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Chapitre I. Introduction et physiologie

I.3. c Les capillaires

O Núcleo de documentação e conservação é responsável pela parte mais técnica relacionada ao acervo e a documentação, como vemos no próprio nome do núcleo. O núcleo é responsável pelo banco de dados de todas as coleções e objetos do MCC e utiliza-se de um programa ofertado pelo Museu Nacional de Belas Artes – RJ. Para sua estrutura para guarda de acervo e conservação o núcleo foi financiado pelo governo local e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.

O acervo é um conjunto de bens dinâmicos e materiais em transformação, não somente uma coleção é propriedade do museu e também de toda a comunidade, segundo Santos (2008). No MCC o núcleo trabalha com este acervo e “é um instrumento importante para a preservação e o desenvolvimento de práticas museológicas dirigidas às atuais e futuras gerações, possibilitando o acesso participativo a um acervo referencial do patrimônio material e imaterial do povo cearense (CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA, S/D).

A documentação não se restringe ao registro do acervo, mas também um produtor de conhecimento, elaborado no processo educativo por meio das ações de pesquisa, criados e adaptados para sua realidade local (SANTOS, 2008). E a conservação destes é de grande relevância para que se preserve a estrutura material que vêm a ser fonte de saberes e conhecimentos, objetos geradores de pesquisa e reflexão.

23 Ver anexo 1.

Existem dois tipos de acervos: o institucional e o operacional. O acervo institucional é constituído por seu valor sócio histórico, ou seja, objetos que são ou foram utilizados pelo homem que não necessariamente precisam ter destaque estético, mas que participaram da produção cultural da sociedade. Santos (2008) cita exemplos destes:

Ao acervo institucional devem ser associados também os materiais arquivísticos e iconográficos, tais como fotografias, plantas, maquetes, depoimentos e testemunhos de várias naturezas, bem como toda a documentação urbana, coletados por meio de pesquisas sociológicas, históricas e antropológicas (SANTOS, 2008, p. 36).

O acervo operacional está relacionado ao espaço, paisagem, estruturas, monumento, equipamentos ,“percebidos não só em sua carga documental, mas na sua capacidade de alimentar as representações urbanas” (SANTOS, 2008, p. 36). O MCC é possuidor destes dois tipos de acervos e conta com um espaço físico e estruturado com tecnologias para que possa salvaguardar aproximadamente “5.630 objetos, 1.150 fotografias em papel, 48.000 imagens digitais, 330h de acervo oral, 5.000 cromos, 1.150 fotografias em papel, 10.000 folhetos de cordel” (CENTRO DRAGÃO DO MAR DE ARTE E CULTURA, S/D).

Atualmente este núcleo é composto por duas técnicas responsáveis pelas ações deste núcleo, este ultimo também dialoga diretamente com os três outros. Assim formam os núcleos do MCC que trabalham para a execução e atuação do museu para a sociedade com pesquisa, educação, comunicação, conservação e responsabilidade social.

4 ESTUDO E REFLEXÃO DAS FALAS E APROPRIAÇÕES SOBRE O MCC

Neste capítulo teremos por objetivo analisar e refletir as apropriações que alunos visitantes do museu passam a deter a partir da sua visita ao mesmo. Tendo em vista o capítulo anterior no qual buscamos mostrar a existência e trajetória das ações educativas desenvolvidas pelo Museu da Cultura Cearense com suas proporções e finalidades ao público visitante do museu e a comunidade, neste capítulo buscaremos ouvir e analisar as apropriações do visitante.

Dentro do estudo realizado nos capítulos anteriores em que o individuo através da mediação e das ações educativas aprende mais sobre história, a memória e a cultura do Ceará, reflete seu lugar social e troca experiências na construção de saberes individuais e coletivos, buscaremos responder a seguinte pergunta; como se dá a relação do espaço museológico com a educação a partir do conhecimento adquirido pelo visitante? Estas ações educativas desenvolvidas pelo MCC atingem aos visitantes? Ou ele entra e sai do museu sem compreender os assuntos que o museu se propõe a oferecer para a comunidade?

Entendemos que não basta o museu criar ações educativas que possibilitem a educação patrimonial que ele se propõe em conduzir se o público que o visita não consegue ser atingido pelas metodologias e ações do mesmo. Pensando nesta hipótese e/ou proposição buscaremos através de uma pesquisa em campo analisar as apropriações do que o visitante tem a dizer, obtendo assim, um feedback sobre os conhecimentos e apropriações do público com o museu. Pois, o fato dos museus terem ações educativas é de grande relevância, mas se essas ações não aproximarem o publico com o ideal da proposta da ação, ou seja, não atingirem sua razão de essência não adianta sua existência.

