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Section III: Afrique de l’Ouest : brève introduction

4.2. Burkina Faso

O teste de Shapiro-Wilk foi empregado, previamente, a todas as análises do estudo para verificar a hipótese de normalidade da distribuição dos dados com a finalidade de selecionar o correto teste comparativo. Somente os resultados referentes aos estados afetivos de humor tiveram essa hipótese negada (p < 0,05), por isso nele utilizou-se a Análise de Variância (ANOVA) de Friedman.

Na resposta afetiva e na PSE utilizou-se o teste paramétrico ANOVA two-way para medidas repetidas com dois fatores: o ambiente (fechado, aberto e verde) e o tempo (5, 10, 15 e 20 minutos). Já para a distância percorrida aplicou a ANOVA one-

way. Para todos as três verificou-se inicialmente a hipótese de esfericidade da

variância dos dados com o teste de Mauchly. A resposta afetiva e a PSE violaram tal hipótese (p < 0,05) e foi realizado em seus resultados a correção de Greenhouse- Geisser.

O post hoc de Bonferroni utilizado para identificar a exata condição ou momento que diferiu das demais, sendo aplicado somente na PSE, único resultado que apresentou diferenças estatisticamente significantes.

Os dados referentes ao estado afetivo de humor são apresentados sob a forma de mediana e valores mínimos e máximos. Os outros, como média e desvio padrão. Utilizou-se como parâmetros de diferença estatística o p valor inferior a 5 %. Todas as análises foram realizadas por meio do programa SPSS® para Windows.

Todos os indivíduos realizaram todos os procedimentos do estudo. Porém, dois demonstraram ter dificuldades em compreender os descritores do questionário POMS e foram excluídos somente dessa análise especificamente.

4 RESULTADOS

A velocidade média nos três ambientes foi semelhante (Fechado = 1,41 ± 0,21 m/s; Verde =: 1,35 ± 0,18 m/s; Azul = 1,38 ± 0,15 m/s(média ± desvio padrão); [F(2; 28) = 1,69; p = 0,20].Quanto aos índices de Percepção Subjetiva de Esforço (PSE), verificou-se um efeito significante do tempo [F(2,11; 29,55) = 6,58; d = 0,89 ;

p < 0,01], cujo post hoc de Bonferroni identificou que os valores de PSE no minuto

20 eram significantemente maiores que no minuto 5 [4,2 ± 0,19 vs 3,40 ± 0,22 (média ± desvio padrão); p = 0,01] (Figura 5). Porém, não houve efeito do ambiente [F(1,42; 19,92) = 1,72; p = 0,20], assim como não identificou-se interação ambiente x tempo [F(3,09; 32,96) = 2,70; p = 0,55].

Para a resposta afetiva não houve um efeito significativo do ambiente [F (1,43; 20,00) = 0,87; p = 0,39], tampouco do tempo [F(1,85; 25,97) = 0,31; p = 0,71]. Da mesma forma não verificou-se interação ambiente x tempo [F(3,54; 49,56) = 1,43; p = 0,24]. Assim, a resposta afetiva não diferiu significativamente nos três ambientes, nem ao longo das sessões de exercício físico (Figura 6).

Figura 5 – Percepção Subjetiva de Esforço de idosos fisicamente ativos durante uma sessão de 20 minutos de caminhada com intensidade autosselecionada em três condições: ambiente fechado, verde e azul (N = 15).

Nota - p = 0,01 – diferença estatisticamente significante entre a PSE do minuto 5 e

Também não houve diferença significante para o estado afetivo de humor em todos os seis domínios: (A) Vigor [χ2 (5) = 3,16; p = 0,67]; (B) Fadiga [χ2 (5) = 10,23;

p = 0,06]; (C) Tensão [χ2 (5) = 3,119; p = 0,68]; (D) Depressão [χ2 (5) = 0,46; p = 0,99]; (E) Confusão [χ2 (5) = 2,28; p = 0,80] e (F) Hostilidade [χ2 (5) = 9,66; p = 0,08] (Figura 7).

Figura 6 – Média ± desvio padrão das respostas afetivas de idosos fisicamente ativos durante uma sessão de 20 minutos de caminhada com intensidade autosselecionada em três condições: ambiente fechado, verde e azul (N = 15).

