Após a seleção de variáveis, a seleção das fontes de dados é um fator determinante para a qualidade de nossa base. Bases públicas provenientes de fontes governamentais, ditas oficiais, são um dos caminhos para obtenção de um dado real
e de qualidade adequada, porém, mesmo nesse cenário considerado ideal, podemos encontrar falhas que influenciam no desenvolvimento de soluções.
A base do projeto SONDA é a responsável por gerar o Atlas Solarimétricos do Brasil, mas, em análises simples, podemos identificar falhas comprometedoras, como podemos ver na figura 3.
Figura 3 – Gráfico de ausência de valores
É possível perceber a partir da figura 3, que diversos valores são faltantes nas coletas da base SONDA, específicamente nessa análise, para a cidade de São Luís do Maranhão, no ano de 2015. A interpretação do gráfico segue o raciocínio de que a cada dado ausente não é impressa a linha correspondente de tal valor.
Isso não significa o descarte da base pois os dados contidos podem refletir a realidade. Porém, necessitamos de uma atenção maior aos dados coletados. Os er- ros contidos na base, geralmente, se tratam de falhas de comunicação entre a estação de coleta e o armazenamento, uma descalibragem ou um defeito de um equipamento, não sendo, necessariamente, fatores contínuos e duradouros; os erros podem ser cor- rigidos, e, tão logo aconteça, os valores adquirem novamente a qualidade desejada.
Portanto, bases auxiliares podem suprir a falha ou a ausência de confiabi- lidade de uma outra, ou até mesmo ajustar detalhes que por precisão ou conversão de medidas possam surgir. Dessa forma, em nosso projeto, utilizaremos as seguintes bases: SONDA (como já especificado anteriormente), SINDA, NASA, BDMEP diário e BDMEP horário, que serão melhor detalhadas a seguir.
4.2.1 SINDA
Como podemos consultar no seu site, o projeto SINDA (Sistema Integrado de Dados Ambientais) é o responsável por compilar as informações obtidas através do sistema de satélites que carregam o sistema DCS (transponder de coleta de dados) e da rede de plataformas de coletas de dados (PCD’s) instaladas no solo brasileiro.
Esse projeto é mantido pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaci- ais) e têm por objetivo atender as demandas de dados ambientais em todas as insti- tuições do país, dentre elas, a ANA (Agência Nacional de Água), Petrobrás - Oceono- grafia, ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), órgãos de Defesa Civil, entre outros1.
A base utiliza regiões onde possui estações de coletas como parâmetro de consulta, utilizando-se das informações de latitude e longitude, as variáveis disponibi- lizadas estão listadas no quadro 6.
Quadro 6 – Variáveis da base SINDA Variáveis
Direção do vento (oNV) Pluviometria (mm)
Pressão Atmosférica (mB) Radiação Solar Global (W/m2) Temperatura do ar (oC) Temperatura máxima (oC) Temperatura mínima (oC) Umidade Absoluta do Ar (\%) Umidade Relativa do Ar (\%) Velocidade do Vento (m/s)
Velocidade Máxima do Vento (m/s)
4.2.2 POWER
A base de dados POWER (do inglês, Prediction of Worldwide Energy Re- source) é um projeto estabelecido pela NASA (do inglês, National Aeronautics and Space Administration), agência do Governo Federal dos Estados Unidos responsável por pesquisas e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial. Cujo objetivo é entender e modelar a estrutura climática global e suas variações. O
1 Informação extraída do site do SINDA, disponível em http://sinda.crn.inpe.br/PCD/SITE/novo/site/sobre.php.
projeto foi pensado para fornecer à população, dados a partir de sistemas de satélite focado em três comunidades: Energia renovável, edifícios sustentáveis e agroclimato- logia2.
