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Caisse de retraite :

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SECTION XXVII

AVANTAGES SOCIAUX

B) Caisse de retraite :

A etnobotânica estuda o conhecimento e as conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito do mundo vegetal, englobando o modo como o grupo social classifica as plantas e os usos que dá a elas. É uma área da etnobiologia que valoriza o aspecto cultural das plantas, resgatado através das inter-relações entre o ser humano e os vegetais. Compreende a ciênciaque estuda a relação de grupos humanos e as plantas envolvendo diferentesdimensões (AMOROZO, 1996; SILVA, S., 2008; VIU;VIU; CAMPOS, 2010).

Carniello et al. (2010) acrescentam que este tipo de estudo tem uma característica interdisciplinar e segundo Monteles e Pinheiros (2007) propicia uma importante contribuição para a preservação da diversidade biológica e do patrimônio das populações tradicionais. Pasa, Soares e Guarin Neto (2005) afirmam ser importante o resgate do conhecimento sobre os recursos naturais diante do processo de urbanização e possíveis influências da aculturação.

Os estudos etnobotânicos mostram uma preocupação com a preservação da biodiversidade das espécies, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental, podem

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subsidiar trabalhos sobre o uso sustentável da biodiversidade, fortalecem a valorização do saber tradicional e apresentam propostas e sugestões para a manutenção dos saberes tradicionais. Este estudos sugerem a investigação das espécies com uso populares registrados e farmacologicamente ainda não estudadas (FONSECA-KRUEL; PEIXOTO, 2004; FRANCO; BARROS, 2006; AGRA; FREITAS; BARBOSA-FILHO, 2007; ALMEIDA; BANDEIRA, 2010).

De acordo com Albuquerque (2001) a seleção das espécies vegetais a partir da etnobotânica, pode contribuir nos estudos farmacológicos, toxicológicos e fotoquímicos sobre a eficácia das indicações tradicionais.

Giraldi e Hanazaki (2010) consideram que estudos etnobotânicos realizados na área podem despertar o interesse de órgãos públicos sobre os problemas enfrentados pelas comunidades.

Albuquerque e Hanazaki (2006) consideram a investigação etnobotânica como uma abordagem etnodirigida, que seleciona as plantas medicinais, através da construção do conhecimento local de grupos populacionais específicos, abrangendo seus sistemas tradicionais de saúde, objetivando contribuir com a descoberta de novos fármacos.

A pesquisa etnobotânica evoluiu consideravelmente na última década em todo o mundo, especialmente no México, Colômbia e Brasil (HAMILTON et al., 2003), porém, interferências podem ocorrer ocasionadas por algumas limitações como dificuldade de coletar informações fidedignas das pessoas, o uso de plantas associadas a componentes religiosos em diferentes culturas e questões éticas que envolvem acesso ao conhecimento tradicional associado ao uso da biodiversidade (ALBUQUERQUE; HANAZAKI, 2006).

Num estudo etnobotânico observa-se que, antes da coleta de informações, é relevante conhecer os aspectos socioculturais da comunidade participante. O pesquisador procura conhecer os aspectos culturais e o cotidiano da comunidade pesquisada, os conceitos locais do processo saúde-doença e o modo como a comunidade utiliza os recursos naturais para a cura de seus males (ALBUQUERQUE; HANAZAKI, 2006; PATZLAFF; PEIXOTO, 2009).

O estudo etnobotânico pode ser quantitativo, qualitativo ou uma associação de ambos. Algumas ténicas podem ser utilizadas como a recomedada por Phillips e Gentry (1993), no que se refere à entrevista, onde os informantes são entrevistados de forma individual, com o intuito de evitar que ocorram influências nas respostas.

Com relação à coleta das planta levantadas, pode-se empregar a técnica denominada “artefato-entrevista”, na qual informações são obtidas sobre a planta levantada e assim conhecendo-se o nome vulgar coleta-se a amostra botânica, confirma-se com os informantes e

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busca-se a sua identificação.Também pode ser utilizada a técnica “turnê-guiada”, onde os informantes levam o entrevistador ao local para a coleta da planta indicada na entrevista para a coleta (ALBUQUERQUE e LUCENA, 2004), dentre outras.

