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Comparemos a morte com um dia frio: para uns, aquela é bonita, e para outros, tenebrosa. A única certeza da vida é espantosa, pois representa o final de uma jornada carnal. Ao mesmo tempo, há quem veja beleza nela, história, memória que são ligadas ao morto ou a objetos que representam este.

As diversas formas de morrer dizem muito sobre a cultura, classe social, religião e o imaginário das pessoas. Enterros festivos, angustiosos, simples, suntuosos também representam os vivos e os mortos. Da mesma forma que os enterros falam sobre as pessoas, as sepulturas, o caixão e a consciência da morte representa determinado lugar. É notório que os rituais de enterramento e os locais dos mortos não são feitos basicamente para o falecido, mas sim para os vivos, pois estes últimos são quem sofrem com a perda do jacente.

Neste capítulo, falaremos da representação da morte, e seus rituais, para os habitantes de Jardim do Seridó, tendo em vista sua história, tradição, cultura, memória e rituais de enterramento para que possamos entender, posteriormente, as cruzes de beira de estrada que delimitam óbito e o significado simbólico que gira em torno delas.

2.1- Breve história de Jardim do Seridó/RN

No início do século XVI até o século XVIII, portugueses vinham em grandes levas para povoar a América portuguesa à procura de terra para a colonização da cana-de-açúcar, produto de alto valor capitalista. O plantio da cana-de-açúcar se dava principalmente no litoral da América portuguesa, lugar úmido propício para as plantações. Com a colonização, também ocorreu o povoamento do Seridó, lugar não tão favorável para a plantação da cana, mas, mesmo assim, teve sua parcela de colonizadores portugueses.

No período da colonização, conta-nos Azevedo, que José Antônio de Azevêdo Maia e Izabel Pereira Alves Maia, portugueses, não emigraram para o Brasil, mas deixaram vir os filhos: Antônio de Azevêdo Maia Júnior e Maria de Azevêdo Alves Maia. Ambos vieram por incentivo do tio, Capitão Pedro da Costa Azevêdo, que lhes arranjou casamentos entre as melhores famílias da terra, e condições sociais e políticas. Com o arranjo de casamentos, os Azevêdos migraram para o Seridó, onde compraram terras e construíram prole (AZEVEDO, 1988, p. 17).

Antônio de Azevêdo Maia Júnior, filho de Antônio de Azevêdo Maia e Josefa Maria Valcácer de Almeida Azevêdo, casou-se por volta de 1767, com Micaela Dantas Pereira. Na década de 1760 e 1770, adquiriu através de compra ao Sargento-Mor Alexandre Nunes Maltez, de Igarassu, Pernambuco, a fazenda “Conceição”, que nomeou de fazenda “Conceição do Azevedo” (AZEVEDO, 1988, p. 20).

Como a Fazenda “Conceição do Azevêdo” ficava entre dois rios (atualmente rio Seridó e rio Cobra), a localização era propícia para a plantação e criação de gado, com isso, podemos notar que aquele era um lugar favorável para se morar. Sendo assim, foi na fazenda Conceição do Azevêdo, que Antônio de Azevêdo Maia Júnior constituiu numerosa família, e os que por ali passaram foram se alojando às redondezas da numerosa terra, com isso aumentando a população da região.

2.2- Da capela ao cemitério- local de enterramento

Como já vimos no capítulo anterior, com o povoamento dos municípios pelos portugueses, houve também a proliferação da religião católica pela América portuguesa. Com isso, deram-se início à construção de capelas, que serviam para suas orações e para o enterramento da população. Em Jardim do Seridó, a construção da primeira capela se deu pelo “fundador” da referida cidade, Antônio de Azevedo Maia Júnior.

