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Bases de la méthodologie

10. BUDGETS ET SOURCES DE FINANCEMENT

A história mostra a procura constante do homem pelo bem-estar. A sua evolução mostra, essencialmente, o progresso da tecnologia ao serviço da sobrevivência, mas, também, do conforto, do facilitamento quotidiano, da proteção e da segurança dos indivíduos, do desenvolvimento económico, do empoderamento e do enriquecimento, entre outras aquisições civilizacionais.

A consciencialização acerca da complexidade envolvida na promoção do bem-estar humano e a sua relação direta com o desenvolvimento ainda evolui lentamente no plano global. Há muitas dissemelhanças entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, nas políticas económicas e ambientais, no crescimento populacional e no uso do ambiente.

Já no início do século XX, passadas algumas décadas da II Revolução Industrial, a intervenção humana sobre o meio ambiente crescia indiscriminadamente, aumentando, simultânea e progressivamente, as alterações nocivas à natureza.

A segunda metade do século passado foi marcada por profundas transformações nas relações internacionais. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945), além de um saldo, aproximado, de 50 000 000 de mortos, deixou imensuráveis danos ambientais na Europa e na Ásia, apresentando ao mundo as consequências do uso de armas nucleares. No período pós- guerra formaram-se dois blocos políticos antagónicos: Leste e Oeste. De um lado, o bloco

capitalista liderado pelos Estados Unidos da América que se opunha, do outro lado, ao bloco comunista guiado pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Esse período ficou conhecido como Guerra Fria (Arruda; Piletti, 2005).

Esse mundo bipartido foi palco de grandes disputas entre os blocos mencionados, tanto na procura por ampliar as respetivas áreas de influência política como procurando expandir as relações económicas. Algumas disputas não ficaram apenas em mesas de negociações e incentivaram revoluções internas, lutas armadas por recursos naturais para sustentar os seus respetivos parques industriais e, até mesmo, causaram conflitos armados pontuais, de que resultaram sérias consequências para o ambiente (Arruda; Piletti, 2005).

Durante a Guerra Fria houve significativo avanço no conhecimento científico em diversas áreas. A evolução tecnológica acelerada aumentou o comércio de produtos industrializados. Também a corrida armamentista propiciou grande produção de pesquisas sobre o uso de artefactos bélicos, culminando com a realização de vários testes de bombas termonucleares. As consequências desses testes foram sentidas por toda o planeta, tornando- se um problema grave de natureza global, uma vez que as cinzas nucleares (formadas por partículas radioativas) foram percebidas em toda a superfície terrestre (Santos, 2012). Paulatinamente, a divulgação de intervenções no ambiente natural de que resultavam consequências nocivas ao homem despertou a atenção da população, e sobretudo dos cientistas, para a reação da natureza a cada ação humana. Interrogações sobre o limite da Terra para tanta degradação têm desafiado o meio académico.

O QUADRO 15 – EMERGÊNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUA IMPLANTAÇÃO NO EXÉRCITO BRASILEIRO, a seguir, apresenta os documentos e acontecimentos que permitiram referenciar o surgimento da EA na comunidade internacional, e a sua inclusão na legislação brasileira e no Exército. Trata-se de destaques mundiais com desenvolvimentos no Brasil e reflexos decorrentes no EB:

QUADRO 15 - EMERGÊNCIA DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUA IMPLANTAÇÃO NO EXÉRCITO BRASILEIRO

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

1920

Decreto n.o 14.273, de 28 de julho de 1920, o Ministro da Guerra João Pandiá Calógeras aprova o regulamento para o campo de instrução de Gericinó, regulamentando e disciplinando o uso de recursos naturais dos Campos de Instrução para preservação das suas matas

1934

Decreto n.o 23.793, de 23 de janeiro de 1934, aprova o primeiro Código Florestal Brasileiro

1946

Constituição Federal dos Estados Unidos do Brasil (1946), preocupa-se com a proteção de recursos naturais e em organizar defesas contra efeitos de catástrofes naturais (secas e cheias), sem abordar a educação ambiental

especificamente

1962

Rachel Carson escreve Silent Spring, apresentando o perigo das agressões ao meio ambiente

1964

Lei n.o 4.504, de 30 de novembro de 1964, cria o Estatuto da Terra, assegurando a conservação dos recursos naturais

1965

Lei n.o 4.771 de 15 de setembro

de 1965, institui o novo Código Florestal Brasileiro

1967

Constituição Federal dos Estados Unidos do Brasil mantém a abordagem da Constituição de 1946,

preocupando-se com a proteção de recursos naturais e em organizar defesas contra efeitos de catástrofes naturais (secas e cheias), sem abordar a educação ambiental especificamente

