• Aucun résultat trouvé

Conceito?

A questão com que encerramos a secção anterior dá o mote para o presente espaço. Neste âmbito, fará sentido retomar as posições de Hackman e Morris (1975) e Beaudin e Savoie (1995) que acreditam que a eficácia apresenta diversas representações. Consequentemente os observadores que a avaliam fazem-no a partir da sua própria representação de eficácia com base na qual estipulam os seus próprios critérios para operacionalizarem a avaliação, acreditando, profundamente, que desta forma estão seleccionando o que é relevante. Hackman e Morris (1975) sustentam que a eficácia passa a ser encarada como um juízo de valor que pressupõe a existência de legitimidade e competência por parte dos agentes avaliadores.

Beaudin e Savoie (1995) asseguram que estes julgamentos são influenciados, pelo menos de forma implícita, quando o avaliador elege o modelo que na sua óptica é mais confiável, utilizando os parâmetros da realidade aos quais é atribuída relevância nesses constructos. Estes autores referem que quando se qualifica uma equipa como sendo eficaz, quem o faz está a considerar que, o que ela oferece, vai ao encontro da importância atribuída e corresponde às suas expectativas.

Face a este panorama, parece-nos plausível, que ao considerarmos que existe eficácia ou não, numa equipa, estamos a confrontar as nossas expectativas com a percepção selectiva que fazemos da realidade, socorrendo-nos de indicadores, cuja definição decorre indissociavelmente do(s) modelo(s) teórico(s) considerado(s), a partir dos quais se irá apreender as dimensões da eficácia. Nesta linha de raciocínio é inequívoca a existência de uma pluralidade de eficácias, assentes em diferentes modelos de funcionamento e concepções de eficácia grupal.

Certo é que perante este cenário deixa de fazer sentido a busca por uma definição única de eficácia que seria, inexoravelmente, redutora, e obrigaria à exclusão de outras concepções. Assim, consideramos que o mais apósito será aceitar o princípio da complexidade do conceito de eficácia grupal que, segundo Moreira (2007), apresenta-se como uma estratégia de investigação sustentável e flexível permitindo a investigação da eficácia grupal em contextos díspares.

Lourenço (2002), para testar a dimensionalidade da eficácia grupal, desenvolveu um questionário designado ICE (Identificação da Concepção de Eficácia), recorrendo a equipas desportivas (equipas portuguesas de basquetebol) com base nas dimensões e nos critérios do Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995).

Assim, antes de abordarmos o trabalho desenvolvido por Lourenço (2002), centremo- nos, primeiramente, no Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995).

O objectivo perseguido pela concepção deste constructo foi o de reagrupar, de forma mais integradora, os critérios que se encontrassem em harmonia com a multiplicidade das representações da eficácia. Os autores reduziram intencionalmente as determinantes da eficácia grupal, considerando unicamente as que eram suportadas, simultaneamente, em termos teóricos e práticos. Nesta linha de investigação, Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995) consideraram quatro dimensões, designadamente: Qualidade da Experiência Grupal; Rendimento da Equipa; Legitimidade da Equipa e Perenidade da Equipa.

Importa alertar que em função das propostas originais de Beaudin e Savoie (1995) ou de Savoie e Beaudin (1995) estas designações são permutáveis. Assim, de acordo com a sequência das denominações apresentadas, é possível constatar que as mesmas poderão ser igualmente referenciadas da seguinte forma: social, económica, política e sistémica.

Enquanto percepção da realidade, as dimensões consideradas por Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995) são qualificadas como potenciais, pois embora se encontrem presentes no domínio dos resultados das equipas, não raras vezes, os avaliadores não as consideram, decorrente de preferências pessoais e/ou impossibilidade em as analisar.

Este referencial teórico é concebido segundo o paradigma input – process – output. As quatro dimensões assumem um carácter sistémico, pressupondo dinâmicas de interacção e de interdependência, face aos outros sistemas organizacionais. Apesar da sistematização que passaremos a apresentar, onde referimos a dimensão, os critérios e os indicadores, convém

salientar que o presente constructo assume, como pressuposto, o facto das dimensões e respectivos critérios serem interdependentes. Tal significa que os critérios, considerados numa determinada dimensão para a avaliação do respectivo output, poderão ser utilizados numa outra dimensão para avaliar variáveis relacionadas igualmente com o output, mas também com o input ou com o process.

O Quadro 4 apresenta o Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995).

