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Característiques principals de la Casa dels Infants de Can Vinader

A busca pela compreensão da questão de pesquisa – Como a interdisciplinaridade pode ser trabalhada e vivenciada no curso de Pedagogia da UFJF? –, conduziu à escolha do estudo de caso por ser considerado capaz de examinar um fenômeno em seu ambiente natural, por meio de diferentes técnicas de coleta de dados, a fim de obter informações de um ou mais elementos.

O procedimento de pesquisa pode ter aspecto explicativo ou casual, descritivo ou exploratório e, segundo Yin (2015), questões “como” e “por que” são mais explicativas e, possivelmente, conduzem ao uso de um estudo de caso, pois lidam com vínculos operacionais que necessitam ser traçados ao longo do tempo, indo além de meras

frequências ou incidências. Outra característica é a de não exercer nenhum controle experimental ou manipulação sobre o caso observado.

O estudo de caso permite aos pesquisadores realizar a investigação/observação e não necessariamente participar do evento (POZZEBON; FREITAS, 1998). Assim sendo, é considerado um recurso com grande rigor científico em pesquisas qualitativas, com potencial de oferecer maior legitimidade para os resultados esperados.

Quanto ao enfoque qualitativo, Freitas e Jabbour (2011, p. 9) salientam que esse método apresenta as seguintes características:

O pesquisador é o instrumento-chave, o ambiente é a fonte direta dos dados, não requer o uso de técnicas e métodos estatísticos, têm caráter descritivo, o resultado não é o foco da abordagem, mas sim o processo e seu significado, ou seja, o principal objetivo é a interpretação do fenômeno objeto de estudo.

As escolhas são pertinentes pois, dentro do tipo de abordagem que realizamos, existe um vínculo indissociável entre observação do mundo real e dos participantes, que não pode ser expressa em números. Assim, o foco de nosso estudo está na importância dos acontecimentos e não na quantidade de vezes em que ocorreram (FREITAS; JABBOUR, 2011).

O nosso propósito com a utilização do estudo de caso é reunir informações detalhadas e sistemáticas sobre a proposta interdisciplinar realizada durante o segundo semestre letivo de 2017 nas aulas das disciplinas de Fundamentos Teóricos e Metodológicos e Prática Escolar em Ciências I e Fundamentos Teóricos Metodológicos e Prática Escolar em Matemática I, com estudantes do curso de Pedagogia da UFJF.

Percebemos que esse é um recurso que enfatiza compreensões, sem esquecer-se da representatividade, concentrando no entendimento da dinâmica do contexto real e fazendo imergir em um estudo profundo e exaustivo de uma ou mais situações, de modo que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento.

De acordo com Yin (2015, p. 4), um estudo de caso possibilita que

Os investigadores foquem em um “caso” e retenham uma perspectiva holística e do mundo real – como no estudo dos ciclos individuais da vida, o comportamento dos pequenos grupos, os processos organizacionais e administrativos, a mudança de vizinhança, o desempenho escolar, as relações internacionais e a maturação das industrias.

Dentro dessa perspectiva metodológica, Yin (2015) faz um comparativo com os cinco principais métodos de pesquisas mais utilizados: experimentos, levantamentos, análises de arquivos, pesquisas históricas e estudo de caso. A partir disso, apresenta três requisitos relevantes para auxiliar na escolha do método, os quais são definidos como: (1) a forma da questão de pesquisa; (2) a exigência do controle dos eventos comportamentais e; (3) o foco em eventos contemporâneos.

Para a seleção do estudo de caso, o autor sugere que o item (1) deve ser uma questão que busque o “como” ou o “por quê” do objeto investigado e nos itens (2) e (3), aponta que sejam tratados como indagações, as quais devem ser respondidas com as assertivas “não” e “sim”, respectivamente.

Desse modo, identificamos que a questão de pesquisa desse nosso trabalho responde positivamente aos aspectos apresentados pelo autor, de modo a justificar a escolha do estudo de caso, além de ser um artifício capaz de lidar com uma ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas, questionários e observações.

