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quitação ao almoxarife da Torre de Moncorvo, de 6.000 reais de tença, 1519-01-04,

A.N.T.T., Corpo Cronológico, Parte II, maço 79, nº 24.

Saybam quantos esta presemte procuração vyrem que no anno do nascymento de nosso senhor Jhesus Christo de mil e quynhentos e dezanove anos aos quatro dias do mes de Janeiro em ha villa de Vymiosso nas casas da morada da muito vyrtuosa Byatryz Fejoo dona Vyuva molher que foy de Memd’Affomso cuja alma deos tem. Estamdo ela hy presente ysse que ela fazya (…) ordenava e sobre esta (…) per seu certo (…) et imduby (…)tudo procurador soo et im solydum [a saber] a Joham Affomso morador na dita vylla e conyguo de ordens (…) mostrador da presemte pera que por ela constutuimte e em seu nome posa receber e receba do muito virtuoso Martym Sobrynho da Mizquita cavaleiro da caa del Rey nosso senhor e seu almoxarife no almoxarifado da Torre de Memcorvo seys mil reaais da temça que ela comstytuinte do dito senhor tem em cada huum anno os quaaes

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fecto e a todo presemte (…) em todo ho dito seu procurador de todo carreguo de (…) que o (…) manda sob obriguaçam de (…) e juyz que pera elo obryguou e sem testemunho de verdade outorguou a presemte procuração. E serlhe dada pera a dar ao dicto seu procurador. Testemunhas que estavam presemtes ho muito virtuoso Alvaro Memdes cavaleyro da Casa do dito senhor seu filho e Pero Pyrez e Gonçallo Ferrreira moradores na dicta villa. E (…) tabaliam do puvryco e judicyall em ha dicta vylla de Vymioso e seu termo por ele Rey nosso senhor que o escrepvy e asynney aqui meu synal puvryco em testemunho de verdade.

Documento 6 – Diário do sítio de Miranda, principiado em 11 de março de 1711, Arquivo Histórico Militar, DIV/1/04/1/22.

[fl. 3] O Mestre de Campo general Dom João Manoel de Noronha, Commandante das Tropas que se achavão de quartel na Provincia de Traz os Montes, & se compunhão de onze Regimentos de Infantaria, & cinco de Cavallaria, estando resoluto a fazer o sitio de Miranda, conforme as ordens que tinha da Corte, mandou o Sargento Mor de Batalha Pedro Carle reconhecer o estado da dita Praça, & os mantimentos que podia tirar do país conquistado: com a sua relação achou ser conveniente, não perder hum instante de executar esta empresa, & ordenou que se fizessem em Alcanissas, & Carvajalles, armazens dos mantimentos que se tirassem do pais conquistado, para sustento da Cavallaria, que seria necessaria para cubrir o sitio; & fez tambem ajuntar em Vimioso todos os mantimentos que a Provincia de Traz os Montes pode dar para sustento da Infantaria, em quanto durasse o sitio. Feyta esta disposição, foy determinado o dia dez de Março, para que se juntasse a Cavallaria em Alcanissas, & a Infantaria em Vimioso, duas praças quatro legoas [fl. 4] legoas distantes da de Miranda: no mesmo dia o Mestre de Campo general, & o sargento Mor de Batalha Francisco de Tavora, Commandante da cavalaria, & o Brigadeyro Antonio Luis de Tavora, chegarão a Alcanissas adonde se achava havia alguns dias o sargento Mor de Batalha Pedro Carle, para por em ordem os mantimentos necessários para o sustento das Tropas. O Brigadeyro Francisco da Veyga Cabral foy encarregado do governo da Infantaria que se juntou em Vimioso. O Mestre de Campo General, considerando que o meyo de não ser inquietado pelos inimigos, era de ocupar as diferentes passagens de barcas, que eles tem sobre varias ribeyras, que presentemente servem de fronteyra ao pais conquistado, ordenou que o Sargento Mor de Batalha Francisco de Tavora marchasse com toda a Cavallaria para Carvajalles, por estar esta Praça no centro de todas as passagens, & que no mesmo dia ocupasse todos os portos, para impedir que os inimigos passassem as ditas ribeyras: & sendo o dito Mestre de Campo general advertido que os Gallegos fazião algum movimento, achou conveniente reforçar a guarnição de Chaves, havendo já feyto o mesmo á de Puebla: com esta disposição aos onze o mestre de Campo general Dom João Manoel