Esta ação em ouvir o que o visitante tem a dizer sobre seus conhecimentos e apropriações desenvolvidos a partir do contato que tiveram com a exposição leva o mesmo a sentir-se sujeito participante e ativo “na partilha de suas experiências pelo diálogo, abre caminhos para uma participação responsável” (SCHRAM E CARVALHO, 2015, p.03). Efetivando o processo educacional de inserção do sujeito e valorização de sua experiência, conhecimentos e apropriações. Schran e Carvalho nos dizem mais sobre isso:

Tal afirmativa conduz a realização de uma prática pedagógica não apenas ao nível da escola, mas também, da comunidade de inserção

dos sujeitos, portanto a valorização da experiência cotidiana como forma de transformação na medida em que se torna capaz de responder às necessidades, nas próprias especificidades culturais, resultado da vida do povo (SCHRAM E CARVALHO, 2015, p. 03).

Não pretendemos aqui fazermos uma avaliação sobre o museu desta pesquisa através das narrativas e apropriações feitas pelos visitantes, mas com isso refletirmos suas falas e construirmos um elo entre o MCC e a educação a partir da experiência vivenciada por eles no museu. Pretendemos ouvi-los como participantes ativo no processo de ensino e aprendizagem realizado e verificar o alcance das propostas educativas do MCC para com o público visitante.

É preciso que façamos o público se sentir parte do processo, da vida do museu. As ideias devem ser essenciais e acessíveis a todos, adaptando-se a um nível médio de conhecimentos. É preciso socializar o homem, influenciando-o de forma que ele, ao sair do museu, possa seguir atuando com a liberdade e o conhecimento de si mesmo e da coletividade para o desenvolvimento de sua sensibilidade. (FRANCO, 2005, p. 137)

Para a realização destes objetivos pensamos em referências teóricas e metodologias que dessem aporte e fundamentação a esta fase empírica nos baseando em nosso primeiro capítulo desta dissertação e em ações educativas desenvolvidas pelo próprio MCC vista no segundo capítulo.

Também trabalhamos com a proposta triangular de Ana Mae Barbosa e que é utilizada pelo MCC, já visto anteriormente no segundo capítulo, com base em três momentos: antes, durante e depois. O fazer, apreciar e contextualizar, não necessariamente com esta ordem nos permite colocar exercício a relação da teoria com a prática, da ação a reflexão ou seja, com a práxis.

A proposta triangular inicialmente foi criada para uso na arte e educação, partiu como campo de criação dentro de um museu de arte contemporânea, mas a mesma foi sendo utilizada e ressignificada em vários outros contextos e métodos. Segundo Barbosa “hoje ela continua sendo transformada. É muito importante que a gente entenda que a metodologia é feita por cada professor. A gente dá abordagens metodológicas, mas a metodologia é feita por eles” (BARBOSA, 2013, S/P).

Essas ressignificações que possam ocorrer sobre a proposta se dar por que pode ser utilizada a partir de “qualquer conteúdo, de qualquer natureza visual e estética, pode ser explorado, interpretado e operacionalizado através da Proposta Triangular”

(BARBOSA, 1998, p38). Também utilizamos as proposta triangular de acordo com nossas necessidades, logo ressignificamos alguns processos do quais veremos mais adiante.

O público visitante com o qual escolhemos para trabalhar esta proposta de reflexão sobre as apropriações a cerca do museu desta pesquisa foi com a escola. A escola tem sido o maior público de visitante no Brasil, segundo Koptcke (2001) em comparação aos públicos de museus da Europa ou dos Estados Unidos. No MCC a frequência de escolas que agendam sua visita ao museu também é consideravelmente relevante e a procura pelas mesmas tem crescido cada vez mais nos últimos anos, e como já vimos no capítulo anterior o museu busca esta integração indo também até elas.

Marandino (2001) também nos diz que a busca por professores de diferentes áreas se interessam cada vez mais pelo museu buscando proporcionar mais conhecimento aos seus alunos e por conta disso os museus também vem procurando através de várias ações oferecer um suporte de apoio onde os mesmo possam usufruir deste espaço. Também Coelho (2009) nos diz que é fundamental essa parceria e relação com a educação formal e a educação não formal, ou seja entre escola e museu:

É necessário, portanto, que nessa parceria entre museu/escola seja promovido tanto a instrumentalização, oriundos das escolas nas linguagens e práticas específicas do espaço museal, quanto a adequação desse espaço para a promoção da real interação entre os escolares e o patrimônio cultural e científico. Não se trata de uma subordinação de um ao outro, mas da possibilidade de uma interação pedagógica entre ambas as instituições que respeite as missões e exigências particulares de cada uma (COELHO, 2010, p. 17).

