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Calcul des échanges radiatifs au sein d’un canyon urbain

Partie II - Données et outils pour la modélisation des canyons urbains

II.4. Méthodes de calcul de l’éclairement des bâtiments en milieu urbain

II.4.1. Calcul des échanges radiatifs au sein d’un canyon urbain

Diário da Manhã

Excetuando-se agentes públicos que cumpriam alguma função no processo de negociação ou de desocupação, como o caso de integrantes da saúde pública, ou agentes políticos no cumprimento de suas atribuições, como o caso da Agehab, ou ainda de opiniões generalistas na área legal, às vezes reproduzida de agentes públicos como o Presidente do TJ Goiás no dia 16 de fevereiro, as únicas vezes consideráveis em que o Diário da Manhã recorreu à opinião de especialistas, foi na publicação de um resultado de pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto Serpes, no dia 29 de janeiro, na publicação de opinião de especialista do mercado imobiliário no dia 14 de fevereiro, e em matérias apenas correlatas ao caso Sonho Real no dia 15 de fevereiro, quando aparece a posição de um especialista em Gestão Ambiental no caderno Meu Bairro.

Nesta última, o especialista em Gestão Ambiental aborda a questão das ocupações urbanas irregulares. A capa do jornal dá a seguinte chamada na manchete: “Especialista alerta que capital enfrentará graves problemas em 15 anos se ocupações ilegais não forem contidas”. Nas matérias, também há informações fornecidas pela Defesa Civil sobre áreas de risco.

Na matéria em que aparece o especialista do mercado imobiliário, ele aborda a questão do valor dos imóveis e sobre o interesse do mercado na área. Trata-se do presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios de Goiás (Secovi), uma das entidades assinantes das notas contrárias à ocupação, publicadas em O Popular.

Também é através de uma requisição do Secovi que é apresentada outra opinião de especialistas, a pesquisa do Instituto Serpes publicada no dia 29 de janeiro, em que o resultado apresentado diz que 77% dos entrevistados não aprovam a ocupação. Com o resultado, o Secovi conclui no texto que isso “indica que a reintegração de posse deve ser consumada”.

Estas publicações estão diretamente ligadas a uma tentativa de mobilização da opinião pública ao alinhamento que considerasse a inevitabilidade da desocupação. O destaque a esta pesquisa, por exemplo, foi dado no mesmo dia em que um editorial do jornal considerava a decisão da justiça insensível e que, apesar de todo o esforço do governo do Estado, o processo de desocupação seria

inevitável.

Como já mostrado, uma posição mais firme no sentido contrario aos ocupantes se deu primeiramente no dia 04 de fevereiro, quando o jornal passa a tratar mais corriqueiramente os sem-teto como invasores e mostra a sua “radicalização”. Neste dia, aparece um perfil criminalizante das lideranças. Compreende-se nas matérias que o clima de tensão é causado pela posição das lideranças e do movimento. Há uma nítida construção discursiva de que o governo está buscando todas as possibilidades de negociação e que, por outro lado, os sem- teto não estão demonstrando “bom-senso”.

No entanto, o DM manteve espaço para matérias que buscavam mostrar o “lado humano” dos sem-teto, sem abandonar a reafirmação da inevitabilidade da desocupação. Isto se deu enquanto teoricamente o governo ainda buscava saídas pacíficas, como ficou demonstrado nas reportagens do dia 14 de fevereiro, que teve como título de capa: “Paz antes da desocupação”.

Neste dia, mesmo as matérias apresentando um dia de “paz” dos sem-teto ou sua contraproposta ao governo, a capa e as demais matérias mostram que a expectativa da vizinhança, do mercado imobiliário, dos proprietários e mesmo do governo – apresentado como sem alternativa diante do valor dos imóveis – é com a desocupação. Pode-se dizer que é uma busca sutil de legitimidade na preparação para o processo de desocupação.

