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Bulk diffusion, solubility and trapping of hydrogen and graphite at elevated temperatures

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5.2. Bulk diffusion, solubility and trapping of hydrogen and graphite at elevated temperatures

A quebra de expectativas discentes em relação às programações da educação jurídica da FDUFBA relatadas até então podem ser observadas como um indício de que há insuficiência da participação estudantil no processo de tomada das decisões a respeito daqueles programas da educação jurídica da FDUFBA.

Foi possível observar que as expectativas discentes comunicadas não se adequam às programações centrais da educação jurídica desenvolvidas na FDUFBA, mas, sim, às programações periféricas das organizações discentes.

Com efeito, 62% dos discentes que participaram do questionário aplicado nesta pesquisa apontaram que as programações das organizações estudantis oferecem as melhores oportunidades de aprendizagem do Direito na FDUFBA.

Seguindo este caminho Moscou comparou a inclusão no sistema educativo programada pelas organizações estudantis e pela FDUFBA:

Vejo várias pessoas dizendo que aprendem muito mais na [organização Moscou] do que em sala de aula [...]. Daí eu me pergunto: por que você vai para sala de aula, se você não aprende, se você na organização aprende mais que na sala de aula? Tem alguma coisa errada nesse cálculo. É uma equação que não fecha (Organização Moscou).

Sobre isso Denver sugere

Tem estudante que vai para extensão [referência às atividades das organizações estudantis] e não vai para aula (risos). Se esses estudantes todos se mobilizassem para fazer algo ... (Organização Denver).

Esse mesmo caminho é seguido por discentes que responderam à questão aberta do questionário aplicado junto aos discentes da FDUFBA. Tal pergunta referia-se a “Quais oportunidades da educação jurídica oferecidas na FDUFBA promovem maior aprendizagem do Direito”.113

Um dos respondentes se manifesta assim:

Acredito que a melhor oportunidade para educação jurídica não é oferecida pela FDUFBA [...] mas pelo SAJU, CEPEJ, ABDECON [...] (Respondente não identificado do questionário).

Outra resposta segue caminho semelhante:

Acredito que a maior aprendizagem acontece nas práticas das Extensões, principalmente o SAJU, o NCI, a ABDECOM, o CCRIM e a ADV Junior. É onde os alunos se sentem mais motivados a aprender e, na maioria das vezes, atuam por conta própria (Respondente não identificado do questionário).

E mais outra:

A sala de aula por si só não tem estimulado nada. Hoje o que oxigena a Faculdade de Direito da UFBA são projetos geridos por estudantes (Respondente não identificado do questionário).

Uma mais:

Os grupos de extensão (SAJU, ADV, etc.), que transmitem conteúdo prático e desenvolvem habilidades e competências que não são encontradas na sala de aula (Respondente não identificado do questionário).

O descompasso entre as expectativas discentes comunicadas e as programações da educação jurídica desenvolvidas pela FDUFBA, somado ao déficit de participação estudantil na decisão destas programações, é observada como uma exclusão por perigo dos estudantes.

Observar-se que eles vêm sendo afetados por decisões organizacionais da FDUFBA, contrárias aos seus interesses manifestos, sem que possam participar do processo de tomada destas decisões, ou com participação limitada (MASCAREÑO; CARVAJAL, 2015, p. 135).

A esse respeito é ilustrativo o fato apontado por Helsinki quando as organizações estudantis foram questionadas a respeito da participação discente na elaboração do Projeto Político-pedagógico do Curso da FDUFBA, instrumento que evidencia elementos das programações da FDUFBA e que influenciará na vida de todos os estudantes e das organizações discentes:

Fomos convidados “do nada”. Dia tal vai ser decidido. Mas fica logo

claro. Estudante não vota. A sigla já fala. O núcleo é docente

estruturante. Nós estaríamos lá para dar opinião. Não para votar. Talvez seríamos ouvidos. A sorte é que os professores que estavam lá, eles iriam nos ouvir (Organização Helsinki, sem grifo no original).

Nairóbi apoia em parte:

Enquanto entidade a gente está sendo convidado parcialmente [para as reuniões] (Organização Nairóbi).

Mas Denver negava:

Não. A gente só recebe, enquanto entidade, enquanto aluno, a gente só recebe as bombas. O NDE, se você fizer uma pesquisa com a faculdade inteira, ninguém está sabendo o que está sendo feito e depois vai sair um projeto pedagógico aí. Ou ele vai sair completamente genérico, que é uma perspectiva otimista. Ou ele vai ser extremamente enviesado para o perfil que esta faculdade não tem [...]. Enquanto aluno, a gente vive no escuro aqui na faculdade. As decisões chegam. Os professores tomam decisões aleatórias... (Organização Denver)

Helsiki esclarece sua opinião:

Só convidaram para participar de uma reunião do NDE que tinha como temática o NPJ. Daí convidaram a [organização estudantil citada] para participar por conta do NPJ. (Organização Helsinki)

Diante do debate Denver reflete:

O projeto pedagógico é, antes de tudo, para os estudantes. Não para os professores que estão aqui. Nada mais justo que o Projeto Pedagógico ter a cara dos estudantes que estão aqui na Faculdade de Direito [....] para quem esta educação superior está servindo, mas [...] a gente não participa deste processo, não sabe o que está sendo feito (Organização Denver).

