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CARACTERISTIQUES DE LA FILTRATION

2.4. CARACTERISTIQUES DU SABLE DE FILTRATION :

Form ado em Filosofia e Let ras Clássicas, o Prof. Sargent im at uou desde o inicio da sua carreira com o professor de Língua Port uguesa. Sua t rajet ória profissional é m arcada pela experiência em sala de aula e pela produção de livros didát icos, que com eçou em 1974 (ano de publicação de seu prim eiro livro) e segue at é os dias at uais. Sobre os cam inhos profissionais percorridos, fez o seguinte relat o.

A m inha traj etória profissional é extrem am ente sim ples. Estudei no interior de São Paulo, em Assis. Fiz Filosofia pura. No sem inário, estávam os conectados diretam ente com a Faculdade de Assis. Posteriorm ente, deixei o sem inário, deixei a Filosofia, j á quase no final, e vim para São Paulo. Na verdade, aqui em São Paulo, acabei m e tornando professor de Língua Portuguesa. Sem pre gostei m uito de línguas. Estudei no sem inário, Latim . Vim para São Paulo, tive de esquecer a m inha Filosofia e procurar algum a coisa que fosse funcional, prática e de que eu pudesse sobreviver, porque m eu pai m e deu dinheiro da passagem e falou: “É o que eu posso te oferecer” . Ele podia m ais... Mas ele não aceitava o fato de eu sair do sem inário, então deixou apenas o dinheiro da passagem . Sou de um a fam ília de italianos, agricultores. Som os oito irm ãos. Sou o único filho que estudou e a única form a de estudar foi ir para o sem inário. Em todo lugar, em São Paulo, que procurava em prego era exigida a datilografia. Datilografia estava, na época, com parada aos conhecim entos em com putação exigidos, hoj e, no m ercado de trabalho. Procurei um Curso de Datilografia para fazer e, cursando-o, fiquei sabendo que lá havia um Curso de Noções Com erciais, com duração de um ano, e que estavam precisando de alguém para trabalhar com Língua Portuguesa. Com o eu não tinha nem o dinheiro para pagar o Curso de Datilografia, ofereci- m e para dar aula da disciplina para pagar o curso, m as não o term inei. Gostaram de m inhas aulas e m e convidaram para m inistrar aulas em um a escola particular, m as eu não tinha o curso universitário. A diretora da referida escola propôs que eu m inistrasse 40 aulas sem anais e ganhasse por 20 aulas. Nessa condição, ela assinaria o m eu trabalho. A partir daí, com ecei a envolver- m e com aulas, deixei m eus sonhos de fazer o curso de Direito e fui fazer o curso de Letras na USP. Durante o curso de graduação, j á entrei para o ensino público e com ecei a m inha carreira no m agistério. Com ecei a dar aulas em São Bernardo do Cam po. Nesta época o m eu roteiro diário era m uito intenso... Foi um trabalho m uito bom , apesar de difícil. Este trabalho que realizei em São Bernardo, durante sete ou oito anos, foi a base do trabalho que realizava na USP. Lá, eu tam bém dava aulas de análise sintática para os alunos da Faculdade. Com o eu tinha m uito conhecim ento de Latim , isso m e perm itia transitar com m aior facilidade, o que m e aproxim ou do Colégio de Aplicação. Minha convivência no colégio m uito contribuiu para o m eu crescim ento profissional. Sua proposta inovadora de ensino ia ao encontro do trabalho que era realizado na Faculdade e, ao m esm o tem po, ao que eu fazia na escola estadual. Era o tem po do m im eógrafo a álcool. Com ecei a rodar as apostilas, elaboradas por m im , pois eu m esm o preparava o m aterial didático. Com o resultado de toda a experiência adquirida, passei para o cursinho. Este m e ofereceu m aiores oportunidades para organizar m elhor o m aterial didático. A partir desse m aterial iniciei a m inha traj etória com o autor de livro didático.

O Prof. Sargent im , port ant o, t eve a sua form ação básica na USP. A prát ica da sala de aula com a Língua Port uguesa com eçou em virt ude da necessidade de t rabalhar e se m ant er na capit al paulist a. Foi o t rabalho na escola que o levou aos bancos da Universidade para cursar Let ras. Esse é um dado im port ant e na t rajet ória do ent revist ado, pois foi t am bém a experiência com o professor que o levou a se t ornar um aut or de livro didát ico. O Professor não se envolveu com o est udo e a pesquisa desenvolvidos na pós-graduação, m as se ressent e de t er-se afast ado da academ ia e assinala que, se pudesse volt ar no t em po, ret om aria a possibilidade de seguir a carreira universit ária, pois de algum m odo o cont at o com a academ ia acaba fazendo falt a para a form ação cont ínua do aut or de livros didát icos. Apesar disso, o Prof. Sargent im considera que a função do escrit or desses livros é a de ser t radut or das t eorias produzidas na Universidade, conform e nos m ost ra a seguir:

m inha vida voltada para o cursinho e para o livro didático acabou m e absorvendo m uito, tirando-m e a possibilidade de prosseguir na carreira universitária, que, em certos aspectos, poderia ter sido produtiva. Penso que, se tivesse seguido a carreira universitária, eu talvez tivesse m e inibido e im pedido a im pressão de certos trabalhos. Sinto que, se tivesse seguido a carreira universitária, não teria sido tão difícil retom ar algum as coisas que ficaram entre o que foi toda m inha form ação, a m inha base, em term os da língua e o que está sendo feito hoj e. Sem pre m e coloquei com o um tradutor das teorias universitárias para o professor e para o aluno. Para o professor, que às vezes recebe essas inform ações na universidade, e nem sem pre elas são traduzidas num nível funcional que possam ser operacionalizadas em um trabalho pedagógico na escola.

O Prof. Sargent im se t ornou um aut or de livros didát icos im pulsionado pela produção que realizava com o professor e pela necessidade do desenvolvim ent o profissional.

Eu m e tornei autor de livro didático por causa das circunstâncias. A partir da m inha experiência e dos m ateriais que elaborava para o cursinho, m ontei um a proposta de livro didático. Apresentei o proj eto para a Abril Cultural e para outras editoras. A Ática se interessou pela publicação e os representantes dessa editora disseram : “ Traga o livro da 5o série pronto” . I sso foi em 1972.

Mas, com o eu dava m uita aula, não tinha tem po... Apresentei o trabalho a um a outra editora, que é o I BEP. Foi esta editora que m e fez um adiantam ento em dinheiro e que m e perm itiu reduzir o núm ero de aulas que eu dava e, assim , produzir o m aterial. Lancei- o em 1974, pelo I BEP. Depois, em contatos com o pessoal da Ática, fiquei sabendo que esta editora tam bém passou a dar adiantam ento aos autores porque, na verdade, eles acabaram perdendo oportunidades de publicação.

Esta fase de publicação dos m eus prim eiros livros foi um a loucura. Morava no Brás e tinha um cubículo em que eu m e isolava para escrever. O prim eiro livro foi então gerado. O m eu livro didático não surgiu na academ ia, ele surgiu dentro da sala de aula. Foi um a continuação natural da m inha aula. Ao escrever um livro, na verdade, estou dando um a aula, só que dou aula para m ilhões de alunos, a m inha escrita é a m inha aula, sej a em relação ao professor, sej a em relação ao aluno. É isso que costum o dizer... gerar para m im é dar à luz. A relação que sinto com um filho m esm o... Eu não consigo estar distante dos m eus livros, todos.

Ao longo dos últ im os 30 anos a produção de livros didát icos pelo aut or t em sido m arcant e e at ingiu a form ação de um núm ero considerável de est udant es de t odo Brasil. Durant e t odo esse processo ele perm aneceu em um a única edit ora.

Eu não contei exatam ente quantas obras publiquei ao longo destes anos, são tantas obras... Mas são acim a de 30 obras didáticas j á publicadas nestes anos todos. Fiz m uitas reform ulações e aconteceu de um a obra ter gerado outras. A obra “ Atividades de Com unicação” teve cinco edições e, cada edição, reform ulo-a tanto que é um livro diferente. A obra “ Montagem e desm ontagem de texto” tem um a história interessante para contar. Desse livro, retirei a parte de redação e transform ei nas pastas de redação, que é de 1a série até o ensino m édio. Tenho tam bém um livro de

várias edições. Mesm o escrevendo tanto eu não consegui m e separar da editora em que com ecei a escrever. Na verdade você acaba estabelecendo contratos de 10 anos com ela. Esses contratos se renovam , por m ais que você tente convencer o editor de que você não precisa ter fidelidade, você pode escrever obras diferentes em diferentes editoras. Por outro lado, os professores acabam identificando não a editora, m as o autor, então o autor passa a ser conhecido e isso é bom para o trabalho.

O Prof. Sargent im relat a que, apesar de t er perm anecido desde o com eço t rabalhando apenas na Edit ora I BEP, a sua t rajet ória pessoal e profissional é m arcada por vários recom eços e que experenciou m om ent os de m uit a dificuldade e ret rocesso profissional e out ros em que era ext rem am ent e hom enageado pelo t rabalho que realizava. Dent re os m om ent os de dificuldade, o vivido em m eados da década de 1980.

