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Cadre de la zone d’´etude

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7.1 Terra Sirenum

7.1.1 Cadre de la zone d’´etude

Muitos autores nacionais deixaram os seus relatos na literatura teatral brasileira. Alguns narram as experiências e vivências suas ou mesmo de importantes grupos, em outros países, alguns relatam resultados de suas investigações com grupos no próprio país. Mas poucos desenvolvem uma técnica realmente brasileira de fazer Teatro.

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A referida seção se chama Scuola, tem sempre uma só página e o jornalista responsável se chama Claudio Facchinelli.

Neste momento enumero alguns dos principais autores teatrais nacionais, com uma breve síntese de seus escritos mais importantes. A começar por Augusto Boal, que é o mais reconhecido internacionalmente, um autor que possui uma vasta pesquisa na área teatral e, talvez, o único criador de um estilo de teatro verdadeiramente brasileiro. Sua história literária é tão ampla que, mesmo relatando de forma resumida, já merece um sub-item apenas para a sua descrição.

6.2.1 Augusto Boal (1931 - )

Augusto Boal, dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro. nasceu no Rio de Janeiro em 1931. Estudou na School of Dramatics Arts da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde foi aluno do dramaturgo John Gassner. Preconiza o teatro como uma forma de auxiliar as transformações sociais, como elemento de conscientização das massas e formação de lideranças nas comunidades. Desenvolveu algumas tècnicas teatrais dentre as quais a mais famosa é o Teatro do Oprimido. Sua maior obra é o Teatro do Oprimido, que transforma o espectador em elemento ativo, protagonista do espetáculo. Entre 1971 e 1986, quando esteve exilado por motivos políticos, Boal desenvolveu experiências teatrais em diversos países, merecendo o reconhecimento do público, da crítica, dos estudiosos e do meio teatral. Augusto Boal vive no Rio, onde dirige o CTO-Centro do Teatro do Oprimido e dedica-se, entre outras coisas, ao trabalho teatral numa série de presídios em todo o país.

Foram encontrados mais de 15 títulos de livros do autor, muitos dos quais sem resumo a disposição. Relaciono abaixo apenas quatro diretamente ligados a prática teatral, que continham resumos disponíveis:

Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas

Uma das razões da popularidade do Teatro do Oprimido - criado originalmente quando seu autor, Augusto Boal, iniciava um exílio de 15 anos, durante o governo militar - está no fato de não se tratar de uma simples cartilha dogmática. Publicado pela primeira vez em 1973, traduzido para mais de 25 idiomas e utilizado em mais de 70 países, o "Teatro do Oprimido" é um método de pesquisa e criatividade que tem como objetivo a transformação pessoal, política e social e que pode ser usado por todos aqueles que se enquadrem na categoria "oprimidos", sejam operários, camponeses, mulheres, negros, homossexuais. A idéia de transformar o espectador em elemento ativo na encenação pretende iluminar as formas sutis ou declaradas de dominação e exclusão social, proporcionando outras maneiras de ver o

mundo e as relações sociais. Para Augusto Boal, o importante é re-situar o indivíduo em seu entorno, apontando novas perspectivas de relações de poder.

O Teatro Como Arte Marcial

Neste livro, Augusto Boal fala de suas vivências ao fazer e inventar teatro durante cinco décadas: as pessoas com quem trabalhou, os episódios que testemunhou, as idéias que produziu, em relatos surpreendentes e muitas vezes comoventes.

Arco-Íris do Desejo: Método Boal de Teatro Terapia

Boal revela suas descobertas sobre improvisação, "Teatro Forum" e "Teatro Imagem" contidas na essência de seu "Teatro do Oprimido". As técnicas ajudam a entender o conflito entre o desejo e a vontade.

Jogos para Atores e Não-Autores

Versão mais completa do já celebre manual de jogos e exercícios do teatrólogo. O livro sistematiza os exercícios utilizados pelo Teatro de Arena entre 1956 e 1971, oferecendo métodos de importância.

6.2.2 Demais Autores de Importância Nacional

A maioria dos demais escritores de Teatro são professores universitários que relatam os resultados de suas experiências e pesquisas no meio Teatral. Relaciono-os, abaixo, em ordem alfabética (sobrenome) com o nome e breve resumo ou comentário das principais obras encontradas.

Cabral, Beatriz Ângela Vieira – Atualmente é diretora de artes cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina e professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: teatro e experiências interculturais, construção do conhecimento em artes, alternativas para o teatro na escola e na comunidade.

