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Chapitre III : Dimensionnement et caract´erisation du dispositif exp´eri-

III.4 Caractérisation de la maquette

2.1 A escola

O Agrupamento de Escolas onde leciono e onde se realizou o estudo é constituído por três unidades educativas: duas escolas básicas de 1º ciclo e uma escola básica de 2º e 3º ciclos. Recebe cerca de 1200 alunos de um conjunto de freguesias de origem rural e de outras integradas no meio urbano. Constata-se que os pais e as mães dos alunos são, na sua maioria, empregados de comércio e serviços. As suas habilitações académicas situam-se preponderantemente no Ensino Secundário, verificando-se, de qualquer modo, um número muito elevado de pais com o Ensino Superior e como Ensino Básico.

Este é um agrupamento de escolas com tradição no contexto vimaranense, com uma massa híbrida de alunos que, apesar dos seus satisfatórios níveis de sucesso escolar, requerem dos diferentes agentes da ação educativa um grande esforço no desempenho das suas funções, que convergem para um mesmo objetivo: uma educação de base com qualidade para todos.

O agrupamento tem vindo a promover uma oferta educativa diversificada com cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA) e uma turma com Projeto Integrado de Educação e Formação (PIEF), que se constituem como alternativas formativas credíveis para jovens e adultos e cujo perfil se enquadra nas ofertas de caráter mais prático, para além de turmas de ensino regular. Oferece ainda projetos e atividades variadas, de complemento e enriquecimento curricular numa dimensão plural (humanística, artística, tecnológica, desportiva e cultural) e de prevenção do abandono e insucesso escolares.

O agrupamento rege-se pelo Projeto Educativo com o lema “Saber Crescer para a Vida” para o triénio 2010-2013, sustentado por quatro áreas de intervenção prioritárias: Ação Educativa, Relações Interpessoais, Saúde e Sustentabilidade e Comunidade. Estas áreas de intervenção são concretizáveis através dos respetivos objetivos que a seguir se registam:

1. Ação Educativa

a) Promoção de boas práticas de ensino e aprendizagem. b) Melhoria dos índices de sucesso.

c) Promoção de ofertas educativas diversificadas 2. Relações Interpessoais

a) Otimizar um clima promotor do exercício da ação educativa b) Melhorar a qualidade comportamental dos alunos

3. Saúde e Sustentabilidade

a) Promover hábitos de vida saudáveis b) Conquistar o galardão Eco escola 4. Comunidade

a) Desenvolver projetos no âmbito da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura e Guimarães 2013 – Cidade Europeia do Desporto.

b) Estreitar a ligação do Agrupamento com a comunidade local.

O exercício ativo da cidadania e uma postura autocrítica e autorreflexiva permanentes são pilares fundamentais que norteiam este Projeto Educativo, sustentado por valores como a liberdade, a solidariedade e a responsabilidade. O Projeto Educativo apela a uma atitude de compromisso entre todos os elementos da comunidade educativa, de modo a superar eventuais constrangimentos e permitir o pleno desenvolvimento das suas potencialidades. Assim, a ação educativa de toda a comunidade do agrupamento define-se pelos seguintes princípios gerais:

1. Autonomia na adequação do currículo nacional às necessidades dos alunos, com base no espírito de iniciativa de toda a comunidade educativa;

2. Qualidade do ensino e da aprendizagem, no sentido da formação integral dos alunos e do desenvolvimento de uma cultura de exigência e inovação científica e pedagógico-didática; 3. Igualdade de oportunidades de sucesso educativo.

Enquanto atividade nuclear do agrupamento, a avaliação do Projeto Educativo do Agrupamento é permanente e sistemática, de forma a permitir uma retroação contínua, cabendo a todos os agentes educativos essa responsabilidade. Essa avaliação orienta-se pelos seguintes critérios: eficiência dos processos, eficácia nos resultados e coerência entre o plano e a ação.

Por tudo o que foi referido anteriormente, considera-se que o Agrupamento de Escolas em causa se orienta por um Projeto Educativo que é “um instrumento do exercício da autonomia” (Agrupamento de Escolas, 2010: 3) e, sendo assim, revela-se como um contexto favorável ao desenvolvimento de experiências investigativas e pedagógicas, baseadas em pressupostos de uma pedagogia para a autonomia, como é o caso do presente estudo.

