2.2.2.1 A Web of Science (WoS)
Por mais que existam diversas bases de dados no nível internacional e nacional, as mais utilizadas na elaboração de indicadores de produção científica são as da Web of Science (Science Citation Index Expanded - SCIE, Social Science Citation Index - SSCI, e Arts & Humanities Citation Index - A&HCI), criadas pelo Institute for Scientific Information (ISI) e atualmente da Clarivate Systems. Esse conjunto multidisciplinar de
bases de dados de periódicos e artigos científicos compila uma parcela significativa da publicação mundial em diferentes áreas do conhecimento e, também, as citações e o endereço institucional de todos os coautores da publicação. Contudo, a base é privada e requer pagamento para acesso às informações e não permite feedback para registro de erros e correções causando uma situação de fragilidade e qualidade dos dados. Críticas quanto à análises de citações dessa base de dados remetem a um referenciamento ruim, problemas de linguagem, auto-identificação de autores, confusão com nomes de autores estrangeiros, etc. Outros problemas se referem a cobertura insuficiente na base de dados de literatura sobre campos (ex. ciências sociais, artes e humanidades, engenharias), homônimos de autores não tratados e nomes de organizações incompletos e não padronizados (GLÄSER; LAUDEL, 2007; FARIA et. al.. 2010).
Outra base com abrangência mundial e que permite análise de citações é a base Scopus da Editora Elsevier. Demais bases especializadas, apesar de possuírem limitações quanto a informações de citações e vinculação institucional dos coautores, podem ser consultadas de acordo com o objetivo dos indicadores a serem elaborados. A base de dados brasileira Scientific Eletronic Library On-line (SciELO), desenvolvida a partir de uma cooperação entre a FAPESP, CNPq e o Centro Latino-Americano e do Caribe em Informação em Ciências da Saúde (Bireme) é um importante instrumento para se analisar a ciência brasileira, assim como a Plataforma Lattes, o Banco de Teses da Capes e a Base Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) do IBICT (OKUBO, 1997; VELHO, 2008; FARIA et. al.. 2010).
Cada base de dados tem seus próprio propósito e critérios. A escolha da base para analisar a produção científica deve levar em conta que, dependendo da assunto, área do conhecimento, idioma e cobertura, a quantidade e diversidade de artigos e revistas é diferente, e o processamento dos dados também depende de ferramentas tecnológicas diferenciadas (OKUBO, 1997). Por exemplo, artigos publicados em periódicos científicos e publicações em inglês não são o principal veículo de publicação para algumas áreas do conhecimento e especialidades, sendo importante conhecer as práticas de publicação que se pretende analisar antes da escolha da base (VELHO, 2008). Por não ser padronizada e variar de acordo com a base, a classificação da área do conhecimento também é complexa e representa um desafio na elaboração de indicadores. No Brasil, o CNPq possui um sistema de classificação próprio utilizado na Plataforma Lattes, nos editais de fomento às atividades de pesquisa e desenvolvimento, e na elaboração de seus indicadores. Esse
sistema difere do utilizado pela Capes em todo o Sistema Nacional de Pós-graduação (SNPG) na gestão e avaliação dos cursos e programas, concessão de bolsas, e classificação do Sistema Qualis de Periódicos. Diante dessa complexidade, desafio maior é analisar áreas do conhecimento atuais e interdisciplinares como a Nanotecnologia e Mudanças Climáticas (FARIA et. al., 2010).
2.2.2.2 A Plataforma Lattes
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do MCTIC que tem como atribuições fomentar a pesquisa científica e tecnológica e incentivar a formação dos pesquisadores brasileiros, disponibiliza a Plataforma Lattes para a comunidade científica brasileira. A Plataforma Lattes é um sistema de informação que integra bases de dados de currículos dos estudantes e pesquisadores (Currículo Lattes), dos Grupos de Pesquisa (Diretório dos Grupos de Pesquisa) e das Instituições (Diretório de Instituições) no Brasil. Concebida inicialmente para a gestão e operacionalização do fomento do CNPq, tem sido utilizada na gestão, planejamento e fomento de outras agências financiadoras (ex. Fundações de Amparo à Pesquisa), como subsídio para elaboração e avaliação de políticas do próprio MCTIC e como instrumento de governança para organizações de C&T.
Nesse contexto de governança, o Currículo Lattes é utilizado nos processos de avaliação da ciência e dos cientistas no Brasil por apresentar publicamente a história individual das atividades científicas, acadêmicas e profissionais. Esses dados demonstram potencial para inúmeras aplicações e, inclusive, são utilizados na elaboração de relatórios institucionais de pesquisadores e grupos de pesquisa, de indicadores de C&T utilizados para avaliar instituições e departamentos acadêmicos, avaliar programas de graduação e pós-graduação, avaliar desempenho de professores-pesquisadores com vistas à concessão de gratificações e benefícios remuneratórios (MENA-CHALCO; CESAR JUNIOR, 2009). As informações do Currículo Lattes também são aproveitadas no Diretório dos Grupos de Pesquisa, que é um inventário dos grupos de pesquisa em atividade no país e credenciados pelas instituições que os abrigam. O Diretório de Instituições registra todas as organizações que estabelecem alguma relação com o CNPq (onde os estudantes e pesquisadores apoiados pelo CNPq desenvolvem atividades, abrigam grupos de pesquisa,
pleiteiam participar de programas e serviços, credenciadas para importação de equipamentos e materiais de uso científico, etc.) (http://lattes.cnpq.br).
A Plataforma Lattes também oferece o Painel Lattes, um recurso com informações analíticas sobre a atuação dos pesquisadores com currículos cadastrados referentes a distribuição geográfica, instituições, sexo, faixa etária, setor econômico e evolução de mestres e doutores por área.
A disponibilidade de bases de dados informacionais (inclusive brasileiras) sobre produção científica, e de ferramentas computacionais para recuperação, tratamento e análise de dados favoreceu a evolução de instrumentos de avaliação da CT&I e do pesquisador brasileiro em diferentes instâncias e, consequentemente, a adoção de estratégias de inserção e sucesso nesse processo. Como resultado, houve um aumento em diversos indicadores quanto à produção científica, pós-graduação e desenvolvimento tecnológico. Os pesquisadores brasileiros são forçados a um modelo internacionalizado de ciência que privilegiam temáticas e visibilidade internacional. Enquanto isso, periódicos nacionais sofrem baixa visibilidade e financiamento enquanto não se organizar para ser indexados nas bases internacionais (LETA, 2011).