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r BsOdish = Régim

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Ao romper com a ideia do determinismo do sexo biológico em relação ao género, Simone de Beauvoir (1980) incorporou a construção social e cultural ao processo de “ser mulher”. O mesmo processo ocorre ao “fazer-se homem”, que deve ser desnaturalizado e que suscita reflexões intelectuais (Badinter, 1997). Esse processo é individual e social ao mesmo tempo, ao realizar-se diariamente na espacialidade da construção do género como elemento identitário fundamental nas relações humanas. O

96 género, como alertou Judith Butler (1986), é uma representação e não algo adquirido. O género é experienciado de forma quotidiana e as suas práticas permitem a sua existência e transformação. Desta forma, é impossível falar numa única forma de “fazer-se homem”; o que existe na realidade são formas múltiplas. Esse modelo multifacetado de vivências de homens apresenta-se continuamente complexo, contraditório e em mutação, forjando-se em diferentes tempos e espaços.

Diante do exposto é ilusório pensar na masculinidade ou na feminilidade de uma forma rígida. Judith Butler (2008), ao criticar o conceito unívoco de “mulher” que dominou por muito tempo o campo dos Estudos de Género, observou-o no seu sentido múltiplo. O argumento discutido por Butler (2008) chamou a atenção para outras variáveis significativas (etnia, classe social, orientação sexual, etc.) que estão diretamente relacionadas com a esfera de género (Butler, 2008). Nessa perspetiva as masculinidades são configurações de práticas em torno da posição dos homens na estrutura das relações de género. No entanto, Connell (1997) recordou que estas estruturas podem seguir diferentes trajetórias históricas, passíveis de constantes transformações, repletas de contradições internas e a ruturas históricas.

Para Hall (2005), as antigas identidades que organizavam o mundo social e o individuo com uma identidade fixa estariam em declínio, o que nos permite falar na construção de um sujeito moderno e pós-moderno com a identidade fragmentada, ‘pluralizada’. Sobre isso Oliveira complementa que “a pós-modernidade é marcada pelo pluralismo das normas, [...] Estes fatos não deixam de ter relevância para os ideais masculinos, pois não resta dúvida que eles também passaram a ser questionados...” (Oliveira, 2004: 116).

Segundo Vale de Almeida (2000), o senso comum considerava que “ser homem” significa não “ser mulher” e um corpo que possua órgãos genitais masculinos. É ingénuo remeter uma questão de identidade pessoal e social para a aparelhagem física do corpo, bem mais complexa. O autor ressaltou que as construções ideológicas sobre o significado de ser homem nas interações sociais nunca se reduzem ao órgão sexual, antes a um conjunto de significados sociais ligados ao comportamento, a atitudes e a moral e constantemente avaliados, negociados e reiterados (2000: 128).

A constatação de que a masculinidade não é natural mas sim um dado histórico e datado em que as suas práticas de poder, perceções e experiências são forjadas social e culturalmente abrindo um mundo de novas perspetivas na forma de pensar as

97 masculinidades (Nixon, 1996; Connell e Messerschmidt, 2005). No âmbito da multiplicação de formas de se vivenciar a masculinidade cabe a utilização do conceito no ‘plural’: apresentam-se novos olhares que nos propõem a exploração de processos históricos (sociais, políticos e culturais) de produção e divulgação de modelos e padrões de masculinidades. Segundo Connell (2005), uma vez percebida esta pluralidade, não deveríamos falar em ‘masculinidade’, mas sim em ‘masculinidades’ (Connell, 2005: 188), devendo observar as experiências e vivências masculinas, e não apenas a normatividade heterossexual. Torna-se essencial fomentar a discussão sob novos cruzamentos sociais, como etnia, classe social, identidades nacionais, subjetividades, géneros, sexualidades. Ao assumir a existência de várias masculinidades, a autora salientou a existência de “mais de uma configuração desse tipo em qualquer ordem de género de uma sociedade.” (Connell, 1995: 188). E nesse sentido foi concebido o conceito de masculinidade hegemónica e de outros modelos de masculinidades por si observados. O que aconteceu, na sua perspetiva, é que esta hierarquia de poder, que afeta toda a sociedade, se estabelece por via das lutas em que é forjada a condição masculina. Como advogou Aboim (2008) “A masculinidade, ou melhor, as masculinidades, no plural, constroem-se em relação, uma relação que é, antes de mais, de dupla dominação: a da masculinidade sobre a feminilidade e a de determinado tipo de masculinidade (hegemónica) sobre os outros”(2008:274).

