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Chapitre III. Caractérisation des formulations EOR

III.3 Caractérisation des formulations de surfactant

Segundo “nota do editor”, a publicação de CA1948 pela Editora Mérito “é a primeira edição de Clara dos Anjos, novela que saiu publicada, após a morte de Lima Barreto, em dezesseis números da Revista Souza Cruz, de janeiro de 1923 a maio de 1924, precisamente” (CA1948, p. 7). Mais abaixo, na mesma “nota” afirma que se repete o texto dos folhetins por terem se extraviados os manuscritos da obra (CA1948, p. 7). Na sequência apresentam-se os dados biográficos de Lima Barreto e o prefácio assinado pela crítica literária e tradutora Lúcia Miguel-Pereira (1901-1959).

CA1948 é o primeiro livro inédito de Lima Barreto publicado após sua morte e o segundo volume de sua obra que traz modificação no legado editorial: são publicados como apêndice os sete contos originalmente vindos a lume na primeira edição de Triste fim de Policarpo Quaresma. O primeiro volume das obras de Lima Barreto a sofrer modificações no legado editorial foi PQ1943, com a supressão dos sete contos publicados originalmente na primeira edição da obra (cf. 2.2., supra). Portanto, Clara dos Anjos publicada pela primeira vez em livro representa o primeiro caso de ampliação, e o segundo a trazer modificações no legado livresco limabarretiano.

Essas e outras modificações, que apontaremos no decorrer desta pesquisa, serão recorrentes nas edições após 1923 da obra do autor, e nem sempre os critérios para tais procedimentos são convincentes, como no caso de CA1948, que informa: “para completar o volume, acrescentou-se a esta edição a admirável coleção de contos, que figura na primeira edição do Triste fim de Policarpo Quaresma”. Ou seja, os intercâmbios de textos entre os volumes servem só para que os livros da coleção tenham o mesmo tamanho. Assim, CA1948 é uma edição heterogênea por ser composta de romance e contos.

2.3.2. Triste fim de Policarpo Quaresma*. Rio de Janeiro: Editora Mérito S. A., 1948.

Segundo volume das publicações da obra de Lima Barreto pelas editoras Mérito e Gráfica Editora Brasileira, Triste fim de Policarpo Quaresma, publicado pela primeira vez em 1915, não traz os sete contos editados originalmente como apêndice ao romance, não havendo, contudo, explicações para que os mesmos fossem retirados do volume e transferidos para CA1948 (cf. 2.3.1).

Consoante a “nota do editor, PQ1948 é

quarta edição do Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, uma das obras-primas da literatura brasileira, que foi recentemente escolhida como “Livro Dividendo”, para distribuição exclusiva entre os associados do “Livro do Mês”. A fim de que o grande público não se prive da leitura do Triste Fim de Policarpo

Quaresma, obra de há muito esgotada, resolveu a Editora Mérito S. A. promover

mais esta edição do romance de Lima Barreto, certa de que, assim, estará contribuindo para o desenvolvimento da cultura e do bom gosto literário em nosso país. (PQ1948, p. 7).

Os livros da coleção “Livro do Mês” eram editados pela Gráfica Editora Brasileira e distribuídos a assinantes fixos. A cada seis meses era distribuído o “Livro Dividendo” gratuitamente. Portanto, temos em 1948 duas edições de Triste fim de Policarpo Quaresma: uma publicada pela Gráfica Editora Brasileira, através da coleção “Livro do Mês”, e outra pela Editora Mérito. A nota “obras do autor” informa:

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA. Publicado em folhetins do Jornal do Comércio (edição da tarde), Rio de Janeiro, 1911. 1ª edição. Rio de Janeiro, Revista

dos Tribunais, 1915. 2ª edição. São Paulo, O Livro do (sic) Bolso, s. d. 3ª edição. São Paulo, Gráfica Editora Brasileira, 1948. (Impresso especialmente para o “Livro do Mês”.) 4ª edição. Rio de Janeiro, Editora Mérito S. A., 1948. (PQ1948, p. 5).

