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How can the BRICS New Development Bank better use Country Systems – drawing on experiences

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13. How can the BRICS New Development Bank better use Country Systems – drawing on experiences

Há uma quantidade considerável de resenhas e textos nas diversas mídias sobre as obras da escritora Adriana Lisboa e sobre sua participação no campo literário. Todavia, grande parte dos textos destina-se à divulgação e não à análise, ao contrário do que é feito pela crítica especializada, conforme observado. Muitas dessas apreciações dedicam-se a comentar suas obras sem aprofundar os elementos basilares que a constituem. O objetivo dessas resenhas é provocar interesse no leitor para que consuma o produto cultural, o que não deve ser visto como algo ruim, pois esse estímulo, resultado da linguagem contagiante e dos textos curtos dos jornalistas, agrega reconhecimento para a escritora fora do nicho da crítica especializada, abrindo a possibilidade de atingir públicos diversos, que estão, via de regra, menos preocupados com questões técnicas relacionadas à obra que leem.

Por meio da leitura de resenhas de jornais, de revistas e de blogues, verificou- se que o foco dos textos recai principalmente sobre a trama, em geral com simples e direta exposição do enredo, sem aprofundamento dos aspectos estruturais ou técnicos das obras. O gênero resenha de obras literárias contempla a apresentação do autor, o resumo da obra e um comentário avaliativo do texto. Alguns aspectos da obra literária de Adriana Lisboa são recorrentemente lembrados, como, por exemplo, a simplicidade, a poeticidade e a narração do cotidiano.

Muitos veículos da chamada grande imprensa, como os jornais Folha de São

Paulo38, O Globo39 e O Estado de São Paulo40, e revistas como Isto É41 publicaram

matérias, entrevistas e resenhas sobre a trajetória da escritora e suas obras. Além desses veículos de imprensa, contas em plataformas digitais como You Tube,

Instagram e sites relacionados a instituições culturais e editoras como Sesc42, TV

Cultura43, Saraiva44, entre outros, publicam textos e vídeos que promovem as

produções da autora.

Como a carreira da escritora vem se consolidando cada vez mais, a quantidade de peças críticas sobre sua obra tem aumentado, o que garante que seu trabalho seja divulgado junto ao público leitor mais amplo. Nesse contexto crítico, jornalistas e blogueiros tornaram-se agentes fundamentais na construção de sua imagem pública.

A pouca autoridade em termos de prestígio e embasamento técnico dessas novas formas de crítica, se comparada com a crítica especializada, pode ser contrastada com o poder de influência que esses grupos de leitores adquiriram com a difusão da mídia digital. A imagem pública de Adriana Lisboa e a recepção de sua obra passam a ser também moldados pela capacidade de audiência e compartilhamento que os blogueiros ou influenciadores possuem. Essa influência

38 Resenha publicada pelo site da Folha de S. Paulo: Disponível em:

<https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2602201126.htm>. Acesso em: 13 jul. 2018.

39 Resenha publicada pelo site d’O Globo: Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-

busca-pela-simplicidade-de-adriana-lisboa-20005425>. Acesso em: 13 jul. 2018.

40 Artigo publicado pelo site do Estado de S. Paulo: Disponível

em:<https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,adriana-lisboa-escreve-poemas-de-paixao-e- lucidez,1582127>. Acesso em: 13 jul. 2018.

41 Artigo publicado pelo site da Isto É. Disponível em:

<https://www.terra.com.br/istoegente/edicoes/580/artigo189292-1.htm>. Acesso em: 13 jul. 2018.

42 Vídeo postado pela Tv Sesc.. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=tA3yoMF3kb4>.

Acesso em: 13 jul. 2018.

43 Vídeo postado pela TvCultura Digital. Disponível

em:<https://www.youtube.com/watch?v=sIMCn7FeZ14> Acesso em: 13 jul. 2018.

44 Vídeo publicado pela editora Saraiva. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7dlt-

também é capitalizada pelo mercado editorial e funciona como uma eficiente estratégia de marketing digital das editoras, que se torna, em última instância, parte crucial da estratégia da venda de livros e da consolidação da profissionalização do escritor contemporâneo.

