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3. SITUATION DES ATELIERS

3.3 L ES CENTRES D ’ ACTIVITES AUTONOMES CHARGES DE L ’ ENTRETIEN ET DE LA MAINTENANCE : LES CA

3.3.1 Le Centre d’Activité Entretien Wagons

Analisar a exposição “Túnel da Ciência 3.0” é um problema de pesquisa complexo por envolver vários sujeitos desempenhando diferentes atividades. Ao mesmo tempo, tal cenário é extremamente frutífero para a abordagem da perspectiva Histórico-Cultural da Atividade, que tem como unidade de análise as atividades humanas e suas relações.

No pensamento de Vygotsky, podemos encontrar a base necessária para o entendimento dessas relações que se desdobram a nossa frente, revelando contradições dialéticas e seus modos de significação pelos sujeitos, bem como formas de superação.

Baseando-se nessas ideias, podemos enxergar a análise dos dados como uma construção que ao longo do tempo foi se estruturando à medida que o pesquisador também se moldava, ou seja, essa metodologia foi se solidificando na prática, em conformidade com as ideias de Vygotsky. Segundo o autor “o método, ou seja, o caminho seguido, é visto como um meio de cognição: mas o método é determinado pelo objetivo que conduz. Por isso a prática reestrutura toda a metodologia da ciência” (2004, p. 346).

Tendo em vista esses apontamentos, de modo sintético, a análise irá percorrer o discurso dos sujeitos entrevistados, apoiada pelas observações do pesquisador e pelas filmagens das visitas das famílias.

A primeira etapa, como já citado, é caracterizar as atividades dos participantes, identificando o objeto ao qual a atividade está sendo direcionada, criando, a partir disso, uma narrativa que contemple as experiências dos participantes.

A segunda etapa compreende a identificação e categorização das contradições presentes nessas atividades e na relação entre os sistemas de atividades, tendo como base as categorias apresentadas no Capítulo 2. Durante essas etapas, serão discutidas as interações estabelecidas entre os sistemas de atividades, permitindo uma visão mais holística, sendo possível também, identificar os conteúdos e as formas de superação das contradições, pois apenas por meio da "análise das contradições e da dinâmica das relações sociais, ou seja, através do método marxista, seria possível enxergar além das aparências” (TULESKI, 2008, p. 118).

4.1 ATIVIDADE CENTRAL: UM OBJETO COMPARTILHADO

Entendemos como Atividade Central aquela que é compartilhada entre todos os sujeitos envolvidos com a vinda da exposição “Túnel da Ciência 3.0” ao Brasil.

Na Atividade Central (Figura 18), os diferentes participantes da pesquisa estão direcionando suas atividades a um objeto que é a Cultura Científica, em vista da Promoção da Cultura Científica. Para realização dessa Atividade, são definidas regras tanto pelos sujeitos como pelos pressupostos presentes na composição dos valores das instituições participantes. Por meio da divisão do trabalho, são atribuídas responsabilidades aos sujeitos que se utilizam de instrumentos para realização da Atividade. Todo esse processo está relacionado com a comunidade que faz parte do sistema.

Figura 18 - Atividade Central. Fonte: autoria própria.

Identificada a Atividade Central é importante averiguar as atividades periféricas como forma de compreender o todo.

Abaixo (Figura 19), apresentamos um esquema com os possíveis sistemas de atividades presentes nesse processo de vinda da exposição ao Brasil, compondo um quadro de atividades que expõe a interação entre elas e a atividade central.

Figura 19 - Possibilidade de leitura das interações entre a Atividade Central e as periféricas. Fonte: autoria própria.

A Atividade Central seria aquela que regeria as outras atividades daquele indivíduo (LEONTIEV, 2009). É possível compreendê-la, ainda, como a atividade emergente a partir de outras atividades dos sujeitos. Nesta pesquisa, identificamos o sistema de atividade Promoção da Cultura Científica como comum a todos os participantes, os quais possuem suas próprias atividades que denominaremos como periféricas.

