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Les caoutchoucs synthetiques sont divers. II y a notamment le SHI (caoutchouc

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64. Les caoutchoucs synthetiques sont divers. II y a notamment le SHI (caoutchouc

-I-

A cadeia de Borborema, ao entrar no Rio Grande do Norte, faz nas suas fraldas ocidentais - um grande círculo interessante. Da envergadura possante das serras que azulam ao longo em grandes curvas, descem o Sabugi, o Barra-Nova, os rios do Seridó e D’Acanan, os rios do Quimporó, do Meio e da Vaca- Brava. Estes rios vão se engrossando com as águas de inúmeros riachos e terminam se reunindo uns aos outros.

Na cidade do Caicó, a caudal já é bastante volumosa, e, poucas léguas abaixo desta cidade, pela junção total daquelas vertentes, o Rio do Seridó ao passar em frente da povoação de S. Fernando é, agora, o escoadouro das águas torrenciais que se precipitam das serras longínquas, ou são captadas na área central, baixa, circulada pela linha das serras.

Existe, hoje, um certo número de cidades, vilas e povoa- ções demarcando os limites desta área circular: Currais Novos, Acari, Parelhas, Periquito, Espírito Santo, S. João, Serra Negra, Jardim de Piranhas, S. Fernando, S. Miguel de Jucurutu, Flores e Luíza. A altitude variável da planície central vai de 150 a 300 metros em algum ponto mais elevado.

A Borborema alteia-se, ali, bem próxima, nas divisas do Rio Grande do Norte com a Paraíba a 550 metros e ao norte de Currais Novos e ao sul do município de Jardim do Seridó eleva-se as alturas majestosas e dominadoras.

Por isso, subindo ao topo da serra de Santana ao norte da zona referida, atingindo o cume da serra do Doutor a leste na estrada que vem de Natal, ou galgando os visos da Borborema ao sul, na estrada de Campina Grande, ao descor- tinar em baixo aquela grande área central, o observador tem a impressão de que se elevou aos últimos andares de um vasto e formosíssimo anfiteatro.

A arena em baixo se afigura plana. É uma perspectiva encantadora. A vista dilata-se à vontade na planície alvacenta dos sertões. É o Seridó, o vale do Seridó, o sertão, a zona do Seridó como diversamente se apelida.

Aquilo que do alto das serras se afigurava uma bela planí- cie apresenta-se, porém, agora nitidamente nos seus aspectos reais – um solo torturado, profundamente revolto. A impressão mais geral é de uma sucessão ininterrupta de baixas colinas pedregosas. Destacam-se a vagar, à vista do observador menos atento – os tabuleiros pedregosos ondulados, o álveo dos rios cheios de areia, as estreitas faixas aluvianas ribeirinhas.

O tabuleiro é áspero, rijo, desconversável.

Afloram neste, de vez em quando, por entre a camada de terra pouco espessa, uma quantidade pasmosa de pequenos blocos fragmentados irregularmente que cobrem quase a superfície.

A terra existe, realmente sob a forma de um ligeiro e mais ou menos delgado capeamento de argila, porque o âmago dos tabuleiros seridoenses é uma rocha só, dura e terrível. Esta rocha que forma o vasto leito de granito sobre que assenta o delgado solo seridoense, apresenta-se a maior ou menor profundidade.

Chega mesmo a aflorar seguidamente, a pequenos espa- ços, em toda a extensão dos pedregosos tabuleiros.

Encontra-se a todas as profundidades, isto é, a um, dois, cinco, dez, palmos e até a maior fundura. Vai daí a maior ou

menor espessura do capeamento argiloso. O valor, a grossura deste se pode ajuizar pela natureza da vegetação, que em geral é muito raquítica. Nos solos que pequena profundidade nascem os pereiros e as juremas enfezadas, alguns arbustos, o panas- co que é uma preciosa gramínea, o xique-xique, o cardeiro, o mandacaru, à palmatória, algumas ervas.

Há, porém, planícies estreitas, enfaixadas nos tabulei- ros pedregosos, batizadas com a designação de caatingas, onde a grande base granítica parece ter descido bastante. É natural que ali a camada de terra seja mais compacta, mais abundante. Também ali é permitida uma vegetação de árvores de maior porte. Os grandes tabuleiros vêm, porém, afrontar as várzeas ou baixios que são as estreitas faixas aluvianas, ribeirinhas. Nestes baixios e no álveo dos rios torrenciais da região está ainda, mais patente a existência do grande lençol de rocha central. Atravessando o leito dos rios de um lado a outro, não raro é possível observar a grande lágea exposta aos céus escaldantes e às águas.