Verifica-se que há uma grande preocupação por parte dos pesquisadores em retribuir à comunidade que participou da pesquisa, pelo acolhimento, respeito, tempo despendido e principalmente pelo compartilhamento do saber (PATZLAFF; PEIXOTO, 2009). Essa preocupação se tornou, entretanto, mais evidente, após a promulgação da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), firmada em 1992 por 162 países, entre os quais o Brasil, que estabelece três níveis de obrigações a serem cumpridas por cada país participante: a conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição de benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos (ALBAGLI, 2006).

Neste sentido, dois Atos normativos, a Resolução n º 23/2006 do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) e a Resolução n º 134/2006 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), regulam o certificado de procedência legal para pedidos de patentes que envolvam acesso a componente do patrimônio genético ou de conhecimentos tradicionais (MATIAS, 2009).

Do mesmo modo, verifica-se a importância do retorno à comunidade, que pode ser proporcionado de diferentes formas, como a devolução dos dados sistematizados através de manuais, cartilhas, painéis expositivos e folders e entrega de cópias de artigos publicados, dissertações e teses. Outras formas de retribuição compreendem confecção de material didático para escolas da região, mapas georrefenciados apontando as florestas e cursos d'água utilizados pela comunidade, fotografias de famílias, da vegetação e das plantas locais e implantação de hortas medicinais (FONSECA-KRUEL; PEIXOTO, 2004; PATZLAFF; PEIXOTO, 2009).

Estudos voltados às comunidades quilombolas foram descritos por Albuquerque (2001); Rodrigues e Carlini (2003); Franco e Barros (2006); Crepaldi (2007); Monteles e Pinheiros (2007); Pereira, L. et al. (2007); Peruchi (2009); Sales, Albuquerque e Cavalcanti (2009); Barroso, Reis e Hanazaki (2010); Almeida e Bandeira (2010); Lopes (2010); Oliveira, Barros e Moita Neto (2010); Silva, Jesiel (2010); e Oliveira, E. et al. (2011).

Outros foram realizados em comunidades indígenas, como mostram Camargo (1998); Barbosa e Pinto (2003); Moraes et al. (2005); Rodrigues e Carlini (2006 ); Albuquerque et al. (2008); e Pezzuti e Chaves (2009).

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Comunidades rurais foram estudadas por Albuquerque e Andrade (2002); Silva e Andrade (2005); Pinto, Amorozo e Furlan (2006); Albuquerque et al. (2008); Brito, Dantas e Dantas (2009); Oliveira, Barros e Moita Neto (2010); e Roque, Rocha e Loiola (2010).

Comunidades urbanas e periurbanas foram pesquisadas por Schardong e Cervi (2000); Dorigoni et al. (2001); Amorozo (2002); Ritter et al. (2002); Arnous, Santos e Beinner (2005); Silva e Andrade (2005); Pasa, Soares e Guarim Neto (2005); Borba e Macedo (2006); Botrel et al.(2006); Rodrigues e Guedes (2006); Souza e Felfili (2006); Taufner, Ferraço e Ribeiro (2006); Vendrusculo e Mentz (2006); Florentino, Araújo e Albuquerque (2007); Negrelle et al. (2007); Silva, C. (2007); Santos, Lima e Ferreira (2008); Jesus et al. (2009); Carniello et al. (2010); Pasa e Ávila (2010); Silva, Barbosa e Albuquerque (2010); Silva e Freire (2010); e Sousa et al.(2010).

Outros segmentos populacionais constituem estudos etnobotânicos como os raizeiros investigados por Nunes et al. (2003) e Santos, E. et al. (2009); pescadores e caiçaras registrados por Fonseca-Kruel e Peixoto (2004), Roman e Santos (2006) e Borges e Peixoto (2009); agricultores efetuado por Silva, S. (2008) e Zuchiwschi et al.(2010); sitiantes descrito por Medeiros, Fonseca e Andreata (2004); ribeirinhos por Scudeller, Veiga e Araújo-Jorge (2009) e Pasa e Avila (2010); comunidades litorâneas por Miranda e Hanazaki (2008); e assentamentos realizado por Vibiski, Weirich Neto e Santos (2003).

Estudos etnobotânicos foram desenvolvidos em Programas de Saúde da Família por Negrelles et al. (2007); em quintais agroflorestais por Florentino, Araujo e Albuquerque (2007); e quintais urbanos por Carniello et al. (2010). Outros resgataram o conhecimento etnobotânico de povos descendentes de açorianos como realizado Miranda e Hanazaki (2008) e Giraldi e Hanazaki (2010).

