Chapitre II. Les différents adsorbants naturels et synthétiques
II.4. Les biosorbants
Compreende-se "Igreja Eletrônica" a que utiliza os dispositivos e recursos eletrônicos na comunicação com os seus fiéis ou com o público que pretenda atingir, como alternativa à obrigação da presença física nos templos tradicionais, com o objetivo de unir eletronicamente uma comunidade, uma vez que a palavra Igreja, em latim
ecclesia e em grego ekklésia, se refere a uma assembleia de pessoas, uma congregação, enfim, uma assembleia de cristãos. Sobre a Igreja eletrônica, Gomes diz que
"(...) Pode-se arguir pela possibilidade de uma religião eletrônica. Não seria somente uma religião que se valeria dos dispositivos eletrônicos para se comunicar com os seus fiéis, mas uma comunidade unida eletronicamente. Dito de outro modo, tendo os dispositivos eletrônicos como ponto de união, espaço mediador para estabelecer comunidade e comunicar-se com Deus" (2010, p. 46).
Uma questão inevitável que fica é: pode-se falar em comunidade através da televisão? Se sim, então ela seria uma comunidade analógica e jamais comunidade no sentido pleno. A força do processo midiático é tão impactante que o mesmo está fazendo balançar conceitos tradicionais e consagrados como "presença", "participação", "comunidade". Estes conceitos, sob efeito da midiatização sofrem mutações semânticas e ganham novas significações (Cf. GOMES, 2010, p. 47). São questões que merecerão serem aprofundadas nos estudos comunicacionais.
A Igreja Eletrônica (electronic church), também denominada de religião comercial (commercial religion) teve seus primórdios no Brasil na década de 60-70 sob a influência dos Estados Unidos, manifestando-se no âmbito da mídia religiosa na televisão. Foi a época dos pregadores eletrônicos norte americanos, os mais conhecidos,
Rex Humbard e Jimmy Sweggart. Os evangélicos já buscavam fazer-se presente na televisão brasileira, graças à influência desses pregadores norte americanos. Diversos pastores e Igrejas evangélicas alugavam horários nas emissoras Bandeirantes, Manchete e SBT, com a firme determinação de evangelizar o telespectador. Juntaram-se aos pregadores eletrônicos norte americanos os pastores brasileiros Carlos Apolinário, Silas Malafaia, Edir Macedo, Apóstolo Hernandes, Romildo Soares, entre outros. Nas décadas de 80-90, na corrida por espaços com programas religiosos na televisão as Igrejas evangélicas compravam espaços nas Tevês existentes e em 1991 a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Macedo comprou a Rede Record com o firme propósito de ganhar espaços na sociedade brasileira.
Hugo Assmann em sua obra A Igreja Eletrônica e seu impacto na América
latina, publicado nos anos 80, apresenta como núcleo dos seus estudos a invasão dos pastores eletrônicos nas grades de programação das televisões brasileiras, analisando o espaço midiático conquistado por esses pastores eletrônicos norte-americanos no continente latino-americano e o comprometimento desses com uma linha conservadora e tradicionalista. Três deles passaram pela televisão brasileira, Rex Humbard, Jimmy Swaggart e Pat Robertson. Os programas de televisão que eles apresentavam eram constituídos por cultos com fortes apelos emocionais, com ênfase na dramaticidade das pregações e uma performance teatral envolvendo todo o corpo, com seus movimentos e gestos que promoviam uma forma de espetáculo religioso, com a centralidade dos cultos na figura de um ídolo de massa. Seus espetáculos religiosos eram adequados para o espetáculo proporcionado pela televisão:
“Um traço característico desses cultos eletrônicos era justamente a adequação do espetáculo religioso ao espetáculo proporcionado pela TV. Todo o espaço era previamente ajustado para o posicionamento ideal de câmeras, devendo o pastor situar-se fisicamente no palco de modo a favorecer o melhor registro visível de seu corpo, movimentos e iluminação. Assim, foi com os tele evangelistas norte-americanos que o Brasil começou a assimilar a presença de uma igreja eletrônica” (KLEIN, 2006, p. 149).
A religião midiática passa a assimilar aspectos próprios da mídia televisiva. Todo o espaço sagrado passa a ser planejado para a televisão e o corpo do pastor ou padre com seus movimentos performáticos passam a se destacar mais do que a Palavra. A iluminação final os eleva a patamares de deuses. Segundo Assmann (1986, p. 16), as principais características da igreja eletrônica promovida pelos pastores norte-americanos eram: a crescente utilização dos meios eletrônicos, a centralidade do culto televisivo em torno da personalidade do pastor, iluminada no palco, a autonomia destas igrejas
eletrônicas em relação aos demais grupos religiosos tradicionais. O eixo salvação- milagres-coleta de fundos e a interpretação fundamentalista da bíblia, era comum a todos os tele evangelistas, sobretudo, quando realizavam seus cultos em grandes arenas esportivas.
A igreja eletrônica no contexto brasileiro tem as seguintes características: "a) Programa distribuído nacional e internacionalmente; b) Apresentação exercida por uma liderança de significativo peso carismático; c) Solicitação de recursos por parte dos telespectadores para sustentação do programa ou da estrutura que o mantém; d) Elevados custos de produção e veiculação; e) Venda de produtos, tais como, livros, discos através dos programas; f) Sistema de controle por telefone, cartas e computação de simpatizantes, colaboradores e telespectadores em geral" (CARDOSO, 1984, p. 7).
São características que se fazem ainda presentes de um modo geral nos programas religiosos cristãos na TV brasileira e com facilidade constatadas nas atuais televisões de inspiração católica. A igreja eletrônica, utilizando os modernos meios de comunicação, transformou-se para as Igrejas em um providencial instrumento para que estas atinjam seus objetivos, de alcançar seus fiéis, de expandirem audiências e influências e de marcarem presenças no mundo midiático.
“A crescente presença de programas religiosos no rádio e na televisão pode ser vista como fruto da união do ímpeto missionário cristão com o poder irradiador dos meios eletrônicos. Estes proporcionariam, com menos esforço, a possibilidade de acelerar a ordem de ir e fazer discípulos em todas as nações. Em um mundo midiático, fazer missões deixa de ser uma atividade exclusiva de um corpo que se inscreve em um determinado espaço, em uma determinada cultura, com a finalidade de levar o Evangelho, muitas vezes em espaços hostis, com todos os riscos assumidos. À presença física somam-se agora as possibilidades de ir fazer discípulos sem o corpo, utilizando-se apenas de suas extensões, através de ondas radiofusoras” (KLEIN, 2006, P. 144)
A igreja eletrônica é invasiva. Ela pode entrar nos lares das pessoas sem que estas tenham consentido. Nesse sentido, ela exerce uma violência simbólica, utilizando uma expressão do comunicólogo Harry Pross, quando este analisa as formas de ocupação através dos meios eletrônicos. Segundo Pross, os mass media transformam em realidade o transporte de símbolos, o que acontece por meio de caminhos simbólicos. Os meios eletrônicos dispensam o envio de emissários, ou soldados, enviando no seu lugar a sua imagem, expressando através da mesma, o esplendor da sua presença. Ao se
referir ao tamanho da população e à extensão do espaço a ser atingido, diz ele que:
“Quanto maior a população e maior o espaço dominado, menor é a necessidade de impor à viva força o reconhecimento, e maior a importância de dispor-se de meios eletrônicos” (PROSS, 1980, p. 123). Assim, os meios eletrônicos, para as Igrejas se
transformaram em seus melhores aliados, aparatos em potencial nos seus propósitos missionários.
2. Modelos, cenários ou ambientes?