CONTROLE DE ADULTOS DA MOSCA BRANCA, Bemisia tabaci, BIÓTIPO B COM TRATAMENTO DE SEMENTES DE FEIJÃO COMUM
Quintela, E. D.1; Lemes, A. C. O.2 e Cunha, D. I.2 1
Pesquisadora, Embrapa Arroz e Feijão, Rod. Goiânia a Nova Veneza, Km 12 75.375-000, Santo Antônio de Goiás-GO. [email protected]
2
Bolsista SECTEC/ CNPq/Embrapa Arroz e Feijão.
Palavras-chave: pragas do feijoeiro, mosaico-dourado
INTRODUÇÃO
Dentre as pragas que ocorrem no feijoeiro, as moscas brancas, Bemisia
tabaci Biótipos A e B, causam enormes prejuízos, principalmente pela
transmissão do Vírus do Mosaico Dourado do Feijoeiro (VMDF). Os danos pela transmissão do vírus, podem atingir 100%, quando ocorrem altas populações da mosca branca no início do desenvolvimento da planta do feijão (Phaseolus vulgaris) (Bianchini et al. 1981; Caner et al. 1981), principalmente no plantio da seca (janeiro a abril). O objetivo deste trabalho foi testar o efeito dos inseticidas Imidacloprid e Thiamethoxan em tratamento de sementes sobre adultos da mosca
Bemisia tabaci, biótipo B em feijoeiro.
MATERIAIS E MÉTODOS
No experimento foram testados os seguintes inseticidas em tratamento de sementes: 1) Testemunha não tratada; 2) Thiamethoxan 700 WS 0,15 kg/100 kg de sementes; 3) Thiamethoxan 700 WS 0,20 kg/100 kg de sementes; 4) Imidacloprid FS 600 0,25 ml/100 kg de sementes; 5) Imidacloprid FS 600 0,35 ml/100 kg de sementes.
Sacos plásticos contendo 100 gramas de sementes de feijão da cultivar Pérola foram adicionados com as doses dos produtos indicadas acima. Os sacos plásticos foram agitados manualmente para distribuição uniforme dos inseticidas. Em seguida, vasos contendo solo latossolo vermelho escuro foram plantados com cinco sementes de feijão no dia 02/09/2003. Após a emergência das plantas, foi realizado o desbaste deixando somente duas plantas/vaso. As plantas com folhas primárias (dois dias após emergência) foram infestadas com adultos de mosca branca em casa telada. Após a infestação, os vasos foram colocados individualmente em gaiolas de tecido de filó. Cada tratamento foi
repetido 4 vezes com 2 plantas por repetição, em desenho inteiramente casualizado. A avaliação dos adultos vivos e mortos foi realizada após 1, 3, 6, 8, 11, 13, 15, 17 e 20 dias da infestação. Após cada data de avaliação, os vasos foram infestados novamente com adultos. As médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Tukey a 5%.
RESULTADOS
Em tratamento de sementes, os inseticidas Thiamethoxan a 0,15 e 0,20 kg/100 kg de sementes e o Imidacloprid a 0,25 e 0,35 kg/100 kg de sementes, mataram acima de 80% dos adultos 20 dias após a infestação das plantas, que ocorreu dois dias após a emergência das plantas (Tabela 1) Em todas as datas, a mortalidade dos adultos diferiu significativamente da testemunha. Não houve diferença significativa entre os tratamentos com Thiamethoxan e Imidacloprid, em todas as datas avaliadas. Novos experimento devem ser conduzidos em intervalos maiores para determinar por quanto tempo estes inseticidas mantém a eficiência de controle de adultos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BIANCHINI, A. ; HOHMANN, C. L.; ALBERINI, J. L. 1981. Distribuição geográfica e orientações técnicas para a prevenção do mosaico dourado do feijoeiro no Paraná. IAPAR- Informe da Pesquisa, Londrina, 5(42):3. CANER, J.; KUDAMATSU, M.; BARRADAS, M. M.; FAZIO, G. DE;
NORONHA, A ; VICENTE, M.; ISSA, E. 1981. Avaliação dos danos causados pelo vírus do mosaico dourado do feijoeiro (VDMF), em três regiões do Estado de São paulo. O Biológico 47(2):39-46.