O projeto disponibiliza dados de todo o globo, baseado na localização do local. Os dados são extraídos de imagens adquiridas pelos satélites próprios e com- plementada com coletas de dados parciais de alguns outros projetos cujo acesso é público. A modelagem de dados voltada a energia renovável dispõe das variáveis le- vantadas no quadro 7
Quadro 7 – Variáveis da base POWER Variáveis
Meteorologia (Umidade e outro):
Precipitação (mm day-1)
Umidade Específica a 2 metros (kg kg-1) Umidade Relativa a 2 metros (%)
Pressão atmosférica (kPa)
Meteorologia (Temperaturas)
Variação de temperatura a 2 metros (oC) Temperatura da pele da terra (oC) Ponto de orvalho/geada a 2 metros (oC) Temperatura máxima a 2 metros (oC) Temperatura mínima a 2 metros (oC) Temperatura a 2 metros (oC)
Meteorologia (Vento)
Velocidade mínima do vento a 10 e 50 metros (m/s) Velocidade máxima do vento a 10 e 50 metros (m/s) Variação da velocidade do vento a 10 metros (m/s)
Direção do vento a 10 e 50 metros (Convenção meteorológica)(Graus) Velocidade do vento a 10 e 50 metros (m/s)
Aplicações térmicas-solares
Índice de claridade atmosférica com céu limpo Índice de claridade atmosférica
Fluxo radiativo infravermelho para baixo (onda longa) (kW-hr/mˆ2/day) Índice de insolação de céu claro em superfície horizontal (kW-hr/mˆ2/day) Insolação incidente \textitAll-Sky em superfície horizontal (kW-hr/mˆ2/day)
Solar
Insolação incidente \textitAll-Sky em uma superfície horizontal (kW-hr/mˆ2/day) Insolação incidente de céu limpo em superfície horizontal (kW-hr/mˆ2/day)
Painéis solares inclinados
Índice de claridade
2 Informação extraída do site NASA POWER, disponível em https://power.larc.nasa.gov/. Acesso em
4.2.3 BDMEP
O governo brasileiro dispõe de um instituto responsável por medições me- teorológicas, conhecido como INMET, representando o país junto à Organização Me- teorológica Mundial (OMM). Dentro dessa organização, o INMET tem por obrigação compartilhar as coletas relacionados a meteorologia da América do Sul, além de se- diar o GISC (Centro de Sistema de Informação Mundial). O órgão possui estações de coletas conhecidas como radiosonda, estações meteorológicas de superfície manuais e automáticas. Essas informações são disponibilizadas de forma gratuita no site da instituição, com o objetivo de auxiliar a tomada de decisão de diversos setores3.
O INMET possui registros, em forma digital, coletados desde 1961 e em processo de incorporação de outros dados históricos registrados por documentos da época do império. O sistema responsável pela disponibilização das informações é cha- mado de BDMEP (Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa) e dispõe de diferentes formas de compartilhamento, mensal, diária e horária. As variáveis são diferentes para cada tipo de métrica, conforme quadro 8.
Quadro 8 – Variáveis da base BDMEP
Quadro de variáveis do BDMEP
Mensal Diária Horária
Direção do Vento Predominante (tabela) Evaporação do Piche(mm) Direção do Vento
Evaporação do Piche (mm) Insolação(horas) Nebulosidade
Evapotranspiração Potencial BH (mm) Precipitação(mm) Pressão Atm nível Estação(mbar) Evapotranspiração Real BH (mm) Temp Máxima(oC) Temp Bulbo Seco(oC)
Insolação Total (hs) Temp Mínima(oC) Temp Bulbo Úmido(oC)
Nebulosidade Média (décimos) Temperatura Compensada Média(oC) Umidade Relativa(%)
Número de Dias com Precipitação (qtd) Umidade Relativa Média(%) Velocidade do Vento(m/s) Precipitação Total (mm) Velocidade Vento Média(mps)
Pressão Atm Média (mbar)
Pressão Atm nível Mar Média (mbar) Temp Compensada Média(oC)
Temp Máxima Média(oC)
Temp Mínima Média(oC)
Umidade Relativa Média (%)
Velocidade do Vento Máxima Média (mps) Velocidade do Vento Média (mps) Visibilidade Média (%)
3 Informação extraída do site do INMET, disponível em http://www.inmet.gov.br/portal/index.php.