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Causalité et Stabilité

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A noção de campo foi introduzida para demonstrar que o vocabu- lário não é um inventário rígido de componentes independentes e iso- lados. Para as teorias dos campos, o vocabulário se constitui numa série de elementos combináveis que, estruturados em campos, constituem a totalidade do léxico, ou conjunto de palavras de uma língua. Essa teoria surge com o advento do estruturalismo nos estudos da linguagem.

Foi Jost Trier (1931) quem desenvolveu a teoria dos campos se- mânticos. Esse autor foi um dos primeiros a demonstrar que as mu- danças semânticas alteram as estruturas dos campos semânticos. Por isso as palavras formam campos semânticos a partir da realidade pre- sente entre elas, dado um determinado contexto histórico-social. O autor percebe a relação entre o léxico e a relação sócio-histórica. Por 13 Sugestão de leitura: capítulo “Denotação e conotação” do livro Elementos de semio- logia, de Roland Barthes (1997). Esse texto é um marco para a revisão desses conceitos. Retomando os prolegomena da Hjelmslev, Barthes considera a conotação como uma forma de o falante intervir no sistema linguístico.

esse motivo, Trier só usa o conceito de campo semântico, não tratando do campo léxico. A partir dessa ideia, ele conseguiu analisar o campo semântico do iluminismo e o que esse movimento representava para a sociedade em que surgiu. Fez uma espécie de análise de conteúdo ou análise inicial do discurso, ou ainda uma análise da representação social daquele momento.

Trier constatou que eram três as palavras-chave que melhor defi- niam as concepções referentes ao “conhecimento”, na Alemanha de 1200: Wisheit (sabedoria, conhecimento espiritual, estética e religiosa),

Künst (conjunto de conhecimentos dos nobres, do cavalheiro) e List

(ofício, conhecimentos populares). Essas palavras refletiam uma divisão do saber popular (List) e cortês (Künst), mas uma sabedoria espiritual que estaria acima dessas duas (Wisheit). Um século depois, em 1300,

Künst passa a significar conhecimento elevado, ou arte; há uma substi-

tuição de List por Wizzen (saber em geral, e também uma capacidade técnica particular), mas agora como uma habilidade individual e não social. Houve, assim, uma mudança na sociedade que foi claramente demonstrada pelas mudanças de sentidos das palavras.

Ullmann (1977), por sua vez, considera a palavra como um elemen- to no interior de conjuntos, classificados a partir de uma análise das es- truturas sociais. Deste modo, a lexicologia está diretamente relacionada à ciência da sociologia, para esse autor.

Os campos semânticos são muito utilizados principalmente na análise de conteúdo e nas teorias das representações sociais, advindas da psico- logia (MOSCOVICI, 1989).

Um campo de significação é um conjunto de palavras associadas. O campo léxico ou campo lexical está mais preso às significações já es- tabelecidas, recorrendo às variações sufixais, ao dicionário, ou ao que estritamente se observa em relação a uma situação ou a um objeto. Já o campo semântico é um conjunto de palavras associadas a uma ideia, identificando-se com o momento histórico, os dialetos e as situações de uso da linguagem.

Por não estarem devidamente diferenciados ou definidos, na maior parte das teorias e livros de semântica, os conceitos de campo semântico e campo lexical frequentemente são confundidos. Há autores que os tratam por campos léxico-semânticos, ou campos associativos tal como faz Ullmann (1977). Na verdade a base dessa diferenciação está na ideia

de denotação e conotação, ou seja, o campo léxico está para o âmbito da denotação (significados estabilizados na língua, tendo em vista um determinado momento histórico); já o campo semântico está para o âm- bito da conotação (significados associados).

Como exemplo, podemos pensar o campo lexical de “morrer”: fale-

cer, deixar de viver, passar de um estado de vida biológica para um estado de morte biológica, etc. Já um campo semântico de “morrer” poderia ser: bater as botas, ir dessa para melhor, passar para um plano superior, apagar, ir pra terra de pés juntos, bater a caçoleta, esticar o pernil, desocupar o beco, dar a casca e tantos outros, conforme as culturas.

Enquanto nos campos lexicais temos palavras unidas por uma rela- ção semântica comum, formando um campo conceitual, os campos se-

mânticos representam o conjunto de significados possíveis em torno de

uma unidade lexical, dado um determinado contexto histórico, social e cultural. Ou seja, o campo semântico é mais amplo porque engloba tudo o que está associado a uma ideia.

De acordo com a discussão anteriormente feita, sobre denotação e

conotação, observamos que as palavras estão em constante modificação

por receberem conotações as mais variadas, o que torna mesmo difícil estabelecer os limites entre a denotação e a conotação. Ora, então pode- mos concluir que, quando associamos palavras em um campo comum, tendemos a nos deslocar sempre para a conotação.

Vejamos um exemplo que justifique a afirmação anterior. A partir da ideia de “automóvel”, teríamos os seguintes campos de significação:

Campo léxico: roda, freio, retrovisores, volante, espelhos, bancos, lona de freio, parafusos, modelo, ano de fabricação, cor, lâmpadas, cai- xa de marchas, pedais, etc.

Compusemos o campo de significação com palavras associadas estri- tamente visíveis em um automóvel – campo lexical. No entanto, como podemos observar, grande parte dessas palavras migraram de outros campos para compor esse, por exemplo: cor, lâmpadas, parafusos, ban- cos, espelhos, pedais, etc., ou seja, servem a mais de um campo léxico. Não há, portanto, palavras estabilizadas na língua, com funcionamen- to fechado, preciso, que comporiam um campo lexical básico. O que ocorre são associações constantes, já que as palavras da língua sempre se estruturam em analogia com outras.

Por isso podemos concluir que o que temos na língua, na

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