Tal como na procura, existem alguns elementos que afetam o normal comportamento da curva da oferta, tais como: o preço dos fatores de produção, o preço dos produtos alternativos, a capacidade produtiva da empresa, entre outros. (Adaptado de Langlois, 2013)
Segundo Vasigh et al (2018, pp. 72-73), no que ao setor do transporte aéreo diz respeito, existem algumas variáveis que afetam o comportamento “normal” (elasticidade) da oferta das companhias aéreas, tais como: preço dos inputs (combustível, recursos humanos, custos de aquisição, manutenção, entre outros),
tecnologia (especialmente nesta indústria onde as aeronaves são os principais ativos das
transportadoras, que estão dependentes/sujeitas às inovações futuras a nível tecnológico), meios de transporte alternativos (a disponibilidade e o preço das opções
alternativas ao transporte aéreo, influenciam os possíveis ganhos que as companhias obtêm, além de se tornaram outro concorrente para as mesmas), eventos aleatórios (de teor meteorológico, greves, terrorismo), legislação governamental (leis que restringem a operação do setor aeronáutico), entre outros.
Segundo o relatório de gestão e contas do exercício de 2018, a TAP Air Portugal apresentou um crescimento da oferta no patamar dos 12.3% (em ASK), sendo que de forma a obter estes resultados, a companhia aérea identifica alguns fatores que afetaram a performance deste, como por exemplo, a renovação da frota e das cabines das aeronaves existentes (com o intuito de aumentar o número de lugares disponíveis a bordo), a expansão da operação para novos destinos (como medida de ajuste à nova realidade da procura), procurando diversificar o serviço e reduzir a dependência que a empresa possui em relação ao seus principais mercados.
A easyJet viu, em 2018, a sua capacidade nos voos de curta duração crescer 2.8%, comparativamente aos 5.6% verificados na totalidade da Europa. A empresa identifica também alguns elementos que tiveram influência no desenrolar da operação da mesma, referente ao processo de criação da oferta, sendo eles: o aumento do preço do petróleo, o maior congestionamento dos ares (consequência do aumento da capacidade, causando maior pressão nos sistemas/funcionários), entre outros. (Adaptado de easyJet plc, 2019)
5.4 – Estrutura/Posicionamento de Mercado e Concorrência
Um componente também extremamente importante no normal funcionamento do setor aeronáutico, remete para o tipo de mercado em si, bem como o posicionamento das várias organizações (especialmente as companhias aéreas) no mesmo, e a respetiva concorrência existente no setor em causa. É necessário que as transportadoras aéreas estejam cientes das suas capacidades e limites, bem como os da sua concorrência, de modo a delinear a melhor estratégia que lhes permita obter os maior benefícios, mediante a diminuição dos respetivos custos.
5.4.1 – Estrutura de mercado
Existem 4 vertentes que designam determinada estrutura de um mercado, sendo elas: monopólio, oligopólio, concorrência imperfeita e concorrência perfeita, no entanto
tendo em conta que o setor do transporte aéreo é, na sua essência, um oligopólio, verifica-se que este possui algumas características que o diferem do modelo base.
De acordo com Wensveen (2007, pp.175-190), um oligopólio é caracterizado pelos seguintes fatores: elevadas barreiras à entrada (principalmente em termos do investimento financeiro inicial elevado necessário), várias economias de escala (permitindo reduções nos custos, através da melhoria da eficiência), crescimento
através de fusões (e/ou aquisições, permitindo obter um elevado número de inputs e
aumentar a quota de mercado), dependência mútua (associada ao número reduzido de entidades a operar em determinado mercado, e em que uma alteração no processo operacional/negocial pode afetar outras organizações), entre outros.
