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By Mitch Mlinar

Dans le document June 1984 (Page 44-47)

Na directa sequência da intervenção teórica, foram rapidamente e de forma espontânea criadas duas equipas de trabalho, uma com os docentes a leccionar as turmas do 7º ano e nós, enquanto PB, e outra com os docentes e leccionar as turmas do 8º ano e

a PB. Ficou acordado que o 9º ano não seria envolvido, por os docentes terem receio de ser demasiado ambicioso contemplar todos os anos de escolaridade.

Em conjunto, foi definido um calendário provisório de reuniões, tendo ficado agendadas duas com cada grupo de trabalho, nos dias 24 e 31 de Março, às 12:00, para o grupo do 7º ano, e às 14:00, para o do 8º ano, sendo que a segunda reunião ocorre em plena pausa lectiva para avaliações do 2º período. Na terceira reunião, a 14 de Abril, estariam criadas condições mínimas para podermos dar início a um trabalho conjunto de maior envolvimento. A agenda subsequente seria estabelecida em função do andamento dos trabalhos, mostrando-se os docentes cautelosos quanto à posterior gestão do seu tempo, pelas razões já anteriormente expostas.

Por questões de ordem prática, todas as reuniões passaram a ter lugar na biblioteca e, na primeira reunião do 7º ano, o grupo de trabalho começou por dedicar uma boa parte do tempo a explorar os documentos das subclasses visadas neste estudo. Face aos conteúdos curriculares já planificados para o 3º período, à análise do currículo nacional para o ensino básico e aos documentos consultados, bem como ao perfil dos alunos brevemente partilhado, a decisão recaiu sobre a abordagem ao tema do vulcanismo, visando:

o O desenvolvimento de competências específicas para a literacia científica nos domínios do conhecimento processual, do raciocínio e da comunicação;

o As competências de acesso, de tratamento e de processamento da informação acessível em documentos da colecção da biblioteca escolar;

o A promoção da pesquisa, da análise e da divulgação para a comunidade de documentos da biblioteca que possam interessar os alunos, ajudando-os a apreender melhor os conteúdos curriculares e a apreciar a leitura.

Na reunião do 8º ano foi seguido idêntico procedimento. Assim, com base no tema da sustentabilidade, decidimos trabalhar:

o O desenvolvimento de competências específicas para a literacia científica, desta feita nos domínios do conhecimento processual e da comunicação;

o As competências de acesso, de tratamento e de processamento da informação acessível em documentos da colecção da biblioteca escolar;

o A divulgação para a comunidade das fontes e dos recursos da biblioteca, com vista a captar o interesse para os mesmos e incentivar a sua consulta e leitura.

Uma vez que os docentes, nesta fase dos trabalhos e do ano lectivo, não se sentiam confortáveis com a reformulação das respectivas planificações, por questões que se prendiam com factores processuais (de que é exemplo o facto de já terem sido aprovadas em Departamento e integradas nos registos oficiais do agrupamento, como os dossiês e a plataforma moodle) e/ou com alguma resistência, ainda que não claramente verbalizada, a comprometerem-se, desde logo, com um registo que sentiam como vinculativo a uma experiência cuja implementação e desenlace ainda causava alguma ansiedade, decidimos que qualquer pressão nesse sentido seria contraproducente e esperámos que o decurso dos trabalhos trouxesse menos insegurança. Contudo, para facilitar o processo, estabelecendo claramente as expectativas para cada um dos envolvidos, as tarefas de cada um, os produtos desejados e a calendarização acordada, foi concebida, em conjunto, na segunda reunião de cada grupo de trabalho, uma versão provisória de uma ficha de registo de colaboração, subsequentemente enviada por e- mail para todos os docentes de Ciências Naturais, para que a pudessem analisar com calma e propor alterações, pela mesma via. Compilámos uma versão final que foi, então, a usada nesta primeira fase, tendo, a 14 de Abril, sido preenchida uma ficha para cada ano de escolaridade envolvido (apêndice VIII).

É de referir que se registou o envolvimento adicional de uma área curricular não disciplinar, Estudo Acompanhado, a solução de compromisso encontrada com os docentes de Ciências Naturais, e aceite pelos professores titulares dessas áreas, para permitir, pela nossa parte, a abordagem de conteúdos no âmbito da literacia da informação. As fortes lacunas que os docentes diagnosticaram nas competências de pesquisa dos seus alunos em geral levaram a que se considerasse ser esse um campo de intervenção a não negligenciar, para que o uso dos documentos da colecção possa ser produtivo, suscitar o interesse e incentivar mais leituras, como, aliás, já referimos no enquadramento teórico a propósito de programas de animação na vertente de uso da colecção. Em regra, de acordo com os docentes, os produtos apresentados pelos alunos não denotam competências no domínio da literacia da informação e da literacia tecnológica, nem resultam em literacia científica. Considerámos pertinente assumirmos a tarefa de trabalhar estas questões com os alunos, complementando a acção dos docentes de Ciências Naturais em contexto de sala de aula, dado haver aspectos que, a