A seguir, trabalharemos com alguns segmentos da crítica não especializada para investigar a recepção crítica da obra de Adriana Lisboa. Além dos textos em seus diversos gêneros, como resenhas críticas, opinativas, reportagens, colunas, crônicas etc., que aparecem em diferentes veículos, como jornais, revistas e seus formatos digitais, analisaremos também alguns blogues e sites focados em literatura. Neste subcapítulo, investigaremos o uso desses meios de comunicação e o alcance que eles têm entre leitores como formadores de opinião e de público para as obras.

É necessário lembrar que a mídia digital, com suas ferramentas e plataformas, abarca uma enorme rede de difusão e apreciação de escritores e obras literárias. Ademais, as redes digitais funcionam como um expressivo canal de vendas dos livros, de publicidade de livrarias e demais serviços e produtos relacionados ao livro e à leitura. Um exemplo de aproximação com a obra de Adriana Lisboa fora do circuito acadêmico é a entrevista realizada com a escritora pela psicanalista Vanessa Souza, na Revista Digital Amálgama. Não se trata de uma entrevista tradicional, conforme o gênero textual costuma ser definido (com a presença de manchete ou título; apresentação dos pontos relevantes da entrevista, do perfil do entrevistado, perguntas e respostas). Na introdução, podemos notar a forma híbrida do texto: Souza narra em primeira pessoa como se aproximou da autora: “Uma amiga indicou-me Sinfonia em Branco” (SOUZA, 2010).

Sua reação diante da leitura da obra é descrita em termos afetivos e pessoais, o que a coloca em contato direto com seus leitores. O caráter informativo também está presente e é evidente no segundo parágrafo, em que a autora oferece ao leitor informações gerais sobre a escritora, que a colocam em uma esfera prestigiosa (ligada aos prêmios e às edições da obra em língua estrangeira). Nesse mesmo parágrafo, faz uma afirmação extremamente técnica: “A escrita da Adriana é da ordem do Real, conceito lacaniano que abordei numa das últimas resenhas aqui. Defini-la escapa da ordem da linguagem” (SOUZA, 2010). Logo adiante, a escrita de Adriana Lisboa é definida por meio de um adjetivo que carrega grande carga afetiva e subjetiva: “É arrebatadora”. Mais adiante, afirma: “fiquei irremediavelmente tomada de paixão por sua prosa poética” (2010).

O caráter breve e informativo, com grande carga afetiva, repete-se em outros textos como no Blog da Boutique, que faz apreciações de obras e leituras. “O livro [Sinfonia em branco] da autora carioca Adriana Lisboa é um transbordamento de delicadeza e sutilezas que só a grande Literatura possui” (RIBEIRO, F., 2013). É assim que se inicia a curta resenha do livro, que se prende mais a uma análise descritiva da obra, com alguns comentários realçados pelo uso de adjetivos e advérbios. Nota-se, também, um foco na recepção do leitor, que é usado como um critério de análise central da obra, como se pode ver no trecho seguinte: “Com uma história aparentemente comum, o livro traz em suas linhas a vida de duas irmãs, Clarice e Maria Inês, que de personalidades e posições diferentes diante da vida vão sendo descobertas por nós leitores de uma forma apaixonante” (RIBEIRO, F., 2013). Além da resenha crítica de Sinfonia em Branco, de Adriana Lisboa, a página traz a imagem da capa do livro e uma foto da autora.

As resenhas críticas em blogues de grandes editoras apresentam características presentes tanto na crítica especializada quanto no jornalismo cultural. A resenha efetuada para o livro O Sucesso, de Adriana Lisboa, é um exemplo desse gênero textual:

Nesta coletânea de contos sobre paixões veladas, desencantos e memórias, Adriana Lisboa apresenta uma nova dimensão de sua obra.