No esquema apresentado na Figura 19, constam os seguintes sistemas de atividades periféricas: Atividades de visitação (público espontâneo), Atividade de monitoria (profissionais que atuaram na monitoria da exposição), Atividade de viabilização do Túnel da Ciência no Brasil (sob responsabilidade da Produtora Geração), Atividade de internacionalização da exposição (operada pelo Instituto Max Planck) e de apoio político (MCTIC).

É importante ressaltar que as atividades periféricas estão interligadas tanto entre elas como com a Atividade Central. Nessa interação, é possível que surjam

tensões e contradições que movimentam os sistemas. Como vimos no capítulo 2, as contradições de quarta ordem ocorrem entre o sistema de atividade central e os sistemas de atividades circunvizinhos na rede de sistemas e emergem da interação da atividade central com as atividades periféricas. Elas se manifestam, principalmente, na resistência entre os sistemas de atividades no processo de executar a atividade central.

O objetivo das próximas sessões vai além de apresentar os sistemas de atividades. Como já discutimos, esses esquemas buscam retratar uma “foto” do contexto investigado pelo pesquisador. Assim, apesar de ser um importante recurso, a discussão precisa ser focada no movimento que está intimamente ligado às contradições. Buscamos, portanto, na descrição e análise dos sistemas de atividades, primeiro contextualizar a experiência dos participantes, a fim de situar o leitor sobre os cenários que estavam em interação no caso estudado. Com isso, o leitor, poderá perceber qual a relação de um sistema de atividade com os demais. A partir dessa compreensão, poderemos ao final refletir sobre as raízes das contradições que propiciaram os movimentos dessas atividades.

A seguir, apresentamos a análise das seguintes atividades: internacionalização da exposição, apoio político, visitação, monitoria e viabilização do Túnel da Ciência no Brasil.

Para além disso, é preciso olhar a relação dessas atividades com a Atividade Central. Para isso, propõe-se que o processo histórico de construção multifacetada e coletiva do objeto passe a ser elemento analítico e organizador em uma primeira aproximação em direção ao cenário empírico. Logo, é importante entender como os participantes percebem o objeto da atividade.

4.2 INTERNACIONALIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

O Instituto Max Planck vem desenvolvendo o Túnel da Ciência desde os anos 2000, quando foi lançada a primeira versão da exposição. De lá para cá, foram desenvolvidas outras duas versões, que mantiveram a ideia principal, porém, se diferenciaram em relação às pesquisas que estruturam o discurso expositivo e aos aparatos que foram apresentados ao público.

Como a exposição é itinerante e internacional, a concepção e a exibição da mostra incorporam elementos relacionados ao processo de internacionalização.

Assim, a cada país visitado é necessário que os profissionais do Instituto Max Planck auxiliem no desenvolvimento da exposição, montagem, estabelecimento de contatos políticos, entre outras ações.

Em cada país essa atividade toma uma forma diferente, com a incorporação ou supressão de elementos resultantes das especificidades locais. No Brasil, por exemplo, os profissionais do Instituto Max Planck atuaram na formação dos monitores, traduziram parte dos painéis, realizaram a montagem, orientaram quanto a manutenção da exposição, realizaram algumas atividades burocráticas e tiveram participação na busca por recursos financeiros. Esses dois últimos pontos, segundo eles, deveriam ser desenvolvidos pelo governo brasileiro, o que mostra um desacordo com a divisão de trabalho.

A caracterização da atividade do Instituto Max Planck, no contexto da internacionalização do Túnel da Ciência, está representada na Figura 20, que evidencia os elementos constituintes. A sistematização auxilia nas reflexões sobre as tensões presentes nessa atividade e em relação aos outros sistemas de atividades, revelando contradições.

Figura 20 - Caracterização da atividade do Instituto Max Planck. Fonte: autoria própria.

buscar no discurso do representante da instituição falas que representassem suas motivações e necessidades, bem como seu entendimento sobre o seu próprio papel e o trabalho que estava sendo realizado. Abaixo, apresentamos um trecho que serviu de base para nossa análise: