Ao entrevistar os assessores de Gestão de Pessoas da organização questionou-se o grau de comprometimento e responsabilidade dos colaboradores da Geração Baby Boomers, se era maior do que a Geração Y e qual destas duas
gerações eram mais comprometidas. Em meio a isso se obteve a seguinte resposta dos assessores: “Existem diferentes olhares sobre estes grupos e, também, há o
fator familiar/social a ser pensado. No total, em geral, os Baby Boomers são os que “vestem a camisa” pela empresa, os X se dedicam ao máximo, mas muito mais por sua própria necessidade de crescer, o comprometimento é seu, é próprio. Quanto aos Y, eles se comprometem consigo (tal como os X), porém há a preocupação com sua vida pessoal (ao contrário dos X). Quanto às responsabilidades, isso é muito nato, o que acaba caindo fora do problema das gerações”. Houve também a visão
de outro assessor que se mostrou um pouco contrário, afirmando que na há muitas diferenças no comportamento dessas gerações: “Quanto às diferenças entre
épocas, vejo que o maior impacto nas empresas é a maneira que as pessoas visualizam o trabalho, porém, não observo grandes diferenças no comprometimento de ambas as gerações para o trabalho. Apenas identifico que, diferente da geração Baby Boomers, a Y não se prende à ideia de um trabalho duradouro, mas sim, a um ambiente laboral que permita que exponham suas ideias, que possua qualidade de vida e que os realizem profissionalmente, fatores esses que poderão impactar no seu comprometimento à empresa, pois o mesmo poderá estar ligado à sua identificação pela razão de existir da organização”.
Segundo Lipkin e Perrymore (2010), o profissional da Geração Y preza pela vida em primeiro lugar, seguem regras que funcionam e estabelecem as próprias regras, “veste a camisa” só quando for necessário e espera que a empresa mude conforme as suas necessidades.
A próxima pergunta elaborada foi em relação ao Feedback, ou seja, se os colaboradores da Geração Y possuem uma relação mais aberta para conversar com o seu gestor do que a geração X. Neste questionamento ocorreram respostas semelhantes, os assessores trouxeram as diferenças das duas gerações. “Geração
X: pessoas que possuem boa capacidade de escuta, abertos às mudanças, aceitam opiniões, preferem se preparar para o momento, se sentindo mais confortável se o feedback for agendado antecipadamente. Já para os integrantes da Geração Y, possuem uma necessidade de feedbacks instantâneos, ou seja, logo que o fato ocorra posicionar-se quanto a performance positiva ou negativa do profissional. Eles são mais questionadores e procurarão evidências para os pontos que seu gestor trará. Possuem uma expectativa de que o feedback seja num formato de
orientação/coaching, para que possam visualizar um plano de carreira dentro da empresa. Buscarão reconhecer seus erros”.
Em relação ao feedback, Lipkin e Perrymore (2010), afirmam que esta geração possui uma grande necessidade de receber retornos de sua liderança a cerca de seu trabalho, pois foram acostumados desde criança a receberem retornos de seus pais. Quando estes jovens são elogiados ou estimulados, demonstram maior potencial e compromisso para com a empresa, no contrário, quando são ignorados, seu potencial cai, afetando os resultados financeiros da organização.
Logo após foi questionado sobre a empresa, se ela deve se moldar as novas gerações ou os colaboradores destas gerações deverão se moldar à empresa. Novamente as respostas dos assessores se assemelham. “É um processo que gera
adaptações de ambas as partes: empresa e colaborador, e a empresa que não souber trabalhar desta maneira irá se perder no mercado e para manter-se no mercado, necessita rever as estratégias, o modo de gerir as pessoas, os incentivos, para se adequar as necessidades das novas gerações. Porém, este processo ocorre sempre olhando para sua cultura, missão, visão e valores. Do mesmo modo, é necessário que o colaborador, ao entrar na organização, traga ideias novas, mas também siga as normas e busque entender a cultura da empresa, se moldando a esta numa relação recíproca de ganho-ganha”.
Na organização há várias gerações que trabalham juntas ao mesmo tempo, por isso foi questionado à eles como é esta relação na organização, pois segundo alguns autores a Geração Baby Boomers tem espírito de equipe, a X prefere agir de forma isolada e a Y valoriza equipes abertas e honestas. “Há poucos Baby Boomers
em nossa empresa, mas estes defendem a empresa, os X estão em funções estratégicas e de gestão, tem dificuldade de aceitar a inconstância e urgência dos Y. Os Y são rápidos e se entendem com facilidade. Buscam crescimento imediato, porém trabalham em parcerias. Essas diferenças geracionais são pontos que acrescentam às organizações, pois, o aprendizado que essa convivência gera, agrega valor à empresa. A relação entre eles, se for gerenciada de maneira a valorizar o potencial de cada um, poderá originar um time de alta performance, pois, aprenderão com os ensinamentos dos mais experientes, quebrarão paradigmas com os mais jovens e construirão ideias criativas e empreendedoras incentivados pela geração X. Depende muito da gestão da equipe e da abertura dos seus membros”.
A presença de diferentes gerações no mesmo ambiente de trabalho faz com que a empresa necessite de adaptações em seus processos gerenciais, visando o bem estar de seus colaboradores e um ambiente saudável, obtendo o máximo de cada um e o aproveitamento de suas diferentes competências.
E por fim, a última pergunta realizada aos entrevistados foi de que maneira a empresa (organização em estudo) pode conviver com todas as gerações e equilibrar as perspectivas de cada uma. “A escuta é um passo importante, além da abertura
para as ideias de todos e de planejamento em conjunto das ações. A troca de experiências entre as gerações é fantástica. Envolver todos os membros da empresa nos objetivos a serem alcançados, faz com que as pessoas sintam-se parte da construção e consequentemente tornam-nas mais engajadas em suas atividades. Valorizar também as contribuições individuais, bem como, as coletivas, é uma forma de gerar o equilíbrio geracional e um time vencedor”.
A visão dos assessores em relação ao tema gerações é atual e mostra perfeitamente como eles visualizam esta geração no ambiente de trabalho. Todas as características apresentadas pelos autores é o que realmente os assessores visualizam em seus colaboradores, a percepção é nítida. O papel de cada assessor é muito importante dentro da organização, pois é a partir deles que novos indivíduos começam a atuar na organização como colaboradores. Cada indivíduo possui características próprias, mas como os assessores apontam, cada indivíduo pertence a uma geração e cada um busca se moldar para se relacionar com todos os colegas, na construção de resultados e relações interpessoais melhores.
No item 4.3 foi abordado o segundo objetivo, analisando de que maneira os gestores e os CAFs percebem o comportamento dos colaboradores destas gerações que acabam estando sob sua responsabilidade, ou seja, sob sua gestão.
4.3 Percepção dos gestores de equipes em relação ao comportamento dos