Lei n.º 5.197, de 3 de janeiro de 1967, que trata especificamente da proteção à fauna, mantém o interesse e a preocupação em migrar esta temática para a educação

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

1968

A UNESCO organiza a 1.ª Conferência Intergovernamen- tal destinada a conciliar ambiente e desenvolvimento, em Paris (França)

A UNESCO organiza a 1ª Oficina Internacional da Educação, em Genebra (Suíça)

1969

Decreto-Lei n.º 1.001, de 21 de outubro de 1969, decreta o Código Penal Militar (art.º 268, 269, 273 e 274 tipificam crimes nas áreas ambientais)

1972

Relatório The Limits to Growth (Clube de Roma)

Criação do primeiro Curso brasileiro de Pós-Graduação em Ecologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul Conferência das Nações Unidas

sobre o Homem e o Meio Ambiente, em Estocolmo (Suécia): criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP),

recomendação para a criação do Programa Internacional de Educação Ambiental (IEEP)

1973

Decreto n.o 73.030, de 30 de outubro de 1973, cria a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) no âmbito do Ministério do Interior. Início de atividades de EA

1975

Seminário Internacional de Educação Ambiental, em Belgrado (antiga Jugoslávia): a UNESCO e o UNEP lançam o Programa Internacional de Educação Ambiental (IEEP)

I Encontro Nacional sobre Proteção e Melhoria do Meio Ambiente, em Brasília/DF

1976

Reunião Sub-Regional de Educação Ambiental para o Ensino Secundário, em Chosica (Peru)

Elaboração do primeiro documento oficial brasileiro sobre Educação Ambiental Congresso de Educação Ambiental em Brazzaville (Congo) 1977 Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em Tbilisi (antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas)

Nos cursos de Engenharia, a disciplina Ciências Ambientais passa a ser obrigatória

1978

Nos cursos de Engenharia Sanitária já eram ministradas as disciplinas de Saneamento Básico e Saneamento Ambiental

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

1979

Seminário de Educação Ambiental para América Latina realizado pela UNESCO e UNEP, em San José (Costa Rica)

1980

Seminário Regional Europeu sobre Educação Ambiental para Europa e América do Norte, em Essen (Alemanha)

Seminário Regional sobre Educação Ambiental nos Estados Árabes, em Manama (Bahrein), organizado pela UNESCO e pelo UNEP Primeira Conferência Asiática sobre Educação Ambiental em Nova Deli (Índia)

1981

Lei n.o 6.938, de 31 de agosto de 1981, institui a Política Nacional do Meio Ambiente: constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e cria o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA)

O Exército Brasileiropassa a

ser um membro do SISNAMA e do CONAMA

1983

Decreto n.º 88.351, de 1 de junho de 1983, regulamenta a Política Nacional do Meio Ambiente

1985

Decreto n.o 91.145, de 15 de março de 1985, cria o

Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Parecer n.o 819/85, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), destaca a necessidade de incluir transversalmente em todas as disciplinas, no ensino de 1.º e 2.º graus, conteúdos ecológicos

1987

Relatório Our Common Future: conceito de desenvolvimento sustentável

Parecer n.o 226/87, do Conselho

Federal de Educação (CFE), considera necessário incluir Educação Ambiental nos conteúdos de 1.º e 2.º graus, além de sugerir a criação de Centros de Educação Ambiental

Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental em Moscovo (Rússia)

1988

1.ª Conferência Internacional sobre Atmosfera em Mudança: implicações para Segurança Global, em Toronto (Canadá)

Promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil: pela primeira vez na história do Brasil é destinado um capítulo específico ao meio ambiente na Constituição Criação do Intergovernmental

Panel on Climate Change

1.º Congresso Brasileiro de Educação Ambiental, no Rio Grande do Sul

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

1989

Lei n.o 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, cria o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA)

1990

Conferência Mundial sobre Educação para todos, em Jontien (Tailândia). Aprovada a Declaração Mundial sobre Educação para todos: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem, reiterando a responsabilidade de todos em proteger o meio ambiente

Lei n.o 8.028, de 12 de abril de 1990, reorganiza a Presidência da República e os Ministérios: transforma o Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente em Secretaria do Meio Ambiente, diretamente vinculada à Presidência da República Decreto n.º 99.274, de 6 de junho de 1990, revoga o Decreto n.º 88.351, de 1 de junho de 1983, e regulamenta a Política Nacional do Meio Ambiente

1991

Portaria n.o 678/91, MEC,

determina que a educação ambiental deve ser contemplada pela educação escolar em todos os níveis e modalidades de ensino

1992

Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro (Brasil): Agenda 21 Global, Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

Lei n.o 8.490, de 19 de novembro de 1992, reorganiza a Presidência da República e os Ministérios: transforma a Secretaria do Meio Ambiente em Ministério do Meio Ambiente

Carta Brasileira para Educação

Ambiental, recomenda a

definição de metas para a inclusão da educação ambiental no nível de ensino superior

1993

Portaria n.o 773, de 10 de maio de 1993, MEC, institui

permanentemente um Grupo de Trabalho para Educação Ambiental, objetivando realizar ações necessárias para

implementação da EA no sistema de ensino em todos os níveis e modalidades de educação no País

1994

Programa Nacional de Educação Ambiental

(ProNEA), determina diretrizes para as políticas públicas na área2014)

1995 1.ª Conference of Parties

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

1996

O Plano Plurianual do Governo 1996/1999 estabelece, entre seus objetivos na área de Meio Ambiente, a promoção da EA

A Política Militar Terrestre, definida na Portaria n.º 410- Min Ex, de 17 de julho de 1996, determinou como função e atividade relevante para o Exército a preservação do meio ambiente Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabeleceu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional 1997

Protocolo de Quioto aberto para assinaturas

1.ª Conferência Nacional de Educação Ambiental

Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: educação e consciencialização pública para a sustentabilidade, em Tessalônica (Grécia)

Aprovação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), incluindo o meio ambiente como um dos temas sociais urgentes, de abrangência nacional (temas transversais) a ser tratado nas escolas

1998

Lei n.º 9.605, de 12 de

fevereiro de 1998, dispõe sobre os Crimes Ambientais

1999

Lei n.° 9.795, de 27 de abril de 1999, dispõe sobre a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) Decreto n.o 3.182, de 23 de setembro de 1999, regulamenta a Lei n.o 9.786, que dispõe sobre o ensino no Exército Brasileiro

2001

Criação do Programa Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) pelo Ministério do Meio Ambiente

Portaria n.° 570-Cmt Ex, de 6 de novembro de 2001, institui a Política de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro Portaria n.º 571-Cmt Ex, de 6 de novembro de 2001, institui a Diretriz Estratégica de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro

2002

Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e

Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo (África do Sul)

Decreto n.° 4.281, de 25 de junho de 2002, regulamenta a Política Nacional de Educação Ambiental

2003 Implantação da Agenda 21

Brasileira

Portaria n.o 050-EME, de 11 de

julho de 2003, aprova a Orientação para a Elaboração dos Planos Básicos de Gestão Ambiental

Portaria n.º 816-Cmt Ex, de 19 de dezembro de 2003, aprova o Regulamento Interno e dos Serviços Gerais

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

2004

Programa Nacional de Educação Ambiental

(ProNEA), determina diretrizes para as políticas públicas na área

Lei Complementar n.o 117, de 2

de setembro de 2004, altera a

Lei Complementar n.o 97, de 9

de junho de 1999, que dispõe sobre as normas gerais para a organização, a preparação e o emprego das Forças Armadas, para estabelecer novas atribuições subsidiárias

2005 Protocolo de Quioto entra em

vigor

Decreto n.º 5.484, de 30 de junho de 2005, aprova a Política de Defesa Nacional (PDN) 2005/ 2014 Década Internacional da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, proclamada pela ONU

2007

I Simpósio de Meio Ambiente do Exército Brasileiro

Portaria n.º 934-Cmt Ex, de 20 de dezembro de 2007, atualiza o Sistema de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro

2008

Portaria n.° 014-DEP, de 8 de fevereiro de 2008, aprova as Normas para a Promoção da Educação Ambiental nos Estabelecimentos de Ensino e nas Organizações Militares Subordinados e/ou Vinculados ao Departamento de Ensino e Pesquisa

1.º Congresso de Ciências Militares: Operações Militares e Meio Ambiente

Portaria n.o 386-Cmt Ex, de 9 de junho de 2008, aprova as Instruções Gerais para o Sistema de Gestão Ambiental no âmbito do Exército (IG 20- 10)

2010

Portaria n.º 1.138-Cmt Ex, de 22 de novembro de 2010, atualiza a Política de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

2011

Adesão do Exército Brasileiro ao Programa Agenda

Ambiental na Administração Pública (A3P), por intermédio do Departamento de

Engenharia e Construção

Portaria n.o 001-DEC, de 26 de

setembro de 2011, aprova as Instruções Reguladoras para o Sistema de Gestão Ambiental no âmbito do Exército (IR 50- 20)

2012

Conhecida como Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro (Brasil), marcou os 20 anos da Rio 92

Lei n.o 12.651, de 25 de maio de 2012, atual Código Florestal

Brasileiro Portaria n.º 611-Cmt Ex, de 6

de agosto de 2012, altera a denominação do Campo de Instrução de Juiz de Fora e dá outras providências

Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) n.o 2, de 15 de junho de 2012, estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental

2013

Portaria n.º 142-Cmt Ex, de 13 de março de 2013, altera a denominação da Diretoria de Património para Diretoria de Património Imobiliário e Meio Ambiente (DPIMA), com a missão de regulamentar, superintender, orientar e coordenar as atividades da Administração Patrimonial e Ambiental 2014 Portaria n.o 1.771-MD, de 16 de julho de 2014, aprova as diretrizes para o emprego e atuação do serviço social das Forças Armadas em situações de emergência, desastres, calamidades públicas e ações humanitárias

Portaria n.º 1.507-Cmt Ex, de 15 de dezembro de 2014, aprova o Plano Estratégico do Exército (PEEx) 2016-2019, onde apresenta como um de seus objetivos: contribuir com o desenvolvimento sustentável e a paz social

2015

Portaria n.º 034-DEC, de 14 de julho de 2015, nomeia equipa para a realização do estudo de viabilidade para implantação de um Centro de Estudo

Ambiental no âmbito do Projeto Estruturante Novo Sistema de Engenharia

Portaria n.º 341-EME, de 17 de dezembro de 2015, aprova a Diretriz de Educação e Cultura do Exército Brasileiro 2016- 2022 (EB20D-01-031)

ANO DESTAQUES MUNDIAIS BRASIL EXÉRCITO BRASILEIRO

2017

Portaria n.º 307-EME, de 3 de agosto de 2017, aprova a Diretriz para a Transformação do Centro de Instrução de Engenharia de Construção (EB20-D-03.006)

FONTE: A autora (2017)

O despertar moderno da comunidade mundial para as relações entre sociedade e ambiente tem as suas raízes na década de 60 do século passado, quando a comunidade internacional passou a reagir à crescente degradação ambiental, gerada, em grande parte, pela ordem económica capitalista. O livro Silent Spring, de Rachel Carson, chamou a atenção de muitos para as questões ambientais, provocadas designadamente pela mão humana, incontrolável e irracional, na natureza e no ambiente.

A postura do autor perante a relação entre o homem e a natureza, impondo limites ao desenvolvimento quando este afeta e prejudica o ecossistema, reflete o enfoque da ética preservadora quanto à ação humana sobre os recursos naturais. As discussões sobre a conservação, o uso racional e a preservação da natureza já fervilhavam desde meados do século XIX. No entanto, não foram suficientemente mais convincentes do que o empowerment proporcionado pela Revolução Industrial aos países mais industrializados. O livro de Carson foi lançado em 1962, época em que desastres ambientais de grande impacto começaram a ameaçar as maravilhas prometidas pelo desenvolvimento económico desenfreado.

Manifestações e debates a respeito da política, do modelo de produção vigente e do modo de vida da sociedade, procuravam reverter esse quadro materialista para um estilo de vida mais natural, menos degradador (Jacobi; Tristão, 2010). No campo teórico pedagógico, nas décadas de 60 e 70 do século XX, o otimismo pedagógico foi substituído pela crítica radical. Muitas foram as discussões sobre os equívocos da educação até então defendida, pois a devastação de duas Grandes Guerras mostrou o lado humano perverso. A educação necessitava de transformação radical para romper esse vínculo reprodutivo de violência e ideologias dominantes (Gadotti, 2003).

A educação, a partir dessa visão crítico-reprodutivista, poderia ser um fator essencial para mediar a construção de nova mentalidade, reflexiva, transformadora, rompendo com os abusos do sistema capitalista de produção, consumo, ideologia e relação homem-natureza (Gadotti, 2003). Esse processo transformador envolve o entendimento dos riscos que

envolvem a sobrevivência do homem, particularmente naqueles relativos ao meio ambiente e às tecnologias.

Os riscos socioambientais têm sido produzidos, na sua maioria, pelo homem, que também é quem sofre com os problemas daí derivados. Entende-se que esse círculo vicioso de prática social, económica e política consegue ser rompido a partir da inclusão da educação ambiental no ambiente escolar. A educação ambiental é percebida como um entrelaçamento das disciplinas escolares, problematizando criticamente as transformações da sociedade contemporânea, debatendo os riscos e as ameaças decorrentes do modo de vida atual, na prrocura da consciência da responsabilidade de cada um para que o desenvolvimento sustentável seja uma possibilidade real (Jacobi, 2005).