Ambos os espaços produzem educação, como vimos no primeiro capítulo, e esta integração só vem acrescentar ao conhecimento tanto para o aluno, quanto para o professor que buscam o museu para aprofundar seus conhecimentos. Pois a educação também estar além dos muros da escola e ”e para que isto aconteça, é preciso que os professores compreendam que a escola não é a única agência de transmissão do saber. [...] hoje, é fundamental perceber que a educação ocorre em muitos lugares (LIBANEO, 2003, p.25).

A busca da escola em visitar um museu deve ser consciente desta ação em que o museu também desenvolve educação, quando não acordado disso o museu passa a ser visto somente como um lugar de lazer e passeio. Logo a percurso não se torna

atrativo, ou um depósito de coisas velhas para os alunos. Cabe também aos museu apresentar suas propostas educativas antes das escolas irem ao museu afim de que o professor em sala de aula faça uma prévia do que é o lugar que irão visitar. Como podemos ver Almeida (1997) nos citando um exemplo:

Na prática, os professores não preparam seus alunos para a visita [...]. Durante a visita, os professores tiveram atitude passiva, deixando os alunos livre no passeio. Os alunos se dispersaram e apenas alguns acompanhavam os professores que faziam comentários e respondiam as dúvidas dos alunos (ALMEIDA, 1997, p.54).

Não queremos apontar aqui um culpado entre a distância que ainda acontece entre o museu e a escola, mesmo uma frequentando a outra, mas refletirmos nas possibilidades de uma interação concreta entre os dois, pois “é possível criar uma rede de interação de recursos educativos, integrando-os a objetivos comuns” (SANTOS, 2008, p. 142). Os dois podem e devem caminhar juntos no objetivo maior: o conhecimento. Conhecimento este que possibilita uma ampliação do olhar sobre o patrimônio cultural, já que os museus são campos de educação patrimonial. Acerca disto Santos contribui para esta interação quando nos diz que:

Abrir amplas possibilidades para a criação de uma grande rede de comunicação entre museus de diferentes categorias e escolas, bem como a utilização do patrimônio cultural das comunidades onde as escolas estão inseridas e do patrimônio da cidade, de uma forma mais ampla, em sua relação com o mundo (SANTOS, 2008, p. 143).

Segundo Ramos (2004) o Museu tem o grande compromisso em ser um espaço educativo, um espaço de renovação pedagógica que traz para o ato de aprender o compromisso com o mundo que se vive e o desejo de transformá-lo. Mas isso não se faz sozinho, pois há uma necessidade de envolvimento com ouras instituições a exemplo da escola, que levam seus alunos ao museu que vem de uma questão relevante, “os modos pelas quais as escolas e professores fazem opções curriculares” (2004, p.16). Ir ao museu é uma abertura ao currículo determinado pelas escolas, “afinal, tal ligação entre a sala de aula e museu muito depende da prática de um currículo aberto a certos procedimentos pedagógicos e determinadas concepções de saber histórico” (2004, p.17). A partir destas concepções e compreensões sobre a importância de integração entre o museu e a escola, como também já dito anteriormente, ser o público que mais faz agendamento para mediações no espaço resolvemos seguir com este

público e realizar nosso trabalho de compreensão do visitante com o espaço. Na busca em sabermos suas apropriações Santos (2008) nos diz que “Considero que essa seria uma atitude fundamental para qualificar o fazer cultural dos diversos participantes como patrimônio cultural, buscando a sua apropriação e reapropriação” (2008, p.142).

A escola que trabalhamos aqui é uma escola pública do estado do Ceará, o Colégio Estadual Anchieta. A escola estar Localizada no município de Maranguape, fundada em 1942 e oferta o ensino médio regular e EJA, funcionando nos turnos da manhã, tarde e noite. Por iniciativas dos professores, que já realizam esta atividade anualmente, agendaram uma visita mediada no MCC com uma determinada quantidade de alunos das turmas dos 1° e 2° ano do ensino médio regular. Logo os sujeitos desta pesquisa serão alunos do ensino médio regular.

Para a realização desta análise que propomos fazer aqui foi selecionada a quantidade de 19 alunos. A quantidade de sujeitos se definiu a partir dos métodos de análises que escolhemos que levam em consideração suas respostas de formas objetivas e subjetivas, das quais nos levam uma ampliação de detalhes e falas. A escolha desta escola também partiu de nosso contato com a agenda de mediações do MCC e a partir de nosso contato com a escola em buscar essa parceria e apoio ao desenvolvimento desta pesquisa o professor responsável pelo agendamento e a turma aceitaram e nos deixaram realizar nossa proposta e intervenção na visita deles.

Como falado anteriormente adotamos três momentos para este trabalho com a turma selecionada. O primeiro momento foi desenvolvido uma oficina para ser trabalhada em sala de aula antes da visita da turma ao museu. Nesta oficina trabalhamos uma prévia do lugar e seus significados, além de trabalhar também com o conceito de cultura e patrimônio cultural.

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