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CHAPITRE I : CAPACITE PORTANTE DES FONDATIONS SUPERFICIELLES:

I- 3 CAS PARTICULIERS DE FONDATIONS SUPERFICIELLES

A terceira obra selecionada foi O olho de vidro do meu avô, de Bartolomeu Campos de Queirós.

Na motivação (1º momento), procuramos explorar a antecipação que os alunos teriam diante do título do livro; sobre o que eles achavam que se trataria a obra. Para isso, perguntamos o que o título sugeria e eles responderam que seria um narrador falando sobre o olho de vidro de seu avô.

Em seguida procedemos a um processo de investigação sobre o que eles sabiam a respeito do olho humano: como é; para que serve; como processa a imagem; o que acontece quando não temos visão. Mostramos imagens em Power point de olhos humanos, de esquemas de como ele é composto e de como se processa a reprodução da imagem.

Em seguida apresentamos o verbete de dicionário que apresenta a definição de olho sob doze pontos de vista: da anatomia; da percepção; do sentido figurado; orifício que se forma no queijo ou massas; furo, na agulha, para a passagem de linhas ou fios; vão no centro da mó superior de um moinho, por onde passam os grãos; espaço para inserir o cabo em certas ferramentas; folhas que compõem o miolo de determinadas hortaliças; (arquitetura) janela ou abertura em forma de círculo ou elipse, na parede ou no teto, com funções de iluminação e ventilação; (botânica); etc.

Apresentamos em seguida a explicação sobre a anatomia e o funcionamento do olho humano com várias imagens em perspectiva e esquemas de visão, inclusive com dados sobre as características anatômicas.

Depois propusemos um faz de conta aos alunos. Pedimos que eles imaginassem que não enxergassem de um olho e que precisassem de uma prótese de vidro. Fizemos

perguntas como: De que cor seria esse olho? Como será que ficaria a sua visão? Você enxergaria somente com um olho?

Na sequência apresentamos o vídeo O Olho de Vidro do Meu Avô, disponível no Youtube através do link: https://www.youtube.com/watch?v=Qe81y2aa5OI. A duração do vídeo é de cerca de quatro minutos e meio. O vídeo trata de uma mensagem à luz da obra escolhida. Ele inicia se referindo ao olho de vidro do avô e à forma como o avô vê o mundo através da prótese. Fala também de como todos os seres são importantes, de superação da dor de perder alguém e que devemos valorizar os nossos avós. O vídeo, além de ilustrar bem a obra, introduzindo o foco temático, também motiva os alunos a efetivarem a leitura e os leva à reflexão de como estão sendo tratadas as pessoas mais velhas na nossa sociedade.

Depois fizemos algumas perguntas para os alunos sobre o vídeo, tais como: Vocês gostaram? O que julgaram mais importante de ser ressaltado no vídeo? Vocês concordam com a mensagem que foi transmitida? Como os mais velhos são tratados pela sociedade atual? Como vocês acham que eles devem ser tratados?

Promovemos uma discussão a respeito do material apresentado para fazer os esclarecimentos que se fizeram necessários e, em seguida, a socialização sobre a abordagem do mesmo assunto em outras obras: Esperança de Mário Quintana; texto sem título de Augusto de Campos; excerto da obra Dom Casmurro de Machado de Assis; Retrato de Cecília Meireles; música Pela Luz Dos Olhos Teus de Vinícius de Moraes e Toquinho.

Na sequência exploramos o que existe de ―popular‖ no assunto abordado na obra. Explicamos que as partes do corpo são utilizadas em expressões com intenção de formar sentidos diferentes do seu significado literal. Apresentamos expressões como: barriga da perna, boca de caçapa, boca nervosa, cara amarrada, cara de pau, cara lavada, carne de pescoço, costas largas, costas quentes, dedo duro, mão de vaca, mão leve, nariz empinado, pé de chinelo, pé no saco, perna de pau, pulso firme, queixo duro, unha de fome, olho comprido, olho gordo, olho grande.

