4.3 Instrumentation et mise en œuvre
4.3.3 Caractérisation initiale de l’écoulement : PIV 2D-2C
Entre as partes anatómicas identificadas nos vários depósitos sedimentares das fossas calcolíticas, os elementos cranianos (55,32%) são claramente superiores – e que na sua maioria se reportam a fragmentos de mandíbulas (NTR=42) e dentes soltos (NTR=29). Os elementos apendiculares (21,27%) também detêm uma significativa frequência. Nestes, ainda se regista uma maior frequência de elementos dos membros dianteiros em comparação aos elementos dos membros traseiros (1,42%) (Figura 21).
Este reportório anatómico poderá justificar-se tanto pela capacidade de preservação destes elementos anatómicos aos processos pós-deposicionais que ocorrem no contexto arqueológico, quer como pelo parco índice cárnico dos elementos cranianos e dos elementos ósseos apendiculares (Reitz & Wing, 1999). Contudo, a discrepância das frequências entre os membros dianteiros e os membros traseiros, poderá também dever-se a condutas comportamentais específicas, por parte das comunidades humanas.
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Cr: Elementos cranianos; Ax: Esqueleto axial; ApD: Esqueleto apendicular anterior; ApT: Esqueleto apendicular posterior; Ep: Extremidades distais do esqueleto apendicular.
Figura 21. Frequência das partes anatómicas nos contextos não funerários calcolíticos de Torre Velha 12
Os perfis anatómicos entre fossas são distintos, revelando uma diversidade anatómica com distintas frequências e representações no interior dos diversos depósitos.
Numa análise geral, observa-se que os elementos cranianos estão presentes num maior número de fossas, com percentagens particularmente elevadas nas fossas E7 e E9.7. Seguem-se os elementos do esqueleto apendicular anterior, com um volume muito superior na estrutura em fossa E7 (Figura 22).
A estrutura em fossa E7 destaca-se dos restantes conjuntos faunísticos por ter aí
aparecido um perfil anatómico completo, isto é, com a presença de todas as zonas esqueléticas (Figura 22), embora com frequências muito distintas por cada elemento anatómico. Os elementos cranianos são claramente superiores neste conjunto, com 27 restos representados. O mesmo cenário ocorre com os elementos do esqueleto axial, que se fazem representar por um volume significativo de fragmentos de costelas (NTR=14).
No que respeita as partes anatómicas apendiculares, observa-se uma clara disparidade entre a frequência significativa de membros dianteiros (NTR=19) face à presença vestigial de membros traseiros (NTR=1). Os membros dianteiros têm uma elevada frequência de fragmentos de omoplata (NTR=7) e de fragmentos de úmero (NTR=7), identificados a suíno (Sus sp.) e a caprino (Ovis/Capra).
O registo de elementos das extremidades do esqueleto apendicular é, nesta fossa, também bastante significativo, e estão maioritariamente registados por fragmentos metacárpicos de Ovis/Capra e de Sus sp. 0 10 20 30 40 50 60 Cr Ax ApD ApT Ep %
86 Segue-se a estrutura em fossa E1413/1414, composta por um reportório anatómico diversificado e equilibrado. Conta com apenas a ausência de elementos do esqueleto apendicular anterior, e as frequências anatómicas entre as distintas zonas esqueléticas são pouco contrastantes (Figura 22).
Os elementos cranianos são ligeiramente superiores (NTR=5). Com semelhantes frequências, estão representados os elementos do esqueleto axial (NTR=2), através de um fragmento de esterno e de um fragmento de costela, ambos indeterminados. Os elementos do esqueleto apendicular posterior são claramente escassos (NTR=1), representando-se por, apenas, um fragmento de fêmur de um animal de grande porte. Os elementos das extremidades distais dos membros (NTR=4) têm uma melhor representação, através de fragmentos metacárpicos de Ovis/Capra; e um fragmento de trapezoide e um fragmento de 1ª falange, de veado (Cervus elaphus).
A estrutura em fossa E9.7. apresenta um perfil anatómico menos diversificado, com
os elementos cranianos a formarem a maioria do reportório anatómico (NTR=33) (Figura 22), o que indicia uma sobre-representação destes elementos e, por sua vez, a presença, quase que exclusiva, desta zona esquelética, nos vários depósitos que compõem esta fossa. Elementos do esqueleto apendicular anterior (NTR=2) e os elementos das extremidades do esqueleto apendicular comportam valores pouco expressivos no conjunto desta fossa.
As restantes fossas forneceram conjuntos anatómicos monótonos, tal é o caso das E16, E20.2. e E20.27, onde se representam apenas duas zonas esqueléticas, ou o caso das fossas E8, E12 e E13.01 que forneceram, unicamente, elementos cranianos. Há, também, fossas que não forneceram restos de fauna determinados anatomicamente, como é o caso das E15 e E19 (Figura 22).
