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4.2 Ressources disponibles

4.2.2 Capacités financières

Os participantes revelam que as conceções de colaborar se aproximam de partilhar, trabalhar em equipa ou ajudar o Outro, emergindo no discurso dos enfermeiros um reportório partilha- do em torno de colegas ou equipa. Estudos no âmbito da Enfermagem encontraram conceitos semelhantes (Costa, 1998).

Observamos que na prática de cuidados emergem momentos colaborativos de eleição, especi- ficamente as passagens de turno, as reuniões e a formação em serviço, enquanto espaços pro- motores da partilha de saberes e experiências, bem como do debate e reflexão colegiais. Estas conceções parecem aproximar-se da perspetiva de colaboração em Enfermagem proposta por Hanson e Spross (2009). Nestes momentos colaborativos o clima relacional foi, essen- cialmente, positivo e de abertura ao Outro. Consideramos que este clima relacional se apro- xima da “(…) atmosfera afectivo-relacional e cultural positiva (…)” de que nos fala Alarcão e

Tavares (2003, p. 61), promotora da horizontalidade relacional, essencial no âmbito da supervisão colaborativa em contexto profissional. Todavia, apuramos que estes momentos colaborativos vo- cacionam-se, fundamentalmente, para a resolução de problemas emergenciais, pelo que tendem a escassear as ocasiões de diálogo crítico-reflexivo ou o confronto de ideias. Assim, pensamos que estas práticas de colaboração remetem para a colegialidade artificial e congenialidade (Hargreaves, 1998), tornando-se limitativas ao longo do tempo. Para além disto, ao se restringirem à equipa de Enfermagem, remetem para o conceito de cultura balcanizada preconizada por Hargreaves (1998), pois tendem a fechar-se à reflexão multiprofissional.

Quando inquiridos quanto aos contributos da colaboração, os enfermeiros evidenciam: i) o refor- ço do espírito de equipa; ii) a expansão dos conhecimentos; iii) a reformulação das práticas; iv) a melhoria dos cuidados prestados. Em analogia, vários estudos concluem que a colaboração poten- cia a construção coletiva do conhecimento e a renovação profissional (Hargreaves, 1998; Alarcão & Tavares, 2003; Hanson & Spross, 2009; Alarcão & Roldão, 2010; entre outros). No entanto, ana- lisamos que este trabalho colaborativo tende a ser vivenciado de modo espontâneo e informal na prática de cuidados, enquanto oportunidades naturais e oportunas de aprendizagem ao longo da

vida.

Apesar de a supervisão merecer um interesse cada vez mais efetivo por parte das instituições de saúde (Abreu, 2007), continua a transparecer como uma palavra ainda longe do léxico dos enfer- meiros da prática. Em nosso entender, para tal contribui não só as conceções de supervisionar, que se aproximam de inspecionar ou controlar, o que remete para uma visão verticalizada do pro- cesso supervisivo, como a ausência da figura do supervisor em contexto da prática de cuidados. No entanto, alguns enfermeiros reconhecem a orientação no processo supervisivo e associam o supervisor clínico à enfermeira-chefe e aos pares.

Para que o processo de supervisão promova a reflexão sobre a prática, torna-se fundamental que se implemente uma diversidade de estratégias supervisivas. Neste contexto, os enfermeiros sa- lientam o questionamento, a observação, a reflexão, o feedback e a adequação ao nível de desen- volvimento. O que pensamos configurar-se num estilo supervisivo do tipo não standard e num

cenário integrador (Sá-Chaves, 2009).

Quando inquiridos sobre um bom supervisor, os enfermeiros salientam uma diversidade de ca- raterísticas consideradas como essenciais, entre as quais evidenciamos: conhecimentos atualiza- dos, competências relacionais, promoção da autonomia, referencial nos cuidados e parceiro nos cuidados. Assim, consideramos que existe um paralelismo entre a imagem que os entrevistados possuem de um bom enfermeiro supervisor e as caraterísticas destacadas por Alarcão e Tavares (2003), no âmbito dos supervisores de comunidades aprendentes.

Verificamos que um elevado número de participantes possuem formação em supervisão. No en- tanto, quando entrevistados quanto às motivações pessoais e aos contributos, constatamos que a formação em supervisão adquiriu um caráter de obrigatoriedade para a formação de enfermeiros tutores no âmbito dos ensinos clínicos, pelo que tendem a atribuir-lhe um valor secundário no seu processo formativo.

No que se refere ao impacto da supervisão, verificamos que emergem apenas contributos positi- vos, nomeadamente: gestão de sentimentos, qualidade dos cuidados e desenvolvimento contínuo do supervisor e do supervisionado. Deste modo, pensamos que a supervisão adquire uma dimen- são coformativa e desenvolvimentalista (Alarcão & Roldão, 2010; Macedo, 2012; entre outros).

Os enfermeiros parecem percecionar a supervisão colaborativa como um “(...) ideal a ser atingido” (entrevista – enfermeiro D). Em nosso entender, esta perspetiva pode dever-se não só às dificul- dades em construírem uma verdadeira cultura colaborativa, como também à desvalorização da informalidade do trabalho colaborativo na prática de cuidados. Contudo, alguns participantes pensam que a supervisão colaborativa é viável. Neste contexto, um dos enfermeiros menciona “(…) eu acredito que isto funcione” (entrevista – enfermeiro E). Quanto aos papéis a assumir, exis- tem enfermeiros que assumem que poderiam ser supervisores, outros supervisionados e outros consideram possível, dependendo do momento e da problemática em reflexão, a rotatividade de papéis. O que para nós constitui uma das condições essenciais à implementação da supervisão colaborativa na prática de cuidados.

Considerações finais

Concluímos que a colaboração e a supervisão constituem conceitos que estão intimamente relacionados com o desenvolvimento profissional dos enfermeiros. Apesar de tenderem a emergir de modo espontâneo e informal na prática de cuidados, comprometendo o seu cará- ter formativo e desenvolvimentalista, pensamos que potenciam processos de auto e hetero- formação, essenciais a equipas de Enfermagem aprendentes e Instituições de Saúde qualifi- cantes.

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