Tabela 1. Número médio de adultos testados, adultos vivos e mortos e
mortalidade de adultos (%) de Bemisia tabaci biótipo B em experimento de tratamento de sementes de feijão com inseticidas neocotinóides. Santo Antônio de Goiás, setembro de 2003.
Tratamento Dose kg, l/ha N0 médio de adultos testados N0 médio de adultos vivos N0 médio de adultos mortos Mortalidade (%) (1º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 63,5 ab 2,5 61,0 96,5 a 0,20 55,5 b 1,2 54,25 98,2 a Imidacloprid FS 600 0,25 71,5 ab 4,5 67,0 94,8 a 0,35 52,5 b 5,2 47,0 89,3 a Testemunha 0,0 131,5 a 125,2 6,2 6,9 b C.V. - 42,4 - - 11,4
(3º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 41,7 a 0,0 41,7 100,0 a 0,20 40,2 a 0,5 39,7 98,8 a Imidacloprid FS 600 0,25 30,2 a 5,5 24,5 78,1 b 0,35 44,0 a 7,5 36,5 83,4 b Testemunha 0,0 67,5 a 58,0 9,5 14,9 C.V. - 37,1 - - 12,1
(6º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 61,0 a 1,5 59,5 96,9 a 0,20 54,2 a 1,5 52,7 97,0 a Imidacloprid FS 600 0,25 51,5 a 1,0 50,5 98,4 a 0,35 53,0 a 1,0 52,0 97,6 a Testemunha 0,0 35,0 a 28,2 6,8 19,4 b C.V. - 47,5 - - 18,9
(8º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 79,5 a 6,0 73,5 92,2 a 0,20 74,5 a 5,5 69,0 92,0 a Imidacloprid FS 600 0,25 69,2 a 12,5 56,7 81,9 a 0,35 45,5 a 7,2 38,2 84,5 a Testemunha 0,0 83,0 a 75,2 7,7 8,3 b C.V. - 37,3 - - 13,9
(11º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 73,7 a 4,7 69,0 92,7 a 0,20 99,5 a 12,5 87,0 84,0 a Imidacloprid FS 600 0,25 88,2 a 12,5 75,5 83,3 a 0,35 63,0 a 6,5 56,5 88,8 a Testemunha 0,0 81,7 a 73,0 8,7 11,0 b C.V. - 31,6 - - 15,3
(13º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 51,0 a 1,2 49,7 96,9 a 0,20 60,2 a 0,5 59,7 98,9 a Imidacloprid FS 600 0,25 45,5 a 1,0 44,2 97,4 a 0,35 33,5 a 1,8 31,7 96,2 a Testemunha 0,0 48,5 a 38,5 10,0 19,7 b C.V. - 48,4 14,5
(15º dia após 1ª infestação de adultos)
0,20 72,7 a 2,5 70,2 95,5 a
Imidacloprid FS 600 0,25 51,0 a 2,0 49,0 95,8 a
0,35 48,5 a 1,2 47,2 97,4 a
Testemunha 0,0 51,7 a 42,0 9,7 18,8 b
C.V. - 43,3 - - 14,2
(17º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 72,5 a 2,0 70,5 98,1 a 0,20 101,0 a 2,5 98,5 97,4 a Imidacloprid FS 600 0,25 58,2 a 4,5 53,7 93,7 a 0,35 69,0 a 5,5 63,5 89,3 a Testemunha 0,0 70,5 a 61,5 9,0 12,8 b C.V. - 48,8 - - 17,1
(20º dia após 1ª infestação de adultos)
Thiamethoxan 0,15 58,0 2,7 55,2 95,7 0,20 64,2 6,7 57,5 89,6 Imidacloprid FS 600 0,25 68,7 26,2 42,5 61,5 0,35 55,2 5,7 49,5 90,1 Testemunha 0,0 51,2 42,0 9,2 17,9 C.V. (%) - 42,1 - - 17,4 1
Médias seguidas da mesma letra não são significativamente diferentes pelo teste de Tukey a 5%.
