2 Subventions spécifiques
2.1 Ajustements particuliers
2.1.23 Bourses d’excellence aux futurs enseignants
Ciclo 1
Planejamento - Para o início da pesquisa, a partitura escolhida para ser estudada foi a música “Inspiração”, do compositor Garoto. Essa peça foi escolhida como sugestão dos dois participantes do grupo, pois ambos tinham interesse em estudá-la para preparação do Curso Técnico de Violão Popular da EMUFRN.
Ação - Como primeira implementação, foi decidido que a transcrição seria realizada aos poucos para que se pudesse ter uma noção a priori da complexidade da peça. Dessa forma, foi transcrita somente até o 8° compasso para a análise e busca por possíveis estratégias de otimização no processo de sua leitura/execução.
Quando transcrita para a musicografia braille, essa peça dispõe de três vozes. De acordo com o Manual Internacional de Musicografia Braille “A ordem da escrita é a mesma empregada para o sentido dos intervalos. Nas vozes e intervalos nos quais a leitura de intervalos for descendente, começa-se a escrever pela voz mais aguda [...]” (UNIÃO MUNDIAL DOS CEGOS, 2004, p.41). Dessa forma, a transcrição para o violão é realizada a partir da voz mais aguda e, posteriormente, as vozes intermediária e grave. Essa ordem é realizada acrescida pelo símbolo de “em acorde” para a conexão entre as vozes.
Sendo assim, a primeira transcrição foi realizada como normalmente as transcrições são feitas para o instrumento. Essa foi uma forma de, juntamente com a entrevista inicial, poder mapear o grau de dificuldade do grupo, a fim de utilizar as informações nos ciclos futuros.
Monitorar e Descrever – Conforme o Manual Internacional de Musicografia Braille, a peça foi transcrita separando as vozes. Iniciando pela voz mais aguda, seguindo pela voz intermediária e, por fim, pela mais grave. Entretanto, essa peça dispõe de uma característica forte nas músicas escritas para violão; mesmo que se
pense na divisão de vozes para o braille, por ser um instrumento polifônico, as músicas para o violão dispõem de várias vozes.
Além disso, as informações normalmente transcritas para o braille não se tratam apenas de vozes, melodia e harmonia, mas de diversas outras. Dentre elas, devem-se considerar ainda as notas duplas em todos os compassos transcritos inicialmente. Para chegar até a execução seria necessário a memorização de todas essas informações, além da digitação das mãos direita e esquerda, sinais de casa e pestanas, como nas imagens abaixo:
Figura 10: Primeira página da peça “Inspiração”.
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Fonte: http://www.comperve.ufrn.br/conteudo/musica/tecnico2020/programas.php.
18 Descrição da imagem: Imagem da primeira página da partitura em tinta da peça, encabeçada pelo
Figura 11: Transcrição da peça “Inspiração” até o 8° compasso.
Fonte: Transcrição do autor.
Avaliar - Para avaliar e buscar estratégias para que se chegasse à execução da peça, fez-se necessário saber por que eles não conseguiram tocar a música.
Foi possível perceber nitidamente que essa peça exige um nível de leitura avançado por apresentar detalhes de polifonia, o que consequentemente acarreta em grande número de símbolos. Além disso, sua execução acompanha uma série de dificuldades. A melodia percorre toda a extensão do braço do instrumento, e acontece também a progressão de acordes, acarretando em passagens que são difíceis de executar com um nível satisfatório de fluidez, considerando o estágio em que os participantes da pesquisa se encontram (mesmo que eles tenham optado pela escolha dessa música).
A peça foi transcrita fielmente, como na partitura em tinta, com o objetivo de se planejar uma estratégia nos compassos seguintes. Porém, na primeira leitura, já foram detectados grandes obstáculos para a sua continuação. Vale salientar que a
transcrição foi feita seguindo os princípios do Manual Internacional de Musicografia Braille, o que configura processo difícil para um aluno de Violão II.
Considerando o feedback dos integrantes do grupo, foi sugerida a mudança da música devido ao nível da peça já descrito acima. Mesmo que Araújo já tenha mais domínio com a leitura, a memorização das informações ficou comprometida pelo número de informações.
