CHAPITRE II. Matériaux, techniques de caractérisation et méthode
II.1. Caractérisation des alliages 600 utilisés
É um projeto de iniciativa pessoal com o objetivo muito mais de informar do que de produzir opinião. A ideia é ser sempre o mais neutro e analítico possível.
2. Como surgiu a ideia?
Nós pensamos em fazer o site porque há uns anos houve uma iniciativa em Portugal que resultou numa proposta apresentada à Assembleia da República no sentido de transparência parlamentar. Uma parte dessa proposta era que a Assembleia fornecesse esse tipo de informação, mas ela não foi aprovada e, portanto, a única maneira era que
lxx alguém externamente, ou seja, da sociedade civil, conseguisse montar a coisa e eu como programador achei um desafio bastante interessante. Na altura, falei da ideia com o David, que eu já conhecia e foi a pessoa ideal para fazer isso pois ele tem conhecimento profundo do funcionamento da assembleia e do processo legislativo em Portugal. Enquanto eu programava, e fazia a parte do código, foi fundamental ter alguém como ele a orientar a arquitetura da coisa. Ele tem formação em Economia, mas tem experiência em Política e processo legislativo porque trabalhou para o Parlamento Europeu. A minha formação é em Design Industrial, mas atualmente sou programador, faço a parte de programação e design do front-end de web sites.
3. O site tem algum retorno financeiro?
Não, isso não tem retorno nenhum. Já pensamos em colocar publicidade para nos ajudar com os custos do servidor, que também não são nada de especial, mas também não queríamos encher o site com publicidade, portanto, de momento, está mesmo assim.
4. E também acaba perdendo um pouco da credibilidade, não é?
Sim, ou seja, são cerca de 15 € por mês, não é assim nada de muito. Obviamente que quando mencionam o site na televisão o servidor vai abaixo, pois não tem grande capacidade para tanta carga simultânea.
5. Quais são as ferramentas e a tecnologia que você utiliza para fazer o site?
A parte mais complicada é curiosamente aquela que não se vê, porque toda a informação que nós temos não é produzida por nós, ela é raspada automaticamente por um script, ou seja, um robô que duas vezes por dia visita o site da Assembleia da República e raspa milhares de páginas para extrair a informação. Esse robô também organiza a informação na nossa base de dados. Fazer essas raspagens foi a parte mais difícil, porque o site da Assembleia está feito numa coisa chamada ASPX, que é uma tecnologia do início do século, e para raspar era preciso fazer pesquisas, inserir coisas em campos, guardar cookies e ir saltando de página em página. A navegação automática nessas páginas não é trivial. Uma coisa é nós sabermos já o endereço das páginas que nós queremos raspar, mas muitas vezes nós temos que entrar numa página e, para aceder à página seguinte, temos que preencher um formulário. Então a ideia foi fazer um script que conseguisse preencher os formulários, submeter os formulários e guardar os cookies gerados por esses formulários.
lxxi É a maneira que o site tem de perceber o nosso histórico e, portanto, navegar automaticamente nas páginas, que são públicas.
Depois, o próximo desafio foi estruturar a informação. Neste momento, temos só três legislaturas, mas a ideia é trabalhar para ficar com nove e, portanto, recuar até os anos 90. Mas, mesmo só com as três legislaturas (desde 2009), é muita informação. Quando o utilizador entra no site e faz pedidos à base de dados, para aceder a essa informação convém que ela esteja estruturada de uma maneira que o site não fique muito lento. Então começamos a usar uma base de dados, que é uma coisa relativamente recente, “no SQL”, feita por objetos. O nome dela é Mongo DB. Uma base de dados clássica, SQL, funciona por tabela, mais ou menos como um ficheiro Excel, com linhas e colunas. A Mongo DB tem o funcionamento completamente diferente, ou seja, cada diploma que nós temos na nossa base de dados é uma estrutura parecida com uma árvore, com vários ramos, e cada ramo pode ter sub-ramos ou coleções de outras árvores. Foi a única maneira que nos permitiu por isto a funcionar com tempos de acesso razoáveis. Pretendia-se que quando uma pessoa clicasse no site, o pedido demorasse menos de meio segundo. Para isso, nós aqui estamos a fazer algumas funções com uma matemática mais intensiva. Se fosse com uma base de dados por tabela, demoraria vários segundos.
Tendo isso resolvido, depois foi uma questão de fazer a interface, a visualização. Esse é um processo que ainda estamos sempre a acrescentar mais coisas. Há pouco tempo, acrescentamos o índice de concordância.