Drama como Método de Ensino, São Paulo, Hucitec. 2006

Até então o drama, este método de ensino criado em paises anglo-saxões, era pouco ou nada conhecido em nossas instituições educacionais e culturais, sendo, pois, efetivamente introduzido no Brasil por Beatriz Cabral. Isto vem enriquecendo sobremaneira o campo da Pedagogia do Teatro em nosso país, não apenas no material teórico que a autora nos apresenta, que articula de maneira própria o ensino e a aprendizagem de teatro, mas também, e especialmente, nas investigações artísticas e pedagógicas que Biange - como conhecemos

esta querida artista e educadora - vem coordenando em Florianópolis, e que estão aqui descritas e analisadas de maneira tanto didática quanto provocativa. (Flávio Desgranges)

Desgranges, Flávio – Doutor em Educação pela USP, realizou estágio no Théâtre des Jeunes Années, na França, e no Centro de Sociologia do Teatro da Universidade Livre de Bruxelas. É diretor teatral, dramaturgo e ministra as disciplinas Jogos Teatrais, Ação Cultural em Teatro e Teatro Aplicado à Educação

A Pedagogia do Espectador - São Paulo, Hucitec. 2006

Ao pensar o espectador como protagonista de um teatro concebido como manifestação cultural em que a dimensão educativa é intrínseca, este livro toca no núcleo das mutações contemporâneas da arte: o deslocamento do interesse pelos simbolismos das obras para o valor simbólico das ações, desligando a arte das categorias ilusionistas, valorizando a apresentação, com conseqüente ênfase na participação do espectador.

A Pedagogia do Teatro – São Paulo, Hucitec. 2006

Se a alguns artistas e responsáveis de instancias públicas e privadas ainda interessa estabelecer pretensas fronteiras estanques entre a educação e a ação sociocultural por um lado e a criação artística por outro - de modo talvez a manter privilégios e a assegurar prerrogativas consagradas pelo tempo - , muitos dos mais interessantes processos de trabalho teatral que podemos acompanhar em nossos dias constituem a demonstração mesma da não-pertinência da fixação desses limites[...].

É no âmago dessas questões que se insere o livro de Flávio Desgranges. Seu espírito crítico aguçado, seu olhar sensível o levam a equacionar aqui aspectos candentes de uma Pedagogia do Teatro que vem sendo forjada em processos artísticos tornados públicos com intensidade crescente. Inquieto, por vezes provocador Flávio transfere para seu texto essas características. Comprometido com as interrogações que perpassam o fenômeno teatral em nosso tempo e engajado na reflexão sobre o papel social dessa arte no que tange a todo e qualquer indivíduo por ela mobilizado, o autor nos apresenta um denso tecido de considerações nas quais o caráter estético e o aspecto formativo são indissociáveis. (por - Maria Lúcia de Souza Barros Pupo)

Japiassu, Ricardo - Professor Adjunto do Departamento de Educação/Campus XV - Valença/Ba da UNEB. Doutor em Educação pela FE-USP, mestre em Artes pela ECA-USP, licenciado e bacharel em Teatro pela ET-UFBa.

A Coroa de Tebas: Teatro – Campinas, Papirus. 2002.

Essa livre versão do mito pagão de Édipo, baseada na conhecida tragédia grega de Sófocles, vai além do enredo clássico, subvertendo-o. O vocabulário das personagens é atual e

permite fácil compreensão por parte do leitor. A coroa de Tebas apresenta dramaticamente as razões pelas quais o rei Édipo precisou cumprir um destino tão cruel, vergonhoso e terrível: a punição trágica de seu verdadeiro pai. A grande novidade dessa versão é que ela foi idealizada com vistas a um trabalho sobre a questão da diferença, a fim de propiciar uma discussão sobre como a sociedade encara o tema, com possibilidades de se explorarem vários aspectos das interações sociais.

Metodologia do Ensino de Teatro – Campinas, Papirus. 2003

De maneira clara e objetiva, essa obra expõe ao leitor os parâmetros educacionais de uma proposta didática para o ensino de teatro a crianças e pré-adolescentes das séries iniciais (1ª a 4ª série), fundamentada nos pressupostos teórico-práticos do sistema de jogos teatrais formulado por Viola Spolin (arte-educadora norte-americana). O livro constitui referência bibliográfica relevante para profissionais da educação interessados em discutir e resgatar o papel e o espaço das diferentes linguagens artísticas, além de fornecer um guia de atividades que pode ser utilizado em sala de aula e para grupos.

A Linguagem Teatral na Escola - Campinas, Papirus. 2007

Esse livro é um apanhado de materiais relevantes para educadores interessados em uma prática pedagógica reflexiva em artes. A obra encontra-se organizada em duas partes: a primeira trata de discutir e expor a aplicação de uma proposta metodológica para o trabalho pedagógico com a linguagem teatral na educação infantil, focalizando de modo privilegiado a atividade docente na pré-escola. A segunda parte analisa o desenvolvimento cultural de alunos matriculados no Ensino Fundamental (séries iniciais), sinalizando a importância e o impacto positivo das práticas pedagógicas envolvendo a linguagem teatral em processos de letramento. A maioria dos capítulos apresenta os resultados das pesquisas de campo realizadas pelo autor em escolas públicas paulistanas. Indicado para quem quer fugir da prática pedagógica tradicional, utilizando a linguagem artística na sala de aula.

Koudela, Ingrid - docente do curso de pós-graduação em teatro na ECA/USP - São Paulo

Jogos Teatrais – São Paulo, Perspectiva. 1990

A procura de uma sistematização do ensino de Teatro norteia as preocupações deste livro, que vem preencher lacunas sensíveis, em nosso meio, neste espaço cheio de dúvidas e contradições, que é o Teatro aplicado à Educação ou, como se pretende atualmente, Teatro- Educação.

