Tal como foi mencionado anteriormente, o presente estudo visa identificar o conjunto de fatores cuja influência, no processo de adoção das RSO ao nível das empresas, é mais significativa e passível de ser melhor enquadrado. Ao assumir que o referido processo pode ser caracterizado por 3 estádios (iniciação, adoção e rotinização), a equipa de investigação tentou atingir um modelo caracterizador deste fenómeno com base em quatro pontos de vista: 1) o ponto de vista da gestão de topo da organização e do seu papel global; 2) o ponto de vista das questões de segurança e privacidade de dados (tradicionalmente muito importante em tecnologias relacionadas com o ambiente Web); 3) o ponto de vista das características internas de organização; e 4) o ponto de vista das pressões exercidas pelo ambiente em que a organização se enquadra (Figura 24).
A análise realizada até agora aos resultados obtidos indica que é possível entender o modelo apresentado na Figura 24 como representativo do fenómeno dos estádios de adoção das RSO ao nível das empresas. Ainda assim, e para que seja possível uma maior compreensão do referido modelo, de seguida apresentamos uma discussão do modelo com base em cada um dos 3 referidos estádios.
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5.2.4.1. Iniciação às Redes Sociais Online
No que diz respeito à iniciação das redes sociais, o modelo apresentado, ainda que estatisticamente representativo e caracterizador de cerca de 71% deste estádio do processo de adoção das RSO, deve esta representatividade maioritariamente aos efeitos dos fatores: Top management (Top management support, Top management participation e Top management belief) e Competitive pressure (Figura 24). Com base nestes resultados, apenas o contexto da gestão de topo e das pressões externas se apresentam como verdadeiramente importantes para que uma organização inicie a utilização das RSO.
Contexto da gestão de topo: Em termos globais para uma organização iniciar a utilização
das RSO, e de acordo com os resultados retirados da amostra de dados do presente trabalho, necessita que a sua gestão de topo esteja disponível para dar suporte a todas as atividades necessários (H1.1), acautelando todas as necessidades (técnicas, logísticas e de recursos), para também participar ativamente nessas mesmas atividades (H1.2) e estar diretamente envolvido nas atividades, sendo que acima de tudo, deve ter esta atitude sempre apoiada na crença de que as RSO são tecnologias que irão permitir um aumento de desempenho e rendimento organizacional e económico, com um valor de troca reduzido (H1.3). Os resultados atingidos estão em linha com diversos estudos científicos de relevo, tais como os apresentados por Ifinedo (2011), Liang et al. (2007) e Hwang and Schmidt (2011).
Contexto da segurança e privacidade: À semelhança dos estudos analisados e
apresentados na secção de revisão da literatura, no presente estudo também foram incluídos fatores relacionados com questões de segurança e privacidade, que na nossa opinião, poderiam estar diretamente relacionados com as várias fases do processo de adoção das RSO ao nível das empresas. Os fatores escolhidos, a saber, o nível de
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confiança existente sobre os atores diretamente relacionados com as RSO (H2) e a necessidade da existência de garantias de privacidade dos dados inerentes à utilização das referidas tecnologias (H3).
No âmbito da amostra de dados recolhida no presente estudo e no seu enquadramento no modelo de estádios de adoção (apresentado na Figura 24), após a sua análise no contexto da iniciação à utilização das RSO, não foi possível caracterizar nenhum dos fatores constituintes do contexto da segurança e privacidade, como sendo estatisticamente significativos.
Contexto da organização: Um dos fatores identificados inicialmente como podendo ser
relevante para a iniciação das empresas às RSO é o alinhamento do plano estratégico para as RSO e o plano estratégico da organização (H4). Contudo, conforme se pode verificar na análise da amostra de dados resultante do questionário levado a cabo, não foi possível confirmar a significância estatística deste fator para o estádio da iniciação às RSO e por inerência a hipótese 4.