Segundo Connell e Messerschmidt (2005), existem diferentes masculinidades e relações sociais e hierárquicas definidas entre si, nas quais algumas são predominantes. Daí Connell (2005) ter concetualizado a existência de quatro padrões principais de masculinidade na ordem de género no ocidente: hegemónica, cúmplice, subordinada ou marginalizada (Connell, 2005: 77-81).

2.4.1 Masculinidade hegemónica

“Num determinado momento, uma forma de masculinidade, ao invés de outras, é culturalmente exaltada. Masculinidade hegemónica pode ser definida como uma configuração de prática de género a qual incorpora a resposta atualmente aceita para o problema da legitimação do patriarcado. O qual garante (ou é levado a garantir) a posição dominante dos homens e a subordinação das mulheres” (Connell, 2005: 77).

98 A masculinidade hegemónica foi concetualizada por Connell (2005) como uma configuração de género que incorpora a legitimidade do patriarcado e tenta garantir posições dominantes para os homens e de subordinação para as mulheres. O conceito classificava o grupo masculino cujas representações e práticas constituem a referência dominante, socialmente legitimada, para a vivência do masculino em cada sociedade. Segundo Aboim (2008) “este conceito é inovador não só por constituir um marco inaugural nos estudos críticos sobre os homens, mas sobretudo por entender o género, e no seu interior a masculinidade, segundo uma teoria da prática inspirada em Bourdieu” (2005:274). Seria uma maneira de pensar a “organização social da masculinidade” (Connell, 2005) e difere do processo de dominação masculina (Bourdieu, 2005) por não recorrer à violência. A socióloga inspirou-se no conceito de “hegemonia” do pensador marxista Antônio Gramsci para enquadrar a sua proposta teórica. O conceito de hegemonia formulado por Gramsci (2005), ao analisar classes sociais, referiu-se à tomada e manutenção de uma posição de liderança de um indivíduo ou grupo sobre os demais. A hegemonia é entendida por Connell e Messerschmidt (2005) enquanto relação historicamente móvel, pois em determinado momento uma forma de masculinidade é exaltada em detrimento as outras. A masculinidade não possui um papel estático, fossilizado; é sustentada por estruturas e normas sociais, sendo a heterossexualidade uma das partes fulcrais da hegemonia no contexto ocidental. A masculinidade hegemónica teve como referência o patriarcado, já que no âmbito das relações de género se vai configurar como processo dominante dos homens e de subordinação das mulheres (Connell, 2005: 77). Fialho (2006) argumenta dois aspetos que parecem centrais na pesquisa de Gramsci:

- A ‘naturalização’ consensual dessa organização através da persuasão de grande parte de uma população;

- A luta pela posição hegemónica e, uma vez alcançada a posição de hegemonia, a luta pela manutenção que resultaria numa constante tensão com outros grupos.

Nessa perspetiva, a ocupação e manutenção desse poder hegemónico é fulcral para o conceito de Gramsci. E à medida que ocorre essa ocupação, conseguida através da persuasão, torna-se tão socialmente integrada, que muitos acreditam que as suas características e condutas sejam ‘naturais’. A masculinidade hegemónica seria uma representação da forma de masculinidade dominante que, num determinado período da história e em determinada cultura, se destaca em relação a outras. Este modelo foi (e é)

99 visto como quase inalcançável, mas exerce uma grande pressão sobre o universo masculino (Barreto Januário, 2009). Pode-se dizer que esta masculinidade ‘padrão’ é encarada como imanente no homem branco, ocidental, financeiramente estável e heterossexual (Connell, 2005; Kimmel, 1998; Medrado, 2000; Vale de Almeida, 2000).