Estas lágeas, que formam verdadeiras barragens submer- sas, repetem-se umas sobre as outras em todos os rios da região, auxiliando ou concorrendo, preponderantemente, para estabi- lidade das pequenas aluviões ribeirinhas.

Às vezes, elas tomam a forma de intrusões mais volumo- sas e determinam pequenas quedas.

Sempre e por toda parte a grande rocha.

Apenas ela se acha, agora nos baixios, coberta por aquela fertilíssima camada de terra aluviana, como no leito dos rios está sob a grossa camada de areia. A espessura desta camada de terra sedimentada nas várzeas e do lastro de areia no leito dos rios varia consideravelmente. Poderá atingir quatro, cinco, seis e até mais metros de profundidade.

Parece, porém, que esta rocha a que venho aludindo e que forma a própria entranha da terra, é de uma decomposição relati- vamente fácil. Apresenta-se, às vezes, mole, como que apodrecida nos seus afloramentos no tabuleiro. É então, perfurável em um, dois, três ou pouco mais palmos, porque está úmida e em começo de decomposição. É duríssima e impenetrável quando ainda está seca a uma maior profundidade. Compreende-se, agora que a longa permanência do suprimento na areia dos rios concorresse para infiltrar as águas, durante séculos, na rocha que, por isso, permite, hoje, nos leitos dos rios mais secos por ocasião das crises repetidas, a perfuração de cacimbas com muitos palmos em uma pedra mole. JARDIM DO SERIDÓ, 10 – 6 – 1916

ALGODÃO SERIDOENSE

Algumas considerações sobre a

terra e clima do Seridó

- II -

Observando ainda as intrusões rochosas dos leitos dos rios, verifico que por isso mesmo que a estabilidade das terras das várzeas está em grande parte subordinada ao nível protetor das grandes barragens submersas, os taludes dos rios são quase nulos.

Os barrancos terão, na maioria dos rios, um metro ou pouco menos, chegando a ser quase nulos em certos pontos baixos.

Decorre daí que as enxurradas médias lavam, banham todo terreno agrícola dos baixios.

Não é somente isto.

Quando as águas precipitando-se das serras ganham os descampados dos tabuleiros centrais, rolando ainda celere- mente com o declive médio de um e meio a dois metros por quilômetro, o suprimento das águas subterrâneas vai ficando, abundante, mercê das barragens naturais que sob a forma de lágeas nos leitos dos rios, se estadeiam a cada passo, uma sobre as outras, mantendo a flor da areia do rio, durante quase todo o verão, o nível providencial das águas. A grande rocha central impede a infiltração; estas barragens naturais impedem o escoamento subterrâneo das águas pelo plano das areias dos rios.

Resulta daí que a água assim presa é absorvida pelos terrenos porosos dos baixios, onde ela procura estabelecer o mesmo nível subterrânea que tem na areia dos rios.

Tiro daqui a explicação da umidade perene do álveo dos rios seridoenses, e a razão da frescura das várzeas em que o algodão Mocó é, realmente, um bem de raiz.

A crosta das várzeas pode ficar seca, o nível das águas subterrâneas pode ter descido consideravelmente. O algodoeiro mocó protegido por sistema radicular poderosíssimo, vai buscar a grandes profundidades a água de que necessita.

Tenho visto, no alto sertão do Estado, as cacimbas atingi- rem 40, 45, e até 50 palmos de profundidade em alguns baixios cabo de um ano completamente seco.

Esta queda opera-se, ali, rapidamente, em 12, 14 ou mesmo 18 meses porque os riachos não correram durante este tempo e a água fugiu aos pulos para as entranhas do solo profundo.

Aqui, porém, debaixo das máximas estiadas o nível das águas vai descendo vagarosamente; as cacimbas muito rasas têm um aspecto permanente.

Esta descida das águas é tão lenta no Seridó que em alguns rios, como no da Carnaúba no município de Acari, mesmo sem que haja a menor enxurrada, sem que desça qual- quer água durante três e quatro anos, prosperam, ainda assim, magníficas vazantes, cujas covas são feitas a 5, 6, 8 palmos de fundura e talvez a uma profundidade pouco maior.

Compreende-se que o algodoeiro tenha grande resis- tência aqui.