montante da produção de trabalhos, estão a falhar, nomeadamente a falta de orientação por parte dos docentes, a não promoção de consulta frequente e variada a recursos de informação de diversa natureza, o não trabalhar sistematicamente a capacidade de seleccionar a informação em função do contexto, do que é exigido ou necessário, face a uma enorme diversidade de pontos de acesso e de uma vasta variedade de documentos, havendo, também, questões que, a jusante, levantam problemas, nomeadamente o facto de os alunos serem predadores da informação, não citando fontes consultadas e não compreendendo que estão a fazer plágio, não fazendo, pois, um uso da informação que se paute pela ética. Assim, embora não estejam previstas situações de co-leccionação, dada a ansiedade dos docentes em verem tempos lectivos extra a serem usados na parceria connosco, enquanto, nas suas palavras, os programas “não se compadecem”, a solução encontrada permite, contudo, abordar questões consideradas muito relevantes, com incidência e importância não apenas para Ciências Naturais mas, também, para todas as áreas curriculares disciplinares e para o consequente uso da colecção, bem como para a aprendizagem ao longo da vida, pelo que a cedência de tempos de trabalho em Estudo Acompanhado se justifica.

No decurso das reuniões de trabalho de 14 de Abril, para além de um esboço das bibliografias a serem elaboradas pelos docentes, foram, ainda, concebidos em conjunto vários documentos (apêndice IX), nomeadamente, para o 7º ano, um desdobrável para apoio à abordagem dos conteúdos, orientação da pesquisa por parte dos alunos e, simultaneamente, como produto final da unidade de ensino, desta forma divulgando à comunidade o trabalho realizado e os recursos usados, a acompanhar a mostra de maquetas de vulcões construídas pelos alunos. Para o 8º ano, foram criados, também em conjunto, guiões de trabalho que apoiam a abordagem dos conteúdos e a pesquisa, os quais resultarão em cartazes de divulgação para a comunidade, incluindo nessa divulgação as fontes e os recursos da biblioteca existentes.

Subsequentemente, os contactos passaram a ser mais informais, com troca de impressões e de informações nos espaços comuns da escola, como a sala de professores, os corredores e o bufete. Com o aproximar do fim do ano lectivo, apenas foi possível marcar mais duas reuniões formais, desta feita com os dois grupos de trabalho em simultâneo, em 28 de Maio e em 2 de Julho, a primeira para divulgar ao grupo, analisar e organizar os trabalhos dos alunos para exposição, a segunda para ponto da situação e análise do processo de trabalho. Nesta última, concluiu-se que:

o A experiência foi produtiva, ainda que não tivesse sido possível trabalhar adequadamente todos os aspectos visados, pela pressão do tempo disponível e do cumprimento das planificações;

o É viável, apesar do desenho curricular, o trabalho com um elevado envolvimento entre PB/BE e os docentes da área curricular de Ciências Naturais;

o As competências de pesquisa dos alunos, a julgar pelos produtos finais, denotaram alguma evolução, após esta parceria (mais fontes consultadas, informação mais precisa e diversificada, citações bibliográficas…), embora ainda seja necessário um maior investimento neste domínio;

o O conhecimento dos recursos da colecção aumentou grandemente por parte dos docentes.

3.2.2.1. Percepção dos docentes sobre os efeitos do modelo de trabalho adoptado

Uma vez que nos interessava perceber qual a percepção que cada docente tinha do impacto das acções subsequentes à sessão de 17 de Março, dado neles radicar o nosso estudo, por serem, para além de utilizadores, os primeiros e importantes impulsionadores de uma utilização recorrente, diversificada, eficaz e responsável dos fundos documentais das bibliotecas por parte dos alunos, elaborámos uma grelha de reflexão (apêndice X) que entregámos a cada professor na reunião de 2 de Julho e que solicitámos que nos fosse entregue até 9 do mesmo mês, seguindo idêntico procedimento ao adoptado para o inquérito por questionário.

Questionados quanto à pertinência da acção de 17 de Março no âmbito do trabalho subsequentemente desenvolvido, todos estiveram totalmente de acordo que tinha sido essencial.

