I.4 Étude de la sensibilité des composants aux événements singuliers
III.1.1 Les diodes Schottky
III.1.1.2 Caractéristiques et structures des diodes Schottky
3.2.1. Os Vestígios Arqueológicos Subaquáticos
Partindo do Estado da Arte, relativo ao conhecimento histórico-arqueológico da navegação romana no atlântico, procurámos analisar com maior pormenor os vestígios arqueológicos subaquáticos conhecidos e catalogados, quer no Inventário Nacional do Património Subaquático (DANS/IGESPAR), quer nas diversas publicações que descrevem e caracterizam materiais originários de contextos subaquáticos. Estes materiais encontram-se depositados, na sua grande maioria, na DANS, nas colecções dos museus dedicados ao património marítimo (Museu da Marinha, Museu do Mar - Rei D. Carlos (Cascais), etc.) ou em Museus Municipais, localizados em zonas litorais correspondentes a antigas áreas de ocupação romana (Museu de Portimão, de Peniche e de Sines, por exemplo). Os vestígios que tratámos correspondem na sua generalidade a três tipos: sítios de naufrágio; achados isolados ou materiais de fundeadouro, como ânforas e/ou cepos de âncora; e vestígios arqueológicos identificados em contextos portuários.
Existem actualmente, na Base de Dados do IGESPAR – Endovélico, algumas dezenas de registos (cerca de 121) referentes a achados isolados de ânforas e cepos de âncora de época romana, alguns dos quais constituem locais de naufrágio confirmado. (Conforme Tabela - Anexo 3) Esta base de dados é actualizada regularmente pelos técnicos da DANS, responsáveis pelo Programa de Inventário Nacional do Património Subaquático, que o descrevem nas seguintes palavras:
“ O Inventário Nacional do Património Náutico e Subaquático (Carta Arqueológica) é um banco de dados em que o registo sistemático de informação recolhida inclui um trabalho de investigação interdisciplinar. As ocorrências no terreno – quer os achados fortuitos, quer as descobertas no decorrer de missões de prospecção e / ou de acompanhamento arqueológico de obras (dragagens, obras de construção civil em zonas ribeirinhas e em áreas anteriormente subaquáticas), bem como os resultados da investigação (fontes impressas e manuscritas; informação oral), constituem a matéria- prima de abastecimento desse banco de dados, em que está presente um estudo crítico das fontes históricas, bem como da cartografia e da iconografia. Este trabalho não perde de vista a questão da geomorfologia do litoral, evolução das formas geográficas cujo estudo é determinante para a compreensão das consequentes oscilações da ocupação humana do litoral. Como instrumento de gestão (salvaguarda de um património específico), a carta arqueológica funciona como um banco de
elementos para aplicação da legislação em vigor, no que concerne os casos dos achados fortuitos. Por outro lado, trata-se de uma ferramenta de informação, uma base para investigação e estudos de impacte ambiental.”
ALVES; BLOT, M. L. e HENRIQUES, 2006, 74 e 75
No âmbito desse programa, em 2005 a DANS publicou um artigo intitulado Vestígios de naufrágios da antiguidade e da época medieval em águas portuguesas, do qual resultou a enumeração dos sítios de achados mais importantes destas épocas. (ALVES et alli, 2005)
Fig.32 – Carta dos sítios de vestígios arqueonáuticos da Antiguidade e da Idade Média em Portugal: 1 – Rio Lima: a – Mazarefe; b – Lanheses. 2 – Ria de Aveiro. 3 – Alfeizerão. 4 – Ilhéus dos Farilhões. 5 – Ilha Berlenga. 6 – Corticais/Peniche Sul. 7 – Lisboa. 8 – Fundão dos Bacalhoeiros/Rio Tejo. 9 – Mouchão da Póvoa/Rio Tejo. 10 – Alcácer do Sal/Rio Sado. 11 – Praia de São Torpes. 12 – Cabo Sardão (ao largo). 13 – Rio Arade. 14 – Prainha/Praia dos Três Irmãos. 15 – Pedras Amarelas/Praia da Galé. 16 – Pedra do Zimbral. 17 – Tavira/Cacela (ao largo).
ALVES, F.; BLOT, M. L.; RODRIGUES; HENRIQUES; ALVES, J.; DIOGO e CARDOSO, J. P., 2005, 5.
