Enquadramento institucional
O Núcleo Temático da Seca e do Semiárido (Nut-Seca) é um centro de documentação institucionalizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na sequência da constituição de um vasto e rico acervo memorial sobre a temática da “seca, semiárido e sociedade sertaneja”, da região Nordeste do Brasil, em especial, do Rio Grande do Norte. Desse modo, o centro documental apresenta-se como uma unidade suplementar do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA/UFRN).
A idealização do Núcleo Temático da Seca e do Semiárido surge na sequência de estudos realizados sobre todos os aspectos que envolvem a seca, com a perspectiva de entendê-la como um “fenômeno amplo” que deve ser analisado através de um olhar interdisciplinar (CARVALHO; CARVALHO; FREIRE, 2004). Destarte, Freire (2004, p. 202) confirma tal perspectiva do seguinte modo:
sua pluralidade temática, a ‘seca’ pode ser concebida como objeto de estudo multi, inter e transdisciplinar, à medida que se busca estudar as consequências físicas, sociais, econômicas
Nesse contexto, destaca-se o nome da Professora Emérita da UFRN, Terezinha de Queiroz Aranha, como fundadora do Nut-Seca, devido ao fato de ela ser pioneira nas investigações realizadas sobre a referida temática no âmbito do Rio Grande do Norte. Nos dias atuais, Tereza Aranha continua a contribuir, possibilitando a continuidade do crescimento do acervo docu- mental do referido núcleo.
Historicamente falando, o Núcleo Temático da Seca e do Semiárido iniciou as suas primeiras atividades no ano de 1981, através da criação do “Programa de Estudos sobre a Problemática da Seca no Rio Grande do Norte”, como uma das vertentes investigativas do Projeto Rio Grande do Norte – PRN, incluso no Plano de Ação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no triênio que compreende os anos de 1981 a 1983 (CARVALHO, 1998). Este Programa de Estudos teve como base a investigação de três assuntos principais: Sistema Produtivo, Sistema de Poder e Sistema de Sobrevivência da População Norte-Riograndense. Ainda segundo Carvalho (1998, p. 17), dentre os referidos temas e seus consequentes assuntos e subassuntos, destacou-se a “A Problemática da Seca”, o qual objetivava investigar os aspectos das mudanças decorrentes do impacto da seca, procurando disseminar tais informações através do tripé que sustenta a universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão.
[...] a melhoria do ensino seria atingida com a ampliação das informações disponíveis sobre o fenômeno da seca e de modo especial com as repercussões no Estado do Rio Grande do Norte; a pesquisa seria realizada através da elaboração de um novo saber sobre a seca; a extensão seria efetuada com a transferência de informações para a comunidade sobre esse fenômeno, através de Feiras de Arte, Ciência e Tecnologia e Encontros Municipais (CARVALHO, 1998, p. 17).
De acordo com Carvalho (1998) e Freire (2004), foi no ano de 1992 que o “Programa de Estudos sobre a Problemática da Seca no RN” passou pelo processo de institucionalização de
núcleos temáticos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, recebendo, naquele momento, a nova denominação de Núcleo Temático da Seca (Nut-Seca). A sua oficialização como Unidade Suplementar do CCSA foi dada pela Portaria número 001/95-R, no ano de 1995, passando a integrar a estrutura organizacional desta universidade, no ano de 1996, através de resolução número 004/96, do CONSUNI (UFRN)32.
No intervalo que compreende desde a sua criação até aos dias atuais, foram poucas as modificações ocorridas no Nut-Seca, incidindo principalmente nos aspectos administrativos, bem como na intensificação da importância deste Centro Documental perante a UFRN, através das ações de ensino e dos projetos de pesquisa e extensão. Sendo assim, a atual estrutura do Nut- Seca é composta por: uma coordenação, um Comitê Científico, Grupos Temáticos de Trabalho, um Laboratório de Tecnologia da Informação (LIBER, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco – UFPE) e projetos (pesquisa e extensão; execu- tados, em execução e futuros), localizando-se na parte central do Campus Universitário da UFRN33.
Cabe ainda ressaltar que atualmente o Nut-Seca passa pelo processo de transferência do seu acervo documental em formato tradicional/analógico (livros, periódicos, recortes de artigos de jornais) para o digital, tendo como projeto principal a Digitalização da memória da seca e do semiárido, corporizada 32 Conselho Universitário, órgão máximo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, competindo às funções normativas, deliberativas e de planejamento. (UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE. Conselhos. Disponível em: <http://http://www.reitoria.ufrn.br/reitoria2/conteudo/conselhos/ consuni.htm>. Acesso em: 13 maio 2013.
33 A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apresenta a maioria da sua estrutura física (Reitoria, Centros Acadêmicos, Bibliotecas, Setor de Aulas, entre outros) de forma centralizada numa cidade universitária, o que neste contexto é denominado de “Campus Universitário”.
em livros, periódicos e recortes de artigos de jornais locais, através da metodologia proposta pelo LIBER, laboratório este que apresentaremos posteriormente.
Em linhas gerais, não podemos configurar o Nut-Seca simplesmente como um arquivo, uma biblioteca ou um museu, mas sim com um acervo híbrido, isto é, a sua constituição resulta da concentração de espécies em papel (originais impressos) que, agora, terão a sua versão digital. Em outras palavras, tem o objeto de salvaguarda e de aplicação de medi- das/procedimentos de preservação com interesse no acesso a longo prazo às mesmas. Pode, assim, corporizar uma “nova” Instituição de Memória que está procurando moldar-se às necessidades informacionais da Era da Informação em geral, e dos seus usuários, em particular, com vistas à promoção do seu exclusivo acervo memorial (sistema de informação memorial), constantemente servido de locus de investigação e laboratório prático de documentação das disciplinas ministradas no Curso de Graduação em Biblioteconomia (Departamento de Ciência da Informação), no Curso de Graduação em História (Departamento de História), entre outros afins.