Quadro 4 – Dimensões e critérios de eficácia do ICE (identificação da Concepção de Eficácia) de Lourenço (2002), com base no Modelo Multidimensional de Eficácia de Beaudin & Savoie (1995) (Adaptado de Lourenço, 2002)

Social Económica Política Sistémica

Qualidade da

Experiência Grupal Rendimento da Equipa Legitimidade da Equipa

Perenidade da Equipa - Qualidade de vida/clima Equipa - Produtividade da Equipa - Imagem da equipa face à concorrência - Compromisso/ envolvimento dos membros em relação à equipa

- Satisfação no Trabalho - Competências gerais e sua gestão

- Imagem da equipa junto dos clientes

- Capacidade de adaptação da equipa - Apoio entre os membros da equipa no trabalho - Rentabilidade da equipa - Imagem da equipa

perante o supervisor - Flexibilidade da equipa

- Desenvolvimento profissional entre os membros da equipa - Organização das actividades da equipa - Imagem da equipa face à organização na qual se encontra inserida - Auto-regulação da equipa - Competências sociais

ou relacionais - Eficiência da equipa

- Imagem da equipa

perante a comunidade - Aquisição de recursos

Num registo sintético, passemos a abordar os critérios e indicadores associados às dimensões do Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995), sem esquecer o pressuposto referido anteriormente.

a) - Dimensão: qualidade da experiência grupal. Trata-se de uma dimensão que aponta para a coesão grupal.

- Critérios: satisfação no trabalho, apoio no trabalho, qualidade de vida e desenvolvimento profissional.

- Indicadores: satisfação extrínseca (remuneração, condições de trabalho e supervisão) no que diz respeito ao critério “satisfação no trabalho”, ou as “oportunidades de promoção” se considerarmos o critério “desenvolvimento profissional”.

b) - Dimensão: rendimento da equipa.

É uma dimensão que traduz a preocupação de integrar os aspectos relacionados com a performance, entendida como o binómio produtividade – optimização de recursos.

- Critérios: produtividade, economia de recursos, rentabilidade e organização/execução da tarefa.

- Indicadores: a rapidez de produção para a avaliação do critério produtividade ou a frequência de acidentes (adaptando ao desporto, surgimento de lesões) quando se avalia o critério economia de recursos.

c) - Dimensão: Legitimidade da Equipa.

É uma dimensão centrada na imagem, uma vez que se preocupa com indicadores como a qualidade de serviço para os clientes quando propõe o critério legitimidade perante os clientes.

- Critérios: legitimidade perante a organização, legitimidade perante os clientes e legitimidade perante o superior hierárquico.

- Indicadores: capacidade para cooperar com outros grupos no que diz respeito ao critério legitimidade perante a organização.

d) - Dimensão: Perenidade da Equipa.

É uma dimensão que avalia a perenidade e a adaptação do grupo aos sistemas com que o grupo interage.

- Critérios: envolvimento dos membros do grupo e capacidade de adaptação do grupo. - Indicadores: desejo de permanecer no grupo, quando se avalia o primeiro critério, ou a adaptação às mudanças do meio, quando se avalia o segundo.

O facto das dimensões da eficácia se encontrarem relacionadas entre si, sendo ténues as fronteiras dos seus critérios, é na óptica de Beaudin e Savoie (1995) um factor que poderá despoletar alguma confusão, mais concretamente, entre os próprios critérios e as respectivas determinantes de eficácia. Frequentemente, só se recorre a determinantes de eficácia, quando ao se utilizar os critérios centrados nos resultados, tal não permite avaliar a eficácia grupal.

Apenas duas dimensões, a qualidade da vida grupal e o rendimento da equipa, apoderaram-se do universo de estudo dos autores que conceberam este referencial teórico. A verificação de tal situação encontra-se relacionada com a maior facilidade, por parte dos investigadores, em trabalhar com critérios que podem ser autoreportados por elementos das equipas, mesmo que frequentemente, se encontre associada a uma forte carga subjectiva.

O Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) integra uma componente designada por “alavancas de intervenção”, divididas em quatro tipos:

- reguladoras: derivam do meio em que operam as equipas; - sinérgicas: relacionam-se com a interdependência interna;

facilitadoras: fazem apelo aos processos e aos meios postos à disposição da equipa para que ela funcione e se consolide;

estratégicas: velam pela adequabilidade indivíduo-equipa, em aspectos relacionados, a título ilustrativo, com a composição da equipa, a homogeneidade-heterogeneidade dos seus membros, as práticas de delegação.

