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Céline Pessis

Dans le document Pour mémoire (Page 154-161)

2.1 Tradução e interpretação de línguas orais versus línguas gestuais

Geralmente, na língua espanhola denominamos como interpretação à ati- vidade mediadora, tanto de tradução como de interpretação, desenvolvida para assegurar a comunicação oral e gestual entre pessoas surdas usuárias de línguas viso-gestuais.

São muitos os autores que, como Harris (1981), Nord (1991), Padilla e Mar- tín (1992) ou Muñoz (1995), assinalam importantes diferenças entre a atividade de tradução e a de interpretação; no entanto, Alonso Bacigalupe (2009: 184-185) afirma que “traduzir e interpretar são, apesar de diferenças importantes [...], basi- camente uma mesma atividade com duas variantes (escrita e oral)” e questiona a idoneidade dos dois termos para uma mesma atividade profissional e, inclusiva- mente questiona, “por que (lhe chamar de) interpretação e não tradução oral ou por que tradução e não interpretação escrita?”.

Nas línguas orais, a diferença entre os atos comunicativos da interpretação e da tradução radica nas especificidades da interpretação como a oralidade, o con- texto comunicativo imediato e a velocidade do trabalho, sejam de forma simultâ- nea ou consecutiva, perante o caráter intertextual, intercultural e intersubjetivo e criativo provocado pelo emissor e cujos receptores pertencem a um ambiente sociocultural com características específicas da tradução (Sánchez Trigo, 2002).

No entanto, esta definição de conceitos parte da intermediação entre lín- guas orais e não pode ser aplicada às línguas gestuais ou de sinais cujo canal é viso- -gestual Como apresentamos em Báez (2012) a falta de conceitualização teórica do processo de interpretação em línguas de sinais ou línguas gestuais nos leva a apon- tar a relevância destas pesquisas e a começar um estudo sobre as particularidades do processo de tradução versus interpretação de textos científicos, na mediação entre línguas de modalidades diferentes.

As mediações que temos realizado nos textos científicos das línguas orais (galego, espanhol e inglês) na sua versão oral e escrita tiveram como obje- tivos, em primeiro lugar, evitar a futilidade (as traduções são registadas em DVD ou numa web) e melhorar as expectativas de qualidade das interpre- tações simultâneas, que não se podem rever nem reorientar, sem renunciar ao conceito tradutológico de equivalência substituído pelo de fidelidade ou inclusive coerência textual das que falam Pöchhacker e Shlesinger, (2002: 4). Além disso, temos pretendido ampliar o número de receptores fazendo com que os textos permaneçam pelo meio de registro em DVD e na rede. (Báez & Fernández, 2010).

Obviamente, as conclusões referentes à conceitualização da mediação lin- guística entre línguas de modalidade diferente (línguas orais/ línguas de sinais),

extrapolam não apenas a mediação línguas orais/SSI, mas também línguas de si- nais/SSI e não se correspondem exatamente às atividades de mediação em que nas línguas orais denominamos com os termos tradicionais de tradução e interpreta-

ção.

No nosso modo de ver, as diferenças entre as duas atividades ou matérias se baseiam, fundamentalmente, na transferência da atividade de maneira imediata (interpretação) ou mediata (tradução) e na transferência da informação da língua em sua versão oral ou escrita, sem ter em conta a intermediação entre línguas viso- -gestuais, nas quais não é possível a transferência para a língua oral e, por isso, não poderiam ser nunca interpretadas em sentido estrito (Gile, 1995).

2.2 O SSI, uma linguagem de especialidade cientifica e acadêmica

Com a expressão linguagem de especialidade nos referimos às

[…] las lenguas de las comunidades epistemológicas de los médicos, los economistas, los juristas, los científicos, los expertos en turismo, etc. en su comunicación diaria, en sus congresos, en sus libros de texto y en sus re- vistas especializadas. Por esta razón, se dice que son lenguas profesionales, pero también son académicas porque antes de haber sido utilizadas en cada ambiente profesional, fueron enseñadas y aprendidas en la Universidad. (Alcaraz, 2007: 7)10

É a partir dos anos noventa que se começa a usar o nome genérico Espanhol para Fins Específicos (EFE) para denominar “os processos de ensino/aprendiza- gem que visam à aquisição de linguagem própria para a comunicação especializa- da, especialmente nos campos: socioeconômico, gestão de saúde, gestão cultural, direito, relações internacionais e tecnologias” (Gómez de Enterría, 2007: 152).

As duas especialidades às quais deu origem, o Espanhol para Fins Profis- sionais (EFP) e Espanhol para Fins Acadêmicos (EFA), foram substituídas pela designação de línguas profissionais e línguas acadêmicas11.

Moreno Cabrera (2014) no único Tratado de Lingüística General que aborda as línguas de sinais e as línguas orais como línguas naturais, afirma que as línguas naturais podem ser elaboradas artificialmente para constituir variedades: “A maio- ria ou mesmo todas as comunidades humanas elaboram suas línguas naturais fa- ladas ou sinalizadas para diferentes finais (rituais, religiosos, mágicos, estéticos.)”.

10 [...] as línguas das comunidades epistemológicas dos médicos, economistas, juristas, cientistas, especialistas em turismo, etc., em sua comunicação diária, em seus congressos, em seus livros de texto e em suas revistas especializadas. É esta a razão pela qual são chamadas de linguagens pro- fissionais, mas são também acadêmicas, pois antes de terem sido usadas em ambiente profissional, foram ensinadas e aprendidas na Faculdade. (Alcaraz, 2007: 7)

11 Entre as acadêmicas, incluímos os textos científicos e aqueles relacionados com a gíria estudantil e universitária.

O resultado do desenvolvimento das línguas naturais é um tipo de língua artificial que não tem, em maior ou menor grau, as duas características fundamen- tais que definem as línguas naturais, que são o seu caráter variável e sua capaci- dade de serem aprendidas naturalmente e que se chama língua cultivada. Moreno Cabrera inclui, entre outras variedades, o espanhol padrão e a linguagem literária. Em nossa opinião, na denominação de línguas cultivadas, a meio caminho entre as chamadas línguas naturais e as línguas artificiais, poderíamos incluir todas as linguagens de especialidade.

Embora a ideia subjacente ao conceito de língua cultivada, proposto por Moreno Cabrera, difira significativamente do termo mais tradicional, linguagens específicas, acreditamos que no grupo de línguas cultivadas, ou melhor, varieda- des cultivadas, podemos incluir as tradicionais linguagem jurídica, administrati- va, literária, etc. Consideramos que a linguagem da Ciência em suas duas varieda- des, científica e acadêmica, são tipos de línguas cultivadas das quais fala Moreno Cabrera e, na escala de artificialidade reconhecida por Stria (2013), ocupam as posições mais próximas da língua natural.

Estas elaboraciones, que a veces complican y a veces simplifican las lenguas naturales en las que se basan, dan lugar a unas lenguas o, si se quiere, a unas competencias lingüísticas que no son naturales (se obtienen mediante acciones educativas) y que, por tanto, no son manifestaciones netas de la facultad del lenguaje humano biológicamente determinada. (Moreno Ca- brera, 2014, Prólogo Dantesco) 12

Em nosso entender, um exemplo dessa variação nas línguas naturais gestuais é o Sistema Internacional de Sinais, uma variedade de “língua auxiliar” criada para operar como uma língua de comunicação entre falantes de línguas gestuais em en- contros internacionais. Hoje em dia, o SSI concorre com o uso da ASL, bem como com a língua oral inglesa ou francesa em certos tipos de conferências científicas.

3 Nossa experiência em tradução de textos científicos e

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