Ao longo dos tempos algumas críticas foram tecidas ao conceito de masculinidade hegemónica forjado por Connell (Matos, 2000; Alves, 2005; Fialho, 2006). Alves (1995) argumentou sobre a real necessidade do conceito, já que existe um conceito de patriarcado que reflete sobre as masculinidades dominantes. Diante disso, a antropóloga argumentou que a noção de hegemonia traria poucos avanços às discussões sobre o tema. Daí a necessidade de novas perspetivas no sentido de ‘destradicionalizar’ as masculinidades. Uma das principais problemáticas à volta do conceito de hegemonia, aplicado aos estudos de género, é a de saber se as formas distintas de masculinidade são contrapostas à forma dominante; se pretendem ocupar essa posição hegemónica como uma forma legítima de experienciar a masculinidade.

Ao analisar a teoria do patriarcado, Connell (1985) sugeriu que o conceito está longe de ter um sistema lógico bem estruturado. As ideias defendidas abarcam múltiplos tópicos, entre si ligados. Assim vai-se da subordinação das mulheres (e por conseguinte a divisão sexual e no mercado de trabalho) até as práticas culturais que a sustentam, entre outras. As práticas que estruturam o patriarcado são historicamente produzidas e reiteradas quotidianamente com a finalidade de impor vários tipos de ordem e de unidade nas relações sociais. A dinâmica do patriarcado deve ser compreendida de forma compósita, nela interagindo a resistência ao poder, as contradições na formação do indivíduo, as transformações dos modos de produção, entre outras relações (Connell, 1985). Para Connell (1987) esses modelos categóricos de patriarcado remeteriam homens e mulheres para uma interminável relação desigual de poder.

No entanto, esse modelo dualista entre formas hegemónicas e não hegemónicas de masculinidade evoca, ao nosso ver, alguns problemas. Ao pensarmos as masculinidades e feminilidades como construídas e continuamente reconstruídas, negamos qualquer ordem estática. Sejam mudanças de ordem políticas, sociais e /ou económicas. Bem, como “pela ação e reinterpretação individual, alterando os equilíbrios entre modelos hegemónicos e não hegemónicos” (Aboim, 2008:275).

Nos pressupostos discutidos por Marlise Matos (2000) encontramos algumas das nossas inquietações relativas ao conceito de masculinidade hegemónica, tal como é

100 encarado na perspetiva de género. Matos (2000) justificou as suas problematizações sobre a pré-existência do conceito de patriarcado que na perspetiva dos estudos de género já abarca a noção de hegemonia defendida por Connell (2005). Matos (2000) argumentou o caráter teórico e conceitual bem estruturado sobre a cultura patriarcal já existente e apresenta o trabalho de Sylvia Walby (1990) na obra Theorizing Patriarchy. Ao explicar as relações hierárquicas entre os géneros Walby (1990) sustentava que o patriarcado é formado por cinco elementos estruturais:

1- O modo patriarcal de produção, ou seja, o trabalho doméstico desempenhado pela mulher enquanto o homem se encontra na esfera pública;

2- As relações do patriarcado no trabalho remunerado na qual, por exemplo, a mulher aufere remunerações inferiores apesar de ocupar funções equivalentes;

3- As relações patriarcais no Estado: com a luta e conquista feminista foram conseguidas muitas alterações na lei mas que não se concretizam no plano prático das relações;

4- A violência masculina;

5- As relações do patriarcado com a sexualidade, campo em as mulheres são penalizadas com limitações e normas não extensivas aos homens (Walby, 1990: 39).

Nesta mesma linha, Matos (2000) argumentou que a adoção de um novo conceito para tratar essas relações não traz avanços significativos aos estudos de género. A autora concluiu que “o acréscimo do adjetivo “hegemonia” é desnecessário, pois pode ser respondido pela ‘cultura patriarcal’, que termina por dissimular o caráter eminentemente relacional entre géneros (com referência às mulheres).” (Matos, 2000). A autora acrescenta que “do ponto de vista estrito da análise relacional de género, a “hegemonia” masculina nas civilizações ocidentais - em termos de dominação e/ou relações patriarcais e patrimoniais – é quase um pressuposto.” (Matos, 2000).