2.2 A turma da experiência

O estudo empírico foi desenvolvido na área curricular de Inglês, numa turma do 6º ano (nível 2) de uma escola E. B. 2,3 do concelho de Guimarães, durante o ano letivo de 2010/2011. A turma-alvo era constituída por 25 alunos, sendo 14 do sexo masculino e 11 do sexo feminino, com uma média de idades de 11 anos. Os alunos provinham de um ambiente socioeconómico médio ou alto e os encarregados de educação demonstraram um grande empenho e participação na vida escolar dos seus educandos.

De uma forma geral, os alunos da turma não apresentavam grandes problemas de aproveitamento, comportamento e assiduidade, mas revelavam, no entanto, uma forte dependência face à professora e ausência de iniciativa e tomada de decisões relativamente ao processo de aprendizagem. Esta postura deve-se, sobretudo, à ausência de práticas educativas relacionadas com a negociação e a reflexividade na sua experiência anterior de aprendizagem.

Existiam, no entanto, alguns casos particulares preocupantes que requeriam sistematicamente a atenção dos professores. Assim, havia três alunos com um ambiente familiar complicado, uma aluna com problemas alimentares, uma aluna com dislexia comprovada e um aluno com Necessidades Educativas Especiais, que beneficiavam de adequações curriculares e condições especiais de avaliação, ao abrigo do decreto-lei 3/2008 de 7 de janeiro, o que acarretou a adoção de uma série de procedimentos pedagógicos e administrativos e provocou alguns constrangimentos ao sucesso escolar.

Da turma faziam parte dois grupos distintos de alunos: um grupo bastante interessado e empenhado nas atividades e tarefas escolares, com uma atitude de colaboração e seriedade para com os professores e a escola; eram bons alunos, com um ambiente familiar equilibrado e com grandes expectativas face ao seu futuro; e um outro grupo com alunos bastante desmotivados, com pouca vontade de trabalhar e com uma atitude de descontração e inércia face à escola; o seu ambiente familiar estava desestruturado e os alunos não tinham tido sucesso no seu percurso escolar.

A avaliação sumativa do ano letivo anterior demonstrava um sucesso escolar bastante satisfatório a todas as disciplinas, inclusivamente à disciplina de Língua Estrangeira, Inglês. Relativamente a esta área curricular disciplinar, os alunos da turma demonstravam uma apetência para a sua aprendizagem, realizando as tarefas propostas com entusiasmo e vontade. De uma forma global, os alunos apreciavam as aulas de Inglês e as suas atividades. De acordo com os resultados do teste diagnóstico, os alunos consideravam a língua inglesa como um instrumento muito valioso de comunicação entre os povos e uma ferramenta bastante útil para qualquer profissão. No entanto, alguns alunos não traziam o material necessário, não estavam atentos e não concluíam/ realizavam as tarefas sugeridas nas aulas e para casa.

O Projeto Curricular de Turma foi elaborado tendo em conta o Projeto Educativo de Agrupamento, o Plano Anual de Atividades e o Projeto Curricular de Agrupamento, e foi adequado ao contexto da turma. Assim, foi elaborado de acordo com o perfil destes alunos, projetando-se estratégias de remediação para os problemas diagnosticados e tendo sempre em conta os seus interesses e capacidades. Este projeto, da responsabilidade do Conselho de Turma, foi sendo avaliado e reformulado ao longo do ano letivo, de acordo com novas informações sobre o percurso e progresso dos alunos.

Criaram-se condições de sucesso através do trabalho de equipa, da articulação de conteúdos e modos de ação e da diversificação de experiências de aprendizagem. O empenho de todos elevou substancialmente a qualidade do ensino, contribuindo para o desenvolvimento integral e harmonioso dos alunos. Pode-se concluir que as finalidades delineadas no projeto Curricular de Turma foram alcançadas com sucesso e que este foi concluído com êxito, uma vez que todos os alunos foram aprovados no final do ano letivo.