É notória a importância da religião cristã, que faz parte da construção do imaginário “brasileiro” desde o período da colonização, e o que ajudou foi a visão que os lideres católicos tinham da América portuguesa desde que chegaram. Com a chegada dos colonizadores europeus para ocuparem suas terras, logo construíram capelas, com seu altar e santos, símbolo da religião católica, que também serviam de lugar abençoado para sepultamento. Santos fala a respeito de como era o imaginário das pessoas sobre o lugar de sepultamento, e como se dava essa escolha de sepultamentos em igreja pelos seridoenses:

Essa forma de inumação não foi propagada pela igreja necessariamente como recurso de salvação. Porém a proximidade entre mortos e vivos era conduzida com base na visão acerca do purgatório, esfera onde as almas ficariam esperando o julgamento final, rogando por orações e missas para o alívio de suas faltas. Essa intervenção espiritual, necessária para o progresso da purificação dos pecados e a ascensão ao céu, seria dada pelos vivos. Estar sepultado dentro de uma igreja era não desvincular-se do mundo dos vivos. É importante lembrar aqui que a crença no purgatório está intimamente ligada à convicção e ao desejo da imortalidade- não só à vontade de possuir a vida eterna, mas, sobretudo, à de escapar do inferno e receber as graças divinas, a ressurreição (2011, p. 95).

As construções dessas capelas tiveram início do intuito de alcançar graças sagradas. Na Fazenda Conceição do Azevedo, ocorreu o mesmo. A construção da capela da Fazenda Conceição do Azevedo teve seu início com a doação de parte das terras da dita fazenda, por volta de 1790. Uma provisão enviada a mando de Antônio de Azevedo Maia Júnior, diz “visto ter uma obra tão pia do serviço de Deos, e bem das almas” (AZEVEDO, 1988, p. 28). Com isso podemos ressaltar a importância que davam para a construção de um lugar sagrado em uma região. Essa importância da capela é tamanha que desde o surgimento de pequenas casas, em uma determinada região, há uma pequena capela. No período da colonização, essas tradições foram sendo implantadas pelos colonizadores, que, ao se fixarem em um lugar, logo construíam uma capela, para orações e sepultamentos. Essas tradições européias foram herdadas do período medieval. Schmitt nos fala que

Representamos por círculos concêntricos, como o vemos ainda em tantas aldeias europeias, no centro a igreja paroquial, depois, apertadas ao redor dela, as sepulturas do cemitério (mas, na época de que falo, as sepulturas são indiferenciadas e a terra consagrada do cemitério é assinalada, quando muito, apenas por uma cruz para todos os mortos) (1999, p. 204).

Pela importância que se dava à capela por ser um espaço sagrado, esta representava um bom lugar para o descanso derradeiro, por isso todos almejavam ser na capela sepultados.

Sendo assim, após a construção da capela14, Antônio de Azevedo Maia Júnior logo enviou o pedido de sepultamento, na qual tinha por escrito:

Diz Antônio de Azevedo Maia, homem branco, cazado, morador no Sertão do Seridó, que em sua fazenda denominada da Conceição; edificara huma Capella em honra da Senhora com o título da Conceição, para isto doou seiscentas braças de terra em quadra, em valor de duzentos mil réis; além de todo o benefício e o necessário para o culto divino. O suplicante pede verdadeiramente para si, sua mulher e filhos uma sepultura perpetua no lugar da Capela maior da parte do Evangelho, abaixo dos degraus do Altar, aqual seja conservada sem contradições de pessoa alguma; e para que na conformidade do § 855 do Capítulo 56 das constituições deste Bispado, que ninguém pode dar direito de sepultura, perpetua, nem se pode permitir a mesma sepultura na Capela maior sem licença ordinária (AZEVEDO, 1988, p. 29).

De acordo com o texto acima, podemos notar a importância que davam à Religião Católica, assim como se importavam com um bom lugar de sepultamento. Apesar de o testamento ter perdido seu significado religioso, na Europa, desde o início do século XVIII

14 Azevedo nos diz que se deu início a construção da referida capela em 1790 e foi concluída em 1805 (1988, p.

(ARIÈS, 1989, p. 117), na América portuguesa as pessoas ainda se importavam em deixar por escrito o lugar de sua morte. O pedido do sepultamento de Antônio de Azevedo Maia Júnior foi redigido treze anos antes de sua morte, ou seja, em 14 de março de 1809, e o mesmo chegou a falecer no primeiro dia do mês de maio do ano de 1822. Sendo assim, como era de costume, as pessoas ainda deixavam por escrito seus desejos de sepultamento, ainda se possível, dentro da igreja, porque assim estavam mais próximos dos santos e, consequentemente, mais cuidados.

