A sessão de relaxamento foi realizada a 16/10/2017 com os utentes do serviço de internamento de Psiquiatria, e para ela foram convidados os utentes das duas alas do serviço de Psiquiatria.
Como critérios de exclusão consideraram-se: - Utentes com agitação psicomotora;
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- Utentes com síndrome demencial ou défice cognitivo que impossibilitasse o seguimento de indicações simples.
A sala foi organizada por mim em colaboração com alguns utentes (que não apresentavam perturbação de comportamento alimentar) de maneira a que as mesas e cadeiras fossem retiradas e fossem dispostos pelo chão colchões cobertos por lençóis. Também foram trazidos alguns cadeirões reclináveis que se cobriram com lençóis. Juntaram-se almofadas a cada conjunto. As persianas foram parcialmente fechadas por forma a limitar a entrada de luz bem como de ruídos exteriores. Criou- se assim um ambiente com poucos estímulos, tranquilo.
O objetivo era de proporcionar relaxamento aos utentes presentes pela respiração ritmada, redução da tensão muscular e alteração do estado de consciência (Stuart & Laraia, 2001). De acordo com a OE (2011, p.17), “uma técnica de relaxamento (...) é um método, processo, procedimento ou atividade que ajuda a pessoa a relaxar, para atingir um estado de calma aumentado; ou reduzir os níveis de stress, ansiedade ou raiva”.
A finalidade era a de facilitar a autorregulação emocional. Stuart & Laraia (2001) defendem que programas estruturados de relaxamento incidem na redução de excessos comportamentais, indo ao encontro das suas necessidades sociais. A técnica de relaxamento visa “modular a faceta corporal da emoção” (Mikolajczak & Desseilles, 2014, p. 171), o que pode contribuir para a regulação emocional.
As técnicas de relaxamento têm três objetivos: como medida preventiva, como tratamento para alívio do stress e como competência para lidar com o stress, acalmar a mente e permitir que o pensamento se torne mais claro e eficaz (Payne, 2003). O stress é, de acordo com Sequeira (2006, p.70): “uma condição que resulta de múltiplas interações/transições entre o indivíduo e o meio ambiente das quais surge a perceção de uma discrepância por parte do indivíduo, que pode ser real ou não, entre as exigências do meio e os recursos do indivíduo”.
As técnicas de relaxamento parecem ter maior impacto em pessoas com doenças do espetro da ansiedade e da depressão, reduzindo o stress, assim como diminuem a severidade e frequência das crises de pânico (Stuart & Laraia, 2001). Quando o stress adquire conotação angustiante, ameaçadora, tornando-se exaustivo, pode tornar-se psicopatológico, na base de algumas perturbações da ansiedade.
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A técnica escolhida foi uma adaptação do relaxamento muscular progressivo de Jacobson (Payne, 2003).
Estiveram presentes 8 utentes, três dos quais com perturbação do comportamento alimentar.
A manutenção da segurança e proteção do utente foram consideradas; desta forma as participantes na sessão com perturbação do comportamento alimentar ficaram deitadas em poltronas reclinadas, ao invés de ficarem no chão em colchões de espuma finos como os restantes utentes.
Uma música relaxante foi escolhida e usada como música de fundo, que era transmitida através de uma coluna estrategicamente colocada no centro da sala.
A música, como linguagem não-verbal, possui um caráter internacional, auxiliando as pessoas a comunicarem mesmo que advindas de diferentes contextos ou zonas geográficas. Expressa não o sentimento do indivíduo, mas o sentimento do grupo (Alvin, 1998, p.88).
Seguiu-se, como identificado em Apêndice 4, as etapas de sessão de relaxamento adotando uma adaptação do modelo de Jacobson como guião. Este preconiza que pela consciencialização das sensações musculares de alívio da tensão na musculatura esquelética cria-se um efeito calmante para a mente (Payne, 2003). Apesar de ser um serviço de doentes agudos, procurou-se criar uma atividade com pessoas já numa fase mais estável do ponto vista psicopatológico.
Foi referido que poderiam sair se não se sentissem bem, e pedido que o fizessem de forma silenciosa.
Payne (2003) defende que a pessoa não adormeça para aprender as técnicas, mas também contrapõe que se deve deixar adormecer visto que as pessoas vieram à procura do momento para relaxar e fazer uma pausa no stress.
Foi frisado que o intuito não era seguir as minhas indicações à risca mas sim atentarem à respiração e procurarem relaxar, desfrutando das sensações agradáveis que acompanham o relaxamento.
Os utentes foram também advertidos que poderiam no decorrer da sessão, relaxando, lembrar-se eventualmente de situações mais tristes ou mal resolvidas. Foram tranquilizados para essa eventualidade e garantido um espaço para partilharem ou serem escutados no fim da sessão, em grupo ou, se preferissem, a sós comigo.
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Em seguida, foi requerido aos participantes que se deitassem nos colchões com os braços estendidos ao longo do corpo e as pernas descruzadas. Os utentes ficaram deitados em decúbito dorsal. Mencionei que poderiam fechar os olhos se assim quisessem e se sentissem confortáveis, indo ao encontro de Payne (2003, p.16): “Os olhos estarem abertos ou fechados é determinado pela natureza da abordagem e pela preferência do praticante”.
Dei então início à sessão de relaxamento adotando um tom de voz calmo e claro mas baixo em volume, com pausas longas para permitir aos participantes tempo para concretizarem a ação, como preconizado por Payne (2003).
As contrações musculares foram exemplificadas inicialmente, com as minhas mãos. A demonstração da ação muscular é também preconizada por Payne (2003). Assumi uma postura de direcionamento do grupo: o líder “conduz um programa previamente preparado. Apesar de ser apresentado de forma sistemática, o líder mostra flexibilidade, quando apropriado” (Payne, 2003, p.17).
Usei um guião adaptado de Payne (2003), que consta em Apêndice 4, e também no retorno à realidade foram seguidas as indicações de finalização da autora. A sessão durou cerca de 60 minutos.
Os participantes, de uma forma geral, gostaram da sessão e da sua duração. Pude observar ao longo da sessão que os utentes evidenciaram diminuição da frequência respiratória, aumento da profundidade dos movimentos ventilatórios, maior descontração física e psicológica, que de alguma forma iam ao encontro das suas respostas tais como “senti-me bem”, “em paz”, “tranquilo”, “com sono mas relaxado”. Esta sessão teve ainda um ganho secundário, para mim, ao facilitar o estabelecimento de relação com alguns utentes, como referido por Carrola (2017).
Relativamente ao que gostariam que fosse diferente, os participantes referiram ter interesse que houvesse mais sessões de relaxamento ao longo da semana. Nesse sentido, procurei capacitar as pessoas no sentido de procurarem aplicar autonomamente os princípios da sessão, nomeadamente a respiração abdominal ou diafragmática profunda, quando necessitassem. Como refere Payne (2003), as técnicas de respiração podem ser realizadas em qualquer local, potenciando a sua utilização em momentos de stress.
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