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The broad debate on science education

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6. Inputs from literature review and other projects

6.1 The broad debate on science education

O conceito de comunicação depende de diversas concepções que podem ser levadas em consideração, tendo em vista que o ato de comunicar é um fenômeno bastante complexo.486 A comunicação para John Thompson é “um tipo distinto de atividade social que envolve a produção, a transmissão e a recepção de formas simbólicas e implica a utilização de recursos de vários tipos”.487

Nesse sentido, uma primeira constatação a ser feita é de que a comunicação pode ser vista como um ato simples ou como processo dinâmico. A comunicação como ato simples de transmissão de uma mensagem por um emitente a um receptor é aquela que ocorre nas relações mais triviais do dia-a-dia. Nesse caso se está falando da comunicação em sua forma mais comum, ou seja, a comunicação interpessoal.

A comunicação enquanto processo complexo encontra-se atrelada a um sistema com características que lhe são peculiares. Enquanto a comunicação interpessoal apresenta-se

486 Michele Sorice apresenta diversas concepções para a comunicação. Essas concepções não são exclusivas, mas

ajudam a compreender o complexo fenômeno do ato de comunicar. Assim, a autora propõe que a comunicação possa ser considerada como: a) contato; b) transferência de influência; c) passagem de informação; d) troca; e) relação social; e f) interpretação. SORICE, Michele. Sociologia dei mass media. Roma: Carocci, 2009. p. 18- 22.

487 THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 5. ed. Tradução de Wagner de

linearmente estabelecida, o processo comunicativo de massa não é simples e nem linear, tendo em vista que exige um aparato técnico no uso da comunicação vinculada a uma estrutura organizada e que responde a uma pluralidade de lógicas econômicas, sociais e políticas.488

Ao analisar especificamente a expressão “comunicação de massa”, Thompson refere que se trata de uma “expressão infeliz”.489 Segundo o autor, o termo massa conduz a um engano. É certo que a expressão massa pode se referir a uma grande quantidade de indivíduos, mas não se deve atrelar o seu conteúdo apenas a uma “questão de quantidade”. 490 Ou seja, “o que importa na comunicação de massa não está na quantidade de indivíduos que recebe os produtos, mas no fato de que estes produtos estão disponíveis em princípio para uma grande pluralidade de destinatários”.491

Além disso, Thompson alerta para outro possível engano: acreditar que essa massa seja composta por um “vasto mar de passivos e indiferenciados indivíduos”. 492 Conforme já analisado anteriormente, esse é um conceito atrelado a uma época em que os estudos sobre a comunicação de massa acreditavam que a comunicação tinha um efeito direto e homogêneo na vida social, sem, contudo, se ocupar das faculdades críticas que o receptor das informações pode operar.

Assim, é preciso “abandonar a idéia de que os destinatários dos produtos da mídia são espectadores passivos, cujos sentidos foram permanentemente embotados pela contínua recepção de mensagens similares”.493 Também é necessário “descartar a suposição de que a recepção em si mesma seja um processo sem problemas, acrítico, e que os produtos são absorvidos pelos indivíduos como uma esponja absorve água”.494 Esse raciocínio é importante para se compreender o exato papel e poder dos meios de comunicação tanto no cenário interno e na vida social, bem como, em âmbito internacional. O autor observa que “suposições deste tipo têm muito pouco a ver com o verdadeiro caráter das atividades de recepção e com as maneiras complexas pelas quais os produtos da mídia são recebidos pelos indivíduos, interpretados por eles e incorporados em suas vidas”. 495

488 SORICE, Michele. Sociologia dei mass media. Roma: Carocci, 2009. p. 24-25.

489 THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 5 ed. Tradução de Wagner de

Oliveira Brandão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 30.

490 Ibidem. 491 Ibidem. 492 Ibidem.

493 Ibidem. p. 31. Observação: Nas citações literais, os textos anteriores à reforma ortográfica de 2009, serão

mantidos conforme constam no original.

494 Ibidem. 495

Avançando na análise, Thompson afirma que o termo comunicação também pode ser enganador. Isso porque as formas como ocorrem as comunicações de massa são consideravelmente diferentes daquelas que ocorrem em uma comunicação tradicional. Em uma comunicação tradicional há um “intercâmbio comunicativo” e se estabelece um fluxo de comunicação de mão-dupla.496 Na comunicação de massa isso não se apresenta dessa forma; ou seja, “o fluxo de comunicação é esmagadoramente em sentido único”.497 Nesse processo, as mensagens são produzidas por sujeitos que estão longe de seus destinatários; além da distância, outros elementos estão presentes. A diferença no próprio contexto de produção das notícias é diferente da pluralidade de contextos inerentes aos diversos destinatários da mensagem comunicada. Assim, Thompson afirma que os “receptores das mensagens da mídia não são parceiros de um processo de intercâmbio comunicativo recíproco, mas participantes de um processo estruturado de transmissão simbólica”.498 Por essa razão, o autor explica que prefere, para tanto, utilizar as expressões “transmissão” ou “difusão” das mensagens da mídia, ao invés de “comunicação”.499