de Noronha; & o Sargento Mor de Batalha Pedro Carle, se puzerão á vista de Miranda, & o Sargento Mor de Batalha Francisco de Tavora com o Brigadeyro Antonio Luis de Tavora, forão com a cavalaria para Carvajalles, executar o que se tinha determinado. A Infantaria chegou á vista da Praça ás duas horas depois do meyo dia, & o trem da Artelharia, que se compunha de cinco pessas de 24. & tres de 16. & quatro de campanha, chegou também no mesmo dia antes da noyte. Depois que o exercito campou, o primeyro cuydado do Mestre de Campo general foy cortar a comunicação que os [fl. 5] os inimigos tinhão pelo Douro, & ordenou ao sargento Mor de Batalha Pedro Carle o fosse executar; o que não pode conseguir por ser noyte, & pelos terríveis precipícios, por onde precisamente havia de passar. A noyte dos onze para os doze se gastou em se fazer o alojamento sobre a ribeyra de Fresno; & a principiar huma bataria de oito pessas, para bater o castello, sendo esta parte, a mais conveniente, por não ser necessário fazer dous sítios. No dia 12 o sargento Mor de batalha Pedro Carle com 100 granadeyros, & o Regimento de Andre Pires, & duzentos homens por destacamento de todo o Exercito, forão cortar a comunicação da Barca do Douro, o que seria impossível, se os inimigos não fossem surpreendidos, havendo-se de passar por caminhos por onde ate agora parece ningum passou. O Coronel Andre Pires marchou na testa de 100 granadeyros, seguido de 200 infantes, sustentado pelo sargento Mor de Batalha Pedro Carle com o regimento do dito Andre Pires, & ganharão hum alto da montanha, postando-se a meyo tiro de mosquete da Praça. Tomados assim os postos, o Sargento Mor de Batalha Pedro Carle ordenou ao Coronel Andre Pires, que marchasse com parte daquela Infantaria, a atacar os inimigos e huma vinha, adonde mostravam querer fazer algum esforço para defender a sua comunicação; mas logo que virão que se marchava a eles, se retirarão para a Praça. O Coronel Andre Pires da Silva tinha ordem, que logo que ganhasse a vinha, destacasse cincoenta homens ao lugar da Barca, o que se executou; mas não foy possível queymalla, por estar da outra parte do Douro, debayxo do fogo de huma trincheyra dos inimigos. Hum Tenente, & muytos granadeyros voluntariamente se offerecerão passar o rio a nado, sem embargo delle ser neste sitio o mais rápido que se pode imaginar. Feyta esta expedição, o Sargento Mor de Batalha Pedro Carle se retirou deyxando o Co [fl. 6] o Coronel Andre Pires postado de sorte, que os inimigos não podião ter comunicação alguma pelo rio. A noyte de doze para treze se gastou em por as oito pessas na bataria, & aos treze ás cinco horas da manhã se principiou a bater, & em pouco tempo se desmontarão quatro peças, que tiravão sobre o nosso ataque. Os inimigos vendo que as suas peças nos não podião ofender, principiarão huma bataria sobre o ramal esquerdo de huma obra corna, que cobre hum lado do castello, de donde poderião incomodar o nosso ataque. O mestre de Campo general tomou a

