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Calcul turbulent

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3.3 Comparaison des méthodes de couplage

3.3.2 Calcul turbulent

O percurso pela História do urbanismo do século. XIX e XX reporta-se ao surgimento de modelos urbanos como resposta às questões ambientais e sociais da revolução industrial. Por conseguinte, e enquanto as questões higienistas foram resolvidas, nas cidades industrializadas os problemas ambientais continuam a configurar a agenda da cidade de hoje.

A questão da ecologia urbana surge como base de conhecimento para um urbanismo mais consciente dos processos ecológicos, dos limites e esgotamento dos recursos naturais e energéticos. Reconhecemos os Corbett como percursores de um desenho urbano centrado nas questões ambientais, que teve como aplicabilidade prática o seu projecto de Village Homes, em Davis, Califórnia. Este é um bairro onde se podem identificar elementos de desenho urbano de uma comunidade sustentável, com objectivos ambientais.

Demonstrou-se neste trabalho a importância da ecologia urbana para repensar o metabolismo da cidade, verificando-se que as cidades actuais têm um metabolismo linear. Esta é uma das principais causas da procura e consumo que conduzem ao esgotamento dos recursos naturais e energéticos. A alternativa é passar deste metabolismo linear para um circular, que compreenda a reutilização dos recursos introduzidos no ecossistema urbano. Deste modo, os ciclos urbanos (água, resíduos e energia) e o verde urbano são pontos-chave onde o desenho urbano deve centrar os seus objectivos ambientais, contribuindo assim para um metabolismo circular ao incorporar os lugares de fluxo e fenómenos urbanos. Dado o exposto, o projecto ecológico tem como referência um desenho urbano que aproxima, por mimetismo, o ecossistema urbano dos ecossistemas naturais.

Os casos de estudo (Hammarby Sjöstad, Viiki, Kronsberg e Vesterbro) são caracterizados como projectos urbanos de demonstração que pretendem atingir um desenvolvimento sustentável com um claro objectivo ecológico, exemplificando as várias opções para o desenvolvimento de um ecobairro. Sendo assim, são também um marco de referência na prática para o desenho urbano. Examinar estes projectos permitiu-nos encontrar fontes de ideias e vislumbrar um conjunto de directrizes comuns para actuar à escala de bairro, com o objectivo de desenhar modelos residenciais urbanos ambientalmente sustentáveis.

Levando-se em conta os vários aspectos descritos na História, a importância de pensar a cidade através da um metabolismo circular, assim como

o conhecimento prático adquirido com os casos de estudo, afirmaram-se os princípios ambientais que surgem como conclusões deste percurso. Assim, tendo em vista os aspectos observados, definimos quinze princípios ambientais que se reportam a elementos relativos: ao verde urbano, à orientação solar, à densidade urbana, aos usos urbanos, à mobilidade, à energia, à água, aos resíduos e aos materiais a utilizar. Deste modo, e retomando a questão inicial de como desenhar um ecobairro, a resposta surge enunciada nestes princípios que são orientadores para o processo de desenho, e que assim contribuem para a sustentabilidade ambiental.

Por se considerar que a base estrutural do desenho urbano é a forma urbana, entendemos, então, proceder à análise das formas urbanas mediante os princípios ambientais. Em virtude deste confronto concluiu-se que existe a necessidade de cada forma urbana sofrer adaptações para que, assim, levem em conta insuficiências e potencialidades que os princípios extrapolam de cada uma delas. Daqui se concluiu que a forma moderna é, entre as demais, a que melhor se adapta aos princípios ambientais, sem com isso inferir que a aplicação nas outras formas se torna impossível.

Visto que os princípios enunciados levam a uma reflexão sobre os elementos a trabalhar, e para que cada principio encontre o seu lugar e desenvolva a sua acção no meio urbano, propuseram-se os momentos, dentro do processo de desenho urbano, em que os princípios são alvo de estudo e desenho. Em virtude desta análise, somos levados a acreditar que o processo de desenho

tem a necessidade de considerar os ciclos urbanos, para assim contribuir no

metabolismo circular da cidade. Contudo, é na visão holística dos princípios enunciados, e não na valorização de uns em detrimento de outros, que se conseguirá alcançar resultados ambientais ambiciosos.

Para além do desenho urbano, a tecnologia ambiental é fundamental para conseguir objectivos da ecologia urbana, até porque, mesmo cientes das insuficiências e potencialidades de cada forma, não se considerou necessário criar “novas” formas urbanas. Podemos assim continuar a operar com as mesmas formas, recriando-as e combinando-as. É o repensar do processo de desenho urbano que merece atenção para incorporar os princípios ambientais que o orientam. Para que não signifique única e simplesmente uma justificação conceptual de desenho ambiental, torna-se importante a inclusão de tecnologia ambiental, de modo a transcender as soluções actuais das infra-estruturas urbanas, considerando que nesta necessária mutação o desenho urbano será participativo na procura destas soluções.

Porém, só uma monitorização pós-ocupação, por inquéritos e medições, tornará possível verificar se os objectivos ambientais foram alcançados e aferir o sucesso do processo de desenho.

Por conseguinte, somos levados a acreditar que estes princípios orientadores descritos e dispostos em organigrama, segundo recomendações de aplicação durante as diferentes fases do processo de desenho urbano, por todos os aspectos específicos integrados em cada um, assim como a atenção necessária aos mesmos em cada momento do processo de desenho, sendo imprescindível que todos se concretizem, vão conseguir abranger o conceito de ecobairro na sua concepção e, assim, contribuir para a sustentabilidade ambiental quando postos em prática.

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