Eu m e separei da m inha prim eira m ulher em 1985. Foi um a época m uito difícil em nível pessoal. Resolvi enfrentar a separação. Para consegui- la, deixei tudo praticam ente que tinha conseguido com a ex- m ulher, vim m orar em um apartam ento e com eçar a vida, do zero. Cheguei para o editor e coloquei a situação que m e tinha sobrado um as “ terrinhas” no Paraná. Nessa altura, eu estava zerado. Decidi publicar as fichas de redação, um a vez que estava sem pre trabalhando com esse tem a. Quando o editor sentiu que aquela decisão era “pra valer” , resolveu investir e em 1985/ 1986 foram lançadas as “ Pastas de Redação” , que foi um m aterial pioneiro. E o que é que aconteceu? Os professores não sabiam trabalhar. Eu dava cursos de 32 horas para os professores vivenciarem o processo e depois levarem para a sala de aula. Depois passei a dar cursos de 16 horas, trabalhava na sexta- feira e no sábado o dia todo. Tive que reduzir. Passei para 12 horas na sexta- feira à noite e sábado, o dia todo. Na época, era difícil, eu não tinha com o m e m anter, então as prefeituras, as escolas m e pagavam . Com o a editora sentiu que isto estava tendo força e que isto era um elem ento de divulgação dos livros, ela passou a financiar esses cursos. Eu com ecei a dar cursos de 8 horas durante três, quatro ou cinco anos. De giro pelo Brasil, devo ter dado curso para m ais de 100.000 professores. Dei cursos para 100, 200, 500 professores. Um a vez em Salvador dei curso para 2.200 professores de 8 horas, m antendo esses 2.200 professores falando sobre redação. Aqui em São Paulo dava cursos diretos para 500 professores. Esse foi um período extrem am ente gratificante, em bora a gente sentisse que era um a coisa rápida, eu

queria trabalhar m ais o professor para abrir- lhe m ais j anelas. Esses cursos abriram portas, pois os autores não davam cursos. A partir daí os autores passaram a dar cursos. Eu pensava: antes de eu ser autor, sou professor. Com o dei aula de catecism o desde os 12 anos, eu era Cerim onial-Mor no sem inário, depois dei aulas em cursinhos, trabalhei de 1981 a 1984 na TV Cultura, no program a Qual é o Grilo? Foi um a experiência fantástica... Foi o prim eiro program a interativo e fizem os com Evaldo São Jorge. Quando vou dar um curso, entra o professor, que sem pre gostei de ser. O livro é, na verdade, a m inha continuidade com o professor.

O t rabalho solit ário, o grande núm ero de t ít ulos no m ercado, as const ant es necessidades de revisão e reest rut uração do m at erial m arcam a t rajet ória profissional do Prof. Sargent im . O ofício de escrever e publicar livros didát icos se at ualiza sem pre e, de acordo com cada cont ext o hist órico específico, faz novas exigências e im põe m udanças, crescim ent os e novas em preit adas de t rabalho. Ao que parece, a at ual fase profissional, conform e o depoim ent o abaixo nos m ost ra, est á im pondo novos recom eços e o aut or explicit a-os com cert o ot im ism o, sobret udo ao relat ar a m ont agem de um escrit ório separado de sua casa para exercer o ofício profissional de escrit or e ao pensar em alçar novos e diferent es vôos no cam po edit orial. Ele est á colocando em prát ica um a ant iga idéia, a de se t ornar um escrit or de ficção infant il.

Tive vários recom eços e eu talvez hoj e estej a na em inência de ter outro recom eço. Saram ago outro dia disse que “ ...o hom em se purifica a partir da dor...” . Você não consegue crescer se não sofrer... É preciso aceitar e se purificar através da dor. Quando você está vivendo um a fase boa, se não se der conta, você se acha m uito forte, superior a todos. Acho que tive algum período nesse sentido, foi na década de 90. Era extrem am ente hom enageado pelo trabalho que vinha realizando na parte de redação... E fechei os olhos para m uitas coisas que estavam sendo publicadas. Só depois, em 1995, 1996, que pensei em reconhecer aquilo que estava sendo feito, m esm o que fosse para discordar. O

que estava acontecendo é que só fazia o m eu trabalho e atendia as propostas da editora e não achava tem po para a m inha reciclagem . Com ecei então um processo de reciclagem , de leitura, sem pre fui autodidata: aprendi piano sozinho, tocava órgão na igrej a sozinho... Hoj e não... Hoj e eu m e disponho a não ser autodidata. Sem pre trabalhei m uito sozinho. Tentei fazer um livro em co-autoria: A História dos Sentim entos na Literatura. Um livro m uito bonito, só que escrevi um a parte e falei para as outras professoras escreverem as outras. Não consegui estabelecer esta com unhão, acho que pela m inha form ação de estar m uito só. Descobri um a coisa ultim am ente m uito interessante no processo de escrita. Sem pre trabalhei m uito sozinho e isolado, então com ecei a perceber que se estivesse alguém próxim o de onde eu estava, eu não conseguia escrever, ficava encabulado com o se estivesse num ninho e m e sentisse despido. Sem pre escrevi em casa, com portas fechadas, trancado... Estou vivendo um a época agora, de uns m eses para cá, um a coisa fantástica: que eu posso escrever fora de casa. Estou m ontando um escritório aqui em Moem a. Saio de casa para um escritório com ercial para escrever. Assim , assum o o m eu ato profissional. João Cabral de Mello Neto dizia que o ato da escrita é este ato de estar absolutam ente só, ato de solidão, de você estar isolado. Atualm ente estou nam orando a idéia de com eçar na ficção, talvez ficção infantil. Já com ecei a fazer algum as coisas...

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