8. Étude de la performance de iMOD à partir de données in-vivo
8.4. Calcul et identifications des élastogrammes fiables
Segundo a teoria realista é inevitável que uma grande potência, na sua luta pelo poder e pela manutenção da sua soberania, não se transforme numa potência militar. Daí que a aliança estratégica baseada na quase total dependência da protecção americana tenha frustado muitos teóricos.
No entanto, novos autores trouxeram novos contributos e autores como Hughes56 e Drifte57 defendem que embora não tenha desenvolvido uma política armamentista que se coadune com o seu estatuto de potência mundial, o Japão não contradiz a teoria realista pois em vez de usar o poder militar para maximizar o seu poder, usa o poder económico, optando pelo controlo de mercados, desenvolvimento tecnológico e criação de relações de dependência favoráveis como poder estrutural.
Também o dilema, que vimos anteriorment, entrapment versus abandonment, enunciado por Tucídides, tem sido aplicado ao estudo da aliança entre o Japão e os EUA. O Japão está ciente que, pelo menos a curto/médio prazo, não corre o risco de perder a sua importância como aliado pois a sua posição geo-estratégica é essencial para a política norte americana. No entanto, o Japão tem-se tornado um parceiro mais assertivo. Tem vindo a aumentar a sua capacidade militar - ainda que apenas possa ser usada para defesa - e a desenvolver o multilateralismo, principalmente a nível regional, sem nunca alienar totalmente os EUA, mas estabelecendo uma política independente.
O multilateralismo japonês, que pode ser interpretado por uma perspectiva liberal, é para os realistas nada mais que uma política de persecução do interesse nacional. O Japão tenta, através das organizações e fóruns internacionais, reforçar o seu poder procurando ter um papel importante na definição da agenda política para que possa defender os seus interesses e manter uma distribuição internacional de poder que lhe seja favorável.
56 Christopher Hugues, “Theory of economic power and security”, Japan's economic power and security:
Japan and North Korea (Nova Iorque: Routledge, 1999).
57 Reinhard Drifte, Japan's Foreign Policy: From Economic Superpower to What Power?, (Nova Iorque: Macmillan Press, 1998).
Ainda relevante, tem sido o debate sobre a possibilidade de o país se tom ar uma potência nuclear58. A questão nuclear, nas suas várias vertentes - energética e militar - tem sido, aliás, um tema bastante discutido desde o acidente nuclear de Fukushima, tendo, até, sido um factor de cisão entre vários membros do DPJ e provocado a consequente saída do partido por Ozawa Ichiro, como veremos mais à frente.
A teoria realista diz-nos que os países terão a tendência para aumentarem o seu arsenal e isso inclui desenvolverem a sua capacidade nuclear. No entanto, seguindo a lógica realista, os países seguem esta política armamentista com o objectivo de intimidar os seus possíveis inimigos.
O Japão, não obstante de ser publicamente anti-nuclear, tem capacidade de se converter numa potência nuclear a curto prazo: para além de ter a tecnologia e o conhecimento técnico, tem plutónio suficiente - proveniente do seu programa de energia nuclear - para produzir armas nucleares. Apenas o facto de o Japão ser um país “para-nuclear” é já o suficiente para uma política de intimidação.
Aliás, é até defensável que o Japão apoia uma política anti-nuclear não por razões éticas, mas por razões puramente realistas: para bloquear a possibilidade de outros países desenvolverem esta tecnologia mantendo, assim, uma vantagem estratégica.
Kawasaki Tsuyoshi59 defende que a política de defesa japonesa se enquadra perfeitamente no pós-realismo já que o objectivo de qualquer estado é defender a soberania e, para o fazer, o Japão tem de manter uma política que não aumente o dilema de segurança regional. Se o Japão iniciasse um programa nuclear, os seus vizinhos - assim como preconiza o dilema de segurança - iriam entrar na corrida. Para além da insegurança, esta escalada armamentista provocaria uma pressão económica imensa ao país.
58 Destaca-se o trabalho de Dubhash Kapita, “Japan’s Imperatives for Nuclear Weapons,” SAAG Paper 487 (2002); Matake Kamiya, “Nuclear Japan: Oxymoron or coming soon?” The Washington Quaterly 26, n.° 1 (2001).
59 No artigo de Tsuyoshi Kawasaki, “Postclassical realism and Japanese security policy,” The Pacific
Review 14, n.° 2 (2001): 221-240, o termo ‘pós-realismo’ é usado pelo autor como sinónimo de Realismo
Assim, para evitar tal cenário o Japão opta por uma política de aliança com os EUA e uma política militar puramente defensiva, mantendo a tensão regional a um nível moderado.
Por outro lado, e seguindo a lógica realista de balança de poderes, o crescimento da China irá aprofundar a aliança entre os EUA e o Japão no sentido de contrabalançar as forças sínicas. Os EUA e o Japão reforçarão a sua aliança para conseguirem suplantar a China e garantirem a sua segurança. A China, que se tem desenvolvido como uma força alternativa à ordem americana, apoiando regimes e conferindo APD a países sem pedir garantias de cumprimento dos direitos humanos, é, neste momento, a segunda maior economia do mundo e tem investido oficialmente cerca de 2% do seu PIB no seu sector militar. E, embora em termos percentuais esse número pareça reduzido,em termos brutos equivale a milhares de milhões e a China detém, neste momento, um dos melhores e maiores exércitos do mundo60.
Do ponto de vista histórico, Kenneth P yle61 aponta várias razões para uma propensão para o realismo por parte do Japão: o longo período de “feudalismo”, em que cada senhor lutava pela ascensão ao poder através da acumulação de recursos militares, preparou o Japão para um ambiente internacional anárquico. Por outro lado, também o pragmatismo político japonês e a importância conferida ao poder estatal assim como ao estatuto e à honra predispõem o país a uma política realista. Por fim, refere ainda a capacidade de adaptação e acomodação do país ao ambiente internacional de modo a tirar o máximo partido do mesmo.