Atualmente, temos o costume de falar que todos nós seguimos o mesmo destino final, ou seja, o cemitério. Falamos isso com o intuito de mostrar que somos iguais, por isso devemos ser humildes. No entanto, vale ressaltar que até no cemitério há hierarquia. Isso pode ser notado pela diferença entre as sepulturas. Até o século XIX, onde as pessoas eram enterradas nas igrejas, também havia essa divisão social, como já citamos no capítulo anterior. Existia a separação do solo da igreja, e o lugar onde as pessoas eram enterradas dizia muito sobre a classe social. Reis diz que “ser enterrado próximo aos altares era um privilégio e uma segurança mais para a alma, atitude relacionada à prática medieval de valorizar a sepultura próxima aos túmulos de santos e mártires de cristandade” (1991, p. 176). Com isso, notamos a importância do local de sepultamento e o que ele diz sobre uma pessoa. Alcineia Rodrigues dos Santos nos fala sobre essa geografia dos templos e os lugares mais importantes de sepultamento nas igrejas

Os templos eram ocupados em toda a sua geografia: no corpo, das grades acima e abaixo, no cruzeiro, no altar-mor, do arco para dentro, na porta principal e nas adjacências. Contudo, a ordem de importância variava das covas no adro, de menor prestígio, àquelas próximas do altar-mor, onde se acomodavam os mortos melhor situados na vida (SANTOS, 2011, p. 97).

Essas crenças a respeito das formas de enterramento também faziam parte do imaginário jardinense. E o “fundador” de Jardim do Seridó foi um dos primeiro a adotar esses costumes. Assim deixou escrito José dos Santos Pinheiro, escrivão da Câmara Episcopal, para José B. da Fonseca Galvão (Arcediago)15 sobre o lugar de enterramento do “fundador”

ANTÔNIO DE AZEVEDO MAIA, constituindo-se por isso seu primeiro Benfeitor; havendo por bem de conceder-lhe faculdade para na dita capela possa eleger uma sepultura que perpetua, aexcepção da Capela-Mór, para si, sua mulher, e filhos, a qual será privada para os referidos somente, e que merecem esta graça, falecendo fieis (AZEVEDO, 1988, p. 30).

Como podemos notar, na carta, deixa bem claro que a capela-mor será reservada para o fazendeiro, criador da capela, sua esposa e filhos pelo seu maior poder social. No entanto, posteriormente a essa parte do livro, o escritor Azevedo nos diz que “muitas outras pessoas estão sepultadas também na nave central da Matriz, onde ficava o cemitério antigo” (AZEVEDO, 1988, p. 30). Entretanto, o mesmo autor não faz referência às pessoas que foram enterradas no local citado, nem se havia uma divisão social. Santos diz que a capela de Jardim do Seridó serviu de lugar para sepultamentos até a segunda metade do século XIX e também faz uma análise sobre o número de escravos sepultados no Seridó. A autora nos mostra que, com base em análises dos livros de óbito da Freguesia de Sant’Ana do Seridó, perfazendo 5.943 registros, do lugar de sepultura de escravos no Seridó, no período de 1788 a 1857. Dentre estes, 470 eram escravos, 33 forros e 42 libertos; onde 10,84% de 48 registros de inumação de escravos, foram enterrados na Capela da Conceição de Jardim do Seridó; de escravos libertos, a capela recebeu para sepultamento apenas um (2011, p. 100-103).

Com vimos no capítulo anterior, com o discurso sanitarista, meados do século XVIII e início do século XIX, os lugares de enterramento começam a ser passados para cemitérios, pela proliferação de gases que contaminavam o ar e produziam doenças. O solo sagrado, tido como a igreja, propício para enterramento passou a ser super povoado, o que gerou muitos contratempos a respeito de doenças e contaminações. Esse solo sagrado teve que ser mudado para outro lugar que agora não era mais perto de um altar, mas sim sendo até um pouco distante do centro da cidade/povoado.