A razão é óbvia, além do algodão Mocó ser naturalmente, intrinsecamente resistente, dando-se bem no próprio tabulei- ro seco, a lenta descida do suprimento do subsolo nos baixios permite a raiz procurar oportunamente a umidade, fornecen- do-lhe mais tempo para acompanhar o recuo das águas nas secas prolongadas. É possível que naqueles lugares do alto sertão em que depois de uma seca as águas descem a profundi- dade aludida, as raízes do algodoeiro viessem a ficar comple- tamente no seco. Isto não implica a não adaptação do Mocó em todo sertão do Estado onde é possível alargar bastante a zona de produção do precioso algodão.

Considero, apenas, que esta maior frescura das várzeas aqui e uma primeira e a mais importante vantagem própria do solo seridoense.

É preciso, porém, acrescentar que esta umidade das terras agrícolas no Seridó, ligando-se preponderantemente a disposição própria das rochas subterrâneas que retêm as águas, tem de certo, algumas outras causas. Uma umidade maior é, em parte, causada pela natureza salitrosa das terras.

Desde as altas escarpas ocidentais da Borborema, de onde se precipitam os rios do Seridó, até o pleno sertão de colinas pedregosas, tem se verificado a presença de sais abun- dantes nas águas subterrâneas dos rios, depois dos dois ou três últimos meses do inverno.

Na fralda da Borborema existem cacimbas nos leitos dos rios, cujas águas nos meses de novembro e dezembro tornam-se absolutamente impotáveis.

Há mesmo ali, algumas fontes, onde água é rejeitada pelo próprio gado sedento.

No sertão seridoense, o povo faz a distinção entre rios doces e rios salgados. Existem, na verdade rios e riachos em que os próprios açudes neles construídos terminam salgados. Sucede isto, precisamente, porque o açude, que salga, não tem as águas renovadas anualmente e os minerais em dissolução na água à proporção que esta vai se evaporando, manifestam-se claramente. Os próprios rios doces no fim do verão têm suas águas mais ou menos carregadas de minerais estranhos a boa água potável. Estas águas são então, apenas toleráveis, porque tornando-se, geralmente, bastante pesadas - quando não têm um leve travo, são demasiadamente insípidas.

Parece que, através de suas correntes subterrâneas, as águas se vão deixando saturar daqueles sais.

Um fato está claramente constatado: grande parte das várzeas ou baixios seridoenses é afetado em maior ou menor escala, pela ação destas águas excessivamente mineralizadas. São agora os próprios terrenos que salgam. Nos tabuleiros, na linha de união destes com os baixios, no centro destes, nos talu- des dos rios e riachos não raro, é possível observar, até uma crosta alva e delgada de sal que se forma.

Estes são os lugares em que o excesso de sal no terreno apesar de sempre lavando – não permite, ainda, outra vegetação além da que lhe é peculiar.

O algodoeiro Mocó comporta-se, porém, admiravelmen- te bem neste solo salitroso. Toda dificuldade em tais terrenos consiste no enraizar a planta. A água abundante de uma grande chuva lava aquele selo, dissolvendo e arrastando uma maior parte dos sais existentes cristalizados na superfície. Faz a plan- tação de semente do algodão em covas largas e fundas em que a terra é convenientemente afrouxada, e quando as primeiras folhinhas brotam – o agricultor seridoense mais experimentado vai buscar um pouco de areia despida de sal no leito do rio ou mesmo um pouco de capim seco no tabuleiro e rodeia a tenra haste. Este processo evita o contato das primeiras folhas do algodoeiro com a crosta salgada da terra, que atuaria como um cáustico. Enfim, o algodoeiro consegue crescer.

Torna-se uma árvore muito produtora e de boa lã. Permanece sempre verde, enfolhada, produzindo sempre, pois a raiz está num terreno continuamente úmido, por isso mesmo que o salitre tem a virtude de conservar a umidade.

Eis porque o agricultor costuma dizer que o “algodão Mocó gosta do salitre”.

Jamais direi que as terras agrícolas do Seridó sejam todas no mesmo grau impregnadas destes sais aludidos. A agricultu- ra seria penosíssima ou quase impossível. Todas elas, porém, são de natureza salitrosa e· parece que por isto são também impróprias para a cultura de certos cereais de evolução vege- tativa muito delicada, como se afiguram ser as variedades da leguminosa geralmente apelidada de feijão arrancar que, se consegue nascer, cresta dentro em pouco tempo as folhas, se é plantado nas terras anualmente lavadas das vazantes nos

açudes. Prestam-se ditas terras, muito bem ao contrário, para todas culturas das zonas próximas ao mar, especialmente para o coqueiro e melões que têm aqui sabor particular.

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