“Só assim percebi o objectivo do trabalho.” (D1)

“Como em qualquer tipo de trabalho, sempre que haja uma acção prévia ou planificação do mesmo, a sua implementação corre sempre melhor.” (D4)

Relativamente ao contributo do trabalho colaborativo para:

o Melhorar o conhecimento do fundo documental das subclasses 502, 504, 549, 55, 56, 575, 576/578 – a maioria está em total acordo de que tal é o caso (D1 apenas concorda).

“Sem dúvida que este tipo de trabalho obriga-nos a nós, professores, e aos alunos a pesquisar na biblioteca escolar os documentos existentes sobre os temas visados, permitindo, por isso, um melhor conhecimento do fundo documental.” (D4)

“Apesar da pouca disponibilidade para melhor conhecer as subclasses, pelo menos passei a saber da sua existência e contactei com parte dos documentos.” (D3)

o Poder fazer uma melhor avaliação do fundo documental das subclasses 502, 504, 549, 55, 56, 575, 576/578, em termos de adequabilidade e de actualidade relativamente às exigências do currículo de Ciências Naturais – todos concordam totalmente nesse resultado, à excepção de D1 que apenas concorda.

o Levar a cabo alterações na utilização que, no respectivo processo de ensino, os docentes fazem dos recursos informativos das subclasses visadas – D2 e D3 concordam totalmente, D1 e D4 concordam com esse efeito, embora as razões subjacentes à resposta dada sejam distintas.

“Aos poucos, estou a aprender a introduzir os recursos existentes na Biblioteca no meu processo de ensino.” (D1)

“Sofreu alterações, apesar de eu, no meu processo de ensino, ter como costume recorrer à Biblioteca Escolar.” (D4)

o Rendibilizar mais, ou de forma diferente, os recursos informativos em causa, no respectivo processo de ensino, apesar de, no ano lectivo em conclusão, essa utilização ainda não ter sofrido alterações assinaláveis – todos concordam, excepto D1 que concorda totalmente.

“Estou disposta a trabalhar com os recursos existentes e introduzi-los nas planificações curriculares.” (D1)

“Este trabalho foi importante para “avivar” a importância desta colaboração, no entanto foram notórios alguns constrangimentos que dificultam o desenvolvimento dos trabalhos e os resultados obtidos.” (D2)

alterações porque este trabalho colaborativo promoveu em mim um maior interesse e até obrigação em utilizar os recursos informativos para que o meu processo de ensino decorra o melhor possível.” (D3)

o Alterar a visão do papel e do contributo da biblioteca escolar no processo de ensino e de aprendizagem, levando a que, em planificações anuais das actividades do grupo disciplinar de Ciências Naturais posteriores, se considere relevante contemplar iniciativas articuladas com a biblioteca escolar – D1, D3 e D4 concordam totalmente, D2 apenas parcialmente.

“Não alterei significativamente a minha visão sobre o contributo da Biblioteca pois já a considerava fundamental, mas foi importante este “exercício de colaboração” para encontrar formas de concretizar esta preocupação que já sentia de conhecer melhor os recursos disponíveis.”

o Alterar a visão do papel e do contributo da biblioteca escolar no processo de ensino e de aprendizagem, levando a que, em planificações curriculares anuais do grupo disciplinar de Ciências Naturais posteriores, se considere relevante contemplar iniciativas articuladas com a biblioteca escolar – D1 está totalmente de acordo, D2 apenas parcialmente, pelas razões atrás aduzidas, D3 e D4 concordam.

“O trabalho colaborativo realizado veio confirmar a visão que eu tenho do papel e do contributo da biblioteca escolar no processo de ensino e de aprendizagem. Confirmo que a biblioteca escolar é um recurso a valorizar no processo ensino- aprendizagem, uma vez que permite aos alunos consolidar conhecimentos, aprender a pesquisar e incentivar a leitura de livros científicos.” (D4)

o Conhecer melhor as propostas de animação/utilização do fundo documental da colecção da BE, no âmbito do currículo de Ciências Naturais – com o que D1, D3 e D4 concordam totalmente e D2 concorda.

“Confesso que se não fosse este trabalho, a maior parte dessas propostas eram desconhecidas!” (D3)

o Resultados positivos no processo de aprendizagem dos alunos – D4 concorda totalmente com este contributo do trabalho de cariz colaborativo, D1 e D3 concordam e D2 concorda parcialmente.

“Apesar de a minha turma do 7º E ser pouco empenhada, ainda consegui que os alunos abraçassem o trabalho proposto com bastante dedicação.” (D1)

“Penso que o trabalho realizado pelos alunos do 8º ano poderia ter sido melhor rentabilizado para que tivesse efeitos mais concretos na respectiva aprendizagem.” (D2)

“Sem dúvida, e creio que a sua continuação poderá promover resultados ainda mais positivos.” (D4)

Dans le document June 1984 (Page 44-47)

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