Em Jardim do Seridó, o lugar propício para o enterramento e suas práticas fúnebres agora passara a ser o cemitério, construído por volta do século XIX. O intuito dessa construção para o lugar de morte era o mesmo dos outros cemitérios: uma busca para a melhoria de higiene do local, uma vez que as capelas eram pequenas e estavam ficando cheias de corpos. Segundo Santos,

Um dos principais alvos das críticas dos membros da saúde era o enterramento no interior dos templos cristãos católicos. Nesse sentido, o corpo em defunção torna-se motivo de interdição. A criação de cemitérios extra-muros das cidades entra na ordem do dia. E, a Província do Rio Grande do Norte, como outras Províncias brasileiras, também vive as mudanças em curso (2008, p. 2).

O cemitério público teve sua construção iniciada em 6 de outubro de 1856 e terminada no ano seguinte, sob a administração do Município. O cemitério foi construído com o auxílio de pessoas da comunidade e sob supervisionamento do mestre de obras Caetano Dantas de

Azevedo, filho de Antônio de Azevedo Maia (2º) e Micaela Dantas de Araújo (AZEVEDO, 1988, p. 148).

No livro de Azevedo (1988), nossa principal fonte sobre a história de Jardim do Seridó, não constam os motivos que levaram a construção do cemitério. No entanto, pesquisando sobre esse assunto na tese de doutorado de Alcineia Rodrigues dos Santos (2011), que também inclui uma discussão sobre a construção dos cemitérios do Seridó, a mesma diz que estes foram construídos em meio a um surto de cólera na região e foram, basicamente, espaços para enterramento que antecederam os atuais cemitérios (SANTOS, 2011, p. 156). Nesses cemitérios, as covas eram identificadas com uma cruz.

Cemitérios são locais marcados com cruzes que demonstram sepultamento de cristãos. Esses lugares também surgiram por improviso de espaços nas quais abrigavam mortos em circunstâncias semelhantes àqueles que tiveram mortes trágicas ou que morreram de acidentes. Os cemitérios e suas cruzes fazem parte da Religião Cristã, mostrando que o lugar de sepultamento diz muito sobre a pessoa, assim como suas crenças e cultura. Partindo disso, podemos entender o porquê de a igreja ser inteiramente ligada a esse ambiente. Em Jardim do Seridó, o cemitério foi construído em terreno, doado à Paróquia, pelo casal Antônio de Azevedo Maia, o terceiro, conhecido por “Antônio Padre”, e sua esposa Úrsula Leite de Oliveira, conforme Escritura Pública. A Bênção foi realizada no dia 12 de março de 1858 pelo Primeiro Vigário de Jardim do Seridó, Padre Francisco Justino Pereira de Brito. Com ele estavam presentes seis sacerdotes. Sobre a benção solene do cemitério,

Escreveu no Livro de Tombo no 01 da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, às folhas 05 verso. “O Cemitério desta Povoação foi construído às esperanças do Povo da Freguesia, pelo qual promovi saubscrição para este fim e pertence à Fábrica da Matriz, por ter sido a mente dos subscritores. Foi ele bento por mim aos 12 de março do presente ano com a assistência de seis sacerdotes e de inúmero povo. Do que para constar faço esta Nota, em que assino. Conceição do Azevedo, 15 de abril de 1858. O Vigário Visitador Francisco Justino Pereira de Brito16”.

Vale ressaltar que essa passagem do enterramento em igreja para cemitérios fez com que mudassem alguns costumes mortuários, como o lugar de sepultamento, as formas de enterramento, assim como as visitas. Com isso, as pessoas continuavam a desejar serem enterrados em igrejas, no entanto, esses costumes foram sendo mudados lentamente. Por isso podemos notar que esse local de enterramento foi sendo ocupado aos poucos, até passar por

16MORAIS, Sebastião Arnóbio. Histórico do Cemitério Público. Jardim do Seridó me faz crescer, 2008.