Posto isto, é ainda possível identificas algumas determinantes de teor económico específicas ao setor do transporte aéreo, tais como: elevada assistência
financeira por parte dos governos (principalmente as transportadoras aéreas legacy,
visto que maior parte delas podem atuar como o maior impulsionador do desenvolvimento económico de um país), suscetível aos avanços tecnológicos (tendo em conta que as aeronaves constituem o principal componente dos ativos de uma companhia aérea, verifica-se uma elevada prepotência para que as transportadoras renovem/expandam as suas frotas cada vez mais frequentemente, porque mesmo que exista desenvolvimentos algo reduzidos – em termos da eficiência, capacidade de transporte de passageiros/carga, conforto dos aviões –, estas melhorias traduzem-se em elevadas reduções nos custos e um aumento exponencial das receitas das companhias),
elevados custos com os recursos humanos e combustível (nomeadamente pilotos e
tripulação de cabine, bem como o combustível utilizado para o normal funcionamento das aeronaves), vantagem competitiva consoante a frequência dos voos (de modo a satisfazer as várias necessidades do maior número de passageiros possíveis, muitas companhias optam por fornecer uma elevada frequência diária dos seus voos, procurando não só aumentar as suas receitas, mas também conseguir uma quota de mercado bastante superior), sensibilidade a flutuações económicas (visto que o setor do transporte aéreo se trata de um mercado internacional, este encontra-se sujeito a determinadas variáveis de teor económico – até em certos casos, contraditórios – que podem afetar as receitas que as companhias aéreas procuram alcançar, por exemplo, taxas de câmbio entre moedas) e regulamentação governamental restritiva
(maioritariamente associada a regulamentação que restringe as operações aeronáuticas, tais como, a nível dos voos noturnos, bem como atividade aérea em zonas densamente povoadas), entre outros.
5.4.2 – Posicionamento de mercado
O posicionamento estratégico de uma organização prende-se com a capacidade de conferir a posição de uma empresa mediante o seu ambiente externo (e os fatores a ele associado), tarefa esta essencial ao processo de tomada de decisão de qualquer entidade, com o objetivo de integrar os recursos disponíveis e as respetivas atividades operacionais de modo a atingir o sucesso e sustentabilidade desejados. (Adaptado de Dimitrova, 2017) De modo a obter o melhor posicionamento estratégico possível dentro de uma determinada indústria, as organizações necessitam de ter uma performance superior à da restante concorrência, sendo que, existem determinadas ferramentas que ajudam neste processo de tomada de decisão, nomeadamente a “Análise PESTEL” e as “5 Forças de Porter”.
5.4.2.1 – Análise PESTEL
A Análise PESTEL (ou PESTAL, em português) é uma ferramenta que permite a um gestor realizar uma análise de mercado mais abrangente, nomeadamente em termos do ambiente macroeconómico, de modo a identificar elementos externos que afetam atualmente, e poderão continuar a afetar, o negócio e/ou performance de determinada empresa, abordando os fatores políticos, económicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais.
Fatores Políticos: Segundo Sammut-Bonnici e Galea (2014), os fatores
políticos estão divididos em três categorias (supranacional, nacional e subnacional), sendo que à medida que determinado negócio se desenvolve, a vertente supranacional desempenha um papel de maior relevância. A constante monitorização destes fatores permite à empresa permanecer em sintonia com o ambiente político em que esta desenvolve a sua atividade, no entanto, demasiadas flutuações neste ambiente, alteram substancialmente a operação e estrutura das entidades envolvidas.
Tabela 8 - Identificação Fatores Políticos (P) - TAP Air Portugal e easyJet
Fatores Políticos
TAP Air Portugal easyJet
• Restrições de teor político associadas à construção do novo aeroporto no Montijo
• Instabilidade governamental em Portugal
• Incerteza da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit)
• Pagamento de taxas extras4
Fonte: Elaboração própria Fatores Económicos: Aquando da determinação da estratégia que uma
empresa escolhe adotar, esta deve ter em conta inúmeras variáveis, nomeadamente de teor económico, tais como, as taxas de juro, taxas de câmbio, taxas de inflação, entre outras. O controlo e previsão de variações nestes elementos, são essenciais na determinação do crescimento ou estagnação do mercado em questão. (Adaptado de n.d., 2013)
Tabela 9 - Identificação Fatores Económicos (E) - TAP Air Portugal e easyJet Fatores Económicos
TAP Air Portugal easyJet
• Aumento do
rendimento das famílias • Redução da taxa de inflação em Portugal5 • Aumento do preço do petróleo6
• Desvalorização da libra esterlina (em grande parte, como consequência do anúncio do Brexit)7 • Custos elevados de mão-de-obra qualificada • Taxas de câmbio da libra esterlina com outras moedas
Fonte: Elaboração própria
4 UK Air Passengers Set to Pay An “Airline Bankruptcy Tax” (2019): https://simpleflying.com/airline-