Figura 7 – Mediana e valores máximos dos estados de humor de idosos fisicamente ativos antes e após uma sessão de 20 minutos de caminhada com intensidade autosselecionada em três condições: ambiente fechado, verde e azul (N = 13).

Nota - Dois voluntários foram excluídos da análise por dificuldades com o instrumento; os

domínios de humor podem variar de 0 a 24, obtido pelo somatório de seis afirmações com índices de 0 a 4).

5 DISCUSSÃO

Os participantes desse estudo relataram durante todo o exercício físico respostas afetivas positivas e selecionaram magnitudes similares de esforço em todos os ambientes. Todavia, contrariando nossas hipóteses, o exercício verde e o azul não apresentaram respostas afetivas diferentes daquelas vivenciadas no ambiente fechado e não provocou mudanças adicionais nos estados de humor.

Pesquisas com populações adultas saudáveis, mostram que o exercício verde pode trazer mudanças agudas favoráveis nos estados de humor como o aumento do vigor [3,34], redução de tensão, confusão [2,3], depressão, hostilidade [2,3,34] e fadiga [34], com o exercício realizado em ambiente natural com água apresentando mudanças mais significativas [1]. Além disso, são também verificadas respostas afetivas positivas superiores àquelas vivenciadas em ambientes fechados como academias [10] e laboratórios [8,36]. Essas mudanças não foram verificadas em nosso estudo, tendo visto que os participantes apresentaram nos três contextos ambientais estados de humor e respostas afetivas equivalentes entre si. Diferenças pontuais na população investigada e no método de prescrição do exercício limitam comparações diretas com a literatura atual. No entanto, essas diferenças podem explicar a incompatibilidade entre os nossos dados com a literatura vigente.

É conhecido apenas um estudo que utilizou a autosseleção da intensidade como método de prescrição do exercício [36]. Nesse, tanto no ambiente fechado quanto no ambiente natural, ocorreram índices positivos de resposta afetiva, conforme ocorrido também em nosso estudo. Entretanto, Focht [36] verificou no exercício verde repostas afetivas estatisticamente superiores àquelas vistas no ambiente fechado e atribui ao ambiente tal efeito. Em nosso estudo, as respostas afetivas não diferiram nos três ambientes e assim não podemos inferir a existência de algum efeito ambiental sobre essa variável. A literatura tem mostrado que a autosseleção da intensidade é um método efetivo na produção de respostas afetivas positivas, independentemente da intensidade escolhida [39,68]. Então, é presumível que a autosseleção tenha causado as respostas afetivas positivas durante todo o exercício.

A incongruência de nossos dados com os apresentados por Focht [36] pode estar relacionada a diferenças específicas no exercício aplicado pelo autor no ambiente fechado. O autor utilizou, no ambiente fechado, uma esteira para os

voluntários desempenharem a mesma atividade do ambiente natural, sendo necessário um mínimo de atenção para alterar o ritmo da atividade quando desejassem. Há evidências mostrando que manter a atenção sobre aspectos relacionados a execução do exercício reduz as respostas afetivas [68]. Harte e Eifert [69] mostrou que exercitar-se em locais fechados com algum tipo de tarefa cognitiva relacionado ao exercício torna a atividade psicologicamente mais desprazerosa com elevação das sensações de tensão, hostilidade e fadiga, além de aumentar o nível de esforço percebido para desempenhá-la.

Quanto à intensidade, nosso estudo mostra que os exercícios em ambientes naturais (verde ou azul) não interferem na intensidade escolhida, pois ela foi similar nos três ambientes. A teoria do Modelo Duplo [54] expõe que nas intensidades selecionadas pelos participantes do nosso estudo as respostas afetivas são predominantemente positivas. Dessa forma, a escolha de intensidades leves ou moderadas e os efeitos já atribuídos à autosseleção da intensidade podem ter minimizado ou ocultado os possíveis efeitos benéficos da exposição a ambientes naturais ao ponto de não verificarmos diferenças estatisticamente significativas.