Disponível em: http://jardimdoseridomefazcrescer.blogspot.com.br/2008/03/histrico-do-cemitrio-pblico.html. Acesso em: 17 set. 2014, 19:50.

duas transformações que fizeram com o que o mesmo aumentasse de tamanho. Essa reforma cemiterial foi, primeiramente, durante o mandato do prefeito Joaquim Alves da Silva (1958- 1963) e, posteriormente, sendo estendida a parte mais baixa do cemitério, no mandato da prefeita Maria José Lira Medeiros. Segundo a placa que se encontra ao lado da nova entrada do cemitério, a benção litúrgica deste se deu em 02-11-1990.

2.3- A morte não é uma festa- tradição mortuária de Jardim do Seridó

Por darmos importância à memória transmitida oralmente, reservamos essa parte do capítulo para falar sobre as tradições mortuárias de Jardim do Seridó com base em uma entrevista concedida por Sebastião Arnóbio de Morais17. Cruzaremos seus relatos com informações contidas em nossas referências utilizadas até o momento.

Sobre a história do cemitério de Jardim do Seridó, Arnóbio Morais18 nos conta que as pessoas eram enterradas na Capela Conceição. Antes essas pessoas eram enterradas nas capelas por motivos religiosos. Da mesma forma que havia o batismo, onde deveria ser feito na pia batismal, localizada na entrada da igreja, havia o sepultamento que precisaria ser feito nas capelas o mais próximo possível do altar. O mesmo também nos conta que a construção do cemitério se teve por motivos de higiene e leis que proibiam esse enterramento nas capelas, uma vez que havia a crise de cólera na região e os corpos não poderiam ficar próximos dos vivos para que não houvesse o contado entre eles. Em Jardim do Seridó, os coléricos eram enterrados no mato, justamente para que não houvesse esse contato entre mortos e vivos. Segundo Morais,

Essas pessoas eram sepultadas no mato, fora da cidade. Tinha o cemitério dos coléricos, bexiga, era outro que a pessoa não trazia para a igreja para não no povo, a doença. (...) Então, aqui em Jardim do Seridó, naquele local onde está o cemitério, já tinham sido sepultadas algumas pessoas vítimas do cólera. O cólera atacou mais no Seridó em 1856- 1860. Então, justamente, ali já tinham sepultado algumas pessoas do cólera, vítimas de 1856, do cólera (setembro de 2014).

17 Sebastião Arnóbio de Morais é muito conhecido por ter informações da cidade. Secretário da Paróquia de

Jardim do Seridó, o mesmo conhece muito bem a cultura jardinense e suas práticas religiosas, por ser encarregado, desde muito novo, dos assuntos da Paróquia referentes à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Sagrado Coração de Jesus , Capela de São José Operário e Capela de São Vicente de Paula. Sebastião é muito conhecido como o historiador de Jardim do Seridó.

18 MORAIS, Sebastião Arnóbio. 65 anos, BENZA ÓH DEUS: O IMAGINÁRIO JARDINENSE A RESPEITO

DA MORTE E SEUS RITUAIS FÚNEBRES: depoiment. Universidade Federal do Rio Grande do Norte- Campus Caicó: Monografia. Entrevista concedida a Luana Barros de Azevedo.

Apesar de ter sido construído por questões de higiene e ordens governamentais que ditavam leis, o cemitério ainda teve sua questão religiosa na qual fez com que este fosse construído com sua frente voltada para a Capela da Conceição.

Os cemitérios são lugares de memória, cultura, religião e história. Neles podemos ver: a história de um povo e suas representações mortuárias que estão presentes nas covas, com fotografias, rosas, mensagens e flores. Além de conter a paz serena do sono da morte, e quem ali descansa, a sepultura e suas lápides podem conter muitas informações sobre uma pessoa ou sua família. As covas estão inteiramente ligadas a um povo, porque estas representam o jacente. Os túmulos suntuosos, por exemplo, podem representar os bens matérias e as condições financeiras que uma família possuía. Podemos ver essa preocupação como herança de antigas civilizações, porque, Morin nos diz que “numerosas são as civilizações em que as casas dos mortos são mais suntuosas do que as casas dos vivos” (1970, p. 29). Esses túmulos são uma amostra do quanto aquela pessoa era importante, ou seja, uma forma que representa sentimento e condições. Para Andrade Júnior, “a obra tumular passou a ser uma necessidade

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