Percebe-se, portanto, que os dois tipos de comunicação não possuem uma diferença muito grande em sua essência, porém, no caso da comunicação de massa sua produção se dá por meio de um aparato técnico para a veiculação da mensagem. Uma das principais diferenças entre comunicação interpessoal e comunicação de massa é representada pelo feedback.500 Trata-se de uma “atividade do receptor, determinada, contudo, pelo emitente”.501 Ou seja, numa comunicação interpessoal, o emitente pode adaptar sua mensagem mediante análise da reação do receptor. Na comunicação de massa essa percepção (feedback) não é possível, sendo que o feedback se dá de forma dedutiva. O emitente não conhece o público (trata-se de uma massa indeterminada). Com isso, a análise da comunicação se dá somente após a emissão. Esse tipo de situação tem se atenuado com o avanço das novas tecnologias da informação, que propiciam aos meios de comunicação de massa um controle mais preciso da reação do público a mensagem transmitida. Assim, a natureza do feedback é uma das principais diferenças entre os dois tipos de comunicação, mas não é a única diferença.

496 THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Tradução de Wagner de

Oliveira Brandão. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.p. 31.

497 Ibidem. 498 Ibidem. 499 Ibidem.

500 SORICE, Michele. Sociologia dei mass media. Roma: Carocci, 2009. p. 25. 501 Ibidem.

Michele Sorice elabora um quadro apontando as demais diferenças, de modo que seja possível constatar que outros elementos também são importantes na diferenciação entre os dois tipos de comunicação, conforme a seguir apresentada:

Quadro 7 – Diferenças entre a comunicação interpessoal e a comunicação de massa

Comunicação interpessoal Comunicação de massa

Feedback Direto e/ou impróprio Dedutivo

Relação entre emitente e

destinatário Potencialmente simétrico Prevalentemente assimétrico

Colocação do público Próximo à fonte Distante da fonte

Quantidade de público Reduzida Elevada

Qualidade do público Definido e conhecido do emitente Diferenciado e desconhecido do emitente

Natureza do emitente Indivíduo ou grupo Estrutura organizada com grande capacidade e articulação dos processos distributivos

Mensagem Única e normalmente não reproduzível Produto simbólico, cópia difusa simultaneamente

Fonte: SORICE, Michele. Sociologia dei mass media. Roma: Carocci, 2009. p. 26.

Da análise do quadro acima e com base no que já foi comentado anteriormente, é possível perceber que os mass media representam um fluxo de comunicação, que em sua origem mostra-se unidirecional, ou seja, o receptor das mensagens limita-se a esse papel, pertencendo a uma massa uniforme. Além disso, são estruturas organizadas e com isso pretendem satisfazer as exigências e preferências do seu público destinatário e ao prender a atenção poderão manter um equilíbrio econômico, tendo em vista que as receitas dos mass media provêm em sua grande maioria dos recursos oriundos da publicidade.

A nomenclatura apresentada acima apresenta uma dificuldade ainda maior na medida em que se analisa as novas formas de difusão da informação, em especial, por meio da utilização de recursos digitais como a Internet, pois essa “massa” deixa de ser, em alguns casos, desconhecida e passiva para atuar de uma forma totalmente diferenciada.

estruturação e os meios de comunicação de massa começam a buscar uma interação maior com o público, nem que seja para poder vender um produto mais ao gosto do receptor. É preciso reconhecer que as atuais tecnologias de informação propiciam uma relativa intervenção por parte dos receptores, porém, o processo ainda é assimétrico, e nesses casos ainda estabelecido praticamente num sentido único.

Thompson, ao transpor o assunto para a atualidade, onde se utiliza cada vez mais de novas tecnológicas de comunicação, refere que a “expressão comunicação de massa é enganosa como descrição das formas mais tradicionais de transmissão da mídia, ela é ainda mais inapropriada para os novos tipos de informação e comunicação em rede, que estão se tornando cada vez mais comuns hoje em dia”.502 Por essas razões, o autor explica que a utilização da expressão “comunicação mediada” ou, simplesmente, “mídia” possui menos riscos de ser mal interpretada.

Com os avanços tecnológicos, a comunicação unidirecional acaba sendo relativizada, o que permite uma tênue capacidade de os receptores intervirem no processo comunicativo de massa. Quando os receptores participam enviando sugestões, reclamações, telefonemas aos editores de jornais, por exemplo, acabam por expressar suas opiniões nesse processo comunicativo. Contudo, conforme ressalta Thompson, se está diante de um processo que é “fundamentalmente assimétrico, ainda que não completamente monológico ou de sentido único”.503

Em síntese, considerando todas as peculiaridades anteriormente expostas, será empregada no presente trabalho a concepção de meios de comunicação de massa proposta por Thompson, que a considera como sendo “uma série de fenômenos que emergiram historicamente através do desenvolvimento de instituições que procuravam explorar novas oportunidades para reunir e registrar informações, para produzir e reproduzir formas simbólicas, e para transmitir informação e conteúdo simbólico para uma pluralidade de destinatários em troca de algum tipo de remuneração financeira”.504

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