Para Silva, a divisão da escrita por vozes compromete o entendimento da música. Dessa forma, ele justifica essa dificuldade, afirmando:
Eu não entendi, porque da forma que ela foi passada pra [sic] mim ficou incompreensível; primeiro vinham os agudos, e eu não entendia mais nada, porque eu tô [sic] acostumado com a forma que vem com a nota dupla já. Assim, dá pra [sic] entrar mais rápido no cérebro, a nota dupla e as outras notas.19
Percebe-se, então, que a disposição e a divisão das vozes dificultaram o processo de entendimento da leitura para que Silva pudesse chegar no objetivo principal, a execução da peça. Além disso, ele abordou uma questão importante, e que para ele é fundamental: o auxílio de gravações, que lhe permite internalizar a música e consolidar o processo. Para ele:
É um desafio pegar uma partitura na qual a gente não ouve a música. Ainda não é cem por cento partitura, pelo menos pra [sic] mim. Eu não consigo ainda pegar a música você me entregando a partitura, mesmo tendo a fórmula de compasso, eu não consigo executar sem ter o mínimo conhecimento da peça. 20
A divisão das três vozes foi destacada pelos dois integrantes do grupo como principal fator de dificuldade na primeira peça supracitada. Ademais, havia símbolos ainda desconhecidos para eles. Araújo justifica essa dificuldade, afirmando:
A gente não conseguiu. No meu caso, eu não consegui, justamente essa especificidade que tem a música de três vozes. É como já falei, que tem momento que a primeira voz, a mais aguda, a do meio e a mais grave acabam se confundindo. Não a grave, mas a melodia principal com a segunda, como tem nota de repetição, acaba nos
19 Nota de campo em 02/05/2019. 20 Nota de campo em 02/05/2019.
confundindo dentro da leitura quais notas tocam ao mesmo tempo. Mas, é isso. A dificuldade foi essa para o primeiro contato com a música. E outros novos sinais que estávamos vendo, pelo menos para mim, tinha sinal de nota dupla que eu estava vendo pela primeira vez. Como a música já tinha algumas acentuações novas para mim, eu senti uma certa dificuldade.
Vale ressaltar que Araújo tem mais familiaridade com a escrita por desenvolver a leitura da musicografia braille para o violão há mais tempo que Silva (que está tendo contato mais aprofundado a partir deste momento). Por esse motivo, foi necessário o planejamento de outra peça. Além disso, neste primeiro ciclo a leitura foi feita sem o apoio do instrumento, o que dificultou ainda mais o processo.
Assim sendo, para iniciarmos a análise das partituras, seria ideal que a peça pudesse ser lida pelos participantes. Os dois, então, optaram pela busca de uma música que apresentasse menos divisão de voz, pelo menos para o início. Sobre a especificidade para o violão Silva afirma:
O que eu penso é que a musicografia específica pra [sic] violão tem suas particularidades. Então, tem bastante coisa a ser estudada, e eu tive um esclarecimento mais por causa da aula de musicografia braille, mas, realmente, antes eu não tinha, eu não sabia bem identificar a leitura, me perdia. Eu conseguia entender as notas, mas até aprender as figuras, os sinais de nota dupla... essas coisas ainda tô [sic] aprendendo, porque é uma fase, a gente não memoriza de uma vez, sempre tá [sic] perguntando qual o sinal.21
Portanto, evidencia-se assim a necessidade da busca por estratégias para além de materiais físicos, mas que possam tornar a escrita acessível, de forma a ser compreensível para ambos os indivíduos.
Ciclo 2
Planejamento - A partir dos resultados do ciclo 1, foi necessário optar por uma música mais simples, que nos permitisse inicialmente uma análise completa,
21 Nota de campo dia 02/05/2019.
observando quais os principais sinais a serem considerados para a execução da peça. Neste ciclo, a peça escolhida foi a música “Green-sleeves”, de autor desconhecido.
Monitorar e Descrever - Esta peça foi completamente transcrita e embora também apresentasse o sinal de “em acorde”, a música dispõe de somente duas vozes e não apresenta sinal de nota dupla, o que dificultou o ciclo anteriormente. Porém, a versão transcrita dispunha de muitos sinais de digitação das mãos direita e esquerda.