Nos dias 16 e 17 de fevereiro se deu a consolidação do processo de criminalização dos sem-teto e legitimação das operações desempenhadas pelo Estado no Diário da Manhã. Tanto em posicionamento editorial quanto na construção das matérias, as reportagens passaram a se referir aos ocupantes do Sonho Real como violentos e mesmo criminosos. O elemento chave para compreender a busca por mobilização da opinião pública nestes dias é a exploração de informações e imagens do policial ferido, que teria sido baleado em um “ataque” à PM por parte dos “invasores”. Detalhe que o fato se deu com o protagonismo inicial da polícia em mais uma noite da Operação Inquietação.

A edição especial do dia 17 de fevereiro exibe uma foto do tenente que foi baleado na madrugada do dia 15 com o título “Vítimas da resistência”. A chamada informa que a saúde do tenente é estável, em uma nítida montagem com o intuito de gerar empatia pela PM após a violenta desocupação. Como já mostrado, o resto desta edição busca legitimar a ação da polícia goiana no dia anterior.

O Popular

Como a cobertura realizada pelo DM, quase não há a presença de especialistas nas matérias de O Popular. Da mesma forma recorre-se muito a opiniões e posicionamentos de agentes públicos e políticos que atuam nas áreas envolvidas. Duas exceções que podem ser apontadas é a pesquisa do Instituto Serpes (especialista em opinião) já analisada acima, e a presença de fala de conselheira tutelar em uma matéria do dia 04 de fevereiro, fala utilizada nitidamente no contexto para deslegitimar a ocupação na situação que envolve as crianças.

O curioso da ocorrência da pesquisa Serpes apontada neste ponto é que ela é uma pesquisa de opinião claramente utilizada com o intuito de ampliar a adesão pública ao seu resultado e posicionamento, principalmente com a maneira enviesada em que foi publicada.

Outra publicação de opinião que também serve para reforçar o posicionamento defendido pelo jornal e buscar mobilizar ainda mais uma adesão a ele, é a seção Carta dos Leitores (OPINIÃO, p. 09) do dia 11 de fevereiro.

A seção neste dia funcionou como uma espécie de “editorial indireto”, com opiniões convergentes à deslegitimação dos sem-teto e com citações à imprensa e ao jornal como fonte de informações que respaldam esta posição.

As partes destacadas na parte superior da seção deixam transparecer a opinião do jornal sobre o caso - “23 cartas dos últimos quatro dias são sobre o Parque Oeste Industrial” (uma amostragem aparentemente aleatória); “Leitores criticam a oferta de vantagens para invasores desocuparem a área”; e uma opinião direta de leitor condenando os sem-teto: “O que se vê é uma sociedade à mercê das decisões dos posseiros”. Daí seguem-se 7 cartas sobre o tema, todas com viés contrário ao Sonho Real.

Do restante dos dias analisados, evidencia-se o caráter de mobilização da opinião pública no sentido de legitimação da desocupação. No dia 15 de fevereiro destaca-se um minucioso gráfico prenunciando a desocupação e sua inevitabilidade. No dia 16, as matérias são construídas para reforçar a noção de que a situação chegou em seu limite de tensão após a noite do dia 15, com o saldo do dia mais violento da Ocupação Inquietação, e que a desocupação deve se dar o mais breve possível sem mais adiamento. E no dia 17 de fevereiro, a legitimação da ação do dia anterior, assegurando a prevalência do discurso de que a desocupação era

inevitável e que atendia a um anseio da sociedade, expectativa oficializada pelo poder judiciário e cumprida pelo executivo, que o teria feito não sem resistência ou erros.

Interessante que a presença do ministro dos Direitos Humanos pode ser compreendida como passando a mensagem de que “excessos” devem ser investigados. Por sua vez, a operação em si não deveria ser compreendida como equivocada ou excessivamente violenta, mas antes “tecnicamente correta e conduzida com as necessárias precauções”, como afirma o editorial do dia.

Neste último dia, mais uma vez a seção “Carta dos leitores” é utilizada para reforçar a mensagem de que a “opinião pública” apoia a desocupação.

CAPÍTULO III – MÍDIA A PARTIR DO CASO SONHO REAL: DA VIOLÊNCIA E