Essa perceção sobre o papel da intervenção educativa nas questões ambientais evidenciou-se mundialmente no ano de 1968, em Paris, França, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura1 (UNESCO) organizou a 1.ª Conferência Intergovernamental sobre Ambiente e Desenvolvimento. Neste encontro teve início a discussão sobre o que seria a sustentabilidade ao ser questionado o modelo de desenvolvimento económico vigente, a interferência humana no ambiente e os seus impactos, e a questão ambiental (Silva, 2008).

Ainda no mesmo ano, a UNESCO organizou a Oficina Internacional da Educação, em Genebra, Suíça, com o objetivo de compreender como ocorriam e deveriam ser planeadas as atividades educativas de natureza ambiental e, também, de elaborar um conceito consistente de Educação Ambiental. Nesse estudo sobre meio ambiente e escola foram formulados alguns critérios da educação ambiental a serem utilizados em âmbito global acarretando, assim, a transformação do modo de se perceber a educação ambiental. Entre esses critérios destaca-se a complexidade do tema, o que sugere uma postura interdisciplinar para o trabalho no ambiente escolar. Constatou-se, assim, a necessidade coletiva e a intenção de conceber uma educação voltada para o meio ambiente para promover o equilíbrio natural – integração entre aspetos sociais, ambientais, económicos e culturais, entre outros (Schmidt; Nave; Guerra, 2010).

Contudo, foi em 1972 que a educação para o ambiente e a preservação de recursos naturais e da biodiversidade foi amplamente debatida e reconhecida como elemento fundamental para combater a crise ambiental global. A Conferência das Nações Unidas2 sobre

1 United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO).

2 Importante assinalar que o relatório do Clube de Roma, The Limits to Growth, lançado em 1972, influenciou as

o Homem e o Ambiente, em Estocolmo, na Suécia, resultou em uma declaração assinada por 113 países registando o consenso mundial sobre desenvolvimento e caráter finito das reservas mundiais de recursos naturais e, nomeadamente, afirmando o papel da educação na consciencialização e compreensão dos problemas ambientais (Schmidt; Nave; Guerra, 2010). A discussão em Estocolmo foi orientada pelo crescente reconhecimento dos problemas ambientais provocados pelo desenvolvimento mundial; pela crítica ao modelo de produção; pelo olhar socioambiental sobre o homem e a natureza, inter-relacionando técnica, ambiente e cultura (Carvalho; Grün; Trajber, 2006).

Pela primeira vez a ecologia é colocada no mesmo nível de importância da economia, abandonando uma posição marginal na política internacional (Sequeira, 2003). Neste contexto de discussão sobre homem e meio ambiente foi estabelecido o conceito de desenvolvimento sustentável, como uma construção intencional e compartilhada do futuro (Carvalho; Grün; Trajber, 2006). Conceito este esboçado em Estocolmo (1972) e amadurecido em 1987, por intermédio da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ONU, 1987a), quando a temática foi trazida para o discurso público (Schmidt; Nave; Guerra, 2010).

O termo ecodesenvolvimento também tem as suas origens na conferência de 1972, designado, inicialmente, como os esforços concentrados para conciliar desenvolvimento e proteção do ambiente (Santos, 2007). Jacobi (2005, p. 236) apresenta os termos ecodesenvolvimento e desenvolvimento sustentável como semelhantes, localizando-os em situação intermédia entre crescimento económico e esgotamento dos recursos naturais, tentando equilibrar os interesses sociais, ambientais e económicos do desenvolvimento sem prejudicar o meio ambiente.

Ainda fruto da referida conferência, instituiu-se o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente3 (UNEP) e recomendou-se a criação do Programa Internacional de Educação Ambiental4 (IEEP). A partir de então, a UNESCO assumiu o compromisso de promover reuniões e eventos, tanto locais quanto globais, para debater educação ambiental. O IEEP foi lançado em Belgrado, antiga Jugoslávia, no Seminário Internacional de Educação Ambiental, em 1975.

Nesse encontro, a conceção sobre educação ambiental progride do conceito de formação do indivíduo para o da necessidade de consciencialização e conduta responsável com o meio ambiente, debatida em Estocolmo em 1972. Assim, em Belgrado, a educação

ambiental amplia o seu campo de intervenção e incorpora a produção de conhecimentos para resolução de problemas ambientais atuais e futuros, tanto individual quanto coletivamente.

A declaração final desse seminário, a Carta de Belgrado, evidencia a importância da ação humana para atuar na preservação da natureza, e consequente sobrevivência da própria espécie, ao procurar solução para os problemas criados pela própria ação humana – fome,

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