3.4 Protocole pour la comparaison expérimentale des estimateurs
3.4.2 Bornes de Cramer-Rao
Uma das principais funções da Terminologia é observar as unidades da linguagem natural e das linguagens de especialidade e propor a representação de conceitos e sistemas de conceitos através de termos, e com base em metodologias específicas. Emprega-se a denominação Terminografia para a prática desta atividade.
A Terminografia mantém estreita relação com a Terminologia, visto que é nela que busca os fundamentos teóricos para a sua aplicação, concretizada na elaboração de dicionários técnicos, glossários, bancos de dados, repertórios de termos, etc. Com efeito, o estudo sobre os termos é que dá suporte à produção destas obras terminográficas. Para Boulanger, a Terminografia é definida como:
Trabalho e técnica que consiste em recensear e estudar termos de um domínio especializado do saber, em uma ou mais línguas determinadas, considerados em suas formas, significações e relações conceituais (onomasiológicas), assim como em suas relações com o meio socioprofissional. (Boulanger, 2001, apud KRIEGER, 2004, p. 50)
Uma obra terminográfica é elaborada para fornecer informação de um determinado campo de conhecimento, sobretudo no que diz respeito ao léxico utilizado com valor especializado, ou seja, os conjuntos terminológicos, cujos conceitos são analiticamente articulados pelas definições. O princípio de olhar as terminologias in vivo, ou seja, estudar os termos em seus contextos de uso tem norteado a elaboração de trabalhos terminográficos, no sentido de que valorizam a representação do termo no sistema conceitual e registram as formas concorrentes e correlatas, utilizadas nas comunicações especializadas, indicando os modos que efetivamente estão sendo usados (KRIEGER, 2004, p. 64).
A Terminografia tem a função de registrar a padronização, para possibilitar uma comunicação especializada e precisa, porém, ela não se restringe a uma visão pragmática de produção de instrumentos terminográficos; tem sua identidade própria de disciplina científica que, de acordo com Barros (2004) analisa seu objeto de estudo, propõe novos modelos de tratamento dos dados, reflete cientificamente sobre o seu trabalho, além de construir uma metalinguagem própria e de consolidar uma metodologia de elaboração de dicionários terminológicos.
Para isto, conta com uma variedade de obras que procura atender às necessidades das comunidades de diferentes segmentos sociais, cada qual com a sua linguagem de especialidade e meios de comunicação. Barros (2004) considera que toda obra terminográfica pode ser chamada, de modo genérico, de repertório ou dicionário e apresenta uma classificação básica para os produtos terminográficos:
1. Dicionário (termo concorrente: dicionário de língua) sistema que arrola grande quantidade de unidades lexicais ou fraseológicas de uma língua, registrando, também, as diferentes acepções que a palavra pode ter nos inúmeros universos de discurso. O dicionário apresenta, obrigatoriamente, definições, mas não dados enciclopédicos.
2. Dicionário terminológico (termo concorrente: vocabulário): situa-se no nível de norma registrando unidades terminológicas de um ou vários domínios. Apresenta, obrigatoriamente, definições, mas nenhum dado enciclopédico.
3. Glossário (termo tolerado: dicionário bilíngüe, dicionário multilíngüe): apresenta uma lista de unidades lexicais ou terminológicas acompanhadas de seus equivalentes em outras línguas. Sua principal característica é não apresentar definições.
4. Enciclopédia: oferece dados de natureza extralinguística e referencial. Se este tipo de obra apresentar também definições, será chamado de dicionário enciclopédico.
5. Léxico: situa-se no nível de uma norma, uma vez que lista unidades lexicais terminológicas ou qualquer tipo de expressão utilizada pelo autor que se considere de difícil compreensão do público leitor de uma obra. Figura normalmente como apêndice da obra e apresenta as unidades lexicais seguidas de suas definições.
Independentemente da diversidade dos conteúdos de cada tipo de trabalho terminográfico e das diferenças estruturais entre glossário, dicionários ou, até mesmo, banco de dados terminológicos, existem alguns elementos e princípios que são comuns na medida em que refletem o modo como a Terminografia trata de seu objeto: o termo.
Tendo em vista a necessidade de observar e dimensionar os fundamentos teóricos necessários à identificação das terminologias e com base nos princípios de análise do funcionamento dos termos, visa o seu registro em instrumentos de referência especializada e para isto, adota procedimentos metodológicos e pragmáticos. Dessa forma, os produtos terminográficos são construídos para registrar, e, de certo modo, fixar expressões especializadas, criadas por especialistas e empregadas em seus discursos na comunicação de uma área de conhecimento.
Quando utilizado para fixar termos ou expressões consideradas como as mais adequadas, os produtos terminográficos desempenham uma ação padronizadora, que nada mais é do que uma medida de controle da variação terminológica presente nas linguagens de especialidade. Para Cabré (1993, p. 91) “o objetivo final da fixação dos termos é garantir uma comunicação precisa, moderna e unívoca”.
Quanto às diretrizes metodológicas da Terminografia, a orientação clássica privilegia como procedimento básico de identificação dos termos, a onomasiologia que parte da identificação das noções ou aspectos conceituais para o estabelecimento do termo. Os produtos terminográficos podem ser construídos com o propósito de padronizar a terminologia de uma área e também de buscar um ponto de vista mais descritivo.
Considerando que o objetivo maior de um produto terminográfico é estudar e organizar os conjuntos terminológicos, refletindo suas condições de uso nas linguagens de especialidade, é mais apropriado que ele tenha um caráter mais descritivo para cumprir com a sua finalidade de comunicação do conhecimento.
Ao postular estes princípios, a Terminografia está em harmonia com a análise de uma terminologia in vivo para evidenciar o uso especializado do termo nos discursos científicos; entretanto, isto não significa que as linguagens de especialidade sejam exclusivas dos ambientes acadêmicos e científicos: estão presentes também entre grupos de pessoas que compartilham conhecimentos e técnicas. Segundo Lara (2007)13, o trabalho terminológico também pode resolver indiretamente o problema ocasionado pelo isolamento dos termos de seus contextos de uso, “uma vez que as fontes utilizadas são os discursos de especialidade, solo de referências contextuais e expressão de uso efetivo das unidades com valor terminológico”.
13
A definição do conjunto terminológico que deve compor a nomenclatura de uma área de especialidade está diretamente relacionada aos objetivos da obra e, consequentemente, da pesquisa terminológica. Segundo Barros (2004, p. 119), a exaustividade e a homogeneidade desse conjunto de termos e sua organização em um sistema nocional dependem de um bom conhecimento do domínio tratado e da metodologia de trabalho empregada, e, com efeito, a precisa delimitação do domínio é importante para o sucesso do trabalho terminográfico. A importância do estabelecimento do sistema de conceitos pode ser verificada em diversos momentos da elaboração do trabalho terminográfico, como por exemplo, na escolha da nomenclatura, no tratamento dos dados, na organização do sistema de remissivas, no aprofundamento de uma pesquisa terminológica.
Apesar de não ser tarefa específica da Ciência da Informação, o trabalho terminográfico pode ser adotado para solucionar problemas inerentes à representação da informação, em áreas carentes de vocabulários controlados, dicionários especializados, glossários e outros instrumentos. Ao estabelecer um sistema de conceitos organizam-se os termos pertinentes ao domínio, pois considera-se que estas unidades são expressas no interior das linguagens de especialidade como subconjuntos que delimitam e caracterizam estes domínios. O próximo tópico aborda as relações presentes no sistema conceitual/terminológico.