Considerando a disposição das vozes da referida peça, nota-se que foi transcrita conforme indicado pelo Manual Internacional de Musicografia Braille. Mesmo considerando que no ciclo anterior essa forma de escrita tenha dificultado a compreensão da peça e tenha comprometido a execução no instrumento, levamos em consideração a menor quantidade de vozes. Por isso, a peça foi transcrita na íntegra.
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Fonte: Transcrição do autor.
Avaliação - Neste ciclo utilizamos o violão para intermediar a leitura e a execução do instrumento, isso facilitou o processo de leitura, mesmo que à primeira vista. Porém, somente um dos integrantes conseguiu executar a música, fato que nos leva à reflexão acerca do motivo para tal.
É importante destacar que no início da investigação Silva conhecia pouco da musicografia braille. Contudo, neste ciclo ele já havia ingressado na licenciatura e estava cursando a disciplina de Musicografia Braille II, cujo objetivo é abordar as especificidades de escrita braille para alguns instrumentos, dentre eles, o violão. Assim, Silva já pôde participar da pesquisa sob outra ótica, ou seja, ele já pôde compreender melhor os sinais presentes na transcrição. Vale salientar, ainda, que
esta transcrição foi realizada através de áudio; ele transcreveu a música de acordo com o que ouvia.
Portanto, foi possível obter a informação de que Silva já conhecia a música, tendo inclusive já feito sua transcrição como avaliação da disciplina. Então, neste processo da leitura, ele precisou memorizar apenas a digitação. Araújo, por outro lado, não conhecia a música e precisou memorizar toda a sua simbologia.
Percebe-se que Silva dispõe de uma relação muito forte com a percepção, algo que traz consigo desde o início de sua vida musical, como já citado anteriormente. Segundo ele, a percepção ainda é o recurso mais forte. “Ainda é o mais forte em mim. Apesar de que eu estou estudando musicografia braille e particularidades também da escrita pra violão, mas não é o suficiente. Eu já tô mais apto ao processo, mais rápido pra pegar de ouvido, isso não posso deixar omitir”.
Já com Araújo, o processo de leitura aconteceu de forma diferente. Não obtivemos grandes progressos nos primeiros encontros, o que nos levou a buscar estratégias que pudessem contribuir para que ele conseguisse executar a música.
Neste ciclo pudemos implementar as estratégias, tendo em vista que o acúmulo de sinais e dificuldades já estavam previstas desde a entrevista inicial da pesquisa.
Estratégia – Pensando na menor divisão de vozes, a ausência de pestanas e/ou saltos de casas, a peça foi transcrita posteriormente como estratégia. A divisão das vozes foi feita de forma que toda a melodia foi escrita, primeiramente, sem digitações de mão esquerda ou direita, e, posteriormente, o acompanhamento dos baixos. Como podemos ver nas imagens abaixo:
Figura 13: Partitura da música “Green-sleeves”.
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Fonte: Acervo do Projeto Esperança Viva.
Figura 14: Partitura da música “Green-sleeves” como estrtégia da escrita.
Fonte: transcrição do autor.
Essa transcrição trata-se do material físico adaptado, segundo as dificuldades apresentadas no momento da leitura. Porém, para que chegássemos à execução da peça, utilizamos estratégias de leitura por cada frase da música. Recorremos ao áudio em formato MIDI para que a melodia pudesse ser reconhecida por Araújo. Além disso, fizemos essa leitura utilizando o solfejo como forma de memorizar a melodia, inicialmente, por opção do Araújo, pois, segundo ele, “Vamos tocar a melodia inteira, porque os baixos é só uma nota pra cada duas notas tocadas, então...”24. Neste
24 Nota de campo em 06/05/2019.
processo podemos perceber que a memorização foi acontecendo de forma a refletir na execução da peça no violão.
O solfejo foi realizado ao mesmo tempo em que a peça foi sendo executada. Após a memorização da melodia, iniciou-se a leitura do acompanhamento, o qual, no caso dessa peça, apresenta com rítmica simples. Dessa forma, todo o processo aconteceu na mesma dinâmica em que foi lida a melodia. Porém, nas primeiras vezes da execução do acompanhamento foi sendo solfejada a melodia, o que, segundo Araújo, facilitou a compreensão da música.