Da observação dos resultados estatísticos apresentados anteriormente (Figura 24), é aferível que o nível de preparação da organização (H5) não representa um fator estatisticamente significante para a iniciação à utilização das RSO ao nível das empresas. Ainda que este fator (de 2ª ordem) seja constituído por outros constructos de 1ª ordem com significância estatística (a preparação financeira (H7.1), a sofisticação das TI (H7.2) e o nível de preparação dos parceiros de negócio (H7.3), este indicador não foi suficiente para a sua comprovação.
À medida que as empresas vão vendo as suas necessidades organizacionais e técnicas sendo alteradas, também a sua forma de agir tem de se ir ajustando. Um dos ajustes que, à luz do nosso conhecimento, parecia ser relevante para a iniciação à utilização das RSO por parte das empresas era a participação do CIO (ou Diretor de SI/TI) na definição e planeamento da estratégia global da organização (H6). Porém, uma análise detalhada aos resultados obtidos durante o presente projeto de investigação revelou que, no que
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diz respeito a este estádio processo de adoção das RSO, a participação do referido ator nas atividades de gestão e planeamento, não se mostrou passível de ser considerada estatisticamente significante. Esta corroboração é assim assumida como o suporte para a rejeição da hipótese 6.
Contexto das pressões externas: A utilização das RSO como uma tecnologia cuja
utilização pode originar vantagens competitivas é um dos fatores, cuja influência na iniciação do processo de adoção das RSO, a equipa de investigação (H7), inerente ao presente projeto, quis validar empiricamente. Tal como é possível verificar na Figura 24, a aplicação dos dados obtidos ao modelo de estádios de adoção proposto, não é possível validar a hipótese 7, pois não foi atingida a sua significância do ponto de vista estatístico. Ao ser fomentada pela existência de diversas pressões competitivas (H8), a iniciação às RSO deve ser feita, tendo também por base a essência dessas mesmas pressões e uma análise correta e honesta daquilo que são as exigências do ambiente externo à organização. Esta mesma conceção é defendida e comprovada por Premkumar and Roberts (1999) e Grandon and Pearson (2004). Ora, com base na observação dos dados apresentados na Figura 24, identificámos a significância estatística necessária para validar a hipótese 8. Esta confirmação está em linha com aquilo que é apresentado em várias publicações de relevo científico (Chang et al., 2013; Oliveira & Martins, 2010).
5.2.4.2. Adoção das Redes Sociais Online
Como forma de caracterizar o estádio de adoção das RSO, contemplada no modelo de estádios de adoção das RSO proposto (Figura 24), foi levada a cabo uma análise estatística aos resultados obtidos no questionário realizado, sendo que esses resultados revelaram o referido modelo como caracterizador de cerca de 61% do estádio em questão. Através desta análise foi também possível identificar os fatores com maior relevância, a saber: Top management (Top management support, Top management participation e Top management belief), Readiness (Financial readiness, IT sophistication
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e Business partners readiness) e Competitive pressure. Com base nestes resultados, apenas os contextos da gestão de topo, das características da organização e das pressões externas se apresentam como verdadeiramente importantes para que uma organização adote as RSO.
Contexto da gestão de topo: Os resultados obtidos pelo presente estudo indicam que o
contexto da gestão de topo e as inerentes variáveis (Top management (H1), Top management support (H1.1), Top management participation (H1.2), e Top management belief (H1.3)), podem ser considerados relevantes para a caracterização do estádio intermédia do processo de adoção das RSO (adoção) ao nível das empresas.
Desta forma, após análise realizada aos dados da amostra, é possível aferir que o referido estádio tem mais tendência a ocorrer quando a gestão de topo da organização dá o apoio necessário à realização das atividades relacionadas com as RSO (H1.1), está disponível para participar ativamente nessas mesmas atividades (H1.2) e transmite motivação e confiança nos resultados da adoção das RSO para o desempenho da organização (H1.3) (Hwang & Schmidt, 2011; Ifinedo, 2011; Liang et al., 2007).
Contexto da segurança e privacidade: Em linha com os resultados obtidos aquando da
análise da iniciação, também aqui o contexto da segurança e privacidade não se revelou estatisticamente significante. No que diz respeito à confiança nos atores intervenientes nas atividades relacionadas com as RSO e a influência que esta confiança tem na adoção destas tecnologias (H2), a falta de significância estatística presente nos resultados inviabiliza a confirmação da hipótese 2 apresentada no âmbito do presente estádio de adoção. Em termos da necessidade de privacidade como obstáculo a este mesmo estádio (H3), não foi possível validar estatisticamente esta hipótese tal como é visível na Figura 24.