DANOS DE Neomegalotomus parvus ( HEMIPTERA : ALYDIDAE ) EM FEIJOEIRO Phaseolus vulgaris
Batista, V. C. S.1; Quintela, E. D.;2 ; Lemes, A. C. O.3; Pinheiro, P. V. 2 1
Bolsista da Secretaria Ciência e Tecnologia de Goiás (SECTEC)/Embrapa Arroz e Feijão [email protected]
2
Pesquisador e TNS, Embrapa Arroz e Feijão, Rod. Goiânia a Nova Veneza, Km 12, 75.375-000, Sto. Antônio de Goiás, GO
3
Bolsista do CNPQ/Embrapa Arroz e Feijão
Palavras-chave: Nematospora corylii; mancha de levedura; Heteroptera
INTRODUÇÃO
O percevejo Neomegalotomus parvus (Hemiptera: Alydidae), conhecido como manchador de grãos, é considerado praga secundária da cultura da soja, mas na região central do Brasil têm aumentado significativamente em lavouras de feijão com ocorrência em São Paulo, Minas Gerais e Goiás (QUINTELA, 2002).
Os adultos são insetos ágeis e voadores rápidos. Os machos apresentam coloração marrom clara e as fêmeas são escuras, possuindo um abdome maior.
Por se alimentarem dos grãos com a introdução do aparelho bucal nas vagens, danificam diretamente os tecidos, tornando as sementes chochas e enrugadas, reduzindo o peso e afetando a qualidade e a produção dos grãos. N. parvus pode infectar as sementes de feijão transmitindo a mancha de levedura causada pelo fungo Nematospora
corylii. Segundo Panizzi (1988), é possível que muitos danos ocorridos
em soja, no Brasil, atribuídos aos pentatomídeos, podem ter sido causados pela atividade alimentar de N. parvus.
Como o nível de controle dessa praga em feijoeiro ainda não é conhecido, é importante quantificar o dano causado para recomendação de controle. Esse trabalho teve objetivo de avaliar o dano causado por
N. parvus em grãos de feijão, em diferentes fases da formação das
MATERIAIS E MÉTODOS
Os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação na Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antonio de Goiás. No primeiro experimento, plantas de feijão, cultivar Pérola, foram individualizadas por gaiolas nas fases de vagem recém-formada (canivete), vagem com grãos cheios (enchimento) e vagens secas, infestadas com 0 ,1, 2, 3 e 4 insetos adultos por planta, por um período de 10 dias, em cinco repetições por tratamento. Diariamente realizou-se a reposição dos insetos mortos. Após a colheita, avaliou-se o número de sinais de alimentação por grão, peso dos grãos e porcentagem de grãos danificados. Foram atribuídas notas de 0, 25, 50, 75 e 100% de grãos danificados com base na porcentagem da área do grão com mancha de levedura. No segundo experimento, avaliou-se o dano causado por machos e fêmeas adultos na fase de enchimento de grãos, utilizando-se 4 insetos por planta por um período de 10 dias.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os percevejos causaram maior dano aos grãos na fase de vagem recém-formada, seguida por grãos cheios e secos (Figura 1). O peso médio dos grãos reduziu significativamente com o aumento do número de percevejos (Figura 2). Com relação à porcentagem de dano nas sementes, apenas o tratamento com quatro percevejos foi significativamente diferente da testemunha na fase de vagens secas (Figura 3). Observou-se que as fêmeas causaram maior dano às sementes do que os machos (Tabela 1).
Tabela 1. Número médio de furos por semente e porcentagem de sementes
danificadas por fêmeas e machos de N. parvus. Médias seguidas pela mesma letra não são diferentes pelo teste de Tukey a 5%.