Segundo Matos (2000), o caráter hegemónico defendido por Connell (2005) pode ser percebido em várias outras relações, como por exemplo, as das mulheres brancas face às negras, as dos heterossexuais perante os homossexuais. Isto é, seguem o mesmo raciocínio e são igualmente modeladas na cultura patriarcal. A autora salientou que “na posição defendida por Gramsci, as classes subalternas/subordinadas estão em constante luta/embate político para alcançar a posição legitimada e hegemónica”

101 (Matos, 2000). É nessa possível busca por uma posição hegemónica que se encontram as nossas preocupações. Daí que nos perguntemos:

- É o alcance dessa posição de hegemonia que as mulheres e os homens em situação de subordinação ou subalternidade procuram? Iremos debater mais à frente a esta questão.

Uma outra crítica comum ao conceito de masculinidade hegemónica é a que se dirige à existência de uma tendência para desnaturalizar o termo, o que lhe confere um aparentemente caráter fixo. No entanto, a esse respeito Kimmel (1991) e Connell (2005) foram taxativos quanto ao caráter mutável do conceito de hegemonia no âmbito das discussões sobre a masculinidade, focado nos assuntos relacionais: seja nas relações entre as diferenças e hierarquias entre homens, e entre homens e mulheres. Kimmel (1991), Connell (2005), Connell e Messerschmidt, (2005) ressaltaram a natureza mutável que a masculinidade hegemónica possui. É uma forma de masculinidade que ocupa a posição hegemónica num dado momento e espaço e em relações de género, sendo por isso uma posição contestável. Apesar de considerarmos desnecessária a introdução do adjetivo “hegemónico” no contexto dos estudos de género, é claro perceber, através do discurso dos autores, o caráter mutável daquilo que entendem, nesse contexto, por hegemonia. É pertinente destacar que a masculinidade hegemónica diz respeito à estrutura que sustenta o poder e àquilo que muitos homens são levados a apoiar (a sua posição dominante e privilegiada). E por isso, entendemos que melhor seria empregar a essa categoria o conceito de dominação masculina, anteriormente elencado por Bourdieu (2005).

De uma forma geral a hegemonia está relacionada com o domínio cultural de uma sociedade. Para Connell (2005) a quantidade de homens que praticam o padrão hegemónico de masculinidade é pequeno; mas a quantidade de homens que usufruem dessa hegemonia é bastante significativa, o que facilmente pode ser associado à teoria do patriarcado. Respondendo à questão a que nos propusemos, não acreditamos ser a posição hegemónica a busca da luta feminista ou do movimento LGBTQ. Não há uma luta no sentido de se tomar posições, antes sim uma procura de legitimidade, igualdade e equidade. Cabe deste modo ressaltar que a representação de uma “masculinidade patriarcal ou dominante” responderia da mesma forma ao conceito de masculinidade hegemónica cunhado por Connell (2005). Entretanto, é inegável que a teoria professada por Connell (1987, 2005) trouxe o tema das masculinidades para a primeira linha das discussões académicas.

102 2.4.2 Masculinidade cúmplice

Para Connell (2005) as masculinidades cúmplices caracterizam-se por atitudes de acomodação aos benefícios do sistema patriarcal. É a masculinidade através da qual os homens se identificam com práticas da masculinidade hegemónica. No entanto não cumprem, em bom rigor, todas essas práticas hegemónicas (Vale de Almeida, 2000). Isto é, percebem e desfrutam de algumas vantagens do patriarcado sem defenderem publicamente tal posição.