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Contexto da organização: O alinhamento do plano estratégico para as RSO com o plano
estratégico da organização (H4) era um dos fatores, cuja influência no estádio de adoção das RSO, se objetivou estudar. Porém, após verificação e interpretação dos dados estatísticos resultantes, não foi possível confirmar a significância estatística deste fator e por inerência a hipótese delineada.
Da observação dos resultados estatísticos apresentados anteriormente, é aferível que o nível de preparação da organização (H5) assume um papel importante no estádio de adoção, pois foi possível identificar a sua significância estatística. Desta forma, no momento da adoção das referidas tecnologias, será muito importante para as empresas perceberem qual a sua disponibilidade financeira para suportar as atividades inerentes às RSO, qual o nível de sofisticação das suas TI e também qual o nível de adequação e preparação dos seus parceiros de negócio para a realização de iniciativas nas RSO em que estes estejam envolvidos.
Ainda que, tal como foi mencionado anteriormente, o papel do CIO seja cada vez mais crítico na delineação e preparação de respostas por parte das empresas aos vários desafios que lhes vão surgindo (H6), no âmbito dos estádios de adoção das RSO, e tendo por enquadramento a amostra de dados inerente ao presente estudo, esta hipótese não se verificou significante do ponto de vista estatístico, o que inviabilizou a comprovação da hipótese formulada.
Contexto das pressões externas: A existência de vantagens competitivas inerentes à
utilização das redes sociais online pode originar pressões nas empresas direcionadas à adoção destas tecnologias (H7). Contudo, no decorrer da examinação dos resultados da validação empírica do modelo de estádios de adoção proposto, foi possível verificar que no contexto da adoção, a hipótese de que este tipo de pressões pudessem influenciar o próprio fenómeno global, não pôde ser confirmada, pois a significância estatística necessária não foi atingida.
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As pressões competitivas impostas pelo ambiente externo à organização relativamente à adoção das RSO (H8) são uma realidade inegável (Kietzmann, Hermkens, McCarthy, & Silvestre, 2011). Com base nesta afirmação, a equipa de investigação decidiu verificar qual o nível de influência que estas pressões poderiam exercer sobre o estádio de adoção das RSO ao nível das empresas. Da examinação da Figura 24 é possível verificar que a existência de pressões competitivas é um fator impulsionador do referido estádio.
5.2.4.3. Rotinização das Redes Sociais Online
O estádio de rotinização do processo de adoção das RSO ao nível das empresas consiste na criação de mecanismos de utilização focada, bem definida e constante das RSO como tecnologia de suporte às atividades da organização. O modelo de adoção proposto e representado na Figura 23 reflete a preocupação da equipa de investigação em analisar a influência que os vários fatores representados no modelo assumem sobre os vários estádios de adoção.
Em termos globais, e após uma etapa de análise e reflexão sobre os resultados estatísticos obtidos a partir da amostra de dados disponível, foi possível aferir que a rotinização da utilização das RSO ao nível das empresas é explicada parcialmente pelo modelo proposto (R2 = 0.41), sendo o contexto da segurança e privacidade e o contexto das características internas da organização, aqueles com maior contributo para esta representatividade.
Contexto da gestão de topo: Ao contrário do verificado para os anteriores estádios do
processo de adoção das RSO, o contexto da gestão de topo, e os fatores nele englobados, não se mostraram estatisticamente significativos na caracterização da rotinização da utilização das RSO ao nível das empresas.
Da anterior constatação resulta que o perfil e as ações da gestão de topo (H1), e mais propriamente o suporte que esta poderia fornecer ao planeamento e realização de
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atividades englobantes das RSO (H1.1), a sua participação nessas mesmas atividades (H1.2) e a sua crença no sucesso e nos benefícios da utilização destas tecnologias (H1.3), não são verdadeiramente relevantes para a rotinização das RSO no contexto organizacional. Inerentemente, as hipóteses relativas ao contexto da gestão de topo não puderam ser consideradas como validadas.