Tratamentos Sementes danificadas % Nº médio de furos
/sementes Fêmeas Machos 97,72 ± 0,045 a 60,79 ± 0,34 a 11,35 ± 2,11 a 5,81 ± 5,8 b Testemunha 0,0 ± 0,0 b 0,0 ± 0,0 c CONCLUSÃO
O percevejo causou maior dano aos grãos na fase de vagem recém- formada seguida por grãos cheios e secos. O peso médio dos grãos
0 5 10 15 20 25
Numero médio de sinais de alimentação nos grãos
Fases das vagens Seca (R9) Enchimento (R8) Canivete (R7) a b a 1 percevejo 2 perce vejos 3 percevejos 4 pe rceve jos Teste mun ha a a b b b b bc ab ab a c a b b b R9 R8 R7
reduziu significativamente com o aumento do número de percevejos, aumentando os sinais de alimentação pelos percevejos. As fêmeas causaram um maior número de sinais de alimentação e reduziram significativamente o peso dos grãos quando comparado aos machos. A porcentagem de área do grão com levedura foi maior nos grãos em que as fêmeas se alimentaram e nas vagens em fase de canivete.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
QUINTELA, E. D. ; Manual de identificação dos insetos e outros invertebrados pragas do feijoeiro. Documentos 142, CNPAF, 51 p, Dezembro, 2002.
QUINTELA, E. D. ; Manejo integrado de Pragas do Feijoeiro. Circular Técnica, 46, 1º edição, CNPAF, Dezembro, 2001.
SANTOS, C. H. ; PANIZZI, A. R. ; Danos qualitativos causados por
Neomegalotomus parvus Westwood em sementes de soja. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, 27 (3), p. 387-393, 1998. Instituição de fomento: Embrapa Arroz e Feijão, CNPq, SECTEC
Fig. 1. Sinais de alimentação de Neomegalotomus parvus em grãos de feijão
em diferentes fases de formação de vagens. Médias seguidas pela mesma letra, por fase das vagens não são estatisticamente diferentes pelo teste de Tukey a 5%.
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Peso médio dos grãos (g)
Canivete (R7) Enchimento (R8) Secas (R9)
a
Fases das vagens
b 1 percevejo 2 percevejos 3 percevejos 4 percevejos Testemunha a a b a a a a a a a a a a R9 R8 R7 0 20 40 60 80 100 120
Dano nas sementes (%)
Fases das vagens
Canivete (R7) Enchimento (R8) Seca (R9) 1 percevejo Testemunha4 percevejos 3 p erc evejos 2 p erc evejos a b b b b a a a a a b a ab b ab R9 R8 R7
Fig. 2. Peso médio de grãos de feijão atacados por N. parvus em três fases da
formação das vagens. Médias dos tratamentos seguidas pela mesma letra, por fase das vagens, não são estatisticamente diferentes pelo teste de Tukey a 5%.
Fig. 3. Porcentagem de dano nos grãos de feijão atacados por N. parvus.
Médias dos tratamentos seguidas pela mesma letra, por fase das vagens, não são estatisticamente diferentes pelo teste de Tukey a 5%.
DESENVOLVIMENTO VEGETATIVO E PRODUÇÃO DE MANGABA (Hancornia speciosa GOMES), SOB AS CONDIÇÕES DE
IRRIGAÇÃO E ADUBAÇÃO
Souza, L. A. C.1; Silva, S. M. C.1; Nascimento, J. L.1 1
Bolsistas PIBIC/CNPq - Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia-GO. [email protected]
Palavras-chave: mangaba, adubação, irrigação e extrativista
INTRODUÇÃO
O recente interesse pela cultura da mangaba no Brasil, mais particularmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, cresceu substancialmente, quer seja pelos agentes diretamente envolvidos nos diferentes segmentos da sua cadeia produtiva, quer seja pelos setores responsáveis pelo desenvolvimento e difusão de novas tecnologias agrícolas e de processamento da polpa. Apesar desse interesse, a mangaba continua a ser uma cultura essencialmente extrativista, ocupando mão- de-obra não qualificada, caracterizando a sua importância também do ponto de vista social e econômico para as populações da zona rural e, salvo algumas raras exceções, não existem, ainda, pomares organizados ou implantados com a finalidade de exploração racional para a produção de frutos (Espíndola & Ferreira, 2003; Lederman & Bezerra, 2003).
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi conduzido na coleção ex situ da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, GO, a 16º 36' de latitude Sul, 49º 17' de longitude Oeste e 730 m de altitude, clima Aw-úmido, com verão quente e chuvoso, temperaturas mensais acima de 18 ºC e inverno de quatro a seis meses, em plantas adultas, na maioria, já em produção de frutos.