• Aucun résultat trouvé

Chapitre 2 : Comportement thermique du chlore dans le graphite nucléaire

I. Protocole expérimental

4. Caractérisations structurales des échantillons après implantation

Nos estandartes, apesar de nem sempre se apresentarem elementos de fácil identificação, podemos encontrar algumas figurações de insígnias reais, entre outros elementos já referenciados.

A utilização de estandartes remontava à Pré-história. Independentemente da situação política do território que viria a ser o Egipto331, as provas indicam que existiam diversos poderes locais (de localização não obrigatoriamente equivalente às posteriores

329

O touro, «um dos animais que aparece com mais frequência na escrita hieroglífica e na iconografia, sobretudo na que mais directamente se relaciona com o faraó» (em ACÚRCIO, «Touro», DAE, p. 833), era popularmente adorado como boi Ápis, animal também ligado a Ptah de Mênfis; como Meruer (culto ancestral mais tarde associado a Ré); como Bukhis (animal do deus-guerreiro Montu); ou ainda ligado ao deus Min, por via da potência sexual.

330 Em ACÚRCIO, «Leopardo», DAE, p. 493.

331 Apesar da opinião dominante entre os egiptólogos ser a que considera Narmer (ou Ménes) como o

unificador do país, existem outras teorias que defendem a existência de um «Estado» centralizado anterior. Cf. TRIGGER, «Early Dynastic Egypt», Ancient Egypt, pp. 44-70.

sepaut, nomeadamente quanto às localidades maiores) que, em determinada altura,

estiveram envolvidos numa guerra «civil».

No anverso da Paleta do Tributo Líbio332 vemos uma representação que pode ilustrar essa situação: animais utilizam uma enxada ( , a mesma que o rei Escorpião usa para «abrir ritualmente um canal», na sua maça cerimonial) para desmantelar o que parecem ser muralhas de cidades. Como salienta Bruce Trigger333, o significado dos animais e dos conjuntos populacionais não está consensualmente definido. Por exemplo, Siegfried Schott defendia que o tributo líbio (verso) vinha na sequência da vitória do rei Escorpião sobre a cidade de Buto (anverso). Nessa sequência, George Steindorff avaliava os animais supostamente beligerantes como representações do rei, ou símbolos da ajuda desses animais temíveis (falcão, escorpião, leão) ao poder unificador (será plausível considerar, neste caso, as enxadas não como metafóricas armas militares, mas antes como símbolos do poder do rei sobre a fertilidade e irrigação). Seja como for, no conjunto rectangular do canto inferior esquerdo, vemos dois estandartes na mesma posição dos referidos animais a efectuar a mesma acção.

Na Paleta de Narmer, desfilando junto do conjunto de cadáveres decapitados, está o monarca antecedido de quatro porta-estandartes e respectivos estandartes. Os dois primeiros assemelham-se a falcões, um animal associado a Hórus, por sua vez uma divindade que desde períodos remotos era associada ao rei334. O terceiro aparenta ser um cão selvagem335, animal representado frequentemente na Época Pré-dinástica junto do monarca336, e associado desde cedo ao deus Uepuauet, «líder dos deuses» e «abridor de caminhos» para o faraó337. O quarto representa uma placenta real338 (

SdSd 339), elemento de origem camítica340. Assumindo que essa identificação simbólica das figuras com o poder real existia já na Época Pré-dinástica, saliente-se sobretudo a escolha do falcão e do cão selvagem para antecipar a sua chegada, instilando pela

332

Ou Paleta Tehenu; Paleta de Buto.

333 Em TRIGGER, «Early Dynastic Egypt», Ancient Egypt, p. 45, figura 1.5.

334 O facto de serem dois estandartes diferentes com falcões explica-se pelo facto de que «falcon deities

were worshipped at several sites in Egypt. Whilst they are usually regarded as local gods of independent origin, it is equally possible that “they were predynastic differentiations of one and the same deity”, regarded as the supreme god by Egyptians in general». Em WILKINSON, Early Dynastic Egypt, pp. 286- 287.

335 Cf. capítulo II Animais, do presente volume, sobre a definição zoológica (na nota de roda-pé). 336

Em WILKINSON, Early Dynastic, p. 297.

337 Associação que pode derivar das superiores capacidades do animal de se orientar no deserto. 338 Em SHAW, Ancient Egypt, p. 5.

339 Cf. definição de FAULKNER, Concise Dictionary, p. 274. 340

precedência, através dos seus traços mais selvagens e predatórios, e por via aérea e terrena, o medo do faraó.

Funcionalidades semelhantes poderiam ser utilizadas nos estandartes, numa dimensão local. Observando as insígnias e os títulos das diversas sepaut egípcias, verificamos que existe um predomínio de animais selvagens (falcão, touro, crocodilo, serpente, animal de Set, cão selvagem) e objectos belicosos, de aumento de poder (escudo, arpão, ceptros, arco, faca)341.

A visualização destas insígnias por parte dos inimigos do faraó consistiria, nesse sentido, uma mensagem simbólica passiva, mas com repercussões activas na psique de quem as interpretava, especialmente se as mesmas despertassem o medo pelo poder e superioridade que criteriava a escolha dessas mesmas insígnias. Na secção superior do anverso da Paleta da Batalha, vemos um exemplo da eficaz acção dos estandartes, com dois destes objectos a levarem, eles próprios, dois prisioneiros.

Mais uma vez, a mensagem era dirigida aos «inimigos», que podiam ser externos ou internos. Observando a maça cerimonial do rei Escorpião, vemos, na parte superior, uma série de estandartes «with a dejected lapwing hanging by a rope from each one. In the hieroglyphic script, the lapwing represented the rxyt, the common people of Egypt. Hence, the symbolism of this part of the Scorpion macehead seems clear, if a little uncomfortable to the modern mind: the populace of Egypt is quite literally subject to the divine authority of the king.»342 O mesmo autor releva ainda o contexto militarizado que «obrigava» à representação de um poder, atemorizante e inibidor para os potenciais revoltosos.

No Império Novo existiram estandartes com insígnias que não vêm nos registos mais antigos. No túmulo de Meriré, em Tell el-Amarna, podemos observar, na parede oeste, um grupo militar antecedido de outro grupo constituído por quatro elementos. Todos marcham aceleradamente seguindo os quatro porta-estandartes [figura 33].

341 Cf. SALES, As Divindades Egípcias, Apêndice IV.

342 Em WILKINSON, Early Dynastic, p. 185. Numa oração do túmulo do nomarca Baket III, em Beni-

Hassan, estão inscritas uma série de invocações, entre as quais: «Horus, Smiter of the Rekhyt», em NEWBERRY, Beni Hasan, vol. II, p. 44.