Mudanças benéficas nos estados afetivos de humor vinculadas à exposição à natureza é a característica frequentemente mais visualizada dentro do tema exercício e natureza [1–3,34]. É teorizado que esses benefícios sejam atrelados a propriedades intrínsecas ao ambiente como a redução de aspectos psicofisiológicos de estresses [31] e relaxamento cognitivo [32] em virtude da inconsciente atração de diversos estímulos sensoriais [31,32]. Entretanto, ainda é pouco investigado esse fenômeno em populações clinicamente especiais, como é o caso da população idosa. Nossos resultados não encontraram a ocorrência de tais benefícios. Contudo, não acreditamos que houve ausência deles e sim que podem ter sido encobertos devido à amostra investigada aparentar boa saúde mental, visto os relatos de vigor elevado e reduzidos índices de tensão, depressão, fadiga, confusão e hostilidade, apesar de não existir valores nominais de referências para reforçar isso. Algumas características próprias da amostra como a independência física e financeira [70] apresentada por eles e o fato de residir numa cidade próxima ao litoral [57] são atributos conhecidos por gerar autorrelatos de bons índices de humor. Além disso, a prática regular de exercício físico, comportamento apresentado por nossa amostra, também é associada a uma boa saúde mental [41,43,71,72] e acarreta inúmeras adaptações físicas e psicológicas [25]. É possível que essas adaptações tenham

inibido alterações agudas significativas no nosso estudo. Logo, quanto aos benefícios sobre o humor frente a exposição à natureza, devemos ser cuidadosos e evitar generalizações desses resultados refutando algo que poderá ser benéfico para a população idosa em geral.

Apesar desse estudo não apresentar resultados estatisticamente significativas a favor da prática de exercícios físicos na natureza em idosos, deve-se atentar aos benefícios clínicos possíveis de tal estratégia. Como visto, nessa faixa etária há um pequeno percentual de pessoas fisicamente ativas [24] e há tendência de reduzir o nível de atividade física com o avançar da idade [25]. Assim, os exercícios físicos realizados em ambientes naturais, seja esse verde ou azul, podem ser pensados como uma opções válidas de exercício atrativo visto que eles apresentaram ao longo de todo o exercício respostas afetivas positivas, o que mostra gerar maior aderência às atividades [9,10]. Há em idosos também uma elevada prevalência de casos de insuficiência de vitamina D [73], hormônio sintetizado na pele por meio da exposição solar, o qual estimula a absorção de cálcio no organismo e sua mineralização óssea [74]. Dessa forma, os exercícios físicos realizados na natureza podem ser ainda uma estratégia utilizada de forma indireta para estimular a produção desse hormônio e consequentemente influenciar na saúde óssea dessa população.

Em virtude do exposto acima e do fato do nosso estudo ser o primeiro em tal temática a investigar tais proposições numa população exclusivamente idosa, é recomendável a execução de mais estudos para confirmar nossos achados dada a importância direta e indireta deles na saúde dessa população. Contudo, ainda assim, podemos afirmar que, numa população idosa fisicamente ativa e com baixos índices negativos de humor, exercício realizado em contato com a natureza não produz benefícios psicológicos adicionais e nem respostas afetivas diferentes daquelas vivenciadas durante a prática da mesma atividade em ambiente fechado e que nessa população o ambiente também não interfere na intensidade que selecionam para executar o exercício.

6 CONCLUSÃO

Em idosos fisicamente ativos, uma sessão de exercício físico em contato com a natureza seja ele verde ou azul pode não proporcionar experiências afetivas diferentes daquelas vivenciadas durante a prática da mesma atividade em ambientes fechados. Pois, como vimos o comportamento das respostas afetivas foram positivas e similares nos três ambientes de execução da atividade, sem haver alteração nos estados de humor nesses ambientes. No entanto, a prática de exercícios físicos em ambientes naturais não acarreta experiências afetivas negativas e dessa forma pode ser utilizada como opção de exercícios físico nessa população. Por se tratar de uma temática ainda pouco investigada na população idosa em geral, faz-se necessário o desenvolvimento de mais estudos para podermos afirmar com segurança que para essa população a prática de exercícios físicos em ambientes naturais pode proporcionar ou não experiências afetivas mais positivas do que aquelas sentidas em ambientes fechados.

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