O autor divide ainda o estudo de caso em duas partes. A primeira é o “escopo do estudo de caso”, em que se define o método de como a investigação empírica “investiga um fenômeno contemporâneo (o “caso”) em profundidade e em seu contexto de mundo real, especialmente quando os limites entre fenômeno e o contexto puderem não ser claramente evidentes.” (YIN, 2015, p.17)

A segunda parte trata da investigação do estudo de caso, de modo que outras características metodológicas tornam-se relevantes como situações envolvendo muitas variáveis de interesse e com isso passa a contar com múltiplas fontes de evidências, que deverão ser articuladas de modo a auxiliar na análise, discussão e conclusão dos resultados encontrados.

Em suma, a definição em duas partes demonstra que o estudo de caso compreende um método abrangente contemplando as necessidades do projeto precedente à pesquisa, as técnicas de coleta de dados e as abordagens específicas de análise de dados.

Outro ponto relevante à nossa discussão sobre o estudo de caso é que esse pode apresentar variações quanto a quantidade de casos, podendo ser único ou múltiplos.

Pozzebon e Freitas (2011) e Yin (2015) definem a unidade de análise como aquela que pode ser composta por indivíduos, grupos ou organizações, ou mesmo por projetos, sistemas ou processos decisórios específicos sendo apropriado em casos revelatórios, ou seja, em que a situação é inabordável para investigação científica.

A definição de um caso único deve ser resultado da avaliação cautelosa das questões de pesquisa. Se essa é basicamente exploratória, um estudo de caso único pode revelar informações de caso crítico testando teorias bem fundamentadas ou por serem situações extremas ou únicas.

Yin (2015, p. 54) apresenta cinco justificativas para adoção de caso único, a primeira é que “o caso único pode representar uma contribuição significativa para a formação do conhecimento e da teoria, confirmando, desafiando ou ampliando a teoria.”, contribuindo para futuras investigações. A segunda é quando o caso é peculiar, divergindo das normas teóricas ou das ocorrências diárias. Contrariamente, a terceira justificativa se dá por um caso comum em que o foco é captar as circunstâncias e as condições de uma situação cotidiana – observações que podem trazer informações sobre os processos sociais relacionados a algum interesse teórico. O quarto argumento é sobre um caso revelador, no qual o pesquisador tem a chance de observar e de analisar um fenômeno preliminarmente inacessível à investigação da ciência social. Por último, a quinta justificativa, é o caso longitudinal: “o estudo de um mesmo caso único em dois ou mais pontos diferentes do tempo.” (YIN, 2015, p.56), buscando estudar a evolução ou as mudanças de determinadas variáveis ou, ainda, as relações entre elas.

Para esse autor, caso único e múltiplo são variantes de uma mesma estrutura metodológica, não existindo distinção ampla entre eles, tendo cada um suas vantagens e desvantagens. Portanto, a escolha deve ser adequada à pesquisa. O autor ainda argumenta que:

Ao mesmo tempo, a justificativa para os projetos de caso único não pode ser satisfeita, geralmente, por casos múltiplos. Por definição, o caso incomum ou extremo, o caso crítico e o caso revelador envolvem provavelmente apenas casos únicos. Além disso, a condução de um estudo múltiplo pode exigir recursos e tempo extensos, superiores aos meios de um único estudante ou de um investigador de pesquisa independente. (YIN, 2015, p.60)

Assim, nossa escolha se embasa nesses argumentos, optando assim, pela investigação de um estudo de caso único, pois compreendemos que a observação de aulas de ensino de Ciências e Matemática no curso de Pedagogia da UFJF, a partir de uma proposta interdisciplinar, pode ser um contexto para responder como a interdisciplinaridade pode ser trabalhada e vivenciada no curso de formação inicial de

professores dos primeiros anos de escolarização, de maneira a contribuir com a futuras práticas docentes dos egressos e os objetivos curriculares da Educação.