Esta turma apresentava um bom perfil para integrar esta intervenção. Os alunos já tinham sido meus no ano letivo anterior e, como o meu agrupamento aposta na

continuidade pedagógica, tinha quase total garantia de que a turma me seria atribuída. Tinha estabelecido com os alunos uma boa relação, pois havia entre nós uma grande empatia e nas aulas havia um ambiente de mútua confiança. Eu era também a diretora de turma, o que me dava algumas vantagens a nível de informações sobre os alunos e as suas potencialidades e constrangimentos. Contactava direta e regularmente com os encarregados de educação e os professores da turma. Queria começar esta nova abordagem com uma turma de Inglês do 6º ano, por me sentir mais confiante, quer pelos conteúdos a abordar, quer pela idade dos alunos, e esta era a minha única turma de Inglês que transitaria para o 6º ano, uma vez que as restantes turmas eram ou de 6º ano ou lecionava-lhes Português.

Mais tarde, viria a verificar que estes aspetos que me pareciam favoráveis e que me davam, por isso, mais confiança e segurança, não seriam preponderantes para o sucesso desta experiência, pois a abordagem autónoma funciona bem em qualquer nível de ensino e faixa etária, bem como em qualquer área de estudo.

2.3 A professora

Sou licenciada em Ensino de Inglês e Português, com estágio integrado, pela Universidade de Aveiro. Tenho 28 anos de experiência profissional e atualmente exerço as funções de professora do quadro do agrupamento de escolas onde se desenvolveu o estudo. Leciono o 2º ciclo do ensino básico no grupo disciplinar nº 220 (Português e Inglês). Para além de ser professora de Inglês da turma-alvo, era também professora das áreas curriculares não disciplinares de Área de Projeto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica.

Ao longo da minha carreira profissional, desempenhei os cargos de Diretora de Turma, Delegada de Disciplina, Orientadora de Estágio, Membro e Secretária da Assembleia do Agrupamento de Escolas, Presidente da Assembleia do Agrupamento, Secretária do Conselho Geral, Professora de Inglês do Curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) no Estabelecimento Prisional de Guimarães, Classificadora das Provas de Aferição de Língua Portuguesa e elemento do Clube de Jornalismo e de Informática.

Tenho sido responsável por vários projetos educativos desenvolvidos com a comunidade educativa, enquanto professora, dos quais destaco: Jornal Escolar Línguas Vivas e Mãos à Escrita, Quadro de Mérito e Menção Honrosa, Feira do Livro, Festival das Línguas, Jornadas Culturais, Avaliação Interna e Mais Sucesso Escolar.

Frequentei diversas ações de formação contínua e congressos relativos à minha área de docência, com vista à valorização pessoal e profissional, tentando sempre manter-me atualizada e procurando soluções mais adequadas para o meu percurso docente. Mas estas iniciativas funcionaram apenas como a ponta do icebergue. A verdadeira formação viria quando integrei o curso de Mestrado. A frequência do Mestrado permitiu-me tanta coisa, que nem sei por onde começar! Antes de mais, o curso foi rico em partilha de experiências e saberes com outros colegas e com as docentes. Foi um tempo de (des)/ (re)construção de uma visão de educação já com teias de aranha e nitidamente errada, e foi-se transformando num tempo de aprendizagens e experimentações de novas possibilidades. Tudo isto foi complementado com diversas experiências: as sessões no Grupo de Trabalho-Pedagogia para a Autonomia, sempre estimulantes e verdadeiramente emancipatórias; as conversas, sempre produtivas, levadas a cabo com a coordenadora do curso e supervisora do estudo; e as inesquecíveis incitações para participação em congressos, não só como ouvinte, mas também como oradora. Foi um verdadeiro espaço de deslumbramento e descoberta! Este curso de pós-graduação permitiu-me a aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades que me tornaram numa melhor profissional, mais apta a resolver os problemas e a enfrentar os desafios, mais atenta aos alunos e rigorosa no trabalho e mais motivada para o quotidiano do professor. A pedagogia para a autonomia foi uma aprendizagem que eu também vivenciei, a par com os meus alunos. Foi uma verdadeira caminhada que percorri rumo à autonomia!