Para ele, o que dificultou sua leitura inicialmente foi o fato de não conhecer a melodia; e, principalmente, o fato de os baixos estarem junto a ela na leitura. “Quando veio a partitura, já veio com os baixos. Então, eu tinha que me preocupar com os baixos e com a melodia. Então houve aquela dificuldade de pensar as duas coisas ao mesmo tempo”.25
Sobre o processo de se ler separadamente, isso resulta numa forma de melhor “visualização” que, segundo ele, facilita o processo. “Agora tá ficando um pouco mais fácil, porque tá mais visível, mais coerente, eu pegar primeiro a melodia pra depois juntar com o baixo. Aí eu vou olhar qual é a nota que vai coincidir com o baixo, tocando junto. Aí fica mais fácil”.26
Já no final da partitura, mesmo já tendo uma maior habilidade com a escrita, Araújo não memorizou particularidades que indicam informações importantes e que, geralmente, são muito utilizadas nas peças para violão. Havia alguns símbolos que não poderiam ser omitidos, como a digitação, por exemplo, por indicar que aquelas notas deveriam ser tocadas como meia pestana na 5ª casa. Sendo assim, fica evidenciado que a musicografia braille específica para o violão pode confundir a pessoa com deficiência visual, tendo em vista a repetição de símbolos para diferentes fins. A partir disso, podemos constatar a importância de estimular os sentidos perceptivos do aluno, independentemente da deficiência. Ressalta-se, porém, que a audição aguçada nem sempre é característica do deficiente visual, e que o processo
25 Nota de campo em 06/05/2019. 26 Nota de campo em 06/05/2019.
de aprendizagem musical torna-se mais significante quando, de fato, a música está presente desde o princípio.
Ciclo 3
Planejamento - Mesmo considerando o segundo ciclo importante, por poder integrar, e a percepção e prática de solfejo como recursos para uma melhor memorização da música e, posteriormente, a execução instrumental, tornou-se necessária uma nova escolha. Considerando que um dos participantes já conhecia a música e que seu histórico de domínio sobre a prática imitativa sobressaiu no processo da leitura, para esse ciclo a peça escolhida foi “Valsa sem nome”, de Baden Powel.
Monitorar e descrever – A peça foi transcrita considerando os desdobramentos do ciclo anterior. Entendemos que a memorização das vozes separadas completamente, fazendo-se a junção somente ao final de todo o processo, poderia contribuir para que o processo da leitura/execução pudesse ser otimizado. Sendo assim, a peça foi transcrita com a divisão das vozes por partes, como a transcrição da música “Green-sleeves” (inicialmente foi transcrita apenas a melodia), como podemos ver na imagem abaixo:
Figura 15: Partitura da música “Valsa sem nome” como estratégia.
Quando se inicia uma leitura, um violonista vidente pode obter informações da peça amplamente, podendo acessar o movimento, os saltos, acordes, sem necessariamente focar nas informações mínimas de digitações e dinâmica da música, ou seja, ele pode selecionar as informações primordiais à primeira vista. Entretanto, isso não é possível para o músico cego.
Nessa perspectiva, a transcrição foi realizada buscando que as informações presentes na partitura pudessem, dentro do possível, oferecer uma noção ampla da peça, e que a música fosse percebida desde o início da leitura. Devemos considerar que todas as informações serão postas em prática a partir da memorização, e esse aspecto tem completa influência quanto ao tempo de estudo de cada peça. De acordo com Silva, sua maior dificuldade é associar a leitura à prática no instrumento, “Eu tenho dificuldade de passar a leitura pro violão. Não tenho essa afinidade ainda de pegar a partitura, ler e passar pro violão”.27
Sendo assim, podemos perceber que existem dois processos para que o músico cego possa executar uma peça. Ele precisa compreender a leitura, associar as vozes e juntá-las, para posteriormente começar um novo processo no violão. Assim, mesmo que o aluno compreenda a leitura e memorize a música, ao se iniciar a prática no instrumento, não terá a noção geral da música, necessitará de mais tempo para poder preparar a música associando a leitura à prática.