Continuamos explicando que a palavra olho é utilizada em várias situações comunicativas em que o sentido não é literal. Perguntamos aos alunos se eles conheciam alguma expressão idiomática que utiliza a palavra olho e, em seguida, apresentamos os seguintes exemplos: Ter o olho maior que a barriga: ser guloso; Ver com bons olhos: receber bem, ser favorável; Custar os olhos da cara: ser muito caro; Botar olho grande: cobiçar; A olhos vistos: visivelmente; Deitar o olho comprido: desejar, cobiçar; Abrir os olhos de alguém: prevenir, alertar alguém contra certas

pessoas que parecem amigas; Comer com os olhos: comer além dos limites, de forma exagerada; De olhos fechados: com absoluta confiança; Olho de peixe morto: apaixonado, conquistador; Fura olho: indivíduo que tem como prazer e realização pessoal cobiçar o que é do próximo; Ir para o olho da rua: ser despedido, dispensado do trabalho; Ficar de olho: observar.

Finalmente, dissemos aos alunos que, a partir da próxima aula, eles conheceriam um pouco mais sobre o autor e sobre a obra, que foi escolhida porque tem a ver com o universo de todos nós, como pode acontecer a perda de um membro do corpo, a aceitação de uma prótese no nosso corpo, o respeito aos mais velhos.

Na introdução (2º momento), apresentamos o autor e a obra, a fotografia e a biografia do autor, ressaltando que ele era mineiro como os próprios alunos.

Em seguida a obra física foi apresentada para que eles manuseassem os livros. Fizemos, a partir desse momento, uma leitura da capa, da contracapa, das orelhas e do prefácio. Perguntamos aos alunos quais eram as suas expectativas a partir do que foi dito até aquele momento e permitimos que os alunos se expressassem livremente.

Após esse primeiro contato dos alunos com o livro em sua forma física, apresentamos o que é um final reescrito, atividade que seria realizada ao final da leitura da obra. Explicamos para eles como seria a atividade de ―final reescrito‖. Para isso, fizemos algumas perguntas introdutórias para descobrir se eles já haviam executado tarefa semelhante. Explicamos que um final pode ser reescrito sob o ponto de vista de qualquer uma das personagens ou do narrador e que pode atender ou quebrar a expectativa do leitor.

Nesse momento, permitimos que os alunos se expressassem, explicamos que seria uma oportunidade de ―discordar‖ do final, reescrevendo de acordo com sua preferência e se tornando assim, também autores. Incitamos os alunos a se aventurarem na escrita, a tentarem fazer uma experiência como escritores de obra literária. Solicitamos que os alunos fizessem anotações sobre as passagens do livro que julgassem importantes para a compreensão e que talvez merecessem ser relidas.

Comentamos com os alunos que, na próxima aula, eles teriam oportunidade de ler parte da obra O olho de vidro do meu avô e fazer as anotações que julgassem pertinentes.

Na leitura (3º momento), observamos o tamanho da obra para que pudéssemos direcionar as leituras para sala de aula, para casa ou dividi-las entre os dois locais. Conversamos sobre a condução da leitura, em que não haveria policiamento e sim acompanhamento para auxílio nas dificuldades. Solicitamos novamente que fizessem as

anotações que julgassem relevantes e estabelecemos um calendário para a conclusão da leitura.

A professora leu o primeiro capítulo em voz alta, fazendo uma leitura interpretativa. Em seguida perguntamos aos alunos o julgamento que fizeram dessa primeira leitura, o que esperavam do restante do livro e o que compreenderam da leitura nesse início, esclarecendo as dúvidas que surgiram. Apresentamos o texto História de

Passarinho de Lygia Fagundes Telles e pedimos para que os alunos, oralmente,

criassem um final diferente para a história.

Dissemos aos alunos que podiam continuar a leitura da obra, deixando para registrar as impressões em casa. Faltando cerca de dez minutos para terminar a aula, estabelecemos ―intervalo‖, ou seja, o momento para a checagem do resultado das leituras através de uma conversa descontraída.

Solicitamos que terminassem a leitura do livro em casa, no local que mais se sentissem confortáveis e que pensassem a respeito da atividade final.

Na interpretação (4º momento), checamos o que Cosson chama de dois momentos: um interior – em que o leitor interpreta quem ele é no momento da leitura; e outro exterior – em que concretiza e materializa a interpretação na comunidade através de registro, feito por meio das produções de final reescrito.

Ao produzir um final ―diferente‖ do que o autor produziu, ele se torna capaz de criar uma história em que o final se identifique mais com ele. A experiência pode encorajar o aluno a escrever mais, dar asas à sua imaginação e exercitar a prática de escritura de textos.

Para realizar a conclusão dessa sequência, no dia marcado para a realização da atividade final, fizemos uma roda de conversa, em que cada estudante apresentou o final que criou para os colegas.

CAPÍTULO V

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