2.4.3 Masculinidade subordinada

Connell (2005) concetualizou a masculinidade subordinada através da existência de relações específicas de dominação de género entre grupos de homens. A subordinação foi empregue pela autora no sentido da dominação hétero-normativa e também dos homossexuais. Nas práticas de subordinação e dominação incluem-se a violência e a discriminação económica e social. Segundo Connell (2000) o exemplo mais notável de masculinidades subordinadas nas culturas europeias e da América do Norte foi o da masculinidade gay (2000: 30). No entanto tal discriminação não se concentra apenas na homossexualidade. A autora (2005) afirmou que os heterossexuais também podem ser excluídos do círculo da legitimidade, dependendo da posição económica e social que ocupem. Aquilo que é tido como simbólico na masculinidade subordinada aproxima-se do simbólico da feminilidade (2005: 79).

Sobre isto Welzer-Lang (2001) argumentou que a política normativa que defende a heterossexualidade, à qual se soma uma natureza homofóbica, é produzida sob a definição da superioridade masculina. E assim, é reiterada e autorizada socialmente pelo que ‘deve’ ser a sua performance sexual, por aquilo que caracteriza um homem tido como “normal”, através da virilidade, seja na aparência física ou nas suas práticas.

2.4.4 Masculinidades marginalizadas ou subalternas

“ […]a marginalização é sempre relacionada à autorização da masculinidade hegemónica do grupo dominante. Assim, nos Estados Unidos, atletas negros específicos podem ser típicos exemplos da masculinidade hegemónica, mas a fama e o dinheiro destes super astros não têm efeito benéfico: eles não refletem uma autorização social para os homens negros em geral.” (Connell, 2005: 81).

103 As masculinidades marginalizadas incluiram todos os indivíduos do sexo masculino que não se encaixavam nas normas da masculinidade hegemónica (Connell, 2005; Kimmel, 1997; Vale de Almeida, 2000). A marginalidade relaciona-se com as relações de poder que a masculinidade hegemónica exerce sobre as demais masculinidades. Esta forma de masculinidade está discriminada devido à condição subordinada de classe social ou etnia. A marginalização é produzida nos grupos explorados ou oprimidos que podem compartilhar muitas das características da masculinidade hegemónica, mas que são socialmente desautorizados. A base argumentativa de Connell (2005) foi a de que a relação entre marginalização e autorização pode existir também entre masculinidades subordinadas (Connell, 2005: 81)

Matos (2000) e Fialho (2006) discordaram dos quatro padrões de masculinidade defendidos por Connell. Fialho argumentou que “o modelo de Connell pode ser reduzido, para certos efeitos e sem grandes perdas, a um modelo binário, em que teríamos masculinidades hegemônicas e não-hegemônicas.” (2006:3). Matos (2000) afirma que é “delicado postular subordinação ou marginalização para as masculinidades”, pois ressalta o caráter dominante da masculinidade, bem como “é socialmente dominante um homem gay em relação a uma mulher lésbica, um homem negro em relação a uma mulher negra […] e assim por diante” (Matos, 2000).

Discordamos das posições acabadas de expor pelo fato de os modelos “não- hegemónicos” considerados pelos autores diferirem sensivelmente. Isto é, não é o mesmo analisar uma subordinação por etnia e uma subordinação ou marginalização por orientação sexual. Apesar de acreditarmos que o adjetivo ‘hegemonia’ é desnecessário, acreditamos que os termos “cúmplice, subalternos e marginais” explicam satisfatoriamente as nunces dessas diferenças das pluralidades da masculinidade. Tal como Connell e Messerschmidt (2005) corroboramos com a necessidade de compreender a génese da subordinação e marginalização, considerando as diferentes problemáticas que envolvem a orientação sexual, identidade de género, classe social e etnia estão presentes em diferentes tipos de preconceitos e questões desnaturalizadas socialmente.

Após a exposição dessas quatro formas de masculinidade elencadas por Connell (1995, 2005) importa relembrar que os termos usados pela autora não constituem tipos fixos de caracterização. Tais configurações de práticas são construídas, e por isso mesmo mutáveis. Desta forma, partimos para o próximo ponto de discussão na tentativa

104 de compreender algumas das prerrogativas dos estereótipos sociais sobre o que não deveria ser o masculino. Ou seja, os valores percebidos enquanto prerrogativas femininas do ponto de vista social, como a vaidade, feminização e androgenia.

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