O prefácio da obra é a reprodução de artigo assinado pelo escritor e crítico [Manoel] Oliveira Lima (1867-1928) publicado n’O Estado de São Paulo em 13 de novembro de 1916. Como já mencionado, PQ1948 sofre interferências em relação ao legado editorial, transformando-se em edição homogênea, composta apenas por romance.

2.3.3. Recordações do escrivão Isaías Caminha*. Rio de Janeiro: Editora Mérito S. A., 1949.

Terceiro livro na ordem de publicações da obra limabarretiana pela Mérito e Gráfica Editora Brasileira, IC1949 é a quarta edição do romance e traz o prefácio do organizador da coleção, Francisco de Assis Barbosa, e não há modificações em relação à última edição preparada por Lima Barreto, em 1917, mantendo-se como edição homogênea.

2.3.4. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá*. Rio de Janeiro: Editora Mérito S. A., 1949.

O volume, que pelo critério de citação nessa tese chamamos de VM1949, trouxe os primeiros contos inéditos de Lima Barreto. Francisco de Assis Barbosa, portanto, interferiu mais uma vez no legado editorial do autor transformando uma edição homogênea em edição heterogênea. A “nota do editor” informa que “é esta, portanto, a quarta edição do Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Ao fim do presente volume, acrescentou-se uma coletânea de contos de Lima Barreto, extraídos de jornais e revistas da época, que ainda não tinham sidos publicados em livro” (VM1949, p. 7). O organizador incorre em erro ao imputar 4ª edição para a obra; deve, com certeza, ter considerado que a reimpressão feita por Monteiro Lobato como nova edição, o que sabemos se tratar apenas de uma reimpressão com nova capa, conforme dispomos no primeiro capítulo (cf. 1.1.4). Ainda, o organizador não ofereceu também os critérios pelos quais resolveu acrescentar os dezoito contos no volume VM1949.

Quadro 5 – relação de contos acrescidos à edição de Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, publicado pela Editora Mérito em 1949.

01. “Três gênios de secretaria”. Brás

Cubas, 10 abr. 1919.

10. “O tal negócio de ‘prestações’”. O

Malho, 10 jan. 1920.

02. “O único assassinato de Cazuza”.

Revista Souza Cruz, fev. 1922.

11. “O meu carnaval”. Careta, 08 jan.

1921.

03. “O número da sepultura”. Revista

Souza Cruz, mai. 1921.

12. “Fim de um sonho”. Careta, 21 jan.

1922.

04. “Manuel Capineiro”. Era Nova, 21 ago.

1915.

13. “Lourenço, o magnífico”. Careta, 05

mar. 1921.

05. “Milagre do Natal”. Careta, 24 nov.

1921. 14. “O falso D. Henrique V (Episódio da história da Bruzundanga)”. 06. “A sombra do Romariz”. Careta, 14

jan. 1922. 15. chinesa)”. Careta, 09 set. 1922. “Eficiência militar (Historieta 07. “Quase ela deu o ‘sim’; mas...”. Careta,

29 jan. 1921. 16. “O pecado”. Revista Souza Cruz, ago. 1924.

08. “Foi buscar lã...”. América Brasileira,

mai. 1922.

17. “Um que vendeu a alma”. Primavera,

jul. 1913.

09. “O jornalista”. Revista Souza Cruz, jul.

1921.50 18. “Carta de um defunto rico”. A. B. C., 22 jan. 1921.

Vemos que não há uma apresentação de cronologia das publicações dos contos nos jornais e revistas, traço característico da junção de textos curtos por parte do organizador Francisco de Assis Barbosa.

2.3.5. Numa e a ninfa*. Rio de Janeiro; São Paulo; Porto Alegre: Gráfica Editora