A inclusão da variável “alavancas de intervenção”, é explicada pelo facto do constructo em análise ser fundado no âmbito do paradigma dos modelos cibernéticos. Em termos práticos, tal significa que a representação sobre o que se passa nas equipas é determinada sobretudo pela causalidade unidireccional de quem avalia. É com o propósito de verificar a validação destas hipóteses de causalidade que este modelo recorre à fórmula de representação “alavancas – determinantes – mediadores – resultados”, que na perspectiva dos seus autores irá reflectir de forma fiel o que acontece na realidade. Estamos perante fórmulas operatórias que irão auxiliar a fundamentação e compreensão, por exemplo, de uma intervenção com base na antecipação dos resultados.

Estas fórmulas continuam a considerar a interdependência de variáveis intra- categoriais ou extra-categoriais que possam auxiliar a explicação das relações de causalidade.

Por outro lado, o Modelo de Beaudin e Savoie (1995) integra quatro grandes categorias de factores considerados determinantes na eficácia das equipas, designadamente:

a) a interdependência com o meio, b) a interdependência dos membros;

c) a qualidade das transacções entre os membros; d) a composição da equipa.

O referencial em análise prevê um conjunto de variáveis muito importante na eficácia das equipas, designadas por moderadoras, nomeadamente:

a coesão; a potência.

De acordo com uma investigação empírica conduzida por Beaudin e Savoie (1995), estas variáveis possuem uma forte relação. A coesão revelou-se o preditor melhor posicionado da dimensão social da eficácia (Qualidade da Experiência Grupal), sendo que a potência surgiu como um preditor da dimensão Económica (Rendimento da Equipa). Cabe-nos registar que, segundo Carron e Hausenblas (2005), Carron, Spink e Prapavessis (1997), Dawe e Carron (1990), Ruder e Gill (1982) e Widemeyer, Carron e Brawley (1993), a associação da dimensão da eficácia à coesão grupal é muito frequente no contexto das investigações que analisam a performance no desporto.

O que esteve na base da realização deste breve périplo pelo Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995), foi o facto de Lourenço (2002), ter testado a “dimensionalidade” da eficácia grupal, utilizando

um questionário designado ICE (Identificação da Concepção de Eficácia), em equipas desportivas (equipas portuguesas de basquetebol) com base nas dimensões e nos critérios sugeridos por este constructo.

Lourenço (2002) considera as mesmas dimensões do Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995) e Savoie e Beaudin (1995), social, económica, política e sistémica. Uma das principais finalidades do seu trabalho foi a obtenção de um melhor entendimento de cariz integrador, das dimensões consideradas. Outro dos objectivos foi uma superior adequabilidade aos desenvolvimentos teóricos que as foram ajustando progressivamente, a partir dos trabalhos de Morin (1989), Morin, Savoie e Beaudin (1994), de Savoie e Beaudin (1995) e de Beaudin e Savoie (1995).

O Quadro 5 apresenta as componentes funcionais e dimensões de eficácia grupal do Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995), com base na adaptação de Lourenço (2002) para a concepção da ICE.

Quadro 5 – Componentes funcionais e dimensões de eficácia grupal do Modelo Multidimensional de Eficácia das Equipas de Trabalho de Beaudin & Savoie (1995) (Adaptado de Lourenço, 2002)

Alavancas Determinantes Moderadores Resultados

Alavancas Reguladoras Interdependência relevante à Envolvente - Missão grupal - Objectivos grupais de desempenho - Feedback colectivo - Coordenação interequipa - Missão e objectivos - Retroacção - Outras equipas

Alavancas Sinérgicas Interdependência entre os Membros

- Reajustamento do trabalho - Sanção comum sobre os resultados - Desenvolvimento de competências - Margem discricionária - Recursos - Ao nível da tarefa - Ao nível das Consequências - Múltipla - Coesão - Potência Eficácia - Qualidade da experiência grupal - Rendimento da equipa - Legitimidade da equipa - Perenidade da equipa

Alavancas Facilitadoras Qualidade das Transacções entre os Membros

- Consolidação da equipe - Hierarquia da competência - Sanção individual sobre a Competência

- Energia de Produção - Energia de Solidariedade

Alavancas Estratégicas Composição da Equipa

- Selecção sobre a não aprendizagem - Escolha mútua - Compatibilidade com a Organização - Compatibilidade com a Equipa

No Quadro 5, observamos que a ICE assume a “tetradimensionalidade” das dimensões da eficácia, estipulando cinco critérios para cada uma delas, com base no reagrupamento proposto por Beaudin e Savoie (1995).