O diálogo evidencia a pouca participação dos discentes no processo de tomada de decisão relativa às programações da educação jurídica da FDUFBA contidas no projeto político pedagógico de curso, que, à época da realização do grupo focal, se encontrava em fase de elaboração para a visita dos avaliadores do MEC. 114 Quando perguntados de

forma mais genérica sobre a participação das organizações estudantis nas programações da educação jurídica da FDUFBA, Oslo reflete que:

Primeiro, a gente precisa saber a que a faculdade se propõe, porque não está claro. Nunca esteve. Falta informação (Organização Oslo).

No entanto, cumpre lembrar a advertência, anteriormente feita por Denver,

A Faculdade em geral não gosta muito da gente. A Universidade até quer. Lá em Ondina e São Lázaro a gente é muito querido. Aqui [na FDUFBA] os professores não levam a gente muito a sério [...] e tudo que a gente vai fazer, já fica o clima “será que vai vir alguma bomba aí” (Organização Denver).

A opinião de Denver é amenizada por Nairóbi

Melhorou bastante da última gestão [de Diretor da FDUFBA] para cá. A gente meio que se uniu. Agora a gente tem uma frente única, que é o Conselho de Entidades. Hoje já nos chamam para conversar e explicam o que se quer fazer e nós já vamos na defensiva. Assim, todo mundo já tomou porrada e vai na defensiva, mas tem que reconhecer que na direção nova [da FDUFBA] está muito melhor do que sempre foi. A gente é chamado para conversar, é chamado para reunião, hoje temos sala (Organização Nairóbi).115

114 Segundo o Regimento interno da FDUFBA, os representantes dos discentes têm assento nas decisões da Congregação e demais órgãos colegiados da FDUFBA. Porém, a todos os discentes é garantido tão somente um voto em todas as matérias. A exceção a esta regra foi inaugurada no ano de 2017 quando da eleição do Gestão da Diretoria e Vice-diretoria da FDUFBA, na qual foi reconhecida a paridade de votos entre professores, docentes e servidores. Mas, até então, esteve limitada a esta votação. É o que se observa diante da recente votação para a Coordenação do Colegiado, gestão 2018-2020, que não obedeceu tal regra e figura em franco descompasso à simetria relativa à votação para Reitor da UFBA, para Diretor e Vice- diretor da FDUFBA que requerem a consulta e participação dos estudantes com voto paritário - conforme disposição do art. 16 do Regimento Interno da FDFUBA.

Mas Denver prossegue

A gente é chamado, porque com a antiga direção [da FDUFBA] se percebeu que se a gente se juntasse ia ter uma quantidade de estudante na Faculdade muito grande [...]. Então é melhor que se chame para conversar antes de decidir as coisas do que esperar que a gente faça alguma coisa. Que saia uma nota de repúdio, uma mobilização [...] (Organização Denver).

Helskini aproveita para contextualizar

O atual diretor [...] foi muito ativo da [organização estudantil citada]. Eu acho que tem um reconhecimento com as instituições. A Faculdade passou a enxergar uma identidade das instituições. Por exemplo, vou buscar Helsinki por isso. Vou buscar o Conselho [das Entidades], porque nele eu alcanço as identidades [das organizações estudantis] (Organização Helsinki).

E Oslo reflete

Eu acho que o que falta mesmo é comunicação. Não da nossa parte, mas da instituição querer dialogar com a gente [...]. Eu acho importante esse diálogo. É o que está faltando no meu ponto de vista entre a Faculdade de Direito da UFBA e as entidades estudantis é uma parceria maior (Organização Oslo).

Este debate revela, na opinião dos representantes das organizações estudantis, que, de um lado, há falta de transparência a respeito das decisões acadêmicas e administrativas na FDUFBA, inclusive as que tratam das programações educativas do direito, e, de outro uma repulsa em relação à participação dos estudantes no processo de tomada de decisão. No entanto, cumpre ressaltar, que houve melhoras na atual gestão, conforme apontam Helsinki e Nairóbi.

Tais relatos descrevem uma inclusão por risco dos discentes e de suas organizações, levando em consideração que, além de excluídos nos processos de tomada de decisão acadêmica-organizacional da FDUFBA, eles são incluídos nas consequências

destas decisões que afetam sua inclusão na comunicação da educação do direito. Decisões cujos riscos foram assumidos por outras pessoas (docentes), o que revela o déficit de participação discente na tomada de decisão das programações educativas do direito na FDUFBA (MASCAREÑO; CARVAJAL, 2015, p. 135).