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A análise do conjunto anatómico por espécie, possibilitou identificar padrões
específicos aos diferentes taxa. Os taxa domésticos partilham um padrão anatómico semelhante (Figura 23), ao estarem representados por elementos cranianos e por elementos dos membros dianteiros e traseiros, e suas extremidades, embora estes assumam frequências anatómicas distintas por cada táxon. Tal é o caso dos caprinos (Ovis/Capra) que se destacam por serem os únicos a surgirem representados por metatarsos. Já os suínos (Sus sp.) têm uma maior expressividade de elementos das partes distais dos membros dianteiros, como úmeros, rádios e cúbitos, enquanto que os bovinos domésticos (Bos taurus) estão mais bem representados por elementos cranianos.
O veado (Cervus elaphus) tem um reportório anatómico particular por estar representado por elementos cranianos – um dente solto e um fragmento de haste -, e por elementos das extremidades dos membros (Figura 23). Os Lagomorpha, tanto a lebre (Lepus sp.) como o coelho (Oryctolagus cuniculus), apresentam um reportório anatómico muito semelhante.
Figura 22. Perfil de representação anatómica, por estrutura, em Número Total de Restos (NTR), nos contextos não funerários calcolíticos de Torre Velha 12
0 10 20 30 40 50 60 70 80 Cr Ax ApD ApT Ep NTR
Cr: Elementos cranianos; Ax: Esqueleto axial; ApD: Esqueleto apendicular anterior; ApT: Esqueleto apendicular posterior; Ep: Extremidades apendiculares
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Cr: Elementos cranianos; Ax: Esqueleto axial; ApD: Esqueleto apendicular anterior; ApT: Esqueleto apendicular posterior; Ep: Extremidades do esqueleto apendicular.
Figura 23. Perfil anatómico, por taxa, em Número total de restos, nos contextos não funerários de Torre Velha 12
Na análise da lateralidade dos elementos anatómicos da coleção faunística
calcolítica, foi possível observar que elementos cranianos são predominantemente representados pelo lado direito (Figura 24). Já os ossos longos têm uma maior frequência de restos do lado esquerdo (Figura 25).
Referindo-nos, em primeiro lugar, à lateralidade dos elementos cranianos, identifica-se a presença idêntica de fragmentos de mandíbulas de ambos os lados. Os dentes soltos são, assim, as partes que recriam a superioridade de elementos cranianos do lado direito (NTR=14) em detrimento de restos do lado esquerdo (NTR=5), neste conjunto (Figura 25).
Em dissonância com o cenário supracitado, os ossos longos parecem assumir uma conduta específica, ao nível da sua lateralidade, por cada parte anatómica (Figura 25), notando- se que uma significativa parcela da coleção faunística não permitiu a atribuição da sua lateralidade. Tal é o caso de todos os fragmentos de ossos longos do esqueleto apendicular posterior, que não possuíam caracteres anatómicos definidores para a identificação do seu lado correspondente.
Primeiramente, observa-se que os fragmentos de omoplata (NTR=6), de cúbito (NTR=2) e de rádio (NTR=2), correspondem, unicamente, ao lado esquerdo; e os fragmentos de metacarpo correspondem, exclusivamente, ao lado direito. Já os fragmentos de úmero correspondem tanto ao lado direito (NTR=2) como ao lado esquerdo (NTR=1).
0 5 10 15 20 25 30
Bos sp. Ovis/Capra Sus sp. Cervus
elaphus Lepus sp. Oryctolaguscuniculus
Cr Ax ApD ApT Ep
89 Destaca-se, ainda, que os vários elementos do esqueleto apendicular anterior recolhidos do depósito UE701PI da fossa E7 correspondem, em exclusivo, ao lado esquerdo.
Observando a lateralidade por espécie, nota-se que os lados direitos surgem
unicamente associados aos taxa domésticos, isto é, aos caprinos (Ovis/Capra), aos bovinos domésticos (Bos taurus) e aos suínos (Sus sp.), e com frequências particularmente mais equilibradas nos suínos (Sus sp.) e nos bovinos domésticos (Bos taurus). Já os lados esquerdos são comuns a todos os taxa, domésticos e selvagens, e nos quais se incluem o veado (Cervus elaphus) e os Lagomorpha (Figura 26).
Segundo os dados disponíveis, não parece existir nenhuma especificidade da lateralidade, com a exceção dos suínos (Sus sp.), onde se nota uma ligeira superioridade do esqueleto apendicular anterior do lado esquerdo, por oposição a uma superioridade de dentes soltos do lado direito (Figura 26).
Figura 25. Frequência da lateralidade das partes anatómicas nas fossas calcolíticas de Torre Velha 12. 70%
30%
Esquerdo Direito
Figura 24. Frequência da lateralidade dos elementos cranianos nas fossas calcolíticas de Torre Velha 12.
26% 74%
90