Deste modo, verifica-se que Albuquerque (2001) realizou um estudo em Pernambuco sobre o uso de plantas medicinais por comunidades afro-brasileiras. Identificaram 60 espécies, dentre elas Acanthospermum bispidum (Espinho cigano), Anacardium occidentale L. (Cajueiro), Bumelia sartorum Mart. (Quixaba), Schinus terebintbifoliuns Radd (Aroeira) e

Strypbnodendron sp (Barbatimão) indicadas para inflamação; Cymbopogon citratus (DC) Stapf (Capim Santo) e Lippia alba Brow (Erva cidreira) para distúrbios intestinais; Punica granatun Linn (Romã) para curar feridas; e Ziziphus joazeiro Mart (Juá) para gripe e

resfriado. A seleção de plantas podem contribuir de modo relevante com estudos farmacológicos, toxicológicos e fitoquimícos, visando avaliar a eficácia das indicações tradicionais.

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De acordo com Rodrigues e Carlini (2003), em estudo etnofarmacológico realizado na Sesmaria Mata-Cavalos, no município de Nossa Senhora do Livramento, estado do Mato Grosso, abrangendo o cerrado e pantanal, foram registrados o uso de 82 plantas medicinais para diferentes indicações e rituais de cura, sendo que as finalidades terapêuticas mais citadas foram para diminuir a viscosidade sanguínea, contra insônia, contra anemia, para diminuir calores, fortalecer o pulmão, acalmar, contra tosse, para eliminar pedras nos rins, fortificante do cérebro e como rejuvenescedor. Mostraram que 11 espécies relatadas pelos quilombolas coincidem com os efeitos e ações descritos nos estudos científicos publicados, dentre estas

Casearia sylvestris Sw., Dipteryx alata Vog., Stryphnodendron obovatum Benth., como

aniinflamatórios e Brosimum gaudichaudii Trec. como antibiótico. Concluiram que levantamentos etnofarmacológicos realizados entre grupos afro-brasileiros podem ser muito promissores na descoberta de novas drogas.

Franco e Barros (2006) realizaram um estudo no quilombo Olho D‟Água dos Pires, no Esperantina, Piauí e mostraram que os entrevistados citaram 82 espécies e mencionaram que a espécie mais citada foi a Hymatantus sucuuba (Spruce ex Müll. Arg.) Woodson (Janaúba) indicada para gripe, inflamação na garganta, tosse, como depurativo do sangue e inflamações gerais.

Um estudo etnobotânico descritivo realizado no quilombola Sangrador, no Maranhão levantou as espécies vegetais, através do conhecimento tradicional, utilizadas em terapêuticas. Foram levantadas 121 espécies, sendo as mais citadas com finalidades terapêuticas a Mentha

spicata L.(Vique), Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood (Janaúba), Parahancornia amapa (Huber) Ducke (Mapá), Symphonia globulifera L. (Guanandi), Maclura tinctoria (L.) D. Don ex Steud (Tatajuba-de-espinho), Myracrodruon urundeuva Allemão (Aroeira), Anacardium occidentale L. ( Caju), Tabebuia sp.( Pau D‟arco Roxo), Hymenaea sp.(Jatobá), Brosimum acutifolium Hub.(Mururé) e Luehea divaricata Mart. (Açoita-cavalo). As espécies foram

indicadas para gripe, tosse, resfriado, gastrite, úlceras no estomago, genitounirários, osteomusculares e para depuração do sangue. Relatam que o resgate da terapêutica local pode fornecer relevantes contribuições para a diversidade sócio-cultural e biológica em território de comunidades tradicionais (MONTELES; PINHEIRO, 2007).

Pereira, L. et al. (2007) realizaram estudo etnobotânico em comunidade quilombola do Curiau, na Amazonia Oriental, tendo como objetivo identificar as plantas das famílias Piperaceae e Solanaceae, usadas pela população da comunidade quilombola do Curiaú, como recursos medicinais. Foram encontradas sete espécies destas famílias, sendo a mais citada

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cabeça, picada de inseto, furúnculo, cicatrização de feridas e inflamação nas pernas. Mostraram que a comunidade participante é detentora de conhecimentos sobre o uso e cultivo das espécies levantadas no estudo.