Este livro abre ao leitor brasileiro uma visão pouco conhecida da obra brechtiana: a da peça didática como uma proposta de teatro que abole a presença do espectador e a converte em ação participativa. Todos são atuantes na ação encenante. Com base em textos cuja maioria é traduzida pela primeira vez para a língua portuguesa, Ingrid Dormien Koudela extrai criticamente os elementos deste projeto verdadeiramente revolucionário que o autor de Galileu Galilei desenvolveu como alvo explícito, não só do processamento pedagógico e político, mas também estético, deu seu teatro “para o povo”. Trata-se na verdade da cena pública na sociedade dos iguais. Mas a discussão que percorre as páginas deste livro não se limita ao propósito último da “peça didática”, em que pese a sua importância para o entendimento de todo o universo dramático brechtiano. Na verdade, reunindo em uma síntese original Viola Spolin, Jean Piaget a Brecht, a autora esboça aqui uma autêntica teoria do jogo de aprendizagem e da educação, propondo inclusive elementos para a sua metodologia e implementação prática.

Um Vôo Brechtiano - São Paulo, Perspectiva. 1992

Ingrid Dormien Koudela, a partir de seus estudos sobre Brecht e o sentido da obra brechtiana para uma prática educacional, desenvolveu um projeto de experimentação dessa proposta. Tratou-se de verificar o funcionamento e a qualidade da resposta da peça didática como um teatro que abole a presença do espectador e a converte em ação participatória. Os elementos levantados para o trabalho e os resultados obtidos encontram-se reunidos no presente livro, através de cujas paginas o intento é submetido a uma discussão teórico-prática de extremo interesse para a atuação na área da cultura. Um Vôo Brechtiano é, sobretudo uma indagação do teatro sobre o futuro do teatro.

- Brecht na Pós – Modernidade – São Paulo, Perspectiva. 2001

Trata-se de um conjunto de análises, em que a autora mantém a forma de ensaio para seus textos, com o intuito de deixar transparente a dialética do processo, em detrimento de uma escritura unificadora ou pretensamente onisciente. Esta abordagem também serve de esteio para uma leitura atualizadora da obra brechtiana que se desenvolve, de outro lado, pelo diálogo com artistas contemporâneos, como Pina Bausch, e pelo recorte e discussão de textos dramáticos e teóricos inéditos, com ênfase nos fragmentos Decadência do Egoísta Johan Fatzer e O maligno Baal, o Associal, de Brecht.

Pupo, Maria Lucia de Souza Barros - Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Artes , com ênfase em Educação Artística. Atuando principalmente nos seguintes temas: educação artística, jogo, formação, currículo, teatro e improvisação.

Entre o Mediterrâneo e o Atlântico: uma Aventura Teatral - São Paulo,

Perspectiva.2005.

Trata da condução de processos de aprendizagem teatral junto a diferentes grupos de adultos – professores em formação e estudantes – até então não familiarizados com a cena, no norte do Marrocos. A investigação foi conduzida em língua francesa e enquadrada por instituições de ensino e de difusão cultural sediadas na cidade de Tetuán. Seu eixo é a apropriação lúdica de textos narrativos, expressão própria da cultura do mundo árabe. O objetivo do estudo consistiu em construir, experimentar e avaliar práticas teatrais que articulassem jogos e textos narrativos, tendo em vista contribuir para a formulação de uma Pedagogia do Teatro. Os textos de ficção escolhidos para a experimentação cobrem amplo espectro, variando desde As Mil e Uma Noites até passagens de romances e contos de autores árabes contemporâneos. Por um lado, são apresentados diferentes procedimentos lúdicos que conduzem do texto de ficção à realização da cena. Por outro lado, o caminho inverso é também percorrido: os participantes partem da experiência do jogo teatral para chegar à escrita de textos de ficção. Em meio aos múltiplos desafios e interrogações inerentes ao ineditismo da aprendizagem realizada pelos jovens marroquinos, é o caráter lúdico do teatro que se afirma, poderoso, como elo tangível no diálogo entre as culturas.

No Reino da Desigualdade - Teatro Infantil em São Paulo nos Anos Setenta – São

Paulo, Perspectiva. 1991

A quais necessidades responde o teatro infantil? O que o distingue do teatro sem adjetivo? Qual a visão de mundo que ele veicula? Maria Lúcia de Souza Barros Pupo, No Reino da Desigualdade, se detém nessas questões, ao examinar um bem cultural cuja expansão nas últimas décadas é facilmente verificável. A análise da dramaturgia dedicada à infância e encenada em São Paulo nos anos setenta, inaugura em nosso meio uma reflexão relevante, visto que problematiza uma modalidade específica do fazer teatral, cuja razão de ser é a crescente diferenciação social entre as gerações. Por outro lado, ao investigar a produção cênica para crianças levadas em nossos palcos durante um período decisivo para a compreensão da atualidade, o presente estudo também contribui, com um segmento importante, para a reposição histórica do quadro do teatro infantil entre nós.

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