Contexto da segurança e privacidade: Tal como foi referido na análise dos resultados
referentes aos restantes estádios do processo de adoção das RSO, de acordo com a literatura, a existência de níveis de confiança elevados nos atores que participam nas RSO deveria ser considerado um fator incentivador para a adoção destas tecnologias (H2). Assim, no campo de ação da fase de rotinização, este fator deveria ser considerado como relevante, pois somente confiando nos restantes intervenientes das RSO é que as empresas irão sentir vontade e até incentivo em desenvolver mais, melhores e mais complexas iniciativas que envolvam estas tecnologias. Com base nos dados apresentados na Figura 24, a constatação anterior é passível de ser considerada válida do ponto de vista estatístico. Esta realidade sugere que as empresas sentem a necessidade de assegurar a criação de níveis de confiança razoáveis nos restantes participantes nas RSO, antes de promoverem a criação de rotinas e atividades mais complexas e recorrentes suportadas nestas mesmas tecnologias.
No que diz respeito à hipótese definida de a necessidade de privacidade representar um fator obstrutivo à rotinização da utilização das RSO ao nível das empresas (H3), a análise à amostra de dados disponível não nos permite identificar a significância estatística necessária para validar a referida hipótese.
Contexto da organização: No âmbito desta fase do processo de validação do modelo
proposto objetivou-se a verificação do efeito que a existência de alinhamento entre o plano estratégico para as RSO e o plano estratégico da organização (H4) tinha no estádio
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de rotinização das RSO. Todavia, uma averiguação mais detalhada dos resultados estatísticos obtidos não nos permitem aferir conclusões significativas sobre a validade da proposição apresentada.
A preponderância que o índice de preparação de uma organização (H5) apresenta relativamente a fatores como a sua disponibilidade financeira (H5.1), a sofisticação das suas TI (H5.2) e o nível de preparação dos seus parceiros de negócios (H5.3), eram efeitos desejáveis de serem analisados aquando da realização do presente estudo empírico. Tal como é visível na Figura 24, o índice de preparação de uma organização é essencial para o desenrolar de ações e iniciativas mais complexas e de maior dimensão e abrangência suportadas pelas RSO. Posto isto, é possível aferir a validação das inerentes hipóteses.
A participação do CIO ou do Diretor de SI/TI nas atividades de definição, planeamento e execução do plano estratégico da organização é, de acordo com a literatura apresentada anteriormente, um fator determinante para o sucesso das empresas atuais e para a adoção de novas tecnologias (H6). Esta constatação foi confirmada para o estádio de rotinização do processo de adoção das RSO, pois a relação entre o fator apresentado e o estádio em causa é estatisticamente significante. Desta forma, para que as empresas possam desenvolver significativamente as iniciativas que incluam a utilização das RSO, é necessário um forte e consistente envolvimento por parte do CIO nas etapas de definição e planificação, não só destas ações, mas também do seu enquadramento com a envolvência da organização.
Contexto das pressões externas: A utilização das RSO como uma tecnologia cuja
utilização pode originar vantagens competitivas é um dos fatores cuja influência na rotinização do processo de adoção das RSO a equipa de investigação (H7), inerente ao presente projeto, quis validar empiricamente. Contudo, devido à falta de significância estatística entre este fator e a rotinização da utilização das RSO, a hipótese proposta
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não pôde ser validada, não sendo por isso possível inferir alguma indicação sobre a relevância deste fator.
A existência de diversas pressões competitivas direcionadas para a rotinização da utilização das RSO e, a influência que essas mesmas pressões podem ter sobre o referido estádio do processo de adoção (H8), foi alvo de atenção e estudo pela equipa de investigação. Não obstante, a análise dos resultados estatísticos atingidos a partir da amostra de dados disponível, não permitiu atingir uma validação da hipótese apresentada, pois os níveis de significância estatística existentes entre as pressões competitivas existentes e a rotinização das RSO não são suficientes para serem simbólicos.