Outro estudo etnobotânico realizado na comunidade quilombola Senhor do Bonfim em Areia, no estado da Paraíba, apresentaram como resultados o levantamento de vegetais utilizados para fins medicinais. Verificou-se que as plantas mais utilizadas foram o

Cymbopogon citratus D.C Stapf (Capim santo), a Lippia alba (Mill) N.E.Br. (Erva cidreira) e Mentha x villosa Huds. (Hortelã da folha miúda). As enfermidades mais citadas foram a dor

na barriga, dor de cabeça, febre e conjuntivite. As pessoas da comunidade estudada mantêm a crença e cultura sobre plantas medicinais e afirmam acreditar mais nas plantas do que nós fármacos (Sales; Albuquerque; Cavalcanti, 2009).

Barroso, Reis e Hanazaki (2010), mostram o conhecimento etnobotânico e etnoecológico de comunidades quilombolas do Vale do Ribeira sobre a espécie Euterpe edulis

Martius. (Palmeira juçara). Dentre os usos de diversas partes da palmeira para diferentes

funções citadas no estudo, o mais diferenciado foi o uso medicinal da seiva do palmito jovem, indicada para desinfecção, como anestésico ou para a coagulação do sangue relacionada a picadas de cobra na mata. A etnoecologia e a etnobotânica mostram-se ferramentas importantes no levantamento do conhecimento ecológico local do E. edulis, consideradas importantes no manejo e na conservação da espécie na Floresta Atlântica.

Almeida e Bandeira (2010) realizaram um estudo nos quilombolas do município de Jeremoabo, Bahia, objetivando determinar o valor local das espécies vegetais utilizadas por estas comunidades, principalmente aquelas da caatinga. Foram levantadas 86 espécies para diferentes finalidades, sendo mais citadas para fins medicinais. As espécies mais valorizadas foram Gochnatia oligocephala (Gardner) Cabrera (Candeia), Myrcia sp.(Araçá), Schinus

terebinthifolius (Aroeira), Hymenaea courbaril (Jatobá) e Mimosa tenuiflora (Jurema). Outras

espécies foram também identificadas para uso medicinal como Anacardium occidentale

L.(Caju), Ziziphus joazeiro Mart (Juá) e Anadenanthera colubrina var. Cebil (Griseb.) Altschul (Angico). Afirmam que as espécies identificadas no estudo deveriam fazer parte do

Programa de Conservação da Caatinga e projetos educacionais culturalmente diferenciados sobre o meio ambiente.

Lopes (2010) descreve sobre o conhecimento etnobotânico de uma comunidade quilombola no Vale do Ribeira, Paraná, Brasil e a relação com as potencialidades e desafios ao desenvolvimento rural sustentável desta comunidade. Foram citados diversos usos para os

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vegetais, sendo o uso medicinal abrangeu 85 espécies. Verificou-se que a Baccharis

dracunculifolia D.C. poderá representar uma potencialidade na produção de própolis.

Um estudo etnobotânico, visando identificar plantas medicinais para tratamento de afecções bucais foi realizado por Oliveira, E. et al. (2011) no quilombola Kalunga de Engenho de Dentro, em Cavalcante - Goiás. Foram citadas 38 espécies com indicações para dor dente, afta, ulcerações, infecções, sapinho, inflamação, edema e como anestésico local. As quatro espécies mais citadas foram o Gossypium spp.(Algodoeiro), Oxalis acetosella Linnaeus (Azedinha), Bidens cynapifolia HBK. (Carrapicho), Ipomoea batatas Poir (Batata doce), assim como Vellozia squamata Pohl. (Canela D‟ema), Cestrum corymbosum Schlecht (Capa- rosa), Lafoensia pacari A.St.Hil. (Pacari) e Jatropha gossypiifolia L. (Pinhão-roxo). Verifica- se a importância da manutenção da biodiversidade do cerrado brasileiro e preservação de espécies vegetais.

Do mesmo modo,Barbosa e Pinto (2003) mostraram, em estudo realizado, o resgate e a valorização da fitoterapêutica tradicional dos índios Kaiapó do estado do Pará e identificação de espécies vegetais com potencial farmacêutico. Os pajés apresentaram cinqüenta e três vegetais diferentes, dos quais vinte tiveram identificação botânica com base em fotografias, abrangendo também o nome tradicional das plantas e suas indicações, tais como Ficus amazônica (Mê ô mie kangô) indicada para disenteria, vômito, dor no corpo e reumatismo; Emmotum aff. Nitens(Pitykõpati) e Coccoloba paniculata (Piopati) para malária; e Ardisia sp. (Okanare, Oia kare) para fraqueza, anemia e desidratação.