Porém, julgamos pertinente referir que, no ICE, os critérios relacionados com a dimensão política sugerem que a imagem - face à concorrência, aos clientes, à organização e à comunidade - é de capital importância na assunção da dimensão legitimidade da equipa.

Segundo Moreira (2007), a razão de tal opção recairá no facto de critérios como a qualidade do produto, fazerem mais sentido se contidos na dimensão económica. Na opinião do mesmo autor, o facto de Lourenço (2002) ter estudado equipas desportivas, a avaliação da qualidade do produto poderia ser, quando muito, uma determinante da eficácia ao nível do

process, decorrente dos contextos organizacionais, aduzindo o seguinte exemplo: “as condições físicas fornecidas pelo campo de jogos podem ter implicações na forma como os jogadores articulam as suas estratégias durante o jogo”. (Moreira, 2007, pp. 146)

Moreira (2007) acrescenta, ainda, que a legitimidade, enquanto dimensão de eficácia grupal, parece relevar mais da imagem que o produto veicula, do que a qualidade do produto em si mesmo.

Não estando em desacordo com o sustentado por Moreira (2007), estamos em crer que é uma visão algo redutora, quando se refere que a avaliação da qualidade do produto, pelo facto de ser em equipas desportivas, funcionar, exclusivamente, numa determinante da eficácia ao nível do process. Na nossa opinião a qualidade do produto, no quadrante desportivo, para além de se poder assumir como uma variável ao nível process, pode constituir, igualmente, uma variável de output. As competências dos jogadores (técnicas, tácticas, físicas e psicológicas,…) não poderão influenciar o jogo (produto), numa óptica da qualidade do espectáculo apresentado? Mesmo tomando em consideração que a dimensão “estética” não é considerada nos Jogos Desportivos Colectivos, a qualidade das exibições, ao pretenderem ser mais atractivas, não poderão constituir um fim (output) de uma equipa, no âmbito de determinados eventos? Inclusive, um fim para alcançar outros fins (aqui a variável poderia ser considerada de process e não de output, como referimos a montante), tais como um aumento do número de espectadores a assistirem ao espetáculo desportivo no recinto, um aumento do número de transmissões televisivas,…)?

Já não existirão competições desportivas cuja concepção situam o enfoque (em grande parte ou em exclusivo) no espectáculo, tentando intencionalmente, desta forma, propiciar momentos prazerosos aos espectadores? Somos da opinião que, no domínio do desporto, cada vez mais incluem a dimensão estética (utilização de formas de suprir os tempos mortos de competição, com recurso a diferentes estratégias, como mascotes, danças, convite a espectadores para assumirem o protoganismo na realização de uma tarefa, tais como, no basquetebol, o lançamento de uma bola de meio campo, com o propósito de encestar ou no futebol a marcação de penaltis,…). Outrossim, progressivamente se considera a realização de eventos que visam como objectivo principal a apresentação da espectacularidade do produto (qualidade do produto). Consubstanciamos a nossa posição na realidade hodierna das

competições/eventos desportivos, aduzindo dois exemplo, dos muitos que prolificam. As digressões que as equipas da National Basketball Association (NBA) fazem pelos continentes europeus e asiáticos, assumem, explicitamente, que o prioritário será proporcionar espectáculo aos espectadores, mais do que ganhar os jogos e/ou competições.

Todavia, o exemplo aduzido pode também, ser concomitantemente encarado como uma variável de process, se tais exibições nortearem-se, também, pelo objectivo de tornar a modalidade de basquetebol jogada na competição profissional norte-americana e respectivas equipas, mais atractiva para o público, patrocinadores, e consequentemente, obter maiores encaixes financeiros.

Por sua vez, o já clássico jogo que a NBA organiza todos os anos, denominado por All

Star Game, que coloca uma selecção de jogadores da zona Oeste dos Estados Unidos a

competirem com a sua congénere do Este, é reconhecido por todos os actores - responsáveis da liga, jogadores, treinadores das respectivas selecções, espectadores - que o fundamental é existir espectáculo, colocando num plano claramente secundário o resultado deste confronto. Aqui, estamos em presença de um jogo que se assume como variável de output em exclusivo.