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de Alem-Tejo no dia antecendente, para assistir ao sitio, foy mandado com duzentos homens & cincoenta granadeyros á ordem do Coronel Francisco de Ares, & duzentos Infantes governados pelo Sargento Mor João Pissarro. A acção se executou com grande vigor, & seguio-se o feliz successo de abandonar aos inimigos a obra corna, contentando- se com fazer hum grande fogo de artelharia, & mosquetaria sobre a nossa gente, que logo se poz á cuberta de traz da muralha da mesma obra. Nesta ocasião não houve nenhuns mortos, & somente o capitão de granadeyros João da Costa Ferreyra, que se disinguio nesta ocasião, recebeo huma bala de mosquete em huma perna. O dia quatorze se bateo a brecha vigorosamente. Aos 15 ás oito horas da manhã começando-se a abrir a brecha, os inimigos tocarão a chamada, & mandarão hum tenente Coronel, pedindo três dias para se resolverem ao que devião fazer; & o Mestre de Campo general lhe respondeo, que elle não tinha mais que dizerlhe duas palavras, que havia de ser a guarnição prisioneyra de guerra; & que lhe dava meya hora para se resolverem; & pelo que toca [fl. 7] tocava ao mais, se farião aos Officiaes todas as honras, para cujo effeyto mandaria o Brigadeyro Thomás da Silva Telles a ajustar com o Governador esta matéria. Pouco tempo depois voltou o dito Brigadeyro, & deu conta que os Officiaes da guarnição não quizerão consentir serem prisioneyros de guerra, & que pedião alguma moderação. A tregoa cessou, & se começou a bater, mandando-se avançar todos os granadeyros do Exercito, seguidos de alguns Regimentos, para se dar o assalto geral. Logo que os inimigos tocarão segunda vez a chamada, voltou o brigadeyro Thomás da Silva Telles á Praça, & capitulou com o Governador, que a guarnição ficaria prisioneira de guerra á merce do Mestre de Campo general, Commandante do Exercito, o qual depois de assinar mandou ocupar a porta principal da dita Praça com 10 granadeyros, & a brecha por 50.

Capitulações com que se entregou a Praça de Miranda, feitas pelo Brigadeyro Thomás da Silva Teles, & o Tenente de Rey Commandante da dita Praça D. Antonio Mendonça, & Sandoval, em 15 de Março de 1711.

Que a Praça se entregará logo que as Capitulaçoens forem aprovadas pelo Excellentissimo Senhor Mestre de Campo general D. João Manoel de Noronha, Comandante do Exercito, & a porta principal da dita Praça será ocupada como S. Excellencia o determinar.

Que a guarnição ficará prisioneira de guerra á discrição.

Que se manifestarão todas as munições de guerra, & boca, que houver na dita Praça, & de todas ellas se dará huma exacta Relação.

Que se houver algum dinheiro, ou para pagamento das Tropas, ou qualquer outro efeito, se entregará prontamente.

Que todos os cavallos, como as mais bestas se entregarão da mesma sorte.

Batalhões de

Infantaria Capitães Tenentes Alferes Sargentos Tab(…) Soldados Todos 1º batalhão do regimento de Palomino 5 8 4 12 5 229 331 Dastacamento do 1º batalhão de Burgos 1 1 1 1 2 62 68 2º corpo do mesmo regimento 1 1 0 2 0 54 58 2º corpo do regimento Quepuscoa 0 1 1 2 0 68 72 Destacamento do regimento de Bacalicate 2 1 1 4 1 91 100 Destacamento do regimento de Lemburg 1 1 0 2 1 66 71 Destacamento do regimento de Lugo 4 0 4 8 3 127 146 Destacamento do regimento de Santiago 4 0 5 7 2 172 190 18 13 16 38 14 937 1036 Cavallaria 0 0 1 0 0 12 13 Todos 18 13 17 38 14 949 1049 Officaies Mayores

O Governador da Praça D. Antonio de Mendonça Sandoval O tenente Coronel do segundo Batalhão de Burgos

O sargento Mor da Praça O tenente de Fuzileiros O Alferes de Fuzileiros

O Ajudante do primeyro Batalhão do regimento de Palomino O Commissario da Artelharia

Artilheyros

Documento 7 – Descrição da província de Trás-os-Montes, por Pedro Campomanes, 1762, Notícia Geografica del Reyno, y caminos de Portugal, pp. 18-38.