Outro estudo sobre conhecimentos tradicionais indígenas, de Moraes et al. (2005), apresentam um levantamento das plantas medicinais utilizadas pelos índios Tapeba do Ceará e mostram que esta comunidade indígena faz uso de muitas espécies vegetais sem dados químicos e farmacológicos registrados, assim como de outras plantas pesquisadas científicamente, mas que necessitam ainda de estudos complementares. Dentre as plantas citadas estão: Amburana cearensis (Allemão) A. C. Sm. (Cumarú), Astronium urundeuva

(Allemão) Engl.(Aroeira-do-sertão), Cymbopogon citratus (DC.) Stapf (Capim santo), Hybanthus ipecacuanha (L.) Baill. (Ipecacuanha) Hyptis suaveolens (L.) Poit.(Bamburral), Kalanchoe brasiliensis Cambess.(Courama), Ocimum gratissimum L.(Alfavaca), Spondias mombim Jacq.(Cajazeira) e Tabebuia serratifolia (Vahl) G. Nicholson (Pau D‟arco branco),

inseridas na categoria de plantas validadas para uso.

Rodrigues e Carlini (2006), em estudo realizado com índios Krahô registraram o uso de plantas com ações potencialmente psicoativas e em rituais de cura, indicadas por xamãs locais. Foram citadas 45 espécies vegetais com finalidade terapêutica. Concluíram que estes

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indígenas utilizam plantas com finalidades terapêuticas como “para evitar de ficar louco”, “estimulante”, “calmante”, “para diminuir tremores”, “para dormir por mais tempo”, “para abrir a cabeça” e “para induzir o sono”. Concluiram que que estes indígenas utilizam plantas com finalidade terapêutica para problemas psicológicos/psiquiátricos e que estas plantas poderão proporcionar novos medicamentos para a psquiatria.

Um estudo realizado por Pezzuti e Chaves (2009) documentaram o uso de plantas com propriedades farmacológicas pelos indígenas da etnia Deni, do Amazonas. Estas comunidades habitam a região amazônica, entre os rios Juruá e Purus. As espécies, que foram citadas na família linguística Arauá, compreendem Mapidzú, um anestésico local para ferrada de arraia;

Unuvana rebeberi e Tsudá kumani diminuir a febre e Avi kuburi “para acabar com o

desânimo”, além de outras com diferentes finalidades.

Albuquerque et al. (2008) realizaram um estudo etnobotânico comparativo sobre plantas medicinais, envolvendo como bioma a caatinga, entre uma comunidade rural do município de Caruaru e outra indígena da etnia Funil-ô do município de Águas Belas, de Pernambuco. Foram citadas 86 espécies vegetais de uso medicinal pelas comunidades indígenas como Anacardiun occidentale L. (Caju), Anadenanthera colubrina (Angico),

Cymbopogon citratus (Capim santo), Plectranthus amboinicus Lours Speng (Hortelã da folha

grande), Punica granatun Linn (Romã) e Ziziphus joazeiro (Juá). As comunidades rurais citaram espécies tais como: Amburama cearenses (Cumaru), Lippia alba, Maytenus rígida

Mart (Bom nome), Myracrodruon urundeuva (Aroeira) e Syderoxylon obtusifolium

(Quixaba). Mostraram que as espécies Croton raminifholiuns Will (Velame), Hyptis mutalis

(Rich) Briq (Samba caitá), Lippia sp 2.(Alecrin do caboclo) e Mentha sp2. (Hortelã da folha

miúda) foram citadas apenas pelos rurais e Mentha sp 1 (Hortelã da folha miúda) somente pelos Funil-ô. Concluiram que o conhecimento local é um fator importante na seleção de plantas medicinais.

Alguns estudos realizados em comunidades rurais mostram o registro de espécies vegetais medicinais como mostram Albuquerque e Andrade (2002), que estudaram uma comunidade do agreste pernambucano. Levantaram espécies da caatinga com finalidades medicinais como Anacardium occidentale L. (Caju), Acanthospermum hispidum DC. (Espinho cigano), Schinopsis brasiliensis Engl. (Braúna), Myracrodruon urundeuva (Engl.) Fr. All.(Aroeira), Gomphrena vaga Mart.(Alento), Egletes viscosa Less.(Macela),

Heliotropium indicum L.(Fedegoso), Caesalpinia ferrea Mart. (Jucá), Hymenaea courbaril L.