Iniciámos o nosso percurso analítico pelos dados referentes a ânforas identificadas em contextos subaquáticos, correspondentes em grande medida aos registos da Base de Dados do IGESPAR/Endóvelico, mas também a dados publicados de colecções dos acervos de museus.
Cèsar Carreras Monfort (CARRERAS MONFORT, 2000) explora largamente a importância das ânforas no estudo da economia romana. No seu trabalho “Economia de la Britannia Romana: La Importación de Alimentos” apresenta uma súmula das contribuições para o estudo das ânforas (recensão bibliográfica) e dedica um ponto à teoria económica. Apresenta ainda, em jeito de conclusão, considerações respeitantes ao papel dos comerciantes, às razões do comércio, às rotas de acesso à Britannia e ao intercâmbio de longa distância. Esta é uma obra de referência para a temática que tratamos.
As ânforas ganham relevo no estudo do comércio marítimo porque se tratam de recipientes especialmente vocacionadas, pela sua morfologia e resistência, para o transporte marítimo. (CARRERAS MONFORT, 2000, 32) Transportavam essencialmente três produtos alimentares: o vinho, o azeite e os preparados de peixe. E surgem registadas arqueologicamente em três momentos da actividade económica: a produção, a distribuição e o consumo. Qualquer que seja a relação entre ceramistas e produtores de alimentos, as vicissitudes da produção de ânforas reflecte as mudanças na produção de alimentos. Ora, estas variações, o tipo de distribuição que as ânforas conhecem e a sua quantidade nos destinos finais são testemunho dos mecanismos económicos da Antiguidade. (CARRERAS MONFORT, 2000, 32 e 33)
A importância das ânforas encontradas em ambiente marítimo prende-se com o seu contexto e o seu estado de conservação. Quando completas, permitem-nos definir a forma, módulo e a capacidade; conservando muitas vezes os tituli picti, dão-nos informações fundamentais sobre origens, conteúdos e processos de comercialização. Enquanto carga de embarcações, permitem-nos aferir cronologias por associação entre vários tipos e variantes ou com outros materiais datáveis, assim como rotas de tráfico marítimo, definidos não apenas pela localização dos destroços, mas fundamentalmente pela associação num mesmo carregamento de cargas de origens distintas.
Os dados que aqui apresentamos estão muito longe de ter a importância que atrás sumariámos. São materiais de associação duvidosa e, no caso dos recuperados através das redes de arrasto, de localização imprecisa.
Resumimos a informação contida na Base de Dados do IGESPAR/Endovélico, na seguinte tabela, agrupando a informação por critério geográfico.17
Nº registos Materiais e Tipologias Anfóricas Registadas 112
Viana do Castelo (Rio Lima) 1 Fragmento de cepo de âncora em chumbo.
Vila do Conde (Labruge) 1 Um cepo de âncora em chumbo, identificado em 2009 e recuperado a 12 de Agosto
de 2010.
Espinho 1 Armadilha de pesca em madeira
Esposende 1 Materiais diversos, cerâmica romana pesos de rede e restos de estruturas de salinas
em xisto
Complexo Portuário do Douro 2
Matosinhos 1 Cerâmicas de época romana no porto de Leixões
Porto 1 Um cepo de âncora em chumbo (1994/95)
Figueira da Foz (Foz do Mondego) 3 Ânforas recolhidas por pescadores que indicam possível sitio de naufrágio.
Área de Peniche 7
Berlenga 2 Duas Haltern 70 identificadas no fundeadouro da ilha (as ânforas encontram-se
depositadas no Museu da Lourinhã e no Museu de Vila Bues, Espanha.
Farilhões 1 Uma Dressel 9 associada a fragmentos de madeira recuperados por redes de
arrasto.
Peniche (Papoa) 1 Avistamento de um cepo de âncora em 20-04-1994 (nº77 da DANS).
Cortiçais 1 Arqueosítio de naufrágio de época romana, datado da mudança de Era,
caracterizado por grande dispersão e fragmentação da carga. Registo de ânforas de tipologia Haltern 70 (perfazendo um número mínimo de indivíduos de 23, correspondentes aos bicos fundeiros inventaridos) e alguns fragmentos de sigillata itálica.
Complexo Portuário do Tejo 24
Abrantes 2 Uma âncora recuperada
Almeirim 2 Fragmentos de ânforas
Cartaxo 1 Ânforas africanas, uma Dressel 1, uma Dressel 7/11, uma Lusitana 2, uma Beltrán