Dessa forma, mesmo considerando que haveria um processo para a compreensão da leitura, o objetivo principal nessa estratégia foi otimizá-lo. Assim, a peça foi transcrita de acordo com as informações visuais ao ler uma peça à primeira vista.
Nos compassos com maiores volumes de notas, foi possível omitir os sinais de “em acorde”, considerando que os participantes compreenderiam os valores das notas sem que pensassem nelas dissociadas como vozes independentes. Assim, em muitas situações, o sinal de “em acorde” foi substituído por intervalos, os quais foram compreendidos como notas tocadas
simultaneamente. No entanto, essa estratégia pode mais uma vez evidenciar a distinta compreensão dos participantes a partir da relação de cada um deles com a música, cujo histórico já foi apresentado.
No decorrer da estratégia, foi possível perceber que um dos participantes apresentou dificuldades principalmente na relação dos intervalos com as notas. De acordo com o Novo Manual Internacional de Musicografia Braille (2004, p.36), “Nos acordes do registro agudo (soprano, contralto, violino, viola, mão direita do piano, órgão e harpa...) escreve-se a nota mais aguda, representando-se as restantes mediante intervalos descendentes relacionados à nota escrita”.
Assim, o sinal de intervalo foi recorrente nesta transcrição. Além de associar as notas tocadas simultaneamente, pôde facilitar a noção geral da música, associando as vozes na leitura desde o primeiro momento. Dentre as dúvidas surgidas, podemos destacar as relativas à digitação e associação de intervalos como as mais recorrentes, situação essa já habitualmente presente na transcrição tradicional.
Avaliação - Pela primeira vez, em todo o desenvolvimento dessa pesquisa, foi possível perceber o êxito na estratégia. Nessa implementação, os participantes puderam desenvolver suas leituras fluentemente; todavia, ainda surgiram dúvidas, o que torna possível reafirmar a importância do professor enquanto mediador entre metodologia e acessibilidade. Sobre essa estratégia Silva afirma,
Ajudou bastante, ela tá [sic] bem expressiva. Claro que eu precisei do seu auxílio, porque ainda tô [sic] desenvolvendo a leitura, não sou tão apto a tá [sic] lendo partitura. Mas, ao longo do entendimento, eu acho que se eu pegar outro tipo de partitura com essas mesmas características eu vou compreender bem melhor.28
Essa necessidade do aluno quanto ao auxílio do professor acontece não somente nos aspectos da leitura; pois, quando nos referimos ao violonista
cego, precisamos considerar, ainda, que este não tem noção acerca da postura, por exemplo, tendo em vista que não pode corrigi-la, devido à ausência do sentido da visão.
A necessidade de intervenção para auxílio aos participantes ocorreu diversas vezes com relação às possibilidades de digitações, porém, apenas no início da música, visto que, conforme a leitura ia acontecendo, a compreensão, consequentemente, ia se desenvolvendo. Essafoi a estratégia que pôde ser mais desenvolvida musicalmente; os participantes puderam ler a partitura com fluência no instrumento, ou seja, a assimilação da partitura com a prática ocorreu simultaneamente.
Podemos afirmar que no decorrer da leitura, os participantes foram provocados a desenvolver sua autonomia quando, ao invés de receberem informações prontas, podiam acessar informações imediatas dos movimentos seguintes. Assim, a digitação era escolhida de acordo com a disposição dos dedos, antes e depois de um trecho.
Um panorama geral da peça foi evidenciado por Araújo para que o cego pudesse ter acesso à música desde o princípio da leitura; isto é, segundo ele, uma ideia geral de uma música pode ser acessada através da partitura desde seu primeiro contato com a mesma.
Você olhou pro [sic] compasso e você sabe onde e que posição vai usar, e aqui você conseguiu. Um monitor me falou: “quando eu olho pra [sic passim] partitura antes de ler, eu olho pra ela todinha, pra depois fazer a música”. E eu ficava imaginando: “como é que o cara [sic] vai ver a posição?” Porque têm várias posições no violão que a gente pode usar, mas ele disse que lia a partitura primeiro, antes de tocar. Lia como se tivesse [sic] lendo um texto e mentalizava as posições, e, por isso, era difícil errar. Aqui vai ser uma