(Jatobá), Chenopodium ambrosioides L.(Mastruz), Kalanchoe brasiliensis Cam.(Pratudo), Croton rhaminifolius Muell. Arg.(Velame), Erythrina velutina Willd. (Mulungu),

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Plectranthus sp.( Hortelã), Cymbopogon citratus (DC) Stapf (Capim santo), Ziziphus joazeiro

Mart.(Juá), Lippia alba (Mill.) Brow. (Erva-cidreira), Hibanthus cf. ipecacuanha (L.) Baill. (Pepaconha), dentre outras espécies. Concluiram que torna-se importante incentivo de estudos etnobiológicos na caatinga visando o conhecimento de estratégias de manejo e uso de diferentes recursos, uso da terra e segurança alimentar.

Amorozo (2002), em estudo realizado em três comunidades rurais Morro Grande, Barreirinhas e Varginha, pertencentes ao município de Santo Antônio de Leverger, Mato Grosso, cuja vegetação predominante é o cerrado, identificaram o uso de 228 espécies, com mais indicações para problemas digestivos e respiratórios. Sugere que o número de espécies e o conhecimento tradicional podem sofrer um acréscimo inicial, diante da exposição desta comunidades à sociedade nacional e após um contato mais aprofundado e decorrente de mudanças sócio-econômicas, há uma tendência de que as plantas usadas com fins terapêuticos restrinjam-se às espécies cultivadas e invasoras cosmopolitas.

Outro estudo foi realizado por Pinto, Amorozo e Furlan (2006)em duas comunidades rurais, Marambaia e Camboinha, em Itacaré, Bahia, visando o levantamento etnobotânico sobre o conhecimento e uso de plantas medicinais, envolvendo o bioma Mata Atlântica. Foram identificadas 48 espécies, sendo as mais citadas Chenopodium ambrosioides L. (Mastruz) e Lippia alba (Mill) N.E. Br. (Erva-cidreira). As indicações terapêuticas mais citadas pelos informantes se referem à doenças, sintomas e sinais relativos ao aparelho digestivo e abdômen. Diferentes espécies foram levantadas e identificadas com propriedades medicinais.

Oliveira, Barros e Moita Neto (2010) mostraram o uso de plantas tradicionalmente usadas para fins terapêuticos por comunidades rurais do municípios de Oeiras, no Piaiu, abrangendo uma área de transição entre cerrado e caatinga, com predomínio da caatinga. Foram identificadas 169 etnoespécies, sendo os gêneros mais citados Croton L., Senna Mill.,

Jatropha L. e Solanum L., Caesalpinia ferrea Mart., Ximenia americana L., Myracrodruon urundeuva Allem. e Lippia alba L. As finalidades terapêuticas mais citadas foram para

tratamento dos transtornos do sistema respiratório e das doenças infecciosas intestinais, hepáticas e helmintíases, e dentre estas a gripe e diarréia. As comunidades rurais são detentoras de conhecimento sobre plantas medicinais, em especial as nativas.

Roque, Rocha e Loiola (2010) realizaram estudo em comunidade rural de Laginhas, em Caicó, Rio Grande do Norte, representada por mateiros, raizeiros, agricultores e donas de casa, com o objetivo identificar as formas de uso de plantas medicinais nativas do bioma Caatinga. Foram levantadas 62 espécies nativas com finalidades medicinais. As espécies mais

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citadas e com maior numero de indicações terapêuticas foram a Myracrodruon urundeuva

Allemão (Aroeira) para inflamação e Amburana cearensis (Allemão) A. C. Sm.( Cumaru) para

gripe e sinusite. Reforçam sobre a importância da relação entre comunidades rurais e biodiversidade.

Com relação aos estudos em comunidade urbanas ou entornos destas, um estudo realizado por Ritter et al. (2002) em comunidade urbana do município de Ipê, no Rio Grande do Sul, com o objetivo de investigar a medicina tradicional referente as plantas medicinais e melhoramento das práticas tradicionais, identificaram o uso de 105 espécies e analisaram as mesmas de acordo com dados químicos, farmacológico e toxicológicos da literatura científica. De acordo com o estudo a comunidade pesquisada utiliza espécies medicinais seguras como

Chamomilla recutita (L) Rauschert (Camomila), Foeniculun Vulgare Mill (Funcho), Cynara scolimus L.(Alcachofra) e Malva sylvestris (Malva), porém usa também plantas de toxicidade

estabelecida como Ruta graveolens L.(Arruda), Aloe arborescens Mill (Babosa) como uso interno, Chelidoniun majus L. (Codina), Synphytun oficcinale L.(Confrei) como uso interno,

Ficus carica L. (Figueira) como uso externo, Ricinus Commulis L. (Mamona), Mormodica charantia L.(Melão-de-são-caetano) e Artemisia absinthium L.(Losna), além de outras

desconhecidas quanto ao risco/benefício.