6. E o que você utiliza para construir a visualização?
Utilizamos algumas vezes o D3.js., por exemplo, na parte das votações, quando a visualização do hemiciclo propriamente dito tem as bolinhas coloridas e podemos ver aprovação, abstenção e rejeição. O resto é JavaScript, basicamente. Usamos o Node, que roda o JavaScript. O site é uma coisa que é 100% java script, quer do lado do utilizador, quer do lado do servidor. Portanto, do lado do servidor temos essa base de dados, a Mongo DB, que é uma coisa que funciona em java script. A parte toda do back end, do processamento e do algoritmo é feita em Node. E depois, na parte do front end é tudo java script e HTML. Era uma coisa tão específica que era mesmo preciso sermos nós a desenvolver a coisa toda customizada. Por coincidência, eu também estava a fazer muita
lxxii coisa com scraping e com data visualization e, então eu estava mesmo com vontade de pegar esse desafio para ver o que eu conseguia fazer.
7. E essa questão da visualização também está bem relacionada com a sua área de designer industrial, não é?
Sim. É uma área que me interessa bastante e é uma área de futuro. Cada vez recolhemos mais dados de mais sítios e, portanto, não é só difícil processar os dados todos, mas também visualizá-los. Então é uma área de futuro.
8. A sua formação como programador é autodidata?
Sim, completamente. Eu trabalhei numa empresa onde fazia design industrial, a YDreams. Lá, a ideia sempre foi fazer coisas interativas, então eu sempre tive muito contato com programadores. Depois, quando eu saí, não foi propriamente uma decisão de carreira, mas era uma coisa que me tinha fascinado e comecei a aprender.
9. E hoje você trabalha como autônomo?
Sim. E eu tenho vários projetos como o Hemiciclo, que é um projeto pessoal paralelo. Alguns mapas, por exemplo.
10. E você tem um blog para divulgar isso? Por acaso não. Eu devia tratar disso mesmo.
11. Como tem sido o retorno de acessos? Você disse que quando passa na televisão o servidor nem aguenta, mas e no geral?
O lançamento foi espetacular, excedeu largamente as nossas expectativas. Foi em setembro de 2017 e o servidor estava sempre indo abaixo, porque era muita gente a aceder. Desde então, os acessos foram crescendo e tem tido alguns picos. Saíram notícias no Diário de Notícias e no Público recentemente, porque foi incluído o índice de concordância, então tivemos muito mais tráfego. Às vezes, quando há votações que as pessoas já sabem que vão ocorrer porque saiu nas notícias durante a semana, nós temos muito mais tráfego que o normal. Estamos agora a pensar um esquema para atrair mais pessoas. Temos perfis no Facebook e no Twitter e atualizamos essas contas pelo menos umas duas vezes por semana. Uma coisa que nos interessava era estabelecer uma parceria com um jornal para mais tráfego. Poderia ser um esquema de troca com um órgão de
lxxiii comunicação social, em que nós fornecêssemos conteúdo, ou eles até nos poderiam pedir, e nós faríamos visualizações. Em troca, eles publicariam ou linkariam para o nosso site.
12. Há uma sessão de notícias chamada Atualidades. Quem faz a atualização e qual a periodicidade?
Somos os dois, quando temos tempo, porque nós também temos muitas coisas para fazer. Vamos pegando nisso mais como um passatempo.
13. E o resto do site tem algum tipo de manutenção?
Sempre que tem votações, geralmente às sextas-feiras, nós temos que fazer alguns ajustes. É uma coisa que nos consome às vezes uma hora, mas é só quando há votações desalinhadas, ou seja, quando há deputados que votam de maneira diferente da sua bancada.
14. Vocês têm mais algum plano para o site?
Temos um plano muito ambicioso. Daqui a um mês, vamos ter uma sessão com podcast, que vai ser feita em parceria com um grupo especializado. Vamos começar a ter em entrevistas com pessoas da Assembleia da República. Além disso, estamos a recuar até os anos 90 para termos muito mais diplomas e, depois, vamos ter uma parte que é importantíssima e é muito difícil de fazer que é a secção das comissões parlamentares, pois grande parte do trabalho na assembleia nem é tanto no plenário. O nosso objetivo é a montar um projeto e concorrer a financiamento para conseguirmos estar dedicados, se não exclusivamente, quase exclusivamente a cumprir todas essas etapas. Queremos que as pessoas consigam aproximar-se um bocado mais da política pois, em Portugal como em outros sítios, há muito ignorância sobre o que se passa. Isso também ocorre porque a informação é um bocado opaca e, portanto, é essa a nossa missão também.