O sucesso reúne nove contos que desenvolvem personagens marcantes: uma jovem cartomante com um passado traumático; um casal elegante com uma filha de temperamento instável; um fotógrafo que descobre uma tragédia iminente; uma empregada doméstica que se envolve num arriscado jogo de sedução, entre outros.

Adriana Lisboa constrói cenas precisas, em que um olhar, ou uma frase dita pela metade, é suficiente para que o leitor entenda que, por trás de algo aparentemente comum, esconde-se uma rede de desejo, confiança, amizade e amores velados, mas também de frustrações e traições inesperadas. Romancista e poeta segura, a autora nos mostra que domina também o complexo equilíbrio das histórias curtas (COMPANHIA DAS LETRAS, 2019)

Podemos observar na resenha de apresentação da obra elementos como concisão, caráter informativo sobre o enredo e valorização da escrita. A resenha vem acompanhada da ficha técnica da obra, que acrescenta informações adicionais ao leitor. É comum encontrarmos sites e blogues que se debruçam sobre algum aspecto de alguma obra de Adriana Lisboa com essas características em comum. A questão da concisão e da rápida apresentação do assunto acaba por facilitar a

aproximação dos leitores à obra.

Uma entrevista ao programa Metrópolis, realizada pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, da TV Cultura de São Paulo, de 2014, denota alguns desses componentes da imagem pública de Adriana Lisboa. Ao ser questionada sobre o surgimento da temática do exílio, do desencontro e da distância em sua obra Hanói, ela responde fazendo referência às viagens que fez, ao voluntariado com refugiados, às pesquisas que realizou para o livro e ao interesse por “pessoas que não tinham lugar em lugar nenhum do mundo” (2014). Ao fundo da entrevista, vemos imagens extraídas do filme Lisboa, em que ela caminha, olha a neve por uma janela, lê numa biblioteca, tudo marcado por leituras sérias e vagarosas de trechos de seu livro. Questionada sobre a melancolia identificada em sua obra, ela refuta, respondendo que o que há propriamente é “um compromisso com a alegria de pequenas coisas do cotidiano” (2014).

Outra participação sua na mídia é o vídeo que reproduz o Seminário

Português: Obstáculo ou Oportunidade? realizado pelo Conexões Itaú Cultural.

Adriana Lisboa fala para o público, em participação via Skype, sobre a difusão da literatura brasileira no exterior. Ela oferece um depoimento a respeito do cenário do mercado editorial fora do país, discorre sobre o estatuto da língua portuguesa e da literatura brasileira e comenta as traduções de livros brasileiros no exterior (2012). Os outros dois debatedores são duas pesquisadoras e professoras universitárias: Célia Regina Bianconi, da Universidade de Boston, e Peggy L. Sharpe, da Universidade Estadual da Flórida.

O site oficial da Universidade Massey, na Nova Zelândia, realizou uma entrevista com a autora em função de uma residência acadêmica realizada por Lisboa. Entre informações sobre a autora e declarações dela sobre sua adaptação ao novo país, o texto fala também da imagem de Lisboa no exterior, dando destaque à sua atividade de tradutora:

Enquanto uns poucos neozelandeses estão a par de autores brasileiros – com exceção de Paulo Coelho (e seu best-seller de 1984 O Alquimista) – Adriana Lisboa é bem conhecida entre os escritores do país. Ela traduziu o primeiro romance de Eleanor Catton O Ensaio para o português, e também traduziu uma nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, além de romances do americano Cormac e da poetisa da canadense

Margaret Atwood.45 (2017, tradução nossa)

Esses trechos destacados confirmam que tanto a obra de Adriana Lisboa quanto a crítica (especializada ou não) que se faz dela, seja nacional ou internacionalmente, estão presentes em diversos meios: sites, blogs, plataformas de compartilhamento de vídeos. Essa ação em diversas frentes doou mais amplitude e alcance ao trabalho de Lisboa. Mas não é apenas por uma diversidade de meios de difusão que sua carreira com escritora profissional vai se consolidando, mas também pela multiplicidade de gêneros com os quais trabalha. É sobre a faceta de escritora polígrafa que falaremos no próximo subcapítulo.