Borba e Macedo (2006) em estudo realizado com famílias residentes no bairro Santa Cruz, na cidade de Chapada dos Guimarães, MT, Brasil, composta por pessoas nascidas em área rural e urbana, mostram um levantamento das plantas medicinais utilizadas pela comunidade local para a manutenção e recuperação da saúde bucal. Foram identificadas 87 espécies, sendo as mais citadas Matricaria chamomilla L.(Camomila); Citrus aurantium L

(Laranjeira), Mentha pulegium L.(Poejo) e Achyrocline satureoides (Lam.) DC.(Marcela),

citadas por pessoas idosas, líderes comunitários, parteiras e benzedeiras, detentores deste conhecimentos. As finalidades terapêuticas citadas foram diversas, incluindo dor de dente, erupção dos dentes, candidíase, gengivite e afta. Constatou-se que a comunidade utiliza espécies vegetais com finalidade terapêutica para a saúde bucal e que estas apresentam grande diversidade.

Botrel et al. (2006) em estudo etnobotânico realizado em área urbana e periurbana do município de Ingai, MG, Brasil, mostraram o uso da vegetação com de diferentes categorias de uso como medicinal, lenha, madeireiro e diversos. O efeito terapêutico das espécies citadas foi identificado pelo uso de Bredemeyera laurifolia (A. St.-Hil. & Mog) Kl, indicada para infecções no útero e ovários e para engravidar; Ilex cerasifolia Reisseck, para infecção dos rins; Psychotria sp., para dores no corpo; Solanum lycocarpum A. St.-Hil. como depurativo

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do sangue e Stryphnodendron adstringens (Mart.) Cov. e como cicatrizante. A população participante do estudo são conhecedoras de espécies nativas com diferentes finalidades de uso.

O estudo realizado por Souza e Felfiti (2006) nas comunidades do entorno do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e da cidade de Alto Paraíso, Goiás, através de um levantamento etnobotânico, possibilitou observar que as espécies vegetais do cerrado são amplamente utilizadas. As dez espécies medicinais mais citadas foram: Echinodorus

macrophyllus (Kunth) Micheli (Chapéu de Couro), Lychnophora ericoides Mart. (Arnica), Hymenaea stigonocarp Mart. ex Hayne (Jatobá), Magonia pubescens A. St.-Hil (Tingui), Stryphnodendron adstringens(Mart.) Coville (Barbatimão), Acanthospermum australe (Loefl.) Kuntze (Carrapicho) e Chenopodium ambrosioides L.( Mastruz). A comunidade estudada

utiliza a biodiversidade nativa, porém utiliza os recursos sem um programa eficiente de manejo sustentável.

Silva e Freire (2010) identificaram, em abordagem etnobotânica realizada com populações do entorno da Estação Ecológica do Seridó, no município de Serra Negra do Norte, Rio Grande do Norte, o uso de 31 plantas nativas e 14 exóticas com finalidades medicinais, dentre todas as espécies levantadas. As plantas nativas mais citadas foram

Mimosa ophthalmocentra Mart. ex Benth (Jurema), usada para inflamação, dor de dente e

cicatrização, Amburana cearenses (Fr. All.) A.C. Smith ( Cumaru) indicada para inflamação, cicatrização, gripe e sinusite e Caesalpina pyramidalis Tul. (Catingueira) como anti- inflamatório, analgésico, cicatrizante e para gripe, reumatismo, diarreia e gastrite. Sobre as espécies exóticas as mais citadas foram hortelã da família Lamiaceae para gripe e como analgésico, caju da familia Anacardiaceae para inflamação e desinteria e limão da família Rutaceae para gripe. Consideram que o conhecimento popular resgatado pode propiciar uma parceria entre comunidade local e científica sobre plantas medicinais.

Um estudo realizado por Pasa e Avila (2010), em área urbana do minicípio de

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