Logo, defendemos que a qualidade do produto em equipas desportivas pode apresentar-se como uma determinante da eficácia ao nível do process, mas, igualmente, em termos de output. O objectivo com que participam nas competições desportivas (e a própria natureza destas) é que distinguirá, a variável ser exclusivamente, de process, de output ou ambas.

Uma das inovações mais marcantes, introduzida pelos trabalhos de investigação desenvolvidos por Lourenço (2002), é a apologia de uma “bidimensionalidade” da eficácia em detrimento da “tetradimensional”, plasmada no Modelo Multidimensional das Equipas de Trabalho de Beaudin e Savoie (1995).

A “bidimensionalidade” da eficácia grupal proposta por Lourenço (2002) atribui a seguinte designação para cada uma das dimensões: “Organização e Manutenção” e “Produção e Reputação”. A primeira dimensão orienta-se para a adaptabilidade da equipa, a sua flexibilidade, a coesão à volta dos seus membros e o desejo de estes permanecerem no grupo. Comporta critérios de relação, de organização, de gestão e de adaptação e sobrevivência. Na segunda dimensão, a ênfase avaliativa situa-se na rendibilidade do grupo e na reputação que alcança no meio envolvente.

Em boa verdade, Lourenço (2002) veio pontuar a natureza sociotécnica do sistema grupo, pois a dimensão Organização e Manutenção encontra-se fortemente ligada ao subsistema socioafectivo, e a dimensão Produção e Reputação ao subsistema tarefa. De sublinhar que esta realidade vai ao encontro do que encontramos na investigação, no domínio do desporto, fruto da revisão bibliográfica que desenvolvemos no âmbito de eficácia colectiva em equipas desportivas

Cabe-nos, contudo, referir que estas duas dimensões tal como são percepcionadas por Lourenço (2002), não reflectem, em termos de relevância, o que encontramos na literatura relacionada com a eficácia grupal. Da pesquisa bibliográfica realizada extraímos a ideia de que

existe uma variabilidade a este nível, que parece-nos influenciada pelo peso conferido por cada autor concernentemente ao subsistema tarefa ou subsistema socioafectivo.

Observa-se que com excepção de alguns modelos, como o de Shea e Guzzo (1987a), que estipula como critério único de produção na dimensão “Produção e Organização”, e o constructo da autoria de Bennis e Shepard (1956), considerando exclusivamente a comunicação válida na dimensão “Organização e Manutenção”, a predominância num ou noutro subsistema não significa existência restrita de um só critério para cada uma das dimensões referenciadas.

Constata-se uma tendência: os modelos de funcionamento e eficácia grupal relevam a dimensão “Produção e Reputação”, por contraposição aos constructos de desenvolvimento grupal que se enfocam na dimensão Organização e Manutenção.

Com base no presente capítulo, consideramos fundamental no nosso estudo de “terreno” analisar e estudar a eficácia das equipas desportivas, não a dissociando do desenvolvimento grupal.

Com base na proposta de Lourenço (2002) no que concerne à “bidimensionalidade” da eficácia, considerando o que predomina ao nível das dimensões de eficácia no contexto do desporto, onde há uma sobrevalorização do rendimento das equipas e do nível de satisfação dos jogadores e, a que acresce recordar que embora existam diversos modelos de funcionamento e eficácia grupal, assim como, os critérios a serem utlizados, vimos, igualmente, na óptica de Hackman e Morris (1975) que a eficácia é um juízo de valor que pressupõe a existência de legitimidade e competência por parte dos agentes avaliadores.

Neste sentido, e com base na revisão bibliográfica que desenvolvemos, acreditamos que sermos capazes de selecionar o que será mais pertinente avaliar em equipas desportivas, relativamente à eficácia e a que instrumentos iremos reccorer, assim como, o sindicadores de eficácia a serem adoptados. Pelo exposto, optamos que nos nossos estudos empíricos a avaliação da eficácia incidirá no subsistema instrumental e no subsistema socioafectivo,

Acreditamos que desta forma poderemos estar a dar o nosso modesto contributo em termos do conhecimento científico, especificamente no domínio do desporto, relativamente a uma melhor compreensão da díade temporalidade dos grupos – eficácia colectiva. Todavia, não excluímos a possibilidade de, tal como sustenta McGrath (1984), podendo os estudos desenvolvidos em contextos mais específicos, poderem subsidiar modelos generalistas.

4.3 A Eficácia Grupal contextualizada às Fases de