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La Provincia de Tras-los-Montes, toma su nombre por estar dividida de la de Entre-Duero, y Minho por las sierras de Marão, y del Jerez, que es menester passar viniendo desde el Minho á ella. Sus confines son el Reyno de Galicia por el lado del norte, tierra de Sanabria, y Fermoselhe al Oriente. El Duero la divide de la Provincia de la Beyra al medio-dia, y por el lado de poniente confina com la de Entre-Duero, y Minho. Los que mas estienden esta Provincia la dan treinta léguas de largo de Norte á Sur, y veinte de ancho, aunque verdadeiramente parece tiene algo menos; esto es, 26 de largo, y 17 de ancho. Es la Provincia mas montuosa de Portugal, y poco poblada respecto á la de Entre-Duero, y Minho. Sus habitantes son robustos, y trabajadores, y su lenguage el mas tosco del Reyno. El Rio Duero la ciñe por Oriente, y medio-dia, y la bañan los rios Beca, Tamega, Corgo, Pinhão, Carcedo, Torto, Tuela, y Sabor, que todos entran en el Duero, que vá á desaguar en la ciudad de Oporto. El Rio Negro, el Tera, Esla, y Aliste van á echarse en el Duero cerca del confin de esta Provincia com la tierra de Sanabria, y Alcañizas. Sus cosechas de Centeno, trigo, y vino son las mas principales. El terreno es seco, y áspero. Chaves es la Plaza mas considerable, que está sobre el Rio Támega, á três léguas de Monterrey por el lado de Galicia, la qual tiene dos arrabales llamados la Magdalena, y las Corazas, y un famoso puente sobre el Rio Támega de 16 arcos, que parece ser obra del Emperador Trajano, y averla empezado Vespasiano, segun se lee en la Inscripcion, que está en ella. Don Cayetano de Lima, hablando de esta Ciudad, dice, que está cercada de Muros enmendados á la moderna, en que ay tres Baluartes, y dos medios-baluartes. Dos de estos Baluartes, y el medio-baluarte, que miran al Rio Támega, están unidos á la muralla antigua. En los estremos de los ramales, que corren de los médios-baluartes al Norte, se halla el Fuerte de nuestra Senhora del Rosario en forma de Ciudadela, com quatro Baluartes, y dentro de ella un convento de Capuchinos, por lo qual algunos le llaman el Fuerte de San Francisco. Para su mayor defensa se le han aumentado dos Rebellines, que le cubren. En el arrabal de la Magdalena, del outro lado del Rio, que mira al Oriente, ay una buena obra coronada, que cubre el arrabal, com el qual se comunica por un Puente. Cerca de la Plaza del lado del Nordeste está el Fuerte de San Noutel, á distancia de dos tiros de mosquete, situado en un teso com quatro baluartes. Miranda, Ciudad Episcopal, tiene un Fuerte entre Norte, y Oriente cercano á ella, el qual es defensable por naturaleza, y muy importante para la seguridade de esta Provincia. En 8 de Julio de 1710, sorprendió esta Plaza el Marques de Bay, y el Conde de la Atalaya la recobro en 15 de Abril de 1711. Por estar esta Ciudad sobre el Duero toma el nombre de Miranda de Duero, y está situada en parage montuoso, y áspero. Torre de Moncorvo, es otra pequeña fortaleza, situada cerca de donde se une el Rio Sabor com el Duero, y tuerce este ultimo su curso de medio-dia á Poniente. Este Pueblo está cercado de una antigua muralla com sus cubos, y três puertas. Tiene un Castillo quadrado, todo de canteria, com quatro cortinas, dos Baluartes, y dos Torres. Braganza,

Capital del Ducado de este nombre, está en las orillas del Arroyo Ferbenza, á légua y media de la raya de Galicia. La Puebla de Sanabria es la Plaza frontera de España, que está opuesta á quatro léguas de Braganza. El Arroyo Ferbenza la divide del Monte de San Bartholomé, y consta de dos poblaciones, que se llaman Villa, y Ciudad. La primera está cercada de tapias de tierra com 16 torres en la circunferência, y tiene dentro un buen Castillo com varias Torres de canteria, y dos Redanes. Está cercada tambien de una falsa-braga, delante de la qual, por la parte de la Ciudad se comunican cinco Baluartes pequeños, y sin foso, por estar labrados sobre peña viva. En el Monte, que llaman del Carrascal, que domina al cuerpo de la Ciudad, y cuya altura, es igual al lano de la Villa, se há construído el Fuerte de San Juan de Dios, que es un quadrilongo de poca defensa. Villa-Real es la mayor poblacion de esta provincia, y tendrá 1.500 vecinos. Los primogénitos de el Duque de Caminha eran Marqueses de esta Villa, y de la família de Meneses, y la que mantuvo mas abiertamente el derecho de Castilla en el levantamento de Don Juan Quarto de 1640 por lo qual en 29 de Mayo de 1641 fueron decapitados estos señores en Lisboa por los de el partido de la Casa de Braganza. Outeiro es un fuerte de poca consideracion, situado entre el Rio de Sabor, y Rio de Mazas; y está á três léguas de Braganza ácia el Oriente. Frente de Outeiro se hallan Alcañizas, y carbajales, pueblos algo fortificados de nuestra frontera. Dividese esta Provincia en los Corregimientos de la Torre de Moncorvo, Miranda de Duero, y la Ouviduria de Braganza. En Portugal llaman Ouviduria á los Corregimientos de Señorio. Las Parroquias, y vecindario de esta Provincia son en la forma siguiente.

CORREGIMENTO PARÓQUIAS LUGARES ALMAS

Torre de Moncorvo 183 16.274 44.274

Miranda do Douro 112 7.032 23.578

Ouvidoria

Bragança 245 21.202 67.467

Total 540 44.508 135.319

Documento 8 – 1762-05-29; 1762-12-23 - Relatório das invasões castelhanas pela

fronteira nordeste portuguesa, território de Bragança, Lisboa, 29 de maio de 1762,

Arquivo Histórico Militar, Código: PT/AHM/DIV/1/07/4/23.

As tropas castelhanas depois de haverem hostilizado todo o território de Bragança, que se achava sem tropa alguma regular, que pudesse fazer oppozissão, passarão a invadir, e

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acharem oposição as mesmas correrias, e hostilidades athe entrarem na Villa de Chaves, que havendo sido Praça antecedentemente se achava também há muntos anos da mesma sorte devassada pella sua grande extenção, irregularidade, e ruina nos antigos muros. As mesmas cartas refferem que o Marechal de Campo João de Almada, a cujo cargo está o governo das Armas do Partido do Porto, tinha porem mandado guarnecer aquellas aspérrimas Montanhas do Marão, e passagens dellas pera Amarante, de sorte que esperava que se sustentarião athe chegar do Exercito o socorro de Tropas Regolares das // quais deva entrar O primeiro regimento da cavalaria de Chaves no dia vinte e outo do corrente, na dita cidade do Porto. Pella outra parte aviza o Marechal de campo Joze Felix da Cunha, desde a Praça de Almeyda em data do dia vinte e sinco do Mez que está correndo, que intentando os castelhanos da parte do exercito que ficou em Miranda, passar o Rio Douro da Torre de Moncorvo pera Villa Nova de Fiscoa, se lhe oppozerão os moradores da segunda das referidas Villas com algumas Milicias das suas vizinhanças. E que juntandosee na margem meridional do Rio com espingardas, Piques, mangoaes, e todas as mais Armas que acharão para se deffender. E fazendo algumas descargas sobre os Inimigos, os obrigarão a retirarse á Torre de Moncorvo com alguma pequena perda, sem que da parte dos Portugueses houvesse huma gota de sangue derramado pelas descargas que também havião feito os ditos Inimigos. Sobre isto refere que tinha mandado reforçar aquella passagem, e animar aquelles Povos, por sua natureza bravos, e animozos, com hum pequeno Corpo de Tropas Regulares, algumas pessas de pequeno calibre, e mais algumas Espingardas com pólvora, e balla para todos os que ali se achavão. Ao tempo em que chegarão as referidas noticias havia sua majestade refforsar o soccorro antes ordenado para as ditas Provincias. Mandou logo destacar com elle do exercito do Thomar, o Marquez de Angeja, o Conde dos Arcos, e Joze Leite de Souza, Marechaes de Campo dos seus Exercitos: e mandou partir ultimamente desta Corte o marquez de Marialva seu estribeiro Mor, e Thenente General dos mesmos exércitos, Para mandar em chefe aquelle corpo volante, e para obrar com elle, e com a união de todas as Milicias das referidas Provincias // onde achasse mayor necessidade para a defeza, ou mayor oportunidade de conjunctura para atacar os inimigos.

E isto he tudo o que se sabe nesta corte athe o dia de hoje vinte e nove de Mayo: E que os comandantes das Provincias não acham termos bastantes para explicarem o valor das Milicias, e a boa vontade, e animosidade com que os Povos dezejão, e pedem, que os deixem vir ás mãos com os seus inimigos, e que para isso lhes dessem qualquer socorro de Tropas pagas que os podesse dirigir, por mais pequeno que fosse. E como o socorro que se lhe mandou he mayor do que esperavam, e havião pedido, se faz verosímil que com o favor de Deos poderá suspender a liberdade, e arrogância, que athe agora praticarão os Castelhanos, sem acharem quem a ella se lhes oppozesse.

Documento 9 – Nueva relacion, y curioso romance, en que se da cuenta, y declara la feliz

victoria que han